terça-feira, 22 de agosto de 2017

Hondarribia





Saindo de San Sebastian, antes de atravessar a fronteira para entrar em França, vale a pena fazer um pequeno desvio em direção ao litoral e visitar Hondarribia.

É uma terrinha encantadora, orgulhosa da sua natureza basca e vaidosa da sua localização quase de península que se intromete no mar.
É uma localidade turística, mas, felizmente, não excessivamente, não no que o termo tem de pior.

É fácil estacionar, fácil encontrar uma esplanada para apreciar a paisagem e beber uma cervejinha gelada.

A arquitetura é diferente, é conservadora, é um misto de arquitetura alpina misturada com laivos de terra de pescadores.

É assim:




Em todo o lado bandeiras da nacionalidade que tanto prezam !
- Hondarribia, Sempre!



No cais, muita gente.
Por quê? - perguntei-me?

Afinal tratava-se de uma exibição ...

Rapazinhos mergulhavam sem medo - refrescavam-se e, ao mesmo tempo ganhavam umas moeditas!
Espírito empresarial precoce, pareceu-me!


Depois da volta pelo litoral, dirigi-me para a rua  paralela, interior, com ar de alameda, uma espécie de sala de visitas que, terminada a hora da praia, será seguramente muito preenchida pelos visitantes.


E, de novo, o mesmo ar festivo e hospitaleiro, a mesma alegria no ar, a garantia de que estamos em Hondarribia, País Basco, e em nenhum outro local veraneante.
 Aqui respira-se o bom acolhimento e sempre, sempre um fortíssimo espírito nacionalista.

Vale muito a pena (re)visitar.

Beijo
Nina

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

San Sebastian


San Sebastian dista 100 Kms de Bilbao e, por autoestrada chega-se lá num instante.
É uma cidade muito bonita que merece a visita. 
Acontece que tem tradição aristocrática, como lugar de veraneio, com verdadeiros palácios bordejando a baía.
 Se atualmente os muito ricos espanhóis diversificaram a escolha, rumando a exóticos paraísos,  acredito que continue a existir uma elite fiel a estas paragens.
 Por isso, em San Sebastian, no mês de Agosto, os hotéis são exorbitantemente caros. 

A solução é visitar a cidade e seguir para dormir noutras paragens. 

Foi o que fizemos.

Saímos de Bilbao pelas 10 horas, chegamos para o café do meio da manhã, passeámos, almoçámos e partimos, passando por Hondarribia - uma cidadezinha encantadora - acabando por dormir já em França, em Saint Jean de Luz ( a propósito, também cara como fogo),


No GPS insiro o nome da cidade, omitindo o da rua.
O que acontece?
Sou conduzida ao centro.
Não falha.



No caso, o centro de San Sebastian situa-se justamente aqui, nesta ponte que cruza este rio que vai desaguar, uns metros adiante, no mar



Junto à ponte, uma parque de estacionamento subterrâneo.
Mais prático, impossível!
Larga-se o carro e parte-se à descoberta.





Em cada extremo da ponte esta espécie de pórtico visível à distância ...



Depois é caminhar ao longo do rio ...

... e rapidamente se chega à cidade!


Do lado esquerdo a praia, a tal praia de duques e marqueses, a Praia da Concha ...




... de amplo areal, mar calmo e pouco concorrida.

Acredito que este Mar Cantábrico não tenha nada a ver com o nosso tépido e manso Atlântico algarvio.
Por mim, nunca, jamais, em tempo algum trocaria!


Depois foi só seguir as indicações do Casco Antiguo para nos embrenharmos na teia de ruelas medievais, não particularmente diferentes das que mostrei em Bilbao.
Muita gente, muito calor e alguma fome.
Havia que comer!
E já!

No País Basco a concentração de restaurantes medalhados com a Estrela Michelin é impressionante. Os bascos cozinham bem, são criativos e dispõem de matéria prima de excelência.
Mas não, não é de modo algum necessário ( nem aconselhável por óbvias razões) procurar um restaurante desse gabarito.
Basta olhar a Carta exposta no exterior e entrar, com a certeza de que será bom.




Comemos aqui ...






... um menu turístico ...

... composto por entrada, prato, sobremesa e café, muito, muito bom!


Depois seguimos, deambulámos ...






... para acelerar  a digestão e maravilhar os olhos.


Também aqui, como em todas as cidades espanholas existe uma Plaza Mayor, o coração da urbe ...



Esta é designada por este estranho nome, tão estranho quanto o dialecto oficial


Tirando essa diferença, os bascos são afáveis, solícitos, muito amistosos e adoradores das coisas boas e bonitas da vida.
Encantadores, numa palavra.

Em cada canto uma surpresa ...

Este "chico" manipulava marionetas com mestria - uma tocava violino, a outra acordeão.

No chão, o estojo do violino aberto esperava a contribuição dos passantes.
De bom grado colaborei.

Bem alimentada, com os sentidos embalados por sons, cores e formas bonitas, despedi-me de San Sebastian.
Até qualquer dia!

Beijo
Nina








sábado, 19 de agosto de 2017

Saudades




Dizem que só em português existe a palavra capaz de exprimir este sentimento, que é uma mistura de nostalgia, de ânsia de rever algo ou alguém, uma funda tristeza e um exaltado desejo de fugir dela, da tristeza, percorrendo o caminho inverso, no tempo e no espaço para voltar lá, ao quando e ao onde se foi feliz.
Tive saudades!
Dos meus sábados, das minhas rotinas , das minhas coisinhas ... fui a Cerveira!

Só que estamos em Agosto!
Só que, para além da feira habitual, havia uma Medieval !
Conclusão!
-Socorro! Tirem-me deste filme!
Desta enlouquecida multidão!




Não seria, no entanto eu, se não fizesse uma comprinha por mínima que fosse ...

E, a olho, sem provar, trouxe esta túnica vestido.



Mais uma a acrescentar às muitas ...



Mais uma, igual, mas diferente ...

... graças aos bordados verdes!


Serve para a praia, para passear ao longo da praia, para usar em casa, numa saída rápida, num fim de semana descomplicado, para me alegrar os olhos, me entusiasmar na modorra do insuportável calor.

Gostei!
E, como se comprova, fico feliz com pouco.

Não apaziguei totalmente as saudades com a saída!
Não!
Apetecia-me algo mais!
Apetecia-me bolo de iogurte/limão caseiro - cuja receita está AQUI!


Assado ...
Aguardando 10 minutos para ser ...

... perder calor ...
... e ser desenformado ...

Está lindo, apetitoso, perfumado ...


... e promete matar ...

... todas as muitas saudades acumuladas.


Será logo!
Ao jantar!

Boa noite de sábado.

Beijo
Nina

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mergulhando em Bilbao




Todos os textos que fui postando enquanto andava por fora, foram fruto do iPad, muito portátil, bastante versátil, mas, ainda assim, pleno de limitações.
É o teclado que induz em erro, são as fotografias que não têm qualidade, são ainda os caprichos do "zingarelho" que quando inopinadamente surgem, não há como revertê-los - principalmente eu, cuja competência na matéria é o que é.

Posto isto, sabe-me muito bem, no meu habitat, escrevinhar umas coisinhas, como agora faço.

Ainda p'ra mais, a tarefa tem o seu quê de recreio, já que, só agora dei por terminadas as hostilidades no que à arrumação diz respeito. Não que esteja tudo perfeito, mas, quem é que quer ser perfeito? Está, asseguro, habitável e controlado - malas desfeitas e arrumadas, máquinas de roupa sucessiva e consecutivamente ativadas, refeições "alinhavadas" - que me recuso a sair para jantar! -  enfim, estou em casa.

Vamos, então, às fotografias, que são muitas e bastante elucidativas.

O tempo, esse caprichoso,  nunca foi de pleno Verão. Quente, é certo, mas com trovoada ao longe e perpétua ameaça de chuva, a que já me referira AQUI!



Bilbao é uma cidade interessantíssima que merece todas as visitas.
Não se limita ao fabuloso museu GUGGENHEIM!
Não!


Toda a cidade é extraordinária.

Convem escolher um hotel no centro, de preferência com garagem.
Ficámos no Ibis Centro, com preço razoável, restaurante aceitável e localização excelente.
Além disso, este, tal como todos os hotéis  da cadeia Accor admitem cancelamento, em norma,  até às 18 horas do próprio dia, sem qualquer custo o que facilita toda e qualquer mudança de planos.



Por isso, sou fã incondicional desta marca- desde que exista, é onde me hospedo.



Pertíssimo fica a Gran Via, a artéria principal com edifícios majestosos e lojas para todos os gostos - embora predominem as cadeias que se encontram em qualquer cidade europeia.


Muitas das ruas são exclusivamente peatonais e nelas proliferam bares, restaurantes e esplanadas - povo mais festeiro do que os espanhóis, não conheço!

O exterior apresenta-se irrepreensivelmente cuidado ...


Com janelas e varandas floridas.
Passei o tempo de pescoço torcido, soltando "Ohs" de espanto!




Quando descobri este limoeiro num exíguo primeiro andar, confesso, emocionada, quase me descontrolei, com ímpeto  de tocar à campainha e felicitar os "jardineiros" apaixonados!

Ñão faltam espaços verdes, mas, suspeito que os locais, precavidos,  emigram em Agosto dando lugar aos turistas.


A partir da Gran Via, atravessando uma ponte, entra-se no mundo misterioso , quase medieval, do Casco Antiguo, o espaço mais interessante que se pode imaginar.

Encontrei um antigo mercado - o mercado da Ribeira - transformado em vários pequenos restaurantes, onde o verbo "tapear" concretiza o seu real significado:







São mesas e balcões e cadeiras e tapas e paellas e vinho e cidra e jamon e quesos e  ...
Uma delícía!
Um delírio de imaginação!
Uma festa à mesa, como os espanhóis tão bem sabem fazer!






















Saí!
A custo!
Saí, porque não tinha fome. Mas tive muita pena de não a ter!


Mergulhei em ruelas que se chamam "Kale" e espreitei mundos e mundos. Exóticos, diferentes, alegres ...





Não fiz compraras.
Olhei!
Enchi os olhos  ...









Adorei a diferença ...

Sorri e afaguei este hyppie florido ...

... estes bascos inusitados ...

E enterneci-me com este puro e visível amor aos bichos, nossos irmãos.

Foi aqui que fotografei a imagem chocante do homem no lugar do touro, lembram-se?



Esta!

Não por acaso, não!
Aqui, assume-se sem pudor que a tourada é barbárie!


Continuei!
Perdi-me num estranho emaranhado "gótico", com seres perfurados por "pregos",sarrabiscados por tatuagens, indiferentes ao mundo, numa coexistência pacífica imperturbável!



Amo, amei Bilbao!

Tantas as vezes que visitei esta cidade ... e tantas as descobertas, como se, de um mundo que se renova a cada minuto, se tratasse.

Estes são os meus olhos.
E nada mais subjectivo do que o olhar!
Esta a minha leitura, entusiasmada, admirada.
Tantas outras serão possíveis!
Tantas quantos os olhos que em Bilbao passeiem.

Amanhã partimos.
Com pena.
Com entusiasmo.
Continuaremos descobrindo o País Basco.

Beijo
Nina