quarta-feira, 10 de abril de 2019

Iris da praia



Não é que saiba muito acerca de plantas e de jardinagem - acho que os meus conhecimentos são apenas moderados e fortemente intuitivos - nem água a mais nem a menos, sol direto a evitar, claridade quanto mais melhor, adubo ocasional, cortar folhas secas e ramos velhos sempre que aparecem.
A meu favor, disponho de um espaço envidraçado, amplo e arejado, onde tudo cresce, cresce desmesuradamente, em alguns casos, cresce até atingir o teto.
Portanto, este é meio caminho andado para ter sucesso.
O outro meio é o meu sincero afeto face às plantinhas.

Daí que, sempre que posso, acho graça em surripiar um raminho, uma haste, uma folha - se vier com raíz, melhor, se não, trato de as colocar num copinho com água e, tendo sorte, as raízes surgirão, transferindo então a planta para terra.
Nada de muito científico e até com o seu quê de proibido, censurável e ilegal ...

Às vezes, muitas vezes, compro na feira ou no Lidl (com preço comprovadamente baixo) especimenes a que não resisto, como é o caso das roseiras e dos limoeiros, as únicas árvores de fruto  que envasadas, dão realmente fruto.

Acresce que também vou recebendo algumas plantinhas novas,  prenda que considero magnífica para receber ou oferecer.

Feita que foi esta introdução, no conjunto das recebidas como presente, inclui-se esta:


Uma maravilha com carinha de bicho.

Foi-me oferecida por uma amiga que a trouxe do Brasil.
Seguindo o seu conselho, deixei-a no exterior, numa varanda onde apanhou chuva, frio e sol escaldante.
Aí permaneceu um ano, com este aspeto:

Folhas verdes, muitas, mas flores, nada.

Seguindo o meu instinto, trouxe-a para dentro de casa para o tal espaço envidraçado e, um belo dia, floriu.
Feliz, procurei registar o milagre, mas, 24 horas volvidas, a flor desaparecera.
Eu não sonhara, não imaginara coisas, não!
A flor tinha existido mesmo.
Continuei a regar uma vez por semana, a eliminar as folhas secas até que se repetiu o milagre - a flor que hoje mesmo fotografei e que acima publiquei. Mais ... entre as folhas várias flores espreitam, saindo diretamente da cada haste.

Tinha para mim que estava perante uma orquídea. Porém este relâmpago de floração era absolutamente atípico - nas orquídeas verdadeiras as flores perduram durante semanas, meses, até.

Então, na minha página do INSTAGRAM, publiquei a foto e pedi ajuda na identificação. A ajuda chegou. Trata-se de uma Íris.
A seguir pesquisei e cheguei AQUI.

Fiquei, então, informada - chama-se ÍRIS DA PRAIA e floresce, efetivamente durante 24 horas.
Pena que dure tão pouco, porque a planta em si não é particularmente bonita.
 A seu favor conta a expectativa do quase permanente parto iminente que em mim cria uma ansiedade boa - agora mesmo estão prestes a nascer três ou quatro novas crias!

Beijo
Nina

terça-feira, 9 de abril de 2019

Obrigada!


Ontem adormeci com a ideia fixa e angustiante que o meu joelho se escavacara de facto, tal era o incómodo.
Fizera-lhe a radiografia com o meu (poderoso) olhar , concluindo que qualquer coisa se tinha partido e que a dor era sua consequência. Não escaparia à cirurgia.
Estava cansada e abatida, mas dormi bem.
Pela manhã, ao acordar ... milagre! Sentia-me muito melhor. Embora a dificuldade em andar permanecesse, a dor aguda desaparecera.
Portanto, meus amigos, muito obrigada pelas palavras de consolo e pelos prudentes conselhos - o que vale é que o meu marido não os lê ou sentir-se-ia apoiado  fortemente e lá se iam os tapetes.
Esclareço que sob cada um coloquei, desde o primeiro dia, um antiderrapante que os impede de deslizar. No acidente de ontem, o que ocorreu foi que um tacão ficou preso nas franjas, quando eu dava uma passada decidida em direção à cozinha.
Segundo ensinamento:
- Em casa não se usam saltos altos!

É reconfortante receber este colo! Sabem bem que é.
Concluo que entre nós se estabelecem verdadeiros laços e, por isso, nos alegramos com as alegrias  e nos preocupamos com as tristezas uns dos outros.

Concluo que sou uma pessoa de sorte - apesar da queda!
Os laços que aqui criei enriquecem-me, ajudam-me a crescer.

Face ao que ouço, que este espaço é local para destilar ódios e frustrações, eu - sortuda - quase nunca fui atingida.
Quase ... apenas quase!
De vez em quando lá surge um ser que decide , "Unknown", já se sabe, por aqui passar e aliviar-se. Parece-me identificar um toque feminino. Juraria que a toupeira é mulher.
Uma amiga minha diz que essas são mulheres mal ... resolvidas (a minha amiga usa outro adjetivo. Eu não, que sou uma senhora).
Pois bem, acontece, mas, como referi, muito raramente - contabilizando, diria que em 8 anos de blog fui atacada 3 vezes. Não conta, portanto. Aliás nunca contaria, já que o bendito SPAM põe definitivo ponto final na questão - que nem questão é.

Seguindo todos os sábios conselhos, descansei.
Reli a Metamorfose - obrigada Bea.
Assisti a filmes.
Dei uso lãs esquecidas e recomecei o tricô.

Amanhã dou-me "alta".
E nunca mais uso sapatos de tacão alto dentro de casa.

Muito obrigada pelo vosso carinho.

Beijo
Nina


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Azares


Diz-se que não existe lugar mais perigoso do que a própria casa, perigoso no sentido de que é o espaço onde mais ocorrem acidentes, o que até faz sentido, porque sendo o espaço que melhor se conhece e em que mais tempo se permanece,  deixamos que as defesas baixem e facilitamos.


Quanto a mim este princípio aplica-se já que, foi em casa que mais vezes me magoei.
Na cozinha - local perigosíssimo -  manipulando objetos cortantes, são inúmeros os episódios em que, aterrorizada, testemunhei sangue surgindo vivo e ligeiro, apenas  porque a faca não seguiu o percurso calculado. Por minha culpa, evidentemente.
Ainda na cozinha apanhei valentes queimaduras - a última no Natal quando, com uma pá incandescente, queimava leite creme e, displiscente, deixei que gordo pingo se derramasse na minha mão! Esse acidente, garanto, não vai repetir-se! Que a experiência não é passível de ser esquecida.

Hoje, inesperadamente, escorreguei num tapete e aterrei de joelhos no duro soalho.
Fiquei sem ar, tal foi o choque e a dor.
Estava sozinha em casa e vi-me estendida no chão imobilizada, incapaz de me mexer.

Quando a dor abrandou, depois de respirar fundo repetidamente,  acabei por me levantar.
Tratei de colocar gelo nos joelhos, mas o edema roxo, enorme, entumescido apareceu e espalhou-se, não só nos joelhos, mas também nas palmas das mãos, no caso, os meus amortecedores.

Neste momento, 2 horas volvidas,  além de profundamente abalada psicologicamente, estou com movimentos limitados, mas a dor, graças aos anti-inflamatórios abrandou.
Espero não precisar de nenhum tratamento especial e que a imobilidade forçada , assim como o normal curso da natureza, resolvam a situação.

Não sou, por natureza, nada dada a dramas, mas agora, recapitulando a cena, recordo que atirei pelo o ar o IPad que transportava, o que evitou eu ter aterrado de cabeça contra a esquina de uma mesa. Ainda assim tive reflexos rápidos e o instinto de sobrevivência falou mais alto. Pena que a prudência tenha falhado.
O IPad está intacto, como intactas espero que estejam as minhas rótulas .

O meu marido, pessoa pouco tolerante com descuidos, decretou abolir tapetes e carpetes.
Não será caso para tanto!
Nenhum tapete, nenhuma carpete será retirada, era o que faltava!
Além de em qualquer altura poder vir a ser vítima de outro  qualquer acidente (é o risco de estar viva), ainda tinha que viver numa casa despojada, fria como um laboratório, onde, ao que me consta, também os imprevistos acontecem .

E é isto!
Tanta tarefa programada, um dia tão preenchido e aqui estou, de perna levantada, imprestável.

Beijo
Nina






quinta-feira, 4 de abril de 2019

Da Roménia

Quando em Agosto do ano passado estive na Roménia, tinha vindo a público, nessa mesma altura, a notícia de que uma grande marca de alta costura francesa (Dior ) se apropriara do modelo de um colete bordado, produzido por artesãs romenas, da cidade de Bihor, sem às autoras conferir os respetivos créditos e direitos de autor.

AQUI, o assunto está perfeitamente explicadinho, preto no branco, referindo ainda que, o dito casaco/colete é vendido por 30 000,00 ( trinta mil €? como? porquê????) na exclusivíssima Dior, enquanto que as artesãs o vendem por 500,00€ - ainda assim carote, muito dinheiro por um casaco/ colete, por muito único, exclusivo, trabalhoso e original que seja! (Bem sei que as coisas são caras ou baratas em função de quem as compras! Falo por mim!)

Guardei, no entanto,  a informação, que este tipo de dado interessa-me, como muito bem sabe quem me conhece.

Portanto, em cada cidade, em cada localidade por onde passava, a par das belezas naturais, a par dos monumentos, a par das curiosidades e costumes, deitava um olho inquiridor às lojas, ou, pelo menos, às montras... não fosse dar-se o caso de por lá se encontrar um dos famosos exemplares.

O meu faro insistia para que eu continuasse alerta, mesmo não visitando Bihor. e assim fiz, "um olho no cavalo, um olho no cigano ..."

Até que ...



Achei!





Não é colete, é casaco.
Não é tão elaborado como o modelo usurpado.
Não custou nem 1/5 dos 500,00€ apregoados.
Não foi nada caro, recordo sem poder garantir o preço.
Sei que foi amor à primeira vista, o mais fulminante dos amores, como se sabe.
Veio comigo. Vive comigo. Somos muito felizes.




E hoje,  que chuviscou e a temperatura desceu, vesti-o.
Ufana.

Beijo
Nina

terça-feira, 2 de abril de 2019

Cruzeiro nos canais




Naveguei por quatro canais a bordo de um moliceiro - uma réplica dos barcos que se dedicavam à recolha de moliço, uma espécie de alga que era posteriormente utilizada como adubo dos terrenos agrícolas.

É um passeio calmo, muito tranquilo, apesar do motor que faz avançar o barco, observando-se as margens dos canais, atravessando túneis e passando sob pontes.
O percurso é acompanhado por uma guia que explica, primeiro em português e depois em inglês o que de mais importante se vê.

No caso, o inglês era indispensável dado que, connosco viajava um jovem casal egípcio, com quem não tardei a meter conversa - já que, nós portugueses temos fama de povo afável, há que fazer jus a essa reputação.

Como disse era um casal jovem - na casa dos trinta.
- Estão a gostar de Portugal - perguntei certa da óbvia resposta.
- Muito, muito mesmo!
A comida, o tempo, as pessoas, a beleza natural e monumental do país, adoramos tudo - responderam.

Ficámos de imediato (quase) amigos, pelo que me atrevi a perguntar:
- Estão de férias?
- Não! disse a jovem. Estou a fazer um doutoramento em Gestão e Economia na Universidade do Minho, que no ranking mundial ocupa um lugar no topo.

Definitivamente, ficámos amigos!

O jovem falava um inglês fluente e era também extremamente simpático.
Dei-lhes umas quantas dicas:
- Há que visitar os museus de Aveiro;
- Comer ovos moles;
- Dar um pulo à Costa Nova;
- A seguir deambular por aí.
 Almoçar peixe fresco.
 Beber vinho branco gelado.
 Comer mais ovos moles .

Acabado o cruzeiro despedimo-nos com sorrisos, gratos pelo fortuito encontro.

Feita a introdução, vejam pelos meus olhos que bonito é o passeio.

Cruzámo-nos com outros moliceiros  que navegam abundantemente nestas águas.

Estava um belo dia de Primavera, quase Verão e eu concedi ser fotografada

De chapéu, com a cara sombreada e não identificável

Escolhi o vermelho e preto ...


... e assim percorri quilómetros.


Sob um túnel ...





A ponte dos namorados.
 Aveiro é uma cidade universitária .
Os jovens enfeitam a ponte com laços e juras de amor.

Esta a zona habitacional mais cara

Esta a mais típica, perto do mercado

Esta a mais antiga, com exemplos de arquitetura que merecem ser perservados.

Almoçámos perto do mercado no restaurante Legados da Ria.
Muito bem!
Com peixe fresquíssimo e atendimento para lá de afável.
Recomendo vivamente.

Depois, foi tempo de regressar.

Pelo caminho, ao longe, no alto, avistámos a mais inesperada aldeia - uma aldeia de cegonhas.







A duras penas conseguimos, tomando um atalho, estacionar fora da auto-estrada e assim fizemos as mais improváveis fotografias.
Foi um dia feliz!

Beijo
Nina

domingo, 31 de março de 2019

Aveiro e arredores



Dediquei três saídas, três sextas-feiras para visitar Aveiro, seguindo a valiosa colaboração de uma amiga, ALDINA GUIMARÃES, que me forneceu as linhas mestras para que pudesse descobrir Aveiro de que, até agora, conhecia apenas a Ria e os Ovos Moles- pouquíssimo para definir uma região como esta, rica a todos os níveis.

Na primeira saída, encantei-me com a OFICINA DA FORMIGA, uma loja encantada repleta de peças em faiança. Aí, para além de comprar, visita-se a oficina onde tudo é produzido, como que por milagre.
Sendo que a gastronomia faz parte integrante do pacote turístico, seguindo uma vez mais a indicação da Aldina, almoçámos estupendamente no Restaurante Dori, situado na Costa Nova, mesmo por cima do mercado do peixe. A localização, só por si, garante uma qualidade de matéria-prima magnífica.

Na segunda segunda incursão, entrámos no Museu Marítimo (museu do bacalhau) e dele deixei registoAQUI. Foi uma visita muito interessante, que recomendo.
Ao comprar o ingresso, adquirimos também a entrada para o Museu da Vista Alegre que deixámos para realizar depois do almoço.
Desta vez, também recomendado, escolhemos o Restaurante Duna do Meio de muito bom nível.
Só depois nos dirigimos ao Museu da Vista Alegre.


O sol brilhava, o céu estava azul e o complexo que constitui o museu
 (e loja de outlet) pareceu-me , à primeira vista, muito agradável ...

Aqui a loja. Os preços são inferiores aos do comércio normal,
 mas, ainda assim altos. É que a qualidade paga-se.












Na verdade não comprei nada.
Estava muito mais interessada em visitar o museu.


As peças são maravilhosas e muito valiosas


Aqui uma coleção de pimenteiros que me empolgaram porque possuo alguns destes exemplares, uns comprados, outros oferecidos.
Nem eu sabia que eram peças de museu. A partir de agora vou olhá-los com outros olhos e tratá-los com redobrados cuidados.

Fotografei imenso, mas não posso publicar tudo.
Mostro estes pratos, estas obras de arte dignas da mesa de um rei.

Foi, pois, a segunda visita a Aveiro/ Ilhavo/ Costa Nova.

Voltei ainda uma vez mais.
Dessa visita darei notícia no próximo post.

Tenham uma feliz semana.

Beijo
Nina







sexta-feira, 29 de março de 2019



Terminarei hoje a publicação de imagens referentes à viagem ao Vietname, Cambodja e Laos, não porque tenha esgotado as fotografias, mas porque não pretendo eternizar o relato. É o que aconteceria  se tivesse a veleidade mostrar tudo. Não mostro. Mostro o essencial.  Se é que é possível eleger o essencial numa experiência que foi, a todos os títulos empolgante.

Um dos últimos percursos realizados foi o que nos conduziu de Hanoi à Baía de Halong.
Dessa baía já vira imagens, imagens belíssimas, imagens de calendário. 
Porém a realidade superou tudo o que vira e imaginara. 
Este é um local único, um local encantado.
Um outro mundo.


A Baía de Halong está classificada como Patrimónioda Humanidade,
pela Unesco, devido à sua incrível beleza natural.

Conhecida pelos vietnamitas como o Dragão Descendente ...

... é composta por 1969 ilhotas de calcário ...

... emergindo do mar.
Um mar que é um espelho ...

... verde esmeralda ...

... refletindo a vegetação que reveste cada ilhota.
Por entre elas  navegámos ...
... de olhos pasmados!

Foi a bordo de um junco que se realizou o cruzeiro.
Numa paragem, escalámos uma colina e entrámos na Gruta Surprising e, mesmo eu que não deliro com aventuras subterrâneas, aderi ao convite dado que a gruta era ampla e iluminada.

Numa segunda paragem, desembarcámos na Ilha Ti Top.
Porém, antes de nós, haviam chegado os chineses:
Tantos!

...taaaantos ...

Tantos!!!!

A fronteira com a China fica a 150 Km, daí a invasão!

Ao fundo, os juncos ...

... e mais chineses!
 
Nada como a amplitude silenciosa e deserta da baía.



Não há dúvida que gente a mais perturba, como se viu na Ilha Ti Top.
 Oxalá as autoridades responsáveis sejam capazes de controlar o turismo selvagem enquanto nada está estragado.
Oxalá!



Beijo
Nina