quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Parte 3 ...

 ... ou deverei antes dizer, Canto 3, já que falamos de uma epopeia?
Terminologia à parte, o certo é que, no último domingo, partindo de um rolo de massa folhada e outro de massa quebrada, nasceram 3 pratos diferentes.
Do primeiro, da massa folhada, nasceu a tarte de maçã sobre a qual conversámos  aqui!

Depois, com as claras sobrantes, produzimos os suspiros!


Finalmente, com a massa quebrada, demos vida a uma quiche de vegetais, aproveitando o que havia no frigorífico.


Fatiámos o alho francês ...

e mais 2 ou 3 cebolas!
(Lá está ... tudo a olho!)

A seguir forramos uma forma de fivela com a massa quebrada. Ficou à espera.

Fritámos, em fogo médio, a cebola e o alho francês, só até amolecer.

E enquanto a mistura cozinhava, preparamos o molho.
1 embalagem de natas de soja ... Sem colesterol, é claro ...

... 3 ovos, muita salsa picada, um pouco de sal e pimenta.
Tudo batido, tudo misturado.

Lembrei-me, entretanto das magníficas cenouras e ...

... raspei uma que ...

... acrescentei aos legumes estufados.
Num repente de extravagância, uma mão cheia de ameixas secas!
Assim!
Nem Mais!

Despeja~se a mistura na forma forrada ...

... rega-se com o molho e cobre-se a superfície com queijo fatiado ...

... apenas porque o pobre estava no frigorífico a pedir consumo.

Assou a 180 graus até solidificar ...

... e cheirar muito, muito bem ...
E fazer jus ao aroma e ao aspeto!
Estava divina!
Rápida, livre, com a liberdade de quem vai compondo como lhe apetece.
E deliciosa.

Não têm ameixas?
Azeitonas também servem, ou tomates cereja, ou cubos de maçã, ou ...

Beijo
Nina

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Parte 2 - Claras!

Portanto ...
Sobraram 3 claras, não foi?
Foi!

Vamos fazer SUSPIROS!

Para avivar a memória, ei-las!

Enquanto a tarte de massa assava, tratei de as bater em castelo firme, muito firme.
Para se conseguir esse ponto, é indispensável que estejam à temperatura ambiente e para que subam ainda com maior vigor, junta-se-lhes uma pitada de sal - dois segtredos a guardar!

Seguidamente, vamos acrescentar açúcar.
Quanto?
3 colheres de sopa por cada clara!
Para quê?
Para fazer  os deliciosos, os irresistíveis suspiros!

Forra-se um tabuleiro, com este papel mágico, que se usa e volta a usar, 1000 vezes, sempre com sucesso.
A temperatura do forno não deverá ultrapassar os 150 graus - terceiro segredo!

Depois, enchemos um saco plástico com o preparado!
Cortámos uma pontinha ...

Esprememos, formando pequenos montinhos!

Deixando algum espaço entre eles, não vá dar-lhes na vontade duplicarem o tamanho!


E vão ao forno!
E vigia-se!
Até ganharem uma corzinha! Até solidificarem exteriormente! Por dentro, oh!, por dentro consrvam uma inexplicável textura cremosa!
Tudo a olho que esta é uma cozinha de gente prática e muito moderna, sem vocação para excessivos rigores e muito menos para escravatura!

Ficam ...

Como dizer?
Indescritíveis!
Aproveitámos as claras!
Preparámos uma sobremesa medianamente inocente, em termos calóricos!
E ascendemos ao estatuto de lindas e maravilhosas cozinheiras!
Já ensinei os truques!
É fazer o resto!

Beijos e suspiros
Nina

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Massa folhada/massa quebrada!

Uma invenção dos céus!
Chega uma pessoa ali à secção dos frios, compra um ou dois rolitos e, em casa, brilha, como se de uma estrela Michellin se tratasse.

Esta é Massa Folhada (retangular... não gosto muito!  Prefiro a circular!)
Com ela forrei um recipiente oval capaz de suportar os calores do forno.

Feito isto - sem farinha, sem massa agarrada às mãos, sem sujeira, passei ao recheio. Doce. Queria aproveitar as maçãs que esperam e desesperam na mesa da cozinha.

Uma lata (grande) de leite condensado ...

... raspa de um limão ...

... e três gemas!
As claras reservam-se! Que nem lhes passe pela cabeça deitá-las ao lixo. Reservam-se, pois!

À mistura, acrescenta-se 3 colheres de sopa de coco ralado ...

... misturando-se  muito bem todos os ingredientes.

Estão bem, mas mesmo bem, misturados?
Então, despeja-se este creme sobre a massa folhada.

Seguidamente, cobre-se a superfície com abundantes fatias de maçã, que se polvilham com canela e salpicam com açúcar.

E forno com ela!
Forno forte, que a massa folhada exige calores para desfolhar!

Está pronta quando a casa é invadida por odor inebriante, quando as glândulas salivares excretam como loucas ... está pronta!

Assim, caramelizada, crocante, suculenta, macia por dentro!

Trabalho?
-Zero, que não sou adepta de grandes canseiras!
O que eu gosto é de brilho, muitos brilhos, sem esforço!
Como este!
A parte 1 de uma epopeia com continuidade.

Beijo
Nina

sábado, 12 de outubro de 2013

Sábado! Que bom!

Alguém dizia, "se eu fosse dia, seria sábado!". Eu também!
Chova ou faça sol, adoro o sábado!
Mesmo quando, como hoje, tenha deparado com Cerveira invadida por espanhóis. Espanhóis gesticulando, silenciosos ou aos berros, comedidos ou alegres, solitários ou em grupo. Eram tantos! Eram muitos, muitos. Receio que toda a Galiza tenha desaguado em Cerveira. Festejavam o feriado de Pilar!
Circular na feira revelou-se tarefa impossível.
Queria botões e uma franja para colocar como remate no forro de um cesto.
Comprei os botões. Atabalhoadamente! Comprei mal! Comprei para um casaquinho que ainda não existe.
Acontece que eu, pobre de mim, ser limitado, funciono mal sob pressão. Disfunciono!
Fugi, escapuli-me como pude, da multidão compradora , fiz péssimas escolhas e fui almoçar.

No Lagar em Eiras ...

... pois então.
O restaurante onde nada pode correr mal!
 E regressei, depois,  ao sossego, à paz do lar!
Pelo caminho, saindo da autoestrada e circulando pela paralela, secundária, perto do mar, abundam as vendas de hortaliças e vegetais em geral. Daqueles colhidos ali mesmo, no quintalzito que se expõe, repleto de frescuras.


E foi assim ...

Cenouras plantadas quase na areia da praia, tomates coração de boi, alho francês, alho seco ...

... beterrabas desenterradas à minha frente ...

... e pimentos Padron ( uns picam, outros não...)

...e abóboras gordas que enfeitam a minha cozinha ..

... sem esquecer a couve-coração para a sopa e mais pimentos, que estes não paga, são oferta da casa!
Adoro estas compras! Sujinhas com terra e areia, sem arrebiques de falsidade.
Chegada a casa, lavei, escolhi, preparei, acondicionei, e frio com eles.
Estou a levar muito, muito a sério a guerra às grandes superfícies.
Esclareço que por tudo isto paguei cerca de 8 €! 
É muito? É pouco?
Não me interessa! 
A ideia não é essa.
A ideia é comprar ao produtor que fica a ganhar com o preço justo que recebe, ganhando eu muito, muito mais, na qualidade que adquiro!

Beijo
Nina

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Marmelos, marmelada, geleia!


Estamos no tempo deles, dos perfumados marmelos.
Já no Verão, quando me deslocava pelo Algarve, os via, quase servindo de sebe a terrenos. Então ainda verdes. Agora, amarelinhos e perfumados.

Desde que cortei relações com as grandes superfícies, abasteço-me de fruta, num pomar aqui perto de casa e, uma vez por semana, lá vou eu, procurando o que me agrada - da época, tem que ser da época! Nada de batota com estufas e câmaras de frio.
Assim, ontem, lá fui.
Muitas uvas, tangerinas de Tavira, laranja "da nova", pêra rocha e marmelos.
Pouco mais de 2kgs.

Descascados e retirado o "caroço", foram pesados.
Cerca de 2 kgs.
Receberam 1.200 Kg de açúcar e  esperaram, até que no fundo da panela surgiu um pouco de líquido.

Foram então fervinhar devagarinho, muito devagarinho, até que espetando um garfo, a polpa dos frutos se apresentasse perfeitamente cozida.
Sem perda de tempo, foi reduzida a puré e, ainda quente, transferida para malgas.
O ponto estava absolutamente alcançado e assim que despejado, o puré solidificou, dispensando os dias de seca à janela.

Está pronta, sólida, perfumada, pronta a ser fatiada para depois dançar com fatias de queijo.

Todo aquele cerimonial de mexer com colher de pau, queimando mãos e braços, até que o ponto fosse atingido, desapareceu, desnecessário, anacrónico e doloroso.
Para já, tenho marmelada que chegue.
Só se alguma alma gentil se lembrar de me oferecer uns quilitos de marmelos, só assim, cozinharei mais.

Entretanto, cascas e "caroços" foram aproveitados.


Cobertos de água, ferveram - devagarinho, sempre muito devagarinho - e depois a água foi coada.
Obtida 1.5l, recebeu 1.5 kg de açúcar e ferveu, ferveu muito lentamente, até se chegar ao ponto de estrada.

Depois, foi vertê-la em frascos estirilizados ...

... que neste momento ainda arrefecem!

Serão degustados em tostadas torradinhas à hora do lanche!

Por estas e por (muitas, muitas ...) outras, adoro o Outono.

Beijo
Nina