segunda-feira, 9 de maio de 2011

LYGIA FAGUNDES TELLES

Ontem, na revista Pública, li um artigo sobre esta escritora brasileira.
Não conheço o seu trabalho, mas a história da sua vida empolgou-me de tal forma que vou tratar, imediatamente, deste lapso no meu conhecimento.
Fiquei a saber que é uma senhora de 88 anos, que " sobreviveu a todos os seus amores".
Que "... os contos continuam lancinantes...", mas que a sua voz está "...apaziguada".

Pela sua própria voz, tomamos conhecimento de um episódio com ela ocorrido há tempos atrás e que a define como ser humano, mas, essencialmente, como ser humano na sua relação com os outros, com a sociedade.
Foi assim que tudo se passou:

Uma noite, à saída do cinema a que tinha ido sozinha, encaminhou-se a pé para a sua residência, seguindo por uma rua quase deserta, no centro de São Paulo.
A dada altura do percurso, ouviu o roncar do motor de uma moto que a seguia, mas não a ultrapassava.
Abrandou o passo para confirmar os seus receios e a moto seguiu-lhe o exemplo.
A um quarteirão de distância da porta da sua residência, segura que iria ser alvejada pelas costas, deixou-se dominar pelo pânico e correu o mais depressa que podia.
Não alcançou a porta e foi alcançada pela moto.
Dela, soltou-se uma voz de homem jovem que gritou:

EU TE AMO LYGIA FAGUNDES TELLES!

Quero conhecê-la!
(Queria ser amada assim...)

Beijos,
Nina

domingo, 8 de maio de 2011

Lamego


É uma pequena cidade no norte do país, que pertence ao distrito de Viseu.
Cresceu de uma forma pouco simpática à volta do seu núcleo histórico, esse sim, muito interessante, principalmente a igreja da Nossa Senhora dos Remédios, que mais exterior que interiormente, vale a pena visitar.
Situada num ponto alto da cidade, liga-se ao centro através de um a escadaria de pedra, intercortada por patamares ornamentados com figuras mitológicas.
Ontem chovia quando fiz estas fotos, facto que rouba brilho e luminosidade ao ambiente.
Mesmo assim, parece-me que vale a pena publicá-las uma vez que continuam elucidativas:



Fachada principal da igreja


Nicho na parede exterior da igreja com a Nossa Senhora e o Menino

O teto é lindo numa tonalidade turquesa e estuque branco

Janela com vitral representando a Virgem

Os jardins que rodeiam a igreja são ornamentados com estátuas humanas em tamanho real

A escadaria em socalcos. Ao fundo, a cidade.
 A viagem de ontem, prolongou-se por todo o dia e, não fora a chuva ocasional que retirou brilho às fotos, poderia ter sido bem mais agradável.
A caminho de Lamego, a meio da manhã, houve pausa para café na Pousada de S. Gonçalo, em Amarante, que prima pelo conforto e pelo bom gosto:



Canto da sala de estar
Outro ângulo
O fogão de sala que sugere deliciosos momentos de conversa ou leitura

Nos arredores de Lamego, concretamente, na Régua, uma pequena cidade junto ao rio Douro, actualmente nas bocas do mundo por se situar no coração do Douro vinhateiro, abriu, recentemente , um agradabilíssimo restaurante, O Pratos e Castas, com comida de autor, deliciosa. 
Quem preferir uma experiência gastronómica mais tradicional, mas igualmente inesquecível graças à excelência das matérias primas, não terá qualquer dificuldade em encontrar estabelecimentos desse tipo.
Este, como disse, não é!
É cozinha gourmet em todo o seu esplendor.
Gostei muito e recomendo.

A decoração corresponde ao espírito da casa, com serviço rápido e atento e , situando-se na antiga estação de caminhos de ferro.
Não é barato, mas vale a experiência:
Vinhos, vinhos e ainda mais vinhos ...


O co(r)po do delito


Não é barato,repito, mas as experiências para a vida não têm preço.

Beijos,
Nina


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ilha da Madeira



A ilha da Madeira é um local paradisíaco onde, neste momento decorre a Festa da Flor, um espetáculo único graças às belezas naturais e ao talento dos seus artífices.

Das várias vezes que visitei este lugar único, nunca coincidiu com a celebração desta festa a qual, juntamente com a Passagem de Ano, constitui datas de referência em termos turísticos.

Na primeira vez que lá estive, há muitos anos, comprei numa loja no aeroporto um galhinho de estrelícias, com uma pequena raíz, uma das flores emblemáticas da ilha, juntamente com os antúrios e as orquídeas.
Plantei-as  ao chegar a casa..
Agora e repetidamente ao longo do ano, estão assim:


( Em primeiro plano, encontra-se a minha viçosa plantação de tomates, de me ocuparei logo que sujam os primeiros frutos.)

É por estas e por outras que não posso ver uma plantinha mais bonita ou mais estranha, sem que, procure por todos os meios ( alguns nada legais, confesso...),  trazer "uma amostra" na esperança de que vingue e, meses decorridos, encha a minha vida de beleza.

Beijos,
Nina






quinta-feira, 5 de maio de 2011

Inauguração da máquina de costura!

Não foi com pompa e circunstância, mas, em todo o caso, foi uma inauguração.
Aprendi com funciona a geringonça e já produzi:

De uns jeans velhos, rasgados no joelhos, fiz estes calções!
Estou mesmo orgulhosa...
Comecei por cortar as pernas das calças pela altura que me parecia adequada.
Depois, remetei com um zig-zag as bordas do tecido esfiapado.
Seguidamente, marquei com alfinetes a bainha e cozi!

Ficaram assim, giros de verdade.

E, já que estava com a mão na massa, fui-me às calças que comprei ontem e Zás! Cortei-lhes o pedaço de tecido que sobrava na altura das pernas, deixando uma dobra para a bainha.
Comecei pelo zig-zag para rematar os fiapos, marquei com alfinetes a altura adequada, alinhavei e, finalmente, com pontos imperceptíveis pelo exterior, fiz a bainha à mão.
Terminei, vincando com o ferro.
Já as provei:
PERFEITAS!
Acho que a partir de hoje ninguém me segura.
Ainda por cima, achei tão divertido, que quase não me sobrou tempo para o blog.

E já tenho outros projectos:
Umas almofadas que quero muito especiais para o sofá que mandei forrar.

Tudo isto é muito engraçado, porque se compara bastante com as minhas primeiras aventuras na cozinha, quando, nem sequer sabia ligar o fogão e hoje... ninguém reclama dos meus petiscos.
Nesta ousadia, há, entre outras coisas , uma grande dose de loucura.
Cada vez mais me convenço que é essa loucura que faz avançar o mundo.

Beijos,
Nina

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Estou muito ocupada...

Resolvi dar um avanço no meu crochet, o xaile multicolor que já mostrei e, por isso, a minha página não tem grandes novidades.
Mesmo assim, aconteceu que saí por 2 horas com uma amiga e ainda deu tempo de comprar um esmalte de unhas num tom quase roxo, lindo de morrer.




Para escolher, a empregada da loja pintou-me uma unha de cada cor e desconfio que, se a moda pega, até vão achar graça.



Na Zara, que está cada vez melhor, comprei um par de calças num tecido de seda pesada, muiiiiito lindas.
Estão super compridas e vou tentar fazer-lhes a bainha sem recorrer à costureira. Tenho que começar por algum lado se quero aprender costura, não tenho?

A fotografia não lhes faz justiça... são mesmo lindas!
Comprei ainda esta blusa irresistível de tão maravilhosa.

O tecido é seda de cor bege com estrelinhas fúcsia ... só visto!!!

Agora tenho de voltar ao tricot porque, como dizia a minha avó, " esta vida não chega a netos nem a filhos com barba". ( Estava redondamente enganada, claro, porque a longevidade feminina quase duplicou).
Beijos ou bacione, como diz a minha amiga Edna, lá de Milão,
Nina

terça-feira, 3 de maio de 2011

Presente do dia da mãe

Eu sei que não devia ligar, que são, essencialmente, datas produzidas artificialmente, que dia da mãe é todos os dias que blá, blá, blá... Eu sei, mas sou fraca e se não recebo um mimo do marido fico podre, fula da vida, zangada com ele, zangada comigo, zangada com a vida.
Semanas antes anuncio/ pergunto:
__ Quando é o dia da mãe?
 E, assim, infantilmente, vou deixando no ar avisos de que, para mim , o dia não pode passar, superiormente, em claro.
Eu não sou superior, pronto!
Quero um presente!
Mas não quero um presente qualquer, não!
Por exemplo, não quero um livro com um talão de troca , para devolver se me apetecer, e um acessório de cozinha só me enraiveceria.
Não, não é isso que eu quero.
Eu quero uma coisa muito gira, muito fashion, muito irresistível!
Conhecendo como conheço o meu marido, asseguro que ele,só consultando um desses personal adviser, poderia,e mesmo assim  sem qualquer garantia, vir ao encontro dos meus loucos delírios, tanto mais que nem eu própria sei ao certo, antecipadamente, o que quero.
Sejamos então práticos.
Aviso, antecipadamente:
--Eu compro o presente!
E então, sem propósito definido, saio e entro em lojas, vasculho, miro e remiro, até que, de repente, acho:




A prenda foi o blusão de couro castanho manchado, feito com uma pele fininha e uma aplicação de malha no lado interno das mangas que o torna imensamente confortável.
Descobri-o na Zara por um preço mais que acessível e, tenho a certeza que tirarei dele um grande proveito.
E assim se salvou a paz doméstica!
Já aos meninos, concedo-lhes liberdade absoluta, desde que não se esqueçam que eu, repito, quero prenda.
Deles recebi um perfume e uma clutch branca, para as noites de verão.

Que se há-de fazer?
Sou assim desligada!
(Que vergonha!)

Beijos,
Nina

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jantar de Amigos

Eu, tão moderninha,  ao contrário do que seria de esperar, tenho imenso prazer em fazer jantares para amigos.
Tem,  no entanto um decisivo "mas"... exijo que retribuam, não em restaurantes, nada disso, quero que seja na casa deles, cozinhado e preparado pelos próprios.
E não faço segredo, ou cerimónia acerca desta minha posição... quando ofereço um jantar cobro a retribuição.
Há por aí uns quantos amigos, com quem saio frequentemente, jantando em restaurantes "xpto", que não escapam às mordidelas sorridentes da minha parte:
--- Então, quando é que me vamos jantar à vossa casa?
E, pode tardar, mas acabo por ir.

Ontem ofereci um jantar para 6 pessoas.
Comecei a prepará-lo na véspera e no próprio dia, estando tudo adiantado e  mesmo pronto, o que era possível estar,consegui que, às 20 h, quando começaram a chegar, eu os recebesse linda e perfumada, embora tenha passado parte da tarde na cozinha.

Como metodologia, gosto de começar pela sala, pondo a mesa e preparando os aperitivos.
Este foi o aspecto final da mesa, já que era um jantar sentado:




Far-me-ão o favor de reparar que nada se compara a uma mesa branca.
As únicas excepções que permito são em festas de crianças e no Natal. De resto, a cor branca é a minha favorita.



Claro que há detalhes coloridos. Neste caso, os pratos apresentam uma margem em dourado e as flutes para o champanhe são a coisa mais linda, mais retrógada, mais decadente, mais elegante que  alguma vez vi.
Comprei-as em Paris, numa loja presente em todas as cidades francesas, chamada Maisons du Monde.
São tão frágeis que só eu as posso lavar e, mesmo com todos os cuidados, já parti uma.
O gosto de servir os que me são queridos é tão grande, que mesmo correndo estes riscos, faço questão de os apaparicar como se de princípes se tratassem.

A toalha de crochet dá um trabalhão gigantesco para ser passada a ferro. É uma tarde de toalha, já sei, mas compreendo e não apresso a operação.


O menu eleito foi, na sua quase totalidade, já publicado na Cozinha da Nina:

Enquanto esperavamos e conversávamos, comemos uns CROSTINI DE TOMATE, que apareceram na página " Cebolas e alhos", regados com uma garrafa de Don Perignon, bem gelada, que nos havia sido oferecida... casamento abençoado.

Iniciámos as hostilidades, propriamente ditas, com um CREME DE COUVE FLOR COM AMÊNDOAS E CEBOLINHO, já apresentada e que aguardava no frigorífico, desde a véspera, o momento de ser servida.

Continuámos com o QUICHE DE CEBOLA E AMEIXAS, uma experiência gustativa inesquecível, assada no próprio dia, mas cujo recheio descansava no frio.



O prato principal foi um ARROZ DE PATO, receita que hoje postarei na Cozinha da Nina e cuja preparação pode e deve ser iniciada no dia anterior, por razões que exporei.

Terminámos com uma TARTE TATIN DE PÊRA, servida com morangos ao natural e que foi excepção, na medida em que foi o único prato cozinhado inteiramente durante a tarde de domingo.





Durante o café, ainda se arranjou espaço para uns sublimes BROWNIES.

A minha cozinha, como sabem, é mínima e por isso, não gosto de ajudas que só atrapalham. ( Aqui entre nós, mesmo que a cozinha fosse imensa, prefiro poupar os amigos à chatice do after dinner). Por isso, sentámo-nos todos, como se não houvesse amanhã e, só depois de todos partirem, é que eu fui à luta.
Não sou capaz de me deitar deixando tudo em estado de sítio.
Por isso, descalço os stilletos, mudo de roupa, ponho um avental, calço umas luvas e em meia-hora os vestígios do combate desaparecem.
Não que fique tudo reluzente e esterilizado, mas fica apresentável.
Quando hoje chegou a D.M., não deu por nada de anormal e se eu não tivesse referido que a cozinha precisava de um carinho especial como só ela sabe dar,  aposto que não tinha pistas para o delito.

É muito giro!
Adoro receber de uma forma carinhosa e especial, mas reconheço que o hábito se está a perder e que a tentação do restaurante fala mais alto.

Mas, eu, repito, espero ( quase exijo) retribuição destes mimos.

Beijos,
Nina