domingo, 14 de agosto de 2011

Seguindo para o norte ...

Quem sai de Biarritz e se encaminha para norte, em direção a Bordéus, tem duas opções:
-Ou segue pela auto-estrada, no interior, ou se decide por uma estrada secundária, na marginal do Atlântico.
Escusado será dizer que, para quem passeia sem pressa, a segunda é, de longe, a melhor opção.
Devagarinho, descobrem-se pequenas localidades que privilegiam o veraneio, praias magníficas e restaurantes apetitosos, ruas e ruelas sem automóveis, um clima de férias, de verdadeiro lazer, em que as descobertas vão acontecendo, como que por acaso.
Na cidade de Vieux Boucau, as  artérias pedonais expõem  os "cadeaux", que se deixam admirar pelos passantes.







O único tipo de veículo permitido, em silêncio, aguarda o proprietário...

...que pode, perfeitamente, optar por um tranquilo passeio ao longo do canal,

...ou gastar a manhã na praia, sobre a areia branca, com crianças e cachorros.

O percurso para o areal atravessa uma suave duna,


que se desenrola num areal sem fim , que o mar toca delicadamente.

É linda, a cidade de Vieux Boucau!

Beijos,
Nina

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Biarritz

No sul de França, logo depois da fronteira com Espanha, no País Basco, aninha-se Biarritz, uma baía debruada por palácios, testemunhos de ocupações aristocráticas, pousio de reis, refúgio de perseguidos políticos, quando a monarquia governava o sul da Europa.
Visitei-a no final de Julho.


Grande Hotel, um 5 estrelas anacrónico, na majestade das suas linhas e ferrugem das canalizações.
Em nome de uma absoluta honestidade, devo esclarecer que falo de cor.
Nao me hospedei aqui.
Estou vacinada.
Há tempos, fui a Cuba, na que seria a minha, até aqui única, visita à ilha de Fidel.
O Hotel Nacional, o mais conceituado, mais medalhado, mais rico em história, foi a opcao.
Amplos átrios acolhiam os hóspedes.
Escadarias majestosas ligavam os diferentes pisos.
Quartos quilométricos e sumptosos ofereciam as suas avantajadas dimensoes, alcatifados, decorados com veludos, brocados nas janelas e tecidos preciosos por todo o lado.
Tudo envolvido pelo odor bafiento a velho, gritando por recuperacao profunda.
A meio de um duche, com shampo no cabelo, faltou a água!
Tudo tem o seu tempo...
A praia ao entardecer.
 Um areal agora disputado, ao centímetro,  por locais " en vacances",
pescadores amadores, vendedores ambulantes e desocupados em geral.
O intenso aroma de um gigantesco MacDonald anda no ar...

A vista continua a ser linda, mas falta-lhe alguma coisa para ser convincente, para continuar a servir como reduto de ricos que nós, os comuns dos mortais, adoramos espreitar pela nesga da porta mal fechada.
Ou se calhar sobra-lhe algo ... deve ser a multidão!

Outro ex-edífício de luxo.
Um hotel, talvez!
Lembra-me o filme  Shining onde Jack Nicholson reinava em todo o seu esplendor, em toda a sua loucura ...
Quase consigo ouvir a música de orquestra que escapa dos saloes de baile ...

Mas nao! A música que dancava no ar era a de uma qualquer festa basca.
Todos os bascos se vestiam de branco e vermelho, assim , de uma forma democraticamente plebeia, nas mesmas areias antes pisadas por reis e rainhas.

Biarritz permanecia, até aqui, no meu imaginário como uma lenda que, mesmo sem reis, mantinha a majestade.
Agora, tendo sido uma decepção, é o exemplo vivo daquela lei que, a todo o custo, há que respeitar:
Para manter intactos os sonhos, melhor não os testar, como  quando,ainda criancas, noite adentro, esperamos, a chegada do pai Natal.

Beijos,
Nina

P.S. Ressalvo a falta de acentuacao e cedilhas em várias palavras, erro imputável ao estranho teclado que utilizo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rendas


Agora, com este calor infernal que ameaça a nossa floresta, repesquei esta publicação de há vários anos ...



Sempre que à floresta são dadas as condições de desenvolvimento sustentado, ela retribui-nos assim, com um entrelaçado rendado verde, onde dança a luz filtrada do sol e o pensamento voa, se liberta nesta casulo verde, sem paredes nem portas, mas que, mesmo assim nos envolve, nos encerra no seu puro ventre verde.
Quem assim fala, escolhe a praia, os ardores do sol, a impertinência da areia, o vento salgado, o choque térmico das águas marinhas.
Contudo, sempre que me é dado mergulhar neste universo verde, os sentidos aguçam-se, a pele arrepia-se perante o intocável, imaterial, mundo verde, mágico e dominador.
A natureza está aí, pródiga, benevolente, pronta a dar, a criar e recriar com toda a imensa força da sua simplicidade.





Com toda a arrogância do meu minúsculo poder criativo, permito-me afirmar que o meu crochet roubou a forma a e a cor a um pedaço da floresta.
Permitam-me, portanto, que, em bicos de pés, assegure que esta renda é um produto do verde absoluto desta floresta.
No final será uma almofada.
Uma almofada florestal.
É comparar a formiga com o universo, eu sei, mas este é todo o  poder representativo de que disponho.


Beijo,
Nina

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Na Alemanha, na rua ...

Gosto muito da Alemanha como país, das condições de vida que oferece aos seus cidadãos, do seu respeito pela natureza, pelos seus imensos espaços verdes, pela fiabilidade da Miele e da BMW, entre muitos outros aspetos.
Não quer isso dizer que não tenha uma enorme pedra no sapato quando penso noutros detalhes, que vou, por agora, esquecer.
Vou frequentemente à Alemanha e, para minha vergonha, não falo alemão ( ou falo tão mal que é como se não falasse ...) e eles, muito queridos, que falam inglês como segunda língua, recusam-se, frequentemente a fazê-lo, principalmente nas cidades do Norte, o que cria um clima de alguma tensão.
Ultrapasso tudo isso, quando vejo os seus mercados de rua, coloridos, apetitosos, irresistíveis.





Os preços, não são exorbitantes se comparados com os nossos e a oferta é magnífica.
No que diz respeito às flores, são apresentadas como um bem imprescindível, como se de couves ou tomates se tratassem e, por isso, são vendidas aos molhos e assim carregadas para casa.
Acho que tal atitude define um povo.
 A beleza natural não é supérfula, mas essencial no dia a dia.
Porém, o meu lado maquiavélico não pode deixar de referir que esta postura se encontra absolutamente excluída da forma como a maioria das mulheres alemãs desfila a sua feminilidade:
-- Um desastre!
Já sei que não se pode ter tudo, mas um bocadinho de cuidado "às vezes cai bem"!
Cito como exemplo as sandálias alemãs, que são, apenas, os sapatos mais feios do mundo , ostentando os seus proprietários, como cereja em cima do bolo, um par de meias de felpo nas mais diversas tonalidades.
Só visto!
Beijos,
Nina

sábado, 6 de agosto de 2011

Flores do campo.

São, na sua simplicidade, mais importantes que os mais empolgados discursos a favor da defesa da natureza.
Não é possível ser indiferente a toda a sua imensamente simples beleza .
Entre um artístico e sofisticado ramo de exóticas e manipuladas flores e estas, qual escolher?
Difícil a resposta, pressinto.












Cesário Verde, poeta que particularmente me toca, escreveu o poema que junto, no qual, um ramo de papoilas, assume um simbolismo carregado de erotismo, não inibido pela natureza singela destas flores ... do campo.



DE TARDE

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampamos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Deste poeta, apresentarei outros trabalhos de inquestionável atualidade, que vestem como luvas, temas de hoje e de sempre.

Beijos,
Nina


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vi em montras,

... na rua, peças caras, caríssimas , e gostava de as copiar.



A mala é espantosamente elegante.
Alguém se atreve a reproduzi-la?
E a dar-me umas dicas?
Deve ser desafio super acessível para muitas das meninas.
A essas deixo o desafio!

Esta blusa é maravilhosa!
Não me parece tão inacessível como a mala, mas, mesmo assim, não será para principiantes.
As cores outonais, para a estação que se avizinha, são, na minha opinião, divinas, mas nada impede que sejam alteradas.
A quem matar a charada, dedicarei eterna devoção e gratidão.

Beijos,
Nina

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Foram cardos, foram prosas...


Com a melodia no ouvido e o desejo  de iniciar um trabalho em ponto de cruz, "tão relaxante, tão gratificante ...", bati de frente com este esquema e a empolgação foi imediata, tal como o foi o desastre absoluto que a seu tempo tornei público.



As meninas entendidas, verdadeiras experts, deram-me dicas, avançaram com sugestões que, no fundo, se resumiam a aconselhar-me a voar mais baixo.


Encontrei, então, este esquema, que se adequa ao espaço a que se destina e, acima de tudo, à minha perícia, ou falta dela.


Encontra-se nesta fase e constitui a minha segunda frente de batalha que, com já referi, se desdobra em três, para já, atendendo a que moderação  "é uma cena
 que não me assiste" (perdão, não resisti ao plágio)

Deixo o poema de Ricardo Soler que, não sei porquê, me ficou no ouvido. Acho as palavras com uma envolvência bucólica e eu gosto do campo.
Só pode ser por isso.

Foram Cardos Foram Prosas

Ricardo Soler

Há luz sem lume aceso
Mas sem amar o calor
À flor de um fogo preso
À luz do meu claro amor
Há madressilvas aos pés
E águas lavam o rosto
A morte é uma maré
Olho o teu amado corpo
Será sempre a subir
Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
Não foram poemas nem rosas
Que colheste no meu colo
Foram cardos foram prosas
Arrancados do meu solo
Será sempre a subir
Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
Beijos,
Nina