terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rendas

Sempre que à floresta são dadas as condições de desenvolvimento sustentado, ela retribui-nos assim, com um entrelaçado rendado verde, onde dança a luz filtrada do sol e o pensamento voa, se liberta nesta casulo verde, sem paredes nem portas, mas que, mesmo assim nos envolve, nos encerra no seu puro ventre verde.
Quem assim fala, escolhe a praia, os ardores do sol, a impertinência da areia, o vento salgado, o choque térmico das águas marinhas.
Contudo, sempre que me é dado mergulhar neste universo verde, os sentidos aguçam-se, a pele arrepia-se perante o intocável, imaterial, mundo verde, mágico e dominador.
A natureza está aí, pródiga, benevolente, pronta a dar, a criar e recriar com toda a imensa força da sua simplicidade.





Com toda a arrogância do meu minúsculo poder criativo, permito-me afirmar que o meu crochet roubou a forma a e a cor a um pedaço da floresta.
Permitam-me, portanto, que, em bicos de pés, assegure que esta renda é um produto do verde absoluto desta floresta.
No final será uma almofada.
Uma almofada florestal.
É comparar a formiga com o universo, eu sei, mas este é todo o  poder representativo de que disponho.


Beijo,
Nina