domingo, 7 de abril de 2013

Vamos lá organizar!



Organizar significa simplificar.
Quanto mais organizarmos, menos trabalhamos, menos nos atrapalhamos.
Sei do que falo, que me disciplino permanentemente, eu, a verdadeira anarquista.
Aprendi, a duras penas, que se fizer bem, só faço uma vez.
Vale, portanto, a pena investir na organização, palavrinha mágica libertadora.
Na newsletter da Martha Stewart, recebi esta sugestão que há muito ponho em prática:



São latas, latinhas resultantes da embalagem de mil produtos que, assim alinhadas na horizontal, numa qualquer prateleira, viram casulos, ficheiros, para papelada pendente.
Acho bem!
Mas ainda acho melhor o up grade que lhes aplico:

Uma lata de cogumelos vazia, vestida com uma capa de crochê em ponto baixo.

Se paramos um pouco para pensar, concluímos que grande parte da quantia que pagamos pelos produtos embalados, corresponde à embalagem! Certo?
Quando nos limitamos a mandar para o lixo ( espero que , sempre, para a reciclagem!) esse invólucro, estamos, pura e simplesmente a deitar dinheiro no caixote do lixo, sem falar nos custos da pegada ecológica da qual, cada um de nós é responsável.
Trata-se, apenas, de um hábito a adquirir!
Isto é, trata-se de reaproveitar tudo, com vantagem para o bolso e para o planeta.
Já para não falar do toque individual e irrepetível que se aporta à decoração da nossa casa, onde, cada detalhe, é fruto da  nossa própria iniciativa  !
Esta atitude, além de inteligente é cool, gira e hiper moderna!

Beijo
Nina

sábado, 6 de abril de 2013

Este bacalhau ...


... é uma coisa!
Nem sei que nome lhe dar. Não é bacalhau com natas, nem bacalhau espiritual... é uma coisa!
Daqueles pratos que se preparam com antecedência e que ganham com a espera.
Daqueles pratos que permitem que a cozinheira brilhe, linda e perfumada, como se tivesse uma legião de empregados na cozinha preparando o jantar.
Assim é este bacalhau.
Digamos que é perfeito.
Comprei-o congelado, em embalagem de três postas, numa daquelas promoções em que pela compra se obtem 50% de desconto a acumular em cartão.
Gosto de bacalhau congelado, que, paciente,  na gaveta da arca, espera a sua vez, evitando apuros de última hora à dona da casa.
Ter bacalhau congelado é não ter problemas.
Aconselho, portanto! Ainda mais se vem com o brinde do desconto!


Cozi as postas, ainda congeladas, em pouca água e nenhum sal durante 5 minutos.
Retirei do calor, deixei que arrefecesse e dividi em lascas, retirando peles e espinhas.
Guardei a água da cozedura.
Cortei 5 cebolas em fatias muito finas e fritei-as, com um pimento verde, cortado fino, lentamente, com pouco azeite, até ficar a cebola ficar molinha e transparente.
Juntei meio copo da água da cozedura do bacalhau, o bacalhau,  um pacote de camarão grande, congelado e descascado e uma embalagem de natas de soja.
Deixei que levantasse fervura, temperei com pimenta e uma folha de louro e desliguei o fogão.

Isto, foi ontem, antes de jantar.

Hoje, terminei o petisco.
Aqueci levemente o preparado e juntei batatas em palitos fininhos, fritos, mas não tostados.
(Calculei uma batata por comensal).
Com a água sobrante da cozedura do bacalhau, fiz um bechamel espesso, temperado com pimenta, noz moscada e muito sumo de limão (no caso, 1 limão inteiro). Depois do molho arrefecer, juntei-lhe 2 ovos batidos e 4 colheres de sopa de queijo ralado.
Quanto ao sal, NADA!

Metade do molho irá para o preparado.
Despeja-se num prato fundo que possa ir ao forno e cobre-se com o restante bechamel que se salpica com abundante queijo.
Vai ao forno a gratinar.
E come-se. Como se não houvesse amanhã. Esquecendo dietas, regimes e contenções. Come-se desalmadamente, com um vinho branco gelado.
A cozinheira,essa,impecável, como se não tivesse passado pela cozinha.

Beijo
Nina 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Foi uma sexta-feira ...


.. agitada, muitos fazeres e afazeres, numa louca correria que ainda não terminou.
Acordei tarde!
Aberto o estore, o que vi!?
-SOL!
Uau! Não fugiu de vez! Afinal ainda está lá, no seu posto, ainda que escondido!




Sem pensar duas vezes, escolhi um vestidinho lindo, muito lindo, feito pela MINHA Mira!
Um blusão de couro rosa, sapatos a condizer e, lá fui,alegre e ligeira, porta fora.
Saí de carro da garagem e pressenti um ventinho chato. Nada que abalasse o meu primaveril entusiasmo.
De lista de tarefas em punho, dirigi-me ao banco, abatendo o primeiro objetivo.
Estacionei,
Saí!
Enregelei!
Sol, céu azul e 9 graus de temperatura.




Tiritando, corri, montada nos saltos que combinavam na perfeição com o look Chanel.
Voltei ao carro!
Comecei a espirrar. É alergia, iludi-me.
O nariz, que nunca se deixa enganar, começou a pingar!
Estou tão constipada...
Seguramente que o bicharoco já me parasitara e só esperava uma brecha nas minhas defesas para  atacar.
Agora, embrulhada em espesso casaco de lã, desconsolada e um pouco infeliz, preparo-me para suportar dias de "atchins" consecutivos, montanhas de lenços e nariz vermelho!
Não há que acreditar neste sol enganador.
Oh! inverno tenebroso que não parte!
O prémio de consolação reside na previsão de um verão de ananazes, quente e seco.
Aaaatchim!

Beijo
Nina


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Tudo azul

Tenho uma sala azul!
Não é bem uma sala, é mais uma saleta, meio local de trabalho, meio sala de leitura, tranquila, distante do movimento diário da casa.
Lá me refugio do zumbido do aspirador, do bater de portas e do abrir de janelas, na faxina diária.
Sem avisos, sem recomendações, está estabelecido, se estou na sala azul, estou a trabalhar. 
Nada de interrupções, portanto.
A minha sala azul, não é só azul, não! Mas, ainda assim, o azul predomina. Nos estofos dos sofás, nas almofadas, nos estores e nos tapetes.
Também numa coleção de vidros de Maillorca, azuis, que sublinham a tendência.
Agora, uma achega, um penacho,  uma pena, lantejoula, laçarote, berloque, o que se lhe quiser chamar,  na figura da minha manta em  declinações de azul, que, dengosa, enfeita e repousa nas costas de um sofá ... também ele azul.


Arco-íris, esta almofada, discorda, concordando.
É o modelo "Flor" que colhi no blog Attic 24, da Lucy.

São camadas de pétalas sobrepostas, perfiladas em 1000 cores!

Os sofás são centenários, literalmente falando.
Art decô, herdados de antepassados, em trio, um de três lugares e dois individuais.
Chegaram em mau estado. Rotos, puídos, sem personalidade nem cor.
Vestidos com fato novo, rejuvenesceram!

E fez-se a sala.

Numa mesa em vidro, uma floresta tropical.

Apenas os Antúrios me parecem desnutridos. Gostaria de vê-los mais felizes, de um rubro intenso.
Mudei a terra, acrescentei substrato vegetal, que fomento a vitalidade e não gosto de desânimos...
... principalmente na minha sala azul, sala de todas as quietudes, todas as reflexões, todas as inspirações, fortaleza sem muros, refúgio seguro, quarto de adolescente, território sagrado e proibido.
É tão bom ter uma (inútil) sala azul!

Beijo
Nina 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Será que sou só eu...?

Que, com a mudança da hora, animal de hábitos, me perco na permanência da luz?
Será que sou só eu que se desnorteia esperando o escuro, para a passagem pela cozinha?
Será que sou só eu que, por aqui, me perco, visitando amigas, respondendo a comentários, janela aberta para um céu claro de meio da tarde?
Será que sou só eu, que, quase 8 da noite, ainda não liguei o fogão?
Será que sou só eu, anestesiando urgências com a luz natural, eliminando lâmpadas?
Será que sou só eu, que esperando convivas para o jantar, ainda nem a mesa pus?
Será que sou só eu, morcego tonto, que não sei o que fazer à vida, para dar conta do recado?
Será?
Adoro estes dias longos. Adoro. Mas fico outra. Esqueço horários, desregulo o relógio interior.
Zen, 1000% Zen, luto pela compostura.
Quem chegar primeiro, tratará da mesa.
A cozinheira descalçou a bota com umas alheiras que, palpita-me, farão figura frente aos esfomeados.
Bom, bom, é viver estas tardes longas, perdida  em mil coisas lindas, importantes e inadiáveis.
Está decidido:
- Que esperem!
Pena é que a sensação de tempo esticado não perdure!
Pena é não conseguir driblar o relógio!

Beijo
Nina


terça-feira, 2 de abril de 2013

Olha!


Fui destaque no mês de Abril no blog da querida Joana!
Nem sei como reagir!
Nem sei como agradecer!
Será que mereço?


Esta é a mais absoluta novidade no meu percurso de blogueira!
De tão inesperada, sabe a coisa boa, verdadeiramente deliciosa.

Bom mesmo,  é manter o blog vivo, diariamente, se não com novas mensagens, com novas viagens, até ao mundo imenso e diverso que povoa este universo.
Quase todos os dias escrevo, é certo.
 Acho que tal se deve a um olhar de criança curiosa que ainda não perdi.
 Daí que me divirto com um monte de situações, de que dou conta, atenta, e de outras, aparentemente insignificantes, que, como diz uma amiga muito querida, com um limão lá vou fazendo litros de limonada.(Não sei se a citação, feita de memória está correta... não sei se a minha amiga refere 1 limão, ou 1 ovo, do qual, nesse caso, resultaria suculenta omelete!)

Assim, detendo-me em detalhes, divirtindo-me à grande.
Acho até que os textos  funcionam como terapia ocupacional, chamando o nome às coisas, como verdadeira psicoterapia. Porque isto de terapias, todos precisamos, pois, já se sabe, "de médico e de louco, todos temos um pouco".
Depois, gosto das pessoas.
Gosto sem esforço.
Está na minha natureza.
Observo-as e classifico-as, numa hierarquia muito minha.
Bem como aos blogs, que também classifico, com quem também crio laços.

Nuns, entro respeitosamente, de cabeça baixa e coberta, como quem entra num templo. São os blogs das artistas, daquelas que com linhas e agulhas produzem maravilhas. Respeitosamente, observo e, boa aluna, vou aprendendo.

Noutros detenho-me, em meditação e contemplação.
 Aí, quem escreve, aprisiona-me nas palavras, retendo todos os meus sentidos.
 Aí, a beleza da palavra comove-me e , porque não confessá-lo?, inspira-me.

Noutros, suspiro salivando, copiando técnicas, retendo ingredientes ... são os mestres da cozinha a quem tanto devo.

Ainda noutros, vejo e revejo o quotidiano. Encanto-me com as diferenças, prendo-me nos pormenores.

Depois, finalmente, há os outros, os outros que são a minha casa pelo mundo.
Neles entro sem bater, que sou da casa, troco segredos, dou palpites, cochicho em planos de encontros futuros que, provavelmente jamais se realizarão, o que não retira nem um salpico à emoção dos projetos. 

Joana, querida, a tua distinção deixou-me assim,ó! tonta de gratidão ( e um bocadinho de vaidade!)

Beijo
Nina

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A artesã que habita em mim!



Não, não vou pronunciar a palavra mágica, sagrada ...A-R-T-I-S-T-T-A!
Não por humildade excessiva que é, como toda a gente sabe, uma dissimulada forma de vaidade.
Não vou pronunciar a tal palavra, a tal carregada de magia, que, faz levitar acima da média do comum dos mortais, porque, focada e exercitadamente honesta, sei que não se me aplica.
O que eu sou, ou procuro ser, é uma artesã, no sentido mais prosaico do termo.
Mexo, toco, manipulo materiais.
Os materiais seduzem-me. Dão-me ideias.
E lá vou eu, um pouco louca, como se usasse uma meia de cada cor, como se enfeitasse o cabelo com passarinhos, como se cantarolasse, despudorada, melodias que me ficam na memória, no ouvido.
Então, mergulho afoita em aventuras com desfechos improváveis, numa felicidade de criança prevaricadora que escapará impune da prevaricação.
Se correr mal, desmancho.Ou prossigo, delirante, ao sabor dos humores, dos apetites inimputáveis.
Assim, misturei cores, construí, desconstruí, conclui e o prazer, benévolo, permanece , que bem aventurados os pobres de espírito, que deles é o reino dos céus.
Sem pretensões faço e desfaço, inimputável, repito.
E, às vezes, gosto.



Ponto elementar que a mais não permite a sapiência.
Chamam-lhe ponto alto.
Cada carreira sua cor, numa combinação de azuis que me cativou.

A toda a volta, um remate simulando renda ...

...e um conjunto , cujos conjuntos se repetem ...

... num refrão elementar, que, desde o princípio dos tempos ... lembro as Cantigas de Amigo, as Cantigas de Amor, quando a língua não ganhara ainda estatuto com identidade própria, aí, se descobriu o filão do refrão que, numa repetição cíclica dava forma ao texto.
Também aqui, a repetição simula o refrão com efeitos embaladores e encantatórios.

Amo a minha manta!
Não é de artista.
É de artesã!
Foi bom, libertador, quase terapêutico, tecê-la, numa reprodução involuntária de Penélope no século XXI.

Sobrou fio.
Com o esquema economicista da artesã, há que aproveitá-lo.


Aguardam-se almofadas ... Irreverentes, caleidoscópicas.

Beijo
Nina