quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Gaivotas

Num ritual
outonal,
ocupam a praia
as gaivotas.


Serenas,
seguras,
maduras. 


Alisam penas
pequenas,
dezenas. 


Bebem a luz,
soltam o grito,
impunes,
imunes.


No ouro da areia,
na prata da água,


repetem gestos,
ancestrais gestos,


serenos,
pequenos,
cumprindo o destino.


Beijos,
Nina

Ressaca ...

... é exatamente o que sinto , depois que a tempestade se abateu sobre nós, no último domingo.
A primeira reação foi de pânico puro.
Como sobreviver sem o blog, este espaço, este tempo, estas pessoas que entraram na minha vida?
Se, assim, de repente, sumissem, deixavam um buraco profundo na minha alma.
Depois, sobreveio a confusão e, feita barata tonta, procurava em desespero, juntar os cacos, achar uma saída.
A dada altura, com a alma carregada de dor, conformei-me com a perda.
Depois, aos poucos, depois de descer ao inferno, vi uma estrela.
Tantas mãos se estenderam, tantas!
Obrigada, amigos, pelas sugestões, pelos alvitres, pelas soluções.
Do confronto saí mais forte, que é como sempre se sai, não é?
Mas tão cansada, tão fisicamente debilitada!
Em puro estado de ressaca!

Uma menina, Ila, dona de um blog incrível, http://ilaine-minhacasa.blogspot.com/ , afirmou , na perfeição, genialmente, naturalmente, com toda a simplicidade, o que senti:

Sem o blog, inexisto!

Beijo
Nina

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rendas ...

de espuma, quando se fala do tempo que entre os dedos se escoa, de açúcar festivo no topo do bolo, de audácias mal contidas, no decote generoso que mostra mais do que esconde, na espuma das ondas que, branca e fria, se desenrola em metros e metros sobre  areia à mercê, silenciosa... rendas que enfeitiçam que cobiçam que atiçam sonhos e proibidas fantasias.
Rendas que seduzem,  encantam, fascinam , que  prendem, libertam, nas asas dos sonhos.
Vejo rendas quando, indistintas, as imagens me assaltam.
Amo rendas, arma de beleza suprema, de manipulação letal ou divina.
Perdida num mundo verde vi rendas, muitas rendas (9/08) que assim se materializaram:

Era uma almofada banal, um pouco gasta!


Sobre o fundo verde do cadeirão, ganhou estatuto!
E já que
era para ficar bem, mais bonito, aqui estão, fiz duas!


Beijos
Nina

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O bicho voltou,

através de outros blogs assinalados.
Não sei como resolver a questão e, neste momento, encontro-me na fase de ignorar os avisos e "continuar", simplesmente.
Não acredito que este seja um problema de qualquer blog, mas uma disfunção do sistema que acabará por desaparecer tal como apareceu.
Haja paciência!

Não estou, de modo algum, na disposição de abandonar o blog ou cortar os links com os amigos.

Beijos

Nina

Amigos...





São recentes, conheci-os há 10 anos,quando muito, mas são tão especiais, tão queridos, que parece que nos conhecemos desde sempre.
São brasileiros, do Rio de Janeiro, do Leblon.
Ele é filho de portugueses que emigraram para o Brasil ainda ele era criança.
Relembra, repetidamente a visão da cidade a partir da Baía da Guanabara, quando, de barco, aí chegou.
Diz que, a partir desse momento, jamais deixou de amar o Brasil e que, ainda hoje, falecido o pai há muitos anos, lhe agradece, todos os dias, a decisão que o levou a partir com a família para o outro lado do mundo.
É um homem lindo, de farta cabeleira branca, simpático, muito culto, muito interessante e, todos os anos nos encontramos, aqui ou no Rio.
Ela, uma carioca de gema, é uma doce senhora de olhos azuis e cabelos loiros.
Doce é o adjetivo que melhor a define, com o seu sorriso sereno e a palavra exata no momento próprio.
Fazem excelente companhia e hoje almoçamos juntos.
Estão cá até ao fim de semana próximo, altura em que regressam ao seu "habitat", como dizem.
Vêm da Grécia que percorreram durante 15 dias, e só nos reencontraremos, possivelmente, no Rio, que me ensinaram a percorrer, a conhecer em profundidade, como só os cariocas  conhecem.
Com eles descobri restaurantes, bares, salas de espetáculo, teatros, lojas, o Saara e muito mais ...
Com eles aprendi a amar o Rio de tal forma que esta é, de facto, a Cidade Maravilhosa, onde SEMPRE me apetece regressar.
Obrigada amigos!
Já estou com saudades.

Beijos,
Nina

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ervas aromáticas

Investi , principalmente, em ervas aromáticas, nesta incursão pela feira.
Considero a sua presença indispensável, mesmo no mais simples dos pratinhos, tornando-os únicos em sabor e odor, com a vantagem acrescida, que permitem a diminuição drástica do uso do sal, que tão prejudicial é para a saúde.


Num vaso de tamanho médio, plantei, replantei os perfumados coentros.
São muito pouco exigentes, mas, no que há rega diz respeito, não toleram distrações e o solo tem que estar sempre húmido, embora não empapado.

A hortelã vive numa floreira de reduzidas dimensões que, durante o verão, serviu de abrigo a amores-perfeitos.
Bastam umas folhinhas para transformar uma banal sopa num inebriante manjar perfumado, já para não mencionar os refrescantes Mojitos ou aconchegantes chás digestivos.

As folhinhas de basílico são indispensáveis nos molhos que envolvem as pastas.
Um vasinho de dimensão média é suficiente para criar um pujante pé.

Nada como uns galhinhos de rosmaninho para temperar assados.
Ganham alma nova se esta ervinha os aconchega.
É muito pouco exigente e, ao contrário das anteriores, suporta melhor a falta de rega.

Três pés de alface, ainda bebés, adaptam-se à nova casa.
Aqui cresceram flores.
Agora, espero que a folhagem verde nos encante a vista e adoce o paladar
São pimentos, senhor!
Muitos, pequeninos, médios alguns ,mais grandinhos outros, ainda uma promessa em flor, uns poucos.
Precisam de espaço, um vaso grande com boa drenagem, exposição solares e tutores para os ramos mais carregados.
Para já, deslumbram-me!
Vê-los assim verdinhos, brilhantes , reluzentes, apaziguam qualquer aflição.
Com eles, confesso, falo!

Olha aqui as florzinhas!
São promessas vivas de frutos!

Agora, há apenas que, atenta, muito atenta, esperar.

Beijos,
Nina


domingo, 25 de setembro de 2011

Foi um filme de terror...

... daqueles que cortam a respiração, que torcem e retorcem as entranhas quando, à mercê de um poder tão maior que nós,  apenas resta o desalento, a entrega, a desistência.

Foi assim:
Pela manhã, abri o correio, publiquei comentários e, enquanto decorria a caminhada de todos os dias, deleneei a mensagem a postar.

À tarde, livre de solicitações, preparada para a entrega ao prazer imenso que é dar-me, dar o que penso, o que vi , o que me impressionou, o que me parece ser digno de compartilhar, confrontei-me com o monstro:

-Um cartaz vermelho, ocupando todo o ecrã, avisando da existência de um problema, transmitido por outro blog , que poderia permitir a entrada de Hackers e que tornava o meu espaço um território perigoso!

Ouvira pela primeira e única vez a designação "Hacker" quando li a trilogia do Millenium e, mesmo então, na minha santa ignorância, condescendi na hipótese de que tal  sinistra figura pertencesse apenas  ao mundo  da ficção.
Mais tarde fui esclarecida que pérfidas personagens, mestres da informática, têm, efetivamente, capacidade para se infiltrarem nos nossos domínios, com intenções reprováveis.

Pedi ajuda ... tinha que pedir, mas ninguém conseguiu resolver o problema.
O blog apontado como responsável pela possibilidade de me ter contaminado já foi, em tempos, no início desta aventura, muito visitado por mim.
 Aos poucos, porém, dada a pequena reciprocidade que a dona desse blog me concedia, a distância foi aumentado e, seguramente, que há várias semanas que não comento qualquer postagem.
Esse blog, por inércia da minha parte, continuava, contudo, presente no painel dos blogs que visito e que avisam sobre novas mensagens.

Há minutos atrás, numa derradeira e desesperada tentativa para resolver o horror, retirei o dito blog do meu painel, desfazendo, assim, o link existente e, como que por milagre, desapareceu a visão do inferno, vermelha, ardente, dolorosa, que ocupava, comia e destruía o meu plácido espaço verde.

O meu alívio foi equivalente ao horror de horas de verdadeiro desespero.
Não chorei, mas o nó na garganta sufocava-me.
Não imaginava que este espacinho, estrada de dois sentidos, que percorro, corro, divago, encontro e abraço, rio e gargalho, que abre portas de vidas, pontes que cruzo, avanço e recuo, fosse isto, uma parte tão doce da minha vida.


Dos amigos entendidos que consultei durante uma tarde passada ao telefone, recebi um inquestionável conselho, que compartilho:

Nunca, em caso algum, importar o que quer que seja de outros blogs, incluindo-se nesse número, os doces e queridos selinhos.
São, repito, um risco a não correr.

Aos que me visitaram e chocaram com o horror vermelho, peço  que esqueçam, que foi um susto, que eu estou aqui e não vou a lado nenhum e que não represento a mais ínfima ameaça para quem quer que seja.

Oxalá não sejam nunca vítimas de tal experiência.

Só quero esquecer.

Beijo, beijo, beijo ...
Nina