segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dali...





Logo que se transpõe o portão da entrada, desembocamos numa praça espaçosa, ocupada por um majestoso Cadillac, preto e branco, com um dos vidros partidos e uma mulher gorducha no capot.
Suspenso do tecto, sobre o automóvel, um barco pingando água, em gotas de vidro azul.
Porquê?
Porque sim, porque nos encontramos em pleno universo surrealista que, tal com o nome sugere, subverte a realidade.
Assim, nessas coordenadas se desenrola a fantástica visita.
Nada é o que aparenta, nada ocupa o lugar que seria suposto ocupar no quotidiano vivenciado por cada um de nós.
É uma viagem pelo mundo do sonho.

Com pinturas ...

... detalhes ...

... que não são o que parecem!


Esculturas ...

... que assim roubam os sentidos!

E Gala ...

... sempre ela, Gala, a deusa inspiradora.

A paisagem local, Cadaqués, seu reduto, seu ninho, também eternizada.

Em cada canto uma surpresa ...
Assim e muito, muito mais é a casa de Dali. Local obrigatório, tão obrigatório como plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho!
Podem não se cumprir os requisitos, mas se sim, se se cumprem, é a glória!

Bom Ano!
Por favor, sejam felizes, aproveitam o momento, vivam plenamente!

Beijo
Nina

domingo, 30 de dezembro de 2012

Se eu fosse Alice ...


... não hesitaria.
Ao dar de caras com esta construção fascinante, concluiria, sem hesitação que havia chegado às portas do País das Maravilhas.


A cor é rosa, rosa forte.
As paredes revestidas de figuras que tanto podem ser tartarugas, como pães.
Ciprestes idênticos, alinhados como mudas sentinelas, alinham-se ao longo da fachada.
No topo, uma torre ...

... sobre a torre, ovos gigantescos, alternados com alvas e enormes esferas.
No beiral do telhado, figuras esguias que gesticulam num secreto código de sinais.
Noutro extremo, uma cilíndrica torre branca, rematada por uma semi-esfera formadas por milhares de vidros que encaixam em perfeito puzzle!

Mas não sou Alice!
Não sou terreno fértil para desvairada imaginação!
Não atravesso o espelho!
Não mergulho, afoita, no túnel do universo paralelo!
Sou apenas eu, estupefacta, ante o museu Dali, em Figueres!
O interior, esmagou-me.
Vou compartilhar.

Beijo
Nina

sábado, 29 de dezembro de 2012

Plaza Mayor, ruas, praças ...



A promessa de "free wifi" nos hóteis, vale o que vale, quer dizer, oferecem este serviço, mas tão com sinal tão fraquinho, tão lento, tão incómodo que actualizar o blog com fotos é um trabalho exigente e frequentemente mal sucedido. 
Sabendo daquilo que " a casa gasta", tinha descarregado antecipadamente as fotos feitas em Salamanca, já que fazer um diário de viagem quotidiano é tarefa impossível.
 Vou , por isso, mostrando recantos de Salamanca, ainda que recolhidos no passado
 ( recente...) 


Numa cidade milenar, o casco antigo, preserva ferozmente o comércio tradicional.
Os exemplos são fascinantes.
Pessoalmente , não sendo muito de doces, adoro montras de pastelarias. Obras de arte, verdadeiras jóias, é o que são .
Apetece trincar cada uma das maravilhas expostas.



Mas, não só de montras é feito o charme da zona antiga da cidade.
Em cada esquina, uma surpresa:

Uma capela, no meio de prédios.

Arcadas e galerias protegem os transeuntes que circulam.


A Plaza Mayor durante a noite. Agora com direito a decoração natalícia.
A ver se consigo actualizar o blog com a resma de fotos actuais que possuo.
Até lá, ficam estes recuerdos.

Beijo
 Nina

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Fui às compras ...

Passando, inocentemente, pela auto-estrada que liga Barcelona a Girona vi, saltou-me aos olhos, assaltou-me, invadiu-me a indicação de saída para o outlet La Roca Village.
Ensonada, despertei, tive ideias e apetites.
Guinámos para a esquerda e, num ápice, estávamos lá, no outlet, carregadinho de gente, repleto de ofertas, de tentações de indispensáveis e dispensáveis tentações, mas ... há tanto, tanto tempo que não compro nadinha que, o diabinho tentador sussurrou no meu ouvido:
Por que não?
E mais, que há recessão porque o dinheiro não circula e que só se vive uma vez e que sabemos lá o que vai ser o amanhã e que não seja parva nem fundamentalista, e que olhar não custa nada e que até pode ser que encontre ofertas úteis e irresistivelmente baratas.
Estava perdida, já sei!
Pela rua principal, observei lojas de excelentes marcas, ainda sem entrar.
Depois, e já sabia que era apenas uma questão de tempo, vi um casaco comprido preto, lindo, irresistível, exactamente igual ao que povoava, desde há tempos, a minha imaginação.
Entrei! Vesti-o! Comprei-o!
Logo a seguir, (oh! maravilha das maravilhas!!!!), uma loja MBT! Marca de sapatilhas super caras, super confortáveis, super feias!
Descobri-as há uns anos atrás, indicadas pelo meu ortopedista e nunca mais deixei de as calçar para as caminhadas de todos os dias.
O preço? 50% mais baratas do que o preço de loja. Ok! são da época passada... e daí!? Duram, à vontade, 3 anos! Logo, a objecção não colhe!
Depois, caí na ratoeira da mais terrível cobiça. Comprei uma nova, linda e dispensável panela LA CREUSET!
Foi feio! Foi fraqueza, foi mau!
Mas estou feliz com a compra, também ela por metade do preço da loja. Vou cozinhar montanhas de iguarias na minha panela francesa, já para não falar no luxo que será a bancada da minha cozinha.
Em minha defesa ( ou não...) devo confessar que não estou absolutamente nada arrependida. Pelo contrário, apetece-me reincidir no pecado, o que não será nada difícil:
- Dirijo-me para Andorra!
Está tudo dito!
Andorra, paraíso das compras, comércio sem IVA, ofertas de TODAS as marcas de renome.
Eu, que não sou santa, ( nem quero ser...), ciente de que a carne é fraca, não me responsabilizo pelos meus actos!
E temo o pior!

Beijo
Nina

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Rio Tormes


É o nome do rio que atravessa Salamanca, num abraço apertado, repleto de doces afagos e breves suspiros.
A paisagem é serena, silenciosa, terna.
Ligando as margens, algumas pontes, sendo que a mais famosa é a Ponte Romana, do piso da qual fotografei o Tormes







Na ponte me perdi, imersa na pureza da paisagem.
Foquei árvores, águas serenas, tímidas cascatas e até uma branca ave perdida no frio da manhã.
Perdida eu também, num mergulho louco juntei-me ao passado, às legiões romanas que terão chegado a Salamanca, terão  aberto estradas, construído pontes.
Foi a Romanização da Península Ibérica que estudei nas aulas de história.
Porém, muito louca, consinto que Astérix e os seus guerreiros gauleses dancem na minha cabeça, protagonistas da contenda contra os romanos da qual, sempre, saíam vencedores.
Sei bem que o seu campo de batalha se situava numa pequena aldeia gaulesa!
Porém, os romanos são os mesmos e a imaginação não respeita conceitos geográficos.
Colou-se-lhes o rótulo que Astérix inventou com a frase conclusiva:
"Estes romanos devem estar loucos!"
Tudo isto, na minha memória, em que o interessante da banda desenhada se sobrepõe à monotonia da aula de história.
Por isso, subvertendo as regras, imaginei centuriões romanos, em farrapos, depois da contenda com Obélix, humilhados na sua estatura de vencedores por um insignificante grupo de guerreiros comilões e mal organizados.
A alucinação deu cor, movimento e vida à belíssima ponte e trouxe um rasgado sorriso à minha face, misterioso e incompreendido por quem, então, me olhava.

Beijo
Nina

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Estas são as ruas de Salamanca...


... por onde vagueei no fim de semana que antecedeu o natal.
Foi lindo. Foi bom. Foi bom e lindo. E delicioso, que a comidinha local é de se comer rezando.
Resolvi dar folga à dieta e à vigilância sobre as calorias deglutidas, já que atravessar esta época, sem cometer o pecado da gula, é impossível.
Por isso dei rédea solta à tentação. E comi e bebi o que me apeteceu. Sem culpa e sem réstia de remorso.

Na cidade, palmilhei quilómetros, num passinho miúdo, de pescoço torcido, focando
maravilhas, de máquina em punho, não perdendo pitada dos encantos locais, que registei assim:

Cidade universitária, oferece aos jovens, espaços de lazer que se multiplicam ...

...num apelo, num convite permanente, à paragem, à entrada, ao copo e ao petisco!

As faculdades desdobram-se em edificios magníficos, com arcos ...

...pátios interiores ...

... galerias ...

... e detalhes fascinantes, tudo erigido numa pedra quase dourada, quase rara, quase inacreditável de tão bela!

A rã, o batráquio verdinho, pegajoso e viscoso, está presente em todos os lugares!
Rãs de pano, de plástico, de madeira, de porcelana, entendámo-nos!
Vendem-se rãs em tudo o que é loja de souvenir!
Porquê?
Porque existe uma rã esculpida em pedra numa das fachadas da catedral.
Simboliza o pecado e continua a provocar grande controvérsia a sua real simbologia.

Impossível capturar num disparo toda a beleza, toda a grandeza, toda a imponência da catedral.
Fica um apontamento.

Caminhando por  ruas e ruelas, emparedados pela magnificência monumental, sentimo-nos pequenos, perecíveis e felizes, muito felizes por nos ter sido dada a oportunidade deste convívio com a história da humanidade.

A visita foi, mas terminou.
Agora repasso memórias, preencho os últimos dias do ano em atmosfera de lazer.
No blog, continuarei a depositar momentos.
Quando Janeiro chegar, há que fechar a tampa deste baú de recordações, iniciando então novo ciclo, reiniciando-me, atualizando-me para, mais apta,  a novas lutas e a novas conquistas dar a cara.

Beijo
Nina

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal!


Eis-nos chegados!
Hoje a ceia, amanhã o almoço!
Acho bem! Gosto de rituais! São marcos importantes no percurso de vida.
Ainda que não consiga evitar que o clima pré-Natal decorra envolto numa certa dose de ansiedade, confesso que não seria capaz de cortar amarras e afastar-me, fugindo para o sol, para águas  cálidas e azuis com palmeiras oscilantes.
Não sou assim tão radical, não!
E lá vamos, ano após ano, reunindo a família e repetindo o menu. Nem mesmo, nesse capítulo consigo cortar com a tradição.
Assim, no jantar de hoje, come-se o bacalhau  e o polvo ( de influencia transmontana ...) cozidos com batatas e legumes, enquanto que, amanhã, se repetirá o peru recheado de todos os almoços de Natal.
Cozinheira previdente, tratei hoje do passaroco.
Mostrarei as imagens, prevenindo os mais sensíveis para a sua potencial crueza, já que a operação se aproxima de um ato cirúrgico:


O recheio ...

... operação delicada que requer vagares para que a cavidade fique plenamente preenchida.

A sutura!
De agulha e linha fecha-se a cavidade, aprisiona-se o recheio!

O tempero.
Uma papa de Becel, sal, pimenta, muito alho, molho inglês e vinho do Porto.
Com esta mistura se barra o peru e, no caso, também uma porção de lombo de porco, que os comensais são furiosos apreciadores do assado.
Assim permanece, à espera, absorvendo sabores, durante 24 horas.

As sobremesas, obedientemente, repetem-se também: as rabanadas,a aletria, o leite creme, os formigos, os sonhos, o bolo-rei ... Para mencionar apenas algumas, da orgia de doces que, qual, tsunami, nos assola.
Em criança, o ritual recriava-se no fim do ano e nos Reis. Dessas obrigações, libertei-me!
Bem como da tortura de comprar presentes. Agora, prendas, só para as crianças, o que,salvaguarda em grande medida,  parte da minha  sanidade mental.

É tempo de começar a pôr a mesa. Muito trabalho ainda me espera, portanto, a todos desejo um Natal de paz e amor e,  que o seu espírito se prolongue pelos próximos 365 dias.

Beijo
Nina