movimento-me com razoável desenvoltura, excepto num detalhe.
Não me entendo com bonsais.
Já matei vários, afogando-os em regas excessivas que alternei com secas prolongadas, num esquizofrénico jogo de (in)decisões que sempre acabaram mal.
Para quem, como eu, tem a petulância de se assumir com "dedo verde", estes fracassos deixam-me perplexa e estranhamente desinibida.
-A culpa é deles, tem que ser deles, seres estranhos que requerem atenções inalcançáveis.
Mas, como acho piada àquela amostra de árvore, acabo por aceitar a sua volatilidade e, por isso, insisto .
Já cá tenho outro.
Um ficus anão que trouxe de Espanha, há um mês.
A primeira manifestação de hostilidade por parte da criatura foi largar, uma a uma todas as folhas.
e, da noite para o dia, à sua volta formou-se um minúsculo tapete de folhas secas.
Foi o primeiro aviso de que o calvário se repetiria.
| Calmamente, como quem aceita um inelutável destino pré-definido, mudei-o de poiso e saltou para a cozinha. Aí, num ambiente naturalmente humedecido pareceu revigorar. Gostei. |
| Perante o ar prometedoramente saudável, já arrisco umas fugazes estadias na sala, onde, se exibe, vaidoso. |
| Entretanto, comprei mais jacintos. Não lhes resisti. Prometem flores rosa e encontram-se bem mais desenvolvidos que os irmãozinhos ontem regatados. |
| Em grupo, espreitam numa janela ensolarada. Prometem delícias ... |
| ... desafiados pelas orquídeas que já floriram, vaidosas ... |
| ...enquanto outras começam a despontar. |
Será uma vigilância diária atenta.
Palpita-me que dentro de dias se consumará a festa.
Teremos flores , muitas cores, muitos odores.
Beijos
Nina