segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A blusa que não foi!


Quando conclui com êxito esta blusa/camisola, admito que o nível de confiança na minha competência subiu vários (muitos, muitos ...) degraus.
Gostei do modelo, da sua simples execução e, muito do fio utilizado, uma mistura de pouca lã e fibra, que eu, tenho uma péssima relação com a chamada pura lã, pois, por muito pura , muito cara, muito requintada que seja, pica-me insuportavelmente. Daí que ... aposto numa mistura nada sofisticada, já sei, mas com a qual convivo pacificamente.
Quis, pois, tricotar nova blusa/camisola.
E comprei o tal fio. Preto. 


Escolhi o modelo.
Este!
Um jogo de abertos e fechados que acho lindo.
E pus mãos à obra ...

Seguindo este esquema acessível e simples.

Só que ...
Só que, não resultou!
Atendendo a que a minha sessão de tricô tem lugar à noite, depois do jantar, no sofá, em frente à TV, o fio preto (lindo!!!), mostrou-se absolutamente ilegível, escondendo mates e laças, numa teimosa sucessão de erros que me desesperou.
E, como contra factos não há argumentos ( nem óculos que me valessem ...) pus de lado o projeto, adiei-o, não o cancelei, que sou pessoa de paixões duradouras e continuo louca pelo modelo.
Nascerá numa cor colaborante, numa daquelas que se deixa ler sem levar a tricotadeira à demência.

E o fio preto?

O fio preto foi aplicado no modelo  mostrado aqui, avançando de vento em popa, sem exigências de 1000 olhos e a uma velocidade cruzeiro, que não nasci para me aborrecer e muito menos para sofrer!
O modelito é, inegavelmente maravilhoso, sendo que o disponibilizo e compartilho com a maior das boas vontades!
Mas, aviso, em preto, NÃO!

Beijo
Nina

domingo, 8 de dezembro de 2013

Canja de galinha!

Na sabedoria popular, as virtudes da canja de galinha são  um dado adquirido.
Como as cautelas e os caldos, as canjas de galinha nunca fizeram mal a ninguém e, como se sabe, eram panaceia para uma imensidade de mazelas, desde as constipações e gripes, até ao tratamento retemperador dado às parturientes que, noutros tempos, quando havia tempo ( e parturientes que, dada a baixíssima taxa de natalidade, quase se extinguiram), durante um mês, eram alimentadas com a sopinha milagrosa.
Estudos recentes parecem comprovar o poder anti-inflamatório do caldinho!
Pessoalmente, acho imensamente retemperadora, a canja, quando, como agora, em estado pós-gripal, nada me apetece, como com gosto, uma canjinha!
Associo-a, ainda, a tratamento aconchegante da alma, mais ainda do que o chá, de que sou fervorosa apreciadora.



Na receita tradicional, dizem que importada da China, a canja era preparada com arroz.
 Porém, prefiro-a com massa, de letras, se possível, num mergulho delicioso na minha infância.
Bem quente, com umas folhinhas cheirosas de hortelã ou manjericão, é um colo, um mimo, um afago.

A galinha, bem cozida, é desfiada, flutuando, harmoniosamente entre "eles, emes, tês, e todas as letras do alfabeto"

Não como regularmente canja. Deve ser por isso que me sabe tão bem quando a preparo.
Curiosamente, esta associação da canja ao bem-estar é um conceito muito amplo e não apenas português.
Neste momento, encontro-me mergulhada na ação de um "thriller"  inglês com tanto de cativante quanto de assustador. Nele, a protagonista, uma mulher com distúrbio obsessivo-compulsivo, vítima de violência doméstica, encontra, a dada altura, apaziguamento para a sua angústia, precisamente na canja.
A leitura desta passagem de "O buraco mais escuro" despoletou em mim a vontade irreprimível de comer canja.
Fui para a cozinha e improvisei.

Piquei  uma cebola e deixei que fritasse ligeiramente em azeite.
Acrescentei água e, quando ferveu, juntei a (parte da) galinha até cozer completamente.
Retirei a pele e os ossos e desfiei.
Na água da cozedura lancei uma mão cheia de massinha de letras. Temperei com sal e juntei a ave.
Servi com umas folhinhas de manjericão.
E confirmei:
- É absolutamente deliciosa e reconfortante, mesmo quando preparada assim, simplezinha, sem imaginação, sem pretensões!

E um ato da mais elementar justiça, tecer-lhe os elogios que merece.

Beijo
Nina

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mangas raglan

Como repetidamente tenho afirmado, sou uma auto didata no fabuloso mundo do tricô, usando a infalível técnica do faz/desfaz até atingir nível satisfatório.
Graças à imensa variedade de fios e texturas, a coisa vai resultando e, geralmente, atingindo níveis aceitáveis. 
Acontece que , quanto mais se produz, mais a fasquia de exigência sobe e os olhos ganham argúcia para avaliar o que está ou não bem executado.
A isso, creio, chama-se aprender e evoluir.
Com as ferramentas disponíveis aqui mesmo, na net, pode-se evoluir, sim e eu, perdão pela imodéstia, comprovo-o.

As minhas primeiras camisolas (blusas para as meninas brasileiras) eram, em poucas palavras, bonitinhas, mas apenas isso. Tratava-se de tricotar dois retângulos, um para a frente e outro para as costas, a que se seguiam, dois outros, menores, dimensionados para as mangas e pouco mais.
Aos poucos, fui adquirindo outras competências e assim nasceram cavas e decotes ... simples, sem pretensões!

Até que visitei Regina uma artista com agulhas e uma professora fantástica que tenho seguido com verdadeira veneração.


E assim nasceu esta coisa linda ...

...com manga raglan que assenta como uma luva.

Tem decote "regata", segundo as próprias palavras da Mestra!

Permitindo arranjos e combinações ilimitadas.

Com a Filipa a cujas "aulas" assisto religiosamente, aprendi como dar o acabamento final ao tricô, recorrendo ao ferro de engomar, alfinetes e pouco mais.

Sobre a tábua de passar, depois de humedecido.
Não há dúvida que o procedimento faz toda a diferença no resultado final.

Já iniciei outro trabalho, que isto de ser perfeita vicia.
Deixo os contactos das professoras de cujos ensinamentos dependo!
Aconselho uma, duas, várias, muitas visitas!

Beijo
Nina

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Compras!




Ele há compras e compras!
Umas toleram-se, outras abominam-se!
Gosto de compras na retrosaria, ou armarinho, como dizem os amigos brasileiros. Aliás, acho que a designação "armarinho" é perfeita, sugerindo tesouros escondidos dentro dele.
Pois bem, gosto de ir à retrosaria e, ainda esta manhã, fui, para devolver/trocar fio que me sobrou duma peça linda que tricotei ( e vou mostrar ...) trazendo abastecimento para novo projeto.
Lá, não tenho pressa. Perco-me nas cores, nas texturas, nas ofertas irresistíveis e, literalmente, relaxo!

Por outro lado, abomino a obrigação do supermercado, os corredores imensos, os produtos empilhados, os carrinhos de compras, as filas nas caixas, a gente, a gente, a gente ... Fico cansada, exausta, farta.
Vi uma vez um filme em que a protagonista, em consequência de um trauma, desenvolveu uma fobia aos espaços abertos, a agorafobia  que é  uma limitação infernal, a exigir terapêutica adequada que, felizmente, não se me aplica. Apenas não gosto de certas compras.

Aquelas de que, nós mulheres somos acusadas de profunda debilidade - compras de roupas e de sapatos - não me escravizam. Compro pouco e compro apenas quando encontro uma oferta que me seduz.
Daí que o programa "saída para compras" não se me aplica ... quase nunca! Hoje, porém, tinha agendada uma compra e saí por ela. Fui à Zara procurar umas calças pretas para usar com umas botas novas.
Entrei e arrependi-me.
Uma multidão. Os gabinetes de provas lotados. As caixas com longas filas .
Ainda pensei desistir, mas, já que tinha saído, não queria dar o meu tempo por mal empregue e aguentei.
Lá acabei por encontrar o que procurava, mas, a 20 dias do natal, garanto que não voltarei a sofrer, que as compras, para mim, acabaram hoje.
Até por que, depois do natal há saldos, não há?

Beijo
Nina


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Constipadíssima ...



... sem voz, com ataques de tosse, desgraçada e miserável, eis como me sinto.
Ainda assim, a vida não para e, por isso, vi-me obrigada a sair para tratar de um monte de assuntos pendentes, entre os quais se incluía uma ida à Repartição de Finanças. Fui.

Antes de entrar, umas quantas voltas ao quarteirão até descobrir um lugar para estacionar. Estacionei.
Entrando, há que extrair uma senha de atendimento. Extraí.
Depois, há que esperar. Esperei.
Finalmente vi o número que me correspondia no painel que me remetia para o balcão 13. Fui.
Não sou supersticiosa, mas, no caso, deveria ter desconfiado que  o episódio acabaria mal.
Conto:
Tratava-se de apresentar uma reclamação perante um imposto automóvel indevidamente cobrado. Apresentei.
Respondi a perguntas, esclareci (com bons modos ...), perdi tempo, tudo para concluir que o serviço fora mudado para uma localidade vizinha, dada a alteração autárquica  já refletida nas últimas eleições.
Chorar foi fácil.
Os meus olhos vermelhos lacrimejam há mais de 24 horas.
Não disparatar é que foi mais difícil!
O meu limiar de tolerância encontra.se perigosamente baixo por culpa  do vírus influenza!
Acredito que, se tivesse cedido à tentação de destratar o sistema, sairia, ainda assim,  incólume do episódio, dada como inimputável.
Desgraçada e miserável, eis como me sinto!
E um pouco tonta, e surda, também!
Estou a repetir-me?

Beijo
Nina



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ouvi suspiros ...

... ouvi "ahs!", enquanto servi esta tarte, que quase sumiu sem se deixar fotografar!
Que se derrete na boca!

Que no palato apenas deixa a recordação da delícia ...
 Ouvi!
A crer no que ouvi, vale a pena copiar.

Ingredientes:
150 g miolo de pão
1/2 litro leite muito quente
250 g açúcar
6 gemas
puré de 6 maçãs cozidas  com um pouco de vinho do Porto
Canela, farinha, manteiga q.b.

Unta-se uma forma de fivela com manteiga, polvilha-se com farinha, passa-se por água e polvilha-se novamente com farinha.
Reserva-se.

Descascam-se as maçãs que se cozem no microondas com um pouco de vinho do Porto.
No copo (dos batidos) coloca-se o pão, o leite, o açúcar, as maçãs, as gemas e canela.
Bate-se até obter uma mistura homogénea.
Despeja-se na forma.
Assa a 180 graus até ganhar cor e solidificar (+/- 45 minutos).

É tão bom, mas tão bom que merece o tempo (pouco) e o (quase nenhum ) trabalho.

Beijo
Nina

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sopa e sobremesa

Concluído o almoço, ainda com a desordem instalada na cozinha, tratei de antecipar e facilitar as refeições da próxima semana, com um panelão de sopa e uma sobremesa com que sonhei.
Não é que costume ter tal tipo de sonhos, mas, depois de ter jantado num certo restaurante alentejano onde me foi servida uma tarte de maçã especial, inspirei-me e criei a minha, a minha super especial e absolutamente original tarte de maçã.



Ainda fumega, de tão quente e cheira de uma forma a que as glândulas gustativas respondem em prantos, de tão ávidas.

A medo, desenformei-a.
É que de tão fofa, ameaçava desmoronamento.
Mas não!
Impecável, soltou-se da forma, assim:

O que parece papel, não é.
É antes a própria massa que, de tão fina, se desfaz com um sopro.

Falta saber se sabe tão bem como sugere!
Logo confirmaremos.
E, enquanto que na quentura do forno, os elementos congeminavam a delícia, para não ficar na imóvel e apática e improdutiva expectativa, avancei recorrendo a cebolas, cenouras, batatas, nabos  e grelos para a sopinha de legumes que nos redime da tentação do açúcar, tanto mais que estes, os legumes, vieram do quintal da minha vendedora de estimação, sem tóxicos, sem beleza artificial, puros, purinhos!


Reduzida a puré, será afago quentinho no gelo nosso de cada dia.
A tarte?
Só depois de testada , degustada e avaliada receberá direito a publicação. 

Beijo
Nina