quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O grande "porquê" ...






Falo de tricô!
Falo por mim!
Porque tricoto?
Porquê?

Tricotar requer tempo, vagar, porque tricotar por empreitada é tarefa penosa.
Tricota-se como e quando apetece.
Apenas!
A mim apetece-me todas as noites de Inverno, ao serão - lareira acesa, TV ligada e tricô nas mãos.

Tricotar exige alguma prática e muita insistência, porque ninguém se inicia nesta arte tricotando bem, tricotando de forma aceitável.
Ninguém!

É preciso insistir, persistir, treinar, para que o ponto saia certinho, bonitinho.
Depois, há meia dúzia de regras a interiorizar - aumentos, diminuições, cavas, decotes e um ou outro ponto de fantasia.

Além disso, indispensável se torna a execução da amostra - oh! coisa chata, oh! perda de tempo! Estar uma pessoa ali, ávida para começar, perdendo tempo na incontornável amostra - a que ditará a dimensão correta, sem a qual grandes desastres, terríveis desastres podem ser antecipados.

Acresce a tudo isto que é preciso comprar fio e agulhas. Que não são propriamente baratos.

Contas feitas, fica muito mais barato, resulta muito mais prático, proporciona imediato prazer, comprar feito! Seguramente!

Vai uma pessoa a uma qualquer loja e confronta-se com montanhas, catadupas de malhas dando sopa, esperando quem as vista e as desfrute.
Tudo prático. Tudo imediato. Tudo barato, tudo na onda do use e deite fora. Do descartável. Porque foi barato. Porque o prejuízo é residual.

Mas...

Ainda sim, tricoto!


Tricoto porque se puder fazer, não compro - e não é uma questão de dinheiro, pelo contrário...

Vou casando as (muitas) camisolas com o que me apetece e gosto da originalidade, do modelo provavelmente único.

Enquanto este frio polar persistir, nenhum programa me arrebata tanto quanto a sessão noturna de tricô que, suponho. em breve terminará, pois, infelizmente, lãs e calor não coabitam na minha pessoa.

Até lá, tricoto.
Dentro das minhas limitações, é certo.
Mas tricoto.
Alegremente.
Indiferente aos preços mais em conta, indiferente às pechinchas, indiferente à variedade da oferta, tricoto. Tricoto sempre.

Beijo
Nina (a feliz aprendiz de tricotadeira)

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Croquetes

Croquetes é uma opção simpática (e trabalhosa, quase chata ...) para aproveitar sobras de carne (ou de peixe).

No caso, tinha congelado uma quantidade considerável de peru assado, que sobrou do almoço de Natal. Acontece que a carne desta ave é por natureza seca e exige cuidados na sua preparação. Embora esteja longe de ser a minha ave preferida, no almoço de Natal, em nome da tradição e da exigência de alguns dos meus comensais, sempre temos peru assado recheado.
A parte mais escura - pernas e coxas - são as mais suculentas e as preferidas pela maioria, embora haja quem não abdique do peito, mas esses estão em minoria.
De modo que sobra principalmente peito.
Este ainda é possível ser comido no dia seguinte, bem regado com o molho.
Depois, torna-se intragável de tão seco.
Por isso o congelo e, semanas volvidas, dou-lhe destino.

Começo por passar toda a carne, sem pele nem vestígio de ossos, pela máquina de picar.
Só esta operação acarreta já uma carga de trabalho, sujando-se uma imensa traquitana.
Para não me fartar nem desistir, guardo a carne picada numa caixa hermética e só no dia seguinte a utilizo.

Como disse, a quantidade era grande.

Comecei por preparar o recheio para um empadão - refogando cebola, alho, aipo e tomte a que juntei a carne em quantidade suficiente. Borrifei com vinho branco. Acrescentei um iogurte grego natural. Retifiquei os temperos. Montei o empadão com puré de batata que polvilhei abundantemente com queijo ralado, antes de gratinar.

Estava bom.
Muito bom.
E não fotografei que me esqueci.

Com o restante picado preparei os croquetes.
Oh! Trabalheira!

Comecei pelo bechamel em que utilizei uma chávena de chá de leite seguindo os passos normais.
Juntei o bechamel à carne picada. Levei ao frigorífico para ganhar consistência.



Quando endureceu, estava pronto para modelar "as bolinhas"

Agora a parte chata:


Modelar bolinhas ou ovinhos conforme a preferência ...


Um prato com farinha, um prato com ovo batido, um prato com pão ralado são indispensáveis ...

Não tinha pão ralado!
Oh! vida!
Resolvi a falha recorrendo à Bimby ...


Já tenho pão ralado!

Depois é passar cada bolinha por farinha, ovo e pão ralado, nesta sequência.

Tirando o facto incontornável que esta operação provoca uma considerável desarrumação ...



Vale a pena ...

MESMO!!!
Estão ótimos e são suficientes para duas refeições (notícia mais deliciosa!)

Moral da história:

- Sobrou carne?
- Sejam lindas(os), queridas(os) e preparem croquetes!

Beijo
Nina

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Cachemira / caxemira

No título deste texto constam as duas formas possíveis para designar este material. Tinha dúvidas e investiguei. Não que fosse muito importante, que não é, mas quis satisfazer uma curiosidade e esclarecer uma dúvida. Porque, sempre ouvi dizer, que só os ignorantes não têm dúvidas.

Descansem os espíritos impacientes que não vou alargar-me relativamente a questões ortográficas. Não!
O que aqui me traz é mesmo a cachemira (agora apenas com esta grafia)
E porquê?
Porque me agrada o material, o facto de ser fino e quente. Gosto desse tipo de agasalho que não me "enchouriça".

Comprava uma ou outra peça, quando o rei fazia anos. Comprava frequentemente no El Corte Inglês e comprava lá por fora, no estrangeiro.


Esta veio de Dusseldorf, na Alemanha, a bom preço ...


... se comparado com os preços nacionais.
 Na altura comprei esta e outra em azul bebé. 

A pechincha a que me referi rondou os 100€. Foi uma excelente compra, pois têm vários anos, muito uso e algumas lavagens.
Estão ambas impecáveis, sem borbotos, sem deformar.

Até que, por cá, o cenário mudou. Mudou quando a Zara começou a comercializar cachemira.
A medo, comprei.
Sendo o preço semelhante ao que pagara na Alemanha, comprei.
Porém, só o preço é semelhante.
A qualidade deixa muito a desejar.


Neste modelo, com decote em bico, apropriada para usar com body ou blusa, tenho esta, em preto e outra em castanho.




A forma vai-se mantendo, mesmo depois de lavada.
O pior é o borboto!
Aquelas bolinhas de pelo arruinam completamente o aspeto da peça.
Sinto que visto uma sarapilheira velha.

Tentando, se não solucionar, pelo menos remediar o problema, uso esta escova ...

,,, que não é uma escova convencional, visto que não tem cerdas.
Funciona razoavelmente, retirando o borboto e qualquer outro pelinho indesejável.

Já comprei uma maquineta que supostamente barbearia a superfície afetada pela praga do borboto, mas não me convenceu.
Tentei ainda usar a lâmina de barbear (do marido), mas pareceu-me excessivamente agressiva e não insisti.
A melhor ferramente pareceu-me  ser esta espécie de escova.

Entretanto, na nova coleção da Zara, na secção de malhas, vi cachemiras com cores lindas, mas não! Não arrisco. Não quero.

Prefiro uma malha menos nobre, mas mais honesta.

É a minha opinião.
Se tiverem outra, partilhem comigo.
Agradeço.

Beijo
Nina

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Meu Porto Seguro





Aproveitando o tempo seco - embora gelado - tenho investido nas caminhadas, junto ao rio Douro, ou junto ao mar.

Bem sei que sou suspeita - porque considero a minha cidade a mais bela do mundo, o melhor lugar para se viver, o meu Porto Seguro - mas ainda assim e sempre me encanto, me deixo fascinar pela beleza do que a minha vista alcança. 
E fotografo, fotografo, fotografo ... para registar o que pretendo seja eterno.


Ao longo da margem esquerda - Vila Nova de Gaia, caminho em direção à Ponte D. Luís que atravessarei , chegando ao Porto, à Ribeira do Porto


A Sé Catedral e o Paço Episcopal, edíficios majestosos , lá no alto, na parte antiga da cidade

Estes foram em tempos os barcos que transportavam o Vinho do Porto, partindo da Régua, navegando até Vª Nª de Gaia, onde as pipas eram depositadas nas Caves.

Hoje estes barcos - os Barcos Rabelos - são meramente decorativos ou utilizados no transporte de turistas que fazem cruzeiros no rio Douro

São tão elegantes.
 A este falta-lhe a vela gigantesca que o fará mover.

No casco, o nome das Caves a que se encontram ligados

Atualmente enfeitam o rio ...

Em terra, placas com a identificação das diferentes Caves, das diferentes marcas de vinho 

Esta, muito conhecida é também uma imagem plena de charme

Olha o espírito empreendedor da nossa gente - há turistas, há mercado de rua 

Observei que vendem imenso ... estivese eu noutra fase da minha vida ( estudante, com pouco dinheiro ...) acho que o meu lado mercantilista me faria virar  vendedora de rua

Aqui artigos feitos a partir de cortiça - Botas? A sério?



Atrvessar a ponte nem sempre é fácil, porque a multidão de turistas complica o trânsito ... porém,  nada que não se ultrapasse!

Na Ribeira do Porto ... mais compras, mais vendas, imenso movimento!

Os bares multiplicam-se e, para meu grande espanto dei de caras com o Bar do Peter que conheci nos Açores 

A esplanada está ainda vazia. É a hora matutina! Ao almoço dificilmente se encontra mesa livre.

Largo do Terreiro ...

,,, com o CUBO do José Rodrigues ...

... e, ao fundo, um nicho com S, João, o santo da cidade ...

A arquitetura é o que se vê - genuína e preservada ...

Uma teia de ruelas medievais ...

Tudo muito bem aproveitado.
Em redor, os idiomas misturam-se.
 Há gente de todo o mundo!

O Porto é uma cidade de pedra ...

granítica ... despojada, verdadeira.
Na parte antiga, a pedra está muito presente.


Com arte souberam casar o antigo com o moderno ...


como é o caso do Café do Cais


Gosto deste colorido - nascendo da pedra, cresceram casinhas pintadas!

Encontrei a Tuna!
 Não sei de que Faculdade, mas lá estavam eles, os jovens estudantes animados.
Tocavam, cantavam e até dançavam.

Num desvão, roupa secando à janela, imagem de marca de um bairro antigo ...


Vi pela primeira vez esta homenagem - ao Duque, um barqueiro que salvava vidas ou resgatava corpos do Douro.
Aqui é uma figura lendária. Quase um herói.

Voltei a atravessar a ponte, voltei a Vª Nª de Gaia onde estacionara. Recolhi este pedaço da sua história.

Qualquer dia volto.
Volto sempre.
E sempre descubro novos tesouros.
No meu Porto Seguro.

Beijo
Nina




domingo, 13 de janeiro de 2019

Mangas raglan






Sem falsas modéstias e falando muito a sério, garanto que os meus conhecimentos no âmbito do tricô são limitados. Sei pouco. Mas o que sei, sei mesmo. Sei bem.

Uns quantos pontos, uns quantos princípios e sei como fazer cavas para mangas raglan. Sei uma técnica. Acredito que haja outras, diferentes e melhores. Mas, repito, sei esta e satisfaz-me.

Aprendi consultando sites.Verdadeiramente  ensino à distância. Online!
Logo eu que privilégio os olhos nos olhos.
Se funcionou comigo, funciona com quem quer que seja.

Então é assim:

- Alcançada a altura desejada, no direito do trabalho, tricota-se 2 malhas em liga;
   Passando o fio para trás do trabalho, pá ssa-se a seguinte malha sem tricotar
   Tricotam-se, em seguida, em liga, 2 malhas seguintes juntas.

Continuamos a tricotar a carreira normalmente.

Quando faltar 5 malhas, tricotam-se juntas 2 malhas em liga;
Passa-se o fio para trás e passa-se a malha seguinte sem tricotar;
Tricotam-se as 2 últimas  malhas em liga.

O avesso é tricotado em liga.

Repete-se até que a altura da cava seja suficiente.

Na manga, aplica-se a mesma técnica.

Esperando ter sido clara, deixo esta explicação respondendo especificamente a uma amiga.
Oxalá tenha ajudado, Manuela.



Beijo
Nina

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Andorra



Andorra é um pequeníssimo país com características únicas.
Implantado em plenos Pirinéus sofre influência direta de França e da Catalunha, sendo estes os idiomas oficiais, embora o castelhano e o português sejam correntemente falados.
- O português?
- Sim! Dado que aqui vive uma imensa comunidade portuguesa, trabalhando principalmente no comércio e nas obras públicas,
A sua presença é de tal modo recorrente que, nos hotéis, restaurantes e lojas, não me dou ao trabalho de falar outra língua que não o português ( quando muito, um pouco de portuñol) e logo me respondem na mesma moeda.

Não se passa ao largo de Andorra.
Não!
Vai-se a Andorra que fica a 200Kms da autoestrada que liga Zaragoza a Barcelona. A dada altura encontra-se o desvio e, não tem que enganar, é seeeempre a subir - os tais cerca de 200 Km - e chega-se lá, a Andorra.

Por que se faz tal desvio?

- No Inverno pelos desportos de neve e pelas compras.
- No Verão pelas atividades na montanha e pelas compras.

De resto, nada mais justifica o desvio.


Eu vou pelas compras, que já foram bem mais vantajosas.
Ainda assim, Andorra continua sendo um Shopping Center (gigantesco) ao ar livre, localizado em duas ruas principais.

No Inverno é lindo, com as esfuziantes iluminações de Natal.
As ruas apresentam-se repletas de gente - as que vão para comprar e as que, a partir de certa hora deixam as pistas de esqui e vêm para o centro , Andorra la Vella, a localidade principal.


Muito para ver, muito para olhar - no caso uma réplica de uma obra de Salvador Dali

Este é o "meu" armazém!
 Provavelmente o mais antigo e mais bem fornecido de toda a cidade, com preços bem visíveis em cada artigo
 - importante para não comprar gato por lebre!


Rodeada por altas montanhas, a cidade está bem confinada a um espaço exíguo ...
Já falei com portugueses aí residentes que referiam saudades dos largos horizontes.
Como eu os compreendo - não suportaria facilmente viver em pouco mais de duas ruas.
 Acho que inevitavelmente seria atacada por claustrofobia.


Para quem vem de passagem, é interessante embora simbolize o pior da sociedade de consumo  - mas, é certo, que só lá vai quem quer.

Digamos que enquanto aqui estamos, assistimos ou participamos no esquema.
 É sempre uma experiência.

As nacionalidades misturam-se e torna-se impossível identificar a origem das gentes.
Há, por exemplo, multidões de russos - aliás foram eles que "nos" estragaram o negócio, com a sua abundância de dólares fizeram com que os preços disparassem.

As principais lojas são perfumarias ( essas sim, com preços incríveis, imbatíveis), roupas e sapatos  de marca, mas também lojas de decoração de elevadíssima qualidade.

Entra-se em Andorra la Vella, vindo de Espanha, por esta rua - linda, iluminada, desafiando a compra e mais compra

Já por aqui comprei roupas, que a oferta é fantástica ...

... e o bom gosto também.

Pena os preços!
Que os precinhos desmotivam ...
 
De modo que me limitei à perfumaria que, como referi  é mais de 50% abaixo do preço cobrado em Portugal

Esta praça quase mágica fica no caminho das lojas principais.
Acho que a ideia é hipnotizar os futuros compradores que, neste ambiente mágico perdem a noção da realidade podendo facilmente "desgraçar-se"

Parece o caminho para o paraíso, não parece?

E, para quem não for capaz de se conter, até é!
(Oh! que lindo! Gosto de tudo!)

Refiro que nesta época, plena época alta, os hotéis superlotados atingem preços absurdos. Melhor será pernoitar antes de atravessar a fronteira, ainda em Espanha, em La Seu d'Urgell. Aí encontra-se ofertas excelentes a preços aceitáveis.

Dito isto, perguntarão?
- Porque regressas tu a Andorra, conhecedora do esquema bem montado para te extorquirem os Euros?
- Regresso, porque sim. Porque o percurso é lindíssimo - das estradas mais belas do mundo - porque a experiência é sempre entusiasmante e porque, em férias, me permito pequenas (muito pequenas) loucuras consumistas que não admito no meu dia a dia.

P'ro ano, regresso!
Reclamando contra os preços. Mas regresso.
Prometido.

Beijo
Nina