terça-feira, 4 de setembro de 2012

Oásis, ainda...



Porque fiquei decepcionda?

Porque há vasos com plantas mortas nos corredores.

Porque os pavimentos de tijolo rústico, outrora brilhantes, estão baços e repletos de manchas de humidade.

Porque, nos quartos, avisam que, para contatar a receção, se deve marcar 9, apesar dos telefones terem sido retirados.

Porque, sobre as camas, colchas velhas de tão lavadas, decoram o quarto.

Porque só mudam as toalhas duas vezes por semana.

Porque não existe Wifi.

Porque o edifício se encontra cercado por prédios desabitados ( ... bem feito! Quem mandou ser desmedidamente ambicioso?)

Porque continua a exibir, sem vergonha, a classificação de 4 estrelas.



Porque ainda gosto um pouquinho do Oásis?

Porque na receção, um funcionário exemplarmente afável nos acolhe.
Porque o mar continua aqui tão perto.

Pudesse eu reverter o tempo que seria capaz de aceitar o desafio de devolver qualidade, vida e muito charme a este pobre Oásis.

Beijos
Nina

P.S. Responderei aos comentários assim que possa e fá-lo-ei com todo o gosto.






segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Oásis ...


...é o seu nome, uma Estalagem perdida no meio das dunas que garante sossego, distância da balbúrdia, tranquilidade.
O edifício é lindo, uma construção de dois pisos , em "L", toda virada para o mar.
Foi inaugurada por uma senhora alemã (austríaca?) há mais de 20 anos.
Deambulando pela magnífica costa algarvia, descobriu o local perfeito.
Aí, como disse, construiu o reduto paradisíaco.
O ruído limitava-se ao canto dos pássaros, ao sussurro do vento e ao canto do mar, ali a dois passos.
Nem sequer concedeu a construção de uma piscina, não, era apenas um oásis que não permitia brincadeiras e falatório no seu recinto.
Estava-se bem, estava-se num oásis.

Mas, aos poucos, testemunhei que as coisas foram mudando, mudando para pior.

A alemã vendeu a estalagem e sumiu. Com o seu sumiço nasceu uma piscina no jardim onde a criançada se encarrega da barafunda.
Mas continuava a estar-se bem.
Até que agora, 2 ou 3 anos depois, regressei.

A estalagem é uma pálida e desgraçada recordação do que um dia foi.

Falta tudo em termos de qualidade e sobeja tudo em termos de descaso, descuido, desleixo.

Quem nunca aqui tiver estado, sairá com a má impressão de um local mal cuidado.
Quem aqui tiver estado, noutros tempos, noutra era, sairá com o coração partido, dorido pela insanidade que permite à mediocridade que assim grasse estupidamente.

Atenção, fala uma otimista convicta que insiste em ver sempre o copo meio cheio, mas nem eu, com os meus eternos óculos cor de rosa, me permito iludir a realidade.

Por isso, por pudor, por pena, por luto, não publico fotos.

Beijos
Nina



domingo, 2 de setembro de 2012

O Forno


A caminho do Algarve, parei em Vila Franca de Xira para almoçar.
fui ao Forno, um local muito agradável com excelente comida.

No centro da terra, uma casa antiguinha, abriga o refúgio.

Servem um arroz de tamboril com gambas excelente ...

... bem como umas sobremesas muito criativas.

O espaço é agradável e creio que, atualmente, é o melhor da terra.

Quem mo indicou foi o Sr. Pedro Miguel, um SENHOR, dono do emblemático restaurante Flora que, durante 57 anos, justificou uma paragem em Vila Franca de Xira.
Desta vez, esse era também o destino.
Estranhei vendo a porta de entrada semifechada.
Entrei assim mesmo.
O antigo proprietário, com tristeza que li nos seus olhos e intui na sua voz, comunicou-me que sucumbira aos loucos encargos fiscais e à falta de clientela, vítima, também ela da crise.
É assim como fechar uma catedral ou outro qualquer monumento... um crime lesa pátria.
Deveria existir uma lei que protegesse estas verdadeiras instituições nacionais.
Com fair play indicou-me o Forno e indicou bem, como já afirmei, mas no ar ficou o ressentimento por uma clausura imposta e dolorosa.
Sinal dos tempos.
Que pena!

Arranjei um estratagema complicado para dar sinal de vida e deixar agradecimentos, beijos, abraços e carinhos a todos os que sentem a minha ausência.
Será curta, muito curta, prometo e sempre que possa, além dos beijos, dos abraços e dos carinhos, deixarei num recadinho.

Nina

sábado, 1 de setembro de 2012

Descanso, sombra e água fresca!



Marina de Tróia




Oficialmente em descanso total, por uns dias!
Receio não conseguir manter-me em contacto.
Por uns dias!
Poucos!
Volto já!
Já, já!
Beijos
Nina



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Café de saco


Quem me tira o meu expresso, tira-me tudo.
Até em casa, investi um balúrdio numa máquina italiana que mói o grão na hora e produz o mais delicioso expresso, além de mil outras habilidades perfeitamente escusadas que apenas serviram para que o preço da maquineta se tornasse astronómico.
Mas o expresso é bom, é muito bom, não há melhor expresso que o meu, ouso afirmar.

Doseio a ingestão porque sei que me tira o sono, mas quando o bebo, desfruto deliciada do sabor e do odor, todo um ritual a meio da manhã e depois do almoço.

Posto isto, não vou em cafés de saco.
Não gosto, detesto pó em suspensão e uma borra de depósito no fim.
Não quero!


Assim, contudo, nunca mo serviram,  a não ser num certo restaurante que frequento assiduamente.

O restaurante em causa prima pela qualidade e presumo que mantem esta anacrónica operação por puro charme.
É engraçado.
Mas não é bom.
Nem de perto nem de longe se aproxima da minha portentosa máquina italiana.
Limita-se a ser engraçado!
Hei-de dar umas sugestões ao proprietário.
Hei-de, hei-de!

Beijos
Nina

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Tricotar pacifica!


Tenho a certeza, sei do que falo e por isso garanto.
É só deixar as mãos libertas, no ritmo certo, na cadência correta e dar asas à imaginação.
Em silêncio, o pensamento viaja e quase pressinto que o espírito se liberta do corpo.
Como alternativa, soltam-se os sentidos, a visão e a audição, enquanto nas mãos as agulhas avançam e, assim ocupados,  escapamos ao precipício do sono face à televisão.

Descobri que até é divertido assistir a novelas!
Bem, pelo menos a uma novela,  o INSENSATO CORAÇÃO da TV Globo, na qual os maus são mesmo maus, são pérfidos, são doentes, enquanto que os bonzinhos, vestem , a bem dizer, a pele dos santos, enquanto que no dorso, as penas de asinhas de anjo teimam em insinuar-se.
Pelo meio, há momentos hilariantes provocados por Bibi, uma predadora sexual.
Os cenários interiores são lindos, uma tal "Carol" veste-se maravilhosamente e, linda como é, apaixona-se por um homem  particularmente feio, mas sumamente inteligente e de uma sinceridade à prova de bala.

A pouco mais se resumirá a sinopse da novela que passa a horas impróprias e por isso gravo.

E assim, assistindo aos pequenos dramas das personagens, quase sem olhar, prossigo o trabalho em modo automático.
Absolutamente automático, sublinho e comprovo:


O casaquinho da Teresinha que se tricota numa só peça, exige que se acrescentem malhas para formar as mangas, do mesmo modo que estas serão extintas quando a largura da manga tiver sido atingida.

Perdida nos delírios da Eunice e no Veneno do Léo, não "matei" as malhas e então, dei por mim tricotando uma coisa informe, disforme, disparatada.

É que desligar do tricô é possível, mas "em termos"!
Resta-me desmanchar, desmanchar até ao local em que a manga ficará delineada.
Não me custa nada. Tricoto sem pressão e sem pressa. Até me divirto com este tipo de acidente.

Lembro um livro que li há muito tempo, "Como água para chocolate", de Laura Esquivel, uma sul-americana que, num golpe de asa, engendrou, a partir da cozinha, o seu mundo, um romance incrível.

Tita, o nome da heroína, tricotava uma manta imensa nos momentos de maior dor.
Era o seu momento de catarse.
Como esses momentos eram frequentes, a manta cresceu, cresceu, cresceu até cobrir toda a propriedade.
No caso de Tita, que repetia o ponto até ao infinito, o tricô era absolutamente libertador.
O meu também o é, mas exige momentos de atenção em que as regras são aplicadas.

Beijos
Nina

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Anjinhos e Velas


Não passo sem elas, sejam perfumadas ou não.
Gosto da sua luz tremeluzente e suave fazendo companhia, adoçando o ambiente.
Nunca são de mais, nunca!

Estas foram compradas, mas a minha amiga querida Helena Compagno, do  blog http://minhaprimeiracostura.blogspot.pt/ mostra, detalhadamente, como as fazer em casa.

Com elas, os entardeceres solitários enchem-se de luz, a alma ilumina-se  aconchegada e quem chega, sente que entrou em casa.
Por isso gosto de velas!



Este anjinho barrigudo, segura numa mão um castiçal.
No castiçal, uma vela!
Veio de França de uma das muitas MAISON DU MONDE que visitei.

Para que não se sentisse só e também porque a simetria me tranquiliza, junto veio um irmãozinho.
Nesta mesa aguardam que cheguem as longas noites do Outono e o gélido Inverno para se acenderem e acenderem o ambiente.
Ficam apresentados os meus mais recentes anjinhos, da vasta coleção que acumulo.
Nunca são suficientes.
É  só ver um que me agrade e logo  lhe chamo meu.
É uma debilidade, uma inocente debilidade que não contrario.
Gosto de anjinhos e ainda mais se com eles arrastam velas e noites suaves e ambientes cálidos e música de fundo e muita paz.

Beijos
Nina