segunda-feira, 20 de maio de 2019

Caminhando











Tenho a sorte de viver muito perto do mar, uma vizinhança que me tem acompanhado ao longo da vida.
É certo que não são apenas vantagens, não! Por exemplo, nos fins de semana de Verão as avalanches de pessoas tornam o local muito pouco aprazível . Então é preferível ficar em casa ou rumar ao intererior.
Também temos densos nevoeiros. Às vezes é só afastarmo-nos umas centenas de metros para encontramos céu aberto. 
A ventania, principalmente a nortada, faz igualmente parte do cenário e, mesmo no Verão, os dias sem vento aqui no norte são escassos.

Ainda assim, apesar de todos os "mas", continuo a sentir-me uma privilegiada vivendo tão perto do Oceano.

Mais do que da praia, delo tiro partido para , em pura contemplação, numa esplanada, esquecer o mundo.
Além disso, é na sua margem, junto à praia que, pela manhã, cumpro o ritual da caminhada.
Não há ginásio neste mundo que ofereça estas condições:

Por enquanto, praia deserta ...


... e águas cristalinas. Geladas, sim, mas límpidas, transparentes.

O passadiço.
Situa-se junto ao mar, suficiente longe dos automóveis que não se vêem nem ouvem, na Avenida situada a outro nível.
É a experiência mais zen que me é dada experimentar.
Depois de 1 hora de caminhada, rejuvenesço, limpo a alma, a cabeça e os pulmões que o ar é puro e , tendo sorte, até posso perder alguns gramitas.

Boa semana.

Beijo
Nina

domingo, 19 de maio de 2019

Casaco

Conclui e o casaco tricotado em fio de algodão, segundo o método topdown que, até prova em contrário é o processo mais simpático de tricotar:
- Não exige costuras;
- Permite que a peça seja experimentada à medida que é tricotada;
- Eliminam-se possíveis erros relacionados com a contagem de carreiras para que frente e costas coincidam, como convem.

Só não deliro com as mangas que, a dada altura exigem o chamado Magic Loop que, pode ser visto AQUI. Não é que não funcione, mas, digamos, empata a progressão do trabalho. Parece que é igualmente possível tricotar as mangas utilizando 4 agulhas, mas a tanto não ouso, porque realmente não sei.



Aqui está.
Gosto da cor - quase não cor -  e gosto do resultado, adequado para dias de sol  como o de hoje, mas ventosos,
 agradecendo leve agasalho

Fui caminhar num passadiço junto ao mar .
Vesti uma t-shirt sem manga - para assim bronzear os braços e estimular a produção de vitamina D que, ao que tenho ouvido, se encontra em deficitária na maior parte dos adultos.
Combinei com calças brancas e lá fui, apostando, uma vez mais, num esquema quase monocromático.


Para quebrar a palidez do conjunto, uma tímida corzinha junto ao pescoço.

- Mas tu não gostas de cor? - perguntarão.
Então não gosto! Gosto e muito. Se não é ver-me de amarelo, o tão injustiçado amarelo, de vermelho ou, em momentos de loucura, misturando tudo.
Só que, tenho um fraquinho pelo branco, pelo bege e pelo preto.


Decidi que as mangas seriam a 3/4, porque o casaco será usado no Verão e eu
sou adepta da chamada manga arregaçada.

Gostei tanto do resultado que estou a pensar comprar o mesmo fio,
 noutra cor - pode até ser vermelho - e repetir a brincadeira.

Tenham uma feliz semana.

Beijo
Nina

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Pateira de Fermentelos

Antes que seja outra vez fim de semana, deixo imagens de um local que revisitei no último sábado - a  PATEIRA DE FERMENTELOS , um local único, a maior lagoa natural da Península Ibérica.
Após o copioso almoço impunha-se uma volta a pé e, em boa hora nos ocorreu uma ida à Pateira.
O local é paradisíaco e, de jeep é possível fazer todo o perímetro da lagoa. 


Em certos trechos, os nenúfares cobrem quase totalmente a superfície da água

... enquanto que, nas margens, se estende  um tapete florido .

O silêncio era total, nada de agitação turbulenta de fim de semana e,
tirando um ou outro pássaro, nada mais se ouvia.

Estava calor e estas sombras eram o detalhe perfeito para se estar

Barcos.
 Barcos parados.
 Mas não abandonados.
 Presumo que pertençam a pescadores

Este o intrépido veículo que nos transportou,
 indiferente aos acidentes de percurso, saltando pedras e furando mato.

Depois, rumámos a Aveiro, ali perto,  porque imprescindível se tornou comprar Doces de Ovos Moles.
Imprescidível, incontornável e inadiável. Que quando se fala de ovos moles, não se brinca,  fala-se de coisa muito séria.
Lá fomos.
Aveiro fervilhava de gente - era sábado. Muito mais simpático durante a semana.
Foi tempo de rumar à tal pastelaria especial que tem os ovos moles melhores do mundo, tratar do abastecimento e retornar a casa.

Amanhã teremos sol, garantiram-me.
Que tal um passeio à Pateira?

Beijo
Nina

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Chuva, frio, calor e vento

Isto hoje está assim, o dia amanheceu frio, depois choveu, a seguir o sol rompeu  e aqueceu e agora está uma ventania que leva tudo raso. Portanto temos um tempo para todos os gostos.

Tinha-me iludido, habituado à ideia que o calor viera para ficar e tratei da logística. Até pintei as unhas dos pés para, sem medo, adoptar as sandálias, mas não. Hoje arrepiei caminho.

A derrota foi absoluta - voltei às meias, escondi as unhas com  sapatos fechados e até  vesti gabardina, que, embora ligeira não deixa de o ser
A semana que agora se aproxima do fim foi agitada como já ontem dei conta, até porque, para além das rotinas tratei da tarefa que duas vezes ao ano me assoberba - refiro-me ao trocar de roupas, guardando o que foi de Inverno e resgatando o que é próprio do Verão. É uma trabalheira desgraçada.
Já tive a ilusão de que seria capaz de evitar o tormento se conseguisse , minimalista, ter pouca coisa, não me tentar com as novidades, ser comedida nas compras, destralhar, destralhar, destralhar.
Foi uma ilusão, porque não há como negar a natureza e eu, decididamente, não sou feita dessa massa.

Gosto de roupa, gosto de moda, gosto de coisas. E gosto durante muito tempo. E não me canso delas. O que acaba por me resgatar como desenfreada consumista.
A prová-lo, este conjunto, que  somados os anos  atingiria as dezenas - a blusa e as calças têm mais de 10 , a gabardina é do ano passado e só os sapatos são novos, mas, atendendo à sua cor neutra e estilo clássico e confortável, presumo que ficaremos juntos e felizes por muito tempo.


Acredito que numa outra vida, se as circunstâncias desta tivessem sido diferentes, eu teria sido  uma feliz costureira, criadora de moda, vendedora de roupa, ou outra qualquer dessas modernas profissões que envolvem trapos.

O conceito do slow sewing é-me querido.
 Remonta aos tempos em que se mantinha uma costureira em casa, uma modista para as ocasiões especiais, em que se visitava a loja de tecidos, se consultavam revistas, se decidia o modelo e se passava à execução que exigia tirar medidas e conversar demorada e detalhadamente com a especialista. Seguia-se a  primeira prova (cheia de alfinetes e picadas que ainda hoje perduram na minha memória), depois a segunda e só então, após um doce sofrimento que era a espera, se recebia o produto acabado.

Tratava-se então dos acessórios - sapatos e mala/carteira a condizer.

Jurássica!
É como me vejo com estes desabafos.

Mas, acreditem ou não, foi ontem que tudo isto aconteceu.

Tudo mudou com a generalização do conceito do pronto a vestir e, mudou vertiginosamento com o aparecimento das cadeias low cost. Imbatíveis, reconheço. Até porque praticam uma espécie de pirataria que lhes permite manter-se sempre na crista da onda no que a tendências diz respeito.
Perante a sua voragem consumista, considero-me um exemplo de contenção - comigo a roupa dura o que faz de mim uma péssima cliente.  Ainda assim, chamem-me tudo, mas não me chamem minimalista.
Que não sou.

Beijo
Nina

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Depois de um intervalo ...

Depois de um (longo) intervalo, eis-me que regresso numa pausa desta azáfama que me tem engolido as horas e os dias.

- Então, que tens feito, Nina? - perguntarão.
Assim, de repente, ocorre-me  perfumadíssimas compotas de morango  e alguma marmelada.
Jardinado!
 Não esquecer a jardinagem (que estou aqui que não posso com dores nas "cruzes", como por aqui se designa essa parte da coluna lombar.)

Vamos por partes começando pelas compotas. 
São incomparavelmente melhores as feitas em casa, sem truques económicos, sem poupanças lucrativas. 
São genuinamente verdadeiras - se no rótulo escrevo "morangos" são morangos que como. Eles, os morangos,agora abundam. Gordos, carnudos, muito vermelhos, mas, infelizmente, com pouco sabor. Dispenso-os como sobremesa. Já em compota, a coisa muda de figura. Sublimes!
Descobri um tipo de açúcar com gelificante (no Aldi) que simplifica absolutamente a tarefa. Nada de horas vigiando a fervura em fogo lento até ser atingido o ponto pretendido. Não! Com este açúcar, numa proporção de 1 kg de morangos para 1/2 de açúcar, a compota processa-se em minutos.
Faço assim:
- Lavo escrupulosamente os morangos em várias águas;
-Retiro os pés e , se excessivamente grandes, corto-os ao meio;
-Na panela (convém que seja alta porque a mistura tende a subir e a verter) disponho fruta e açúcar por camadas;
-Acrescento o sumo de 1 limão;
- Deixo que crie líquido, o que é rápido;
- Levo então ao fogo, mexendo até que levante fervura;
- Baixo  o lume e deixo que fervilhe por cerca de 5, 6 minutos, mexendo ocasionalmente.
- Está pronta!
Pronta para ser enfrascada ou comida quase de imediato, que esta compota -garanto - não corre o risco de se estragar com o passar do tempo - muito antes desaparece - ao pequeno-almoço, à sobremesa, ao surgir da mais leve ameaça de fome - qualquer motivo é motivo para engolir uma colherada.
Dado que o tempo de cozimento é mínimo, os frutos não se desfazem o que acrescenta extra mais-valia ao que já era irresistível pelo perfume, pela cor e pelo sabor.

1 Kg de moragos rendeu quase 4 destes frascos - 2 ofereci, 1 comemos, resta 1





Já repeti a dose, tendo, portanto, mais 4 frascos - meus, muito meus, só meus!


Entretanto, já que estava em maré de compotas, virei-me para a marmelada, embora este  não seja tempo de marmelos. Acontece que tinha cerca 1 kg congelado pronto para ser utilizado. Libertei espaço no congelador- o que não deixa de ser uma vantagem -  e, sem dificuldade nem especial ciência, dei origem a duas grandes malgas de marmelada, limitando-me a pôr a Bimby a trabalhar. 


A receita estabelece 1kg de açúcar para 1 Kg de fruta, + 1 limão descascada sem pevides.
Roubei ao açúcar, neste caso branco, normalíssimo.

No peitoril da janela da cozinha, seca a marmelada, igualzinho ao que via em criança, na casa dos meus pais.

A jardinagem tem  vindo também a comer as minhas horas. Aproveitei os dias de sol para organizar, transplantar, podar, semear, limpar, regar, adubar e tudo o mais que, instintivamente me pareceu adequado.
Quase terminei.
Em suspenso tenho o sistema de rega automático que não trabalha. Espero que seja apenas uma questão de bateria. Vou aguardar sentença do especialista ... (o marido)


Numa janela com sol pleno, coloquei suculentas e aventurei-me na sua reprodução - coisa simples!

Basta espetar uma folha no solo e ...
 Oh! milagre!
A coisa funciona!
Três folhinhas espreitam, recém-nascidas!

Posta ordem na casa, e no decorrer das horas, estarei aqui de novo.
Que aqui é tão bom como a compota de morango, a marmelada e a agricultura.
Ou ainda melhor!

Beijo
Nina





quinta-feira, 9 de maio de 2019

Frio, chuva e nevoeiro ...





Frio, chuva e nevoeiro cerrado, tudo ao mesmo tempo.
De modo que, assim, o melhor mesmo é ficar em casa.
 Preparo-me para pegar no tricô ( o casaco avança,  já terminei o corpo e ataquei a primeira manga ...), enquanto assisto a um qualquer programa na TV. 

Da minha saída pela manhã, do Shopping, trouxe esta promessa/convite para o tempo quente:



Vestido branco com muitas, muitas bolinhas pretas.

É comprido, sem mangas e ostenta um vistoso cinto vermelho.
Tem um não sei quê de retro que muito me agrada. Na verdade, só a presença das bolinhas seria motivo para que dele me apaixonasse.
Será usado já no fim de semana, que os senhores do tempo prometeram calor e eu quero crer que desta vez não se enganam.

Aproveitem o dia!

Beijo
Nina

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Fada do lar!


Assumo que dentro de mim vive uma "fada do lar".
Já sei que esta declaração fará revirar olhos e franzir sobrancelhas a muito boa gente, reação que não me perturba minimamente.
A Fada do Lar a que fiz referência é, no fundo, muito desorganizada, uma trapalhona com noção exata das suas insuficiências. Ora, quem "se enxerga" pode sempre mudar para melhor, é uma questão de foco e humildade.
Dizia eu que reconheço em mim forte tendência para a bagunça. Porém, sempre atenta e vigilante ( fui escuteira em criança), eduquei-me, educo-me e continuarei a educar-me, de modo que o meu espaço não envergonha ninguém. Não sou de grandes limpezas no quotidiano, porque não preciso , pagando  para que sejam feitas. Mas sou um primor na arrumação, posso gabar-me, porque é verdade.
Fã da secção de "arrumação" no supermercado, viciada em Ikea e Leroy Merlin, delicio-me a impor ordem no caos.
Roupas, sapatos, livros, armários e despensas estão um brinco. A sério. Adoro organizar. 

Assisto, deliciada , a um programa  sobre o tema, de nome OBSESSIVE COMPULSIVE CLEANERS que, coloca frente a frente duas espécies radicalmente opostas de intervenientes - de um lado, personagens com transtorno obsessivo compulsivo, vulgo TOC, que orientam a sua compulsão para a luta contra os germes, limpando e desinfetando o seu mundo do qual são escravas e reféns.
Do outro lado vivem seres estranhos que em décadas nunca limparam a casa e que vivem no caos absoluto.
As primeiras têm como missão organizar o espaço das segundas, transmitindo-lhes princípios básicos e , ao mesmo tempo, reaprendendo a gerir as suas vidas de forma saudável, largando a eterna obsesssão pela limpeza.

Enfim, não me rotulo nem me revejo nesses extremos, mas deles tenho recebido dicas, truques e inspiração, que vou, orgulhosamente, partilhar.

Na cozinha, que quero muito limpa ( afinal é o local onde se preparam os alimentos) e sempre organizada, os indispensáveis frasquinhos com condimentos são - digamos - areias na engrenagem e raramente se estão onde se exige. Resolvi, inspirada, colocá-los numa espécie de bandeja que nem bandeja é! É apenas o reaproveitamento das embalagens plásticas fornecidas com carne ou peixe.
Depois de bem lavadas transformam-se na tal espécie de bandeja:


Aqui estão 8, bem arrumadinhos numa prateleira do armário.

As garrafas de azeite, óleo e vinagre estão igualmente agrupadas, com a vantagem de não escorrerem gotas peganhentas. Quando a bandeja estiver suja, lixo com ela , sendo substituída por nova.

Aplicando a mais elementar lógica, arrumo de acordo com o uso - o mais necessário num nível acessível e o menos utilizado, lá no alto.

Gosto do aspeto . Tudo limpo, tudo organizado.

Muito fácil de manter, muito prático na hora de utilizar.

As heroínas (os heróis) da série Obsessive Compulsive Cleaners desinfetariam tudo depois de cada utilização. Os caóticos perderiam frascos e garrafas. Eu limito-me a colocar cada coisa no seu lugar.
É o meu lado Fada do Lar!

Beijo
Nina