terça-feira, 11 de setembro de 2012

Wohnen & Garten

Esta não é uma revista.
Esta é a REVISTA!





Os tons de capa não se afastam muito desta combinação de rosados, lilases, um ou outro toque de roxo, em harmonia perfeita com outras tonalidades que sempre aparecem como detalhe e não como pano de fundo.
Esta é uma conjugação acolhedora, diria mesmo apaziguadora que associo a ambientes intemporalmente confortáveis e vivos, testemunhando a presença da mão de quem os cria e cuida, que nada têm a ver com figurinos pré-fabricados por profissionais da decoração.
Que me perdõem tais profissionais, seguramente utilíssimos em trabalhos de grande escala ou como orientadores de todos os que preferem, porque não querem ou porque não sabem, entregar-se nas mãos experientes e preparadas dos decoradores de interiores.

Acontece que eu, jamais, abdicaria da minha possibilidade de escolha, de erro, de acerto, de fazer e refazer, já que é assim que encaro a casa, uma entidade em progressão contínua, refletindo a personalidade de quem a ocupa.

Por isso, gosto de revistas de decoração e da Wohnen & Garten, em particular, inspiradora como poucas e vocacionada para o amplo domínio doméstico, com inclusão de sugestões culinárias que, também elas, refletem a personalidade de quem se dá ao trabalho de as preparar.

Pena que não se encontre à venda em Portugal, grande pena!






Este recanto pode ser adaptado a um terraço, a uma varanda, a um jardim interior ou a um exterior  para quem tiver a sorte de o possuir.
A mistura de plantas envasadas, a mesa de vime pintada de branco, com tampo de vidro, as aves que espreitam por entre a folhagem, formam um delicioso recanto.
Impossível não procurar reproduzi-lo.





É apenas um vaso de crisântemos, banal, barato, sem pretensões a planta rara.
Porém, se protegido por um também banal cesto de vime, brilha com outro brilho e irá alegrar e dar vida a um qualquer cantinho, quer seja uma bancada na cozinha ou na casa de banho, ou , com maior destaque, uma mesa de apoio na sala.





Acho que não existe casa onde não vivam uns trastes velhos, uns móveis feiosos que por inércia ou por falta de inspiração, agridem diariamente os olhos que neles pousam
Na minha opinião, transmitem até energia negativa.
E afinal é tão fácil dar-lhes cara nova, como nesta espécie de cómoda vestida de azul turquesa.
As portas foram forradas, as laterais pintadas complementando os puxadores o look romântico.
Nuns copinhos simples, que também podem ser frascos reaproveitados, três florzinhas afirmam que ali vive gente, gente imaginativa e criativa.




Gosto de cortinas, cortinados, reposteiros!
Gosto de janelas vestidas!
Que os vidros estejam imaculadamente limpos e transparentes, é uma questão de honra.
Que as janelas estejam vestidas, de preferência, muito bem vestidas, uma debilidade que alimento.
São metade da decoração, mais de metade do conforto.





Na casa de banho, tons suaves, por favor.
E perfume ténue de sabonetes.
E velas que transformam o banho, antes de dormir, num ritual, num momento único.
E flores, tem que haver flores, sejam secas ou frescas.
Flores nunca são de mais.







Ah! e as compotas!
Não esquecer as compotas!
De frutos vermelhos são magníficas.
Há que conservá-las co carinho, com todos os cuidados, em frascos reciclados, pois claro, engalanados com retalhos e rendas.
Depois, é saboreá-las sem disfarce, na torrada matinal, ou glorificando os crepes que, na sobremesa farão com que o ar se encha de suspiros de pura delícia, de puro prazer.

Beijo
Nina

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Crochê !


O crochê Também faz parte das atividades de férias, ainda que não se trate de o fazer, mas de o desfazer, que é o que me ocupa de momento.

Acontece que, bem guardado nas profundezas de uma gaveta, jazia este horror:




Uma túnica tamanho XXXL, num amarelo que provoca tonturas e náusea.

Não era previsto que a obra resultasse deste quilate...
Nem pensar, embora a escolha da cor, reconheço, tenha sido arrojada, mas, ainda assim, não era suposto que o resultado fosse este - uma coisa amarela, gema de ovo, onde caibo eu e outra ou outras, igual, ou iguais a mim … e, no entanto, asseguro, segui rigorosamente as instruções, reproduzi uma amostra, contei e recontei os pontos.
Tudo em vão! O horror está aí, em toda a sua plenitude, impossibilitando o uso, a oferta, o empréstimo, o que quer que seja que não seja desfazer tudo.



Sinto-me poderosa, implacável, recolocando ordem no caos!

O que custa é descoser as costuras, porque, feito isto, é quase libertador puxar pela ponta do fio e ver o novelo crescer.
É assim como, suponho, partir louça num momento de irritação, ou descarregar a frustração num saco de pancada, como treinam os pugilistas.
Noutros tempos, não me daria ao trabalho.
Impossibilitada de oferecer esta monstruosidade sem ofender os sentimentos de quem a recebesse, o seu destino seria o caixote do lixo.
Hoje, porém, mais focada no contexto, mais alertada para a reciclagem, divirto-me com esta tarefa.
É quase como o desfazer do bordado de Penélope, que assim adiava uma ligação indesejada.
Os meus motivos são, como já referi, bem mais prosaicos, mas, para mim, valiosos que cheguem para continuar o destrabalho.
O destino que darei a este fio é, para já, indefinido, mas, tenho a certeza que me ocorrerá qualquer coisa.
É só deixá-lo sossegado num canto, que ele próprio ganhará pernas, asas e objetivo.
Depois, vou-me a ele.


Beijo
Nina







domingo, 9 de setembro de 2012

Ah! E a leitura!


















Não posso deixar de referir a leitura.
Leio muito, mas durante as férias na praia, leio ainda mais.
Leio os jornais, pela manhã, com particular interesse pelas crónicas e artigos de opinião, fugindo a sete pés das desgraças que fazem os grandes títulos, as manchetes.
 Isso não leio, não quero saber do homicídio do vizinho, nem do assalto ao supermercado.
Não quero!

Gosto de ler o que me faz crescer e por isso sou criteriosa na escolha.
Leio, pois, o abastecimento antecipadamente feito para a ocasião, comprado na Papelaria Marta, onde também me fornecem o serviço pré-pago para a net, esta obrigatoriedade desgraçada, que me restringe os movimentos e cronometra o prazer.

Acabei hoje mesmo "O último minuto", um policial moderno e super movimentado, leitura para hotel, incompatível com o vento e a areia da praia, que requer o sossego do hotel.

Desde que li a trilogia  Millenium, do sueco Stieg Larson, uma novidade absoluta em termos de policial negro, fiquei recetiva à ação que se desenvolve no mundo do crime organizado e dos tenebrosos hackers, que nos revelam toda a fragilidade dos nossos segredos, todas as brechas da nossa privacidade, tão assustador que deixa, para nossa tranquilidade, a hipótese da inverosimilhança, da ficção pura e dura...
 É o caso do volume que terminei.

Longe vão os tempos em que os policiais de Agatha Christie, punham em foco uma abelhuda e inocente Mrs. Marple ou um amaneirado e arguto Monsieur Poirot que, entre jogos de ténis e chá com scones desvendavam o enredo de misteriosos crimes.
Era giro, mas suponho que, atualmente, não vende.
Atualmente, dominam os piratas informáticos e os crimes financeiros com contas secretas nas Ilhas Caimão.

O certo é que comprei os que se apresentavam como os mais vendidos na FNAC e, para já, têm cumprido satisfatoriamente o seu dever:
Entretenimento do bom!

Vou mergulhar , agora, num mundo diferente, igualmente tenebroso, mas diferente.
Pela mão de Zafon, percorrerei as ruas e ruelas de Barcelona, em meados do século passado, na teia de "Prisioneiros do céu".
Uma leitura empolgante é, sempre, um incentivo forte para recolher à tranquilidade do hotel.
Do que conheço da obra deste autor, acredito que a viagem será delirante.

Logo, logo, darei notícias deste mergulho no passado recente.

Beijo
Nina

sábado, 8 de setembro de 2012

Quando chega a noite ...


...depois de um dia ao sol, passeando junto ao mar, mergulhando e nadando, sinto-me tão cansada, tão exausta que só a noite de sono retemperará a energia.
É que isto de férias, cansa, cansa imenso.
Aprendi, e essa é a parte boa dos anos que passam, a libertar-me e a desvalorizar detalhes antes vitais.
Começando pelo cabelo, pelo meu problemático e caprichoso cabelo.
Desliguei, ignoro, esqueço, como se fosse careca.
Mergulho no mar sem restrição , o sal faz das suas, deixo que seque preso num coque e depois, no banho em casa, lá lhe acudo como posso, com amaciadores e hidratantes, adiando para as mágicas mãos da Andreia os cuidados profissionais.
Aprendi a não deixar que me escravize e esqueço o look.

Quando faço a mala, faço mal, sempre, faço sempre mal.
Um desastre que me garantirá andar limpinha, mas espantosamente mal vestida, mas  hiper despreocupada e bem disposta.
 Não quero saber.
Acho que o meu crescimento interior atingiu um patamar muito elevado, desligando-me do exterior, essencialmente do julgamento exterior.
Por outro lado, e o que é mais importante, também não me julgo nem avalio.
Daí que as malas trazem cada vez menos roupas e, mesmo assim, regressam com peças que não foram utilizadas.

Chama-se a isso, crescer, ou, desligar, ou estar-se nas tintas.
É uma sensação magnífica que se aprende a duras penas, mas, se persistirmos, chegamos lá.
Claro que há rituais incontornáveis, como é a proteção atenta da pele.
No rosto, sempre ecrã total, que não existindo, corresponde a um fator de proteção de, no mínimo, 50, enquanto que no corpo, o fator 30 é indispensável.

Depois, é desfrutar, caminhar muito, mergulhar continuamente, nadar até que os músculos gemam e chegar à noite num estado de exaustão quase miraculoso que permite mergulhar num sono santo e rejuvenescedor.

Chamo a isto férias!
Cada um sabe das suas, mas quanto a mim, repito, chamo a isto férias.

Beijo
Nina


P.S. Muito obrigada pelos comentários a que não tenho respondido. Não deixarei de o fazer logo que a logística o permita.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Já Darwin dizia ...



... adapta-te ou sucumbe, desaparece vencida por forças adversas.
 Assim fizeram os primeiros seres vivos que, saindo dos mares, aprenderam a respirar, criaram membros, rastejaram, afastaram-se das águas e adaptaram-se, numa sequência lenta de milhões de anos que acabou por dar origem aos seres bizarros e arrogantes que somos nós, os seres humanos.
Arrogância à parte, continuo a adaptar-me num exercício diário que torna mais aprazível o meu cotidiano.
Vens isto a propósito do banalíssimo tema que é o pequeno almoço ( café da manhã para os amigos brasileiros.

Posto que o cenário que tracei relativo ao Oásis, a pecar, será por defeito, fruto de alguma benevolência minha, temos que o pequeno almoço não destoa do conjunto.
É pobre , é descuidado, é irritante.

Logo, adaptei-me e fui às compras.
Assim sendo, desço para o pequeno almoço, de farnel em punho, assim como quem vai para um piquenique, e, sem pudor, monto o dito.

A saber:
- Chá verde que não dispenso em circunstância alguma;
- Nozes e ameixas secas;
- Fruta fresca variada.

Não me conformo com os chás pindéricos que me oferecem e até me ofende a fruta em conserva que expõem.

Não faço a menor cerimónia e acho que a minha atitude pode até ser pedagógica.
Só me fazem pena os restantes hóspedes que, interrogativos, procuram no pobre buffett os petiscos que eu exibo.

Sou mesmo má, não sou?

Beijos
Nina

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quase fiquei noiva!

Assim, mesmo, como abro o texto.
Foi por um bocadinho que não fiquei noiva.
Conto:
Estava eu no mercado de fruta comprando umas belas uvas que sempre levo para a praia.
É, porém necessário lavá-las e, lá ao fundo, no mercado, existe uma torneira que cumpre a função na perfeição.
Quando me aproximei, verifiquei que estava ocupada.
Um senhor senegalês, de turbante na cabeça e vestimenta até aos pés, lavava o que me pareceu ser uma panela com restos de sopa.
Contrariada, esperei.
Foi então que o senhor senegalês de turbante na cabeça e vestes até ao chão me perguntou se eu vendia uvas.
- Que não, que comprava, respondi.
E falava francês? quis saber, ao que eu respondi com um desenvolto "oui monsieur"
Entusiasmado, o senhor senegalês de turbante na cabeça e vestes até ao chão, informou-me que fazia o tour pelas praias vendendo artesanato, concluindo a informação com nova pergunta, que investigava a minha origem.
- Sou do Porto ... isto tudo em francês, recordo!
- Que pena, concluiu. Eu vivo em Lisboa!
Sentindo no ar a frustração do senhor senegalês com turbante na cabeça e vestes até aos pés,
despedi-me com um legítimo " au revoir", recebendo em troca um amoroso "au revoir chérie".

Assim, tal e qual com acabo de reproduzir se esfumou a possibilidade de um futuro compromisso.

Beijos
Nina



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Oásis, ainda...



Porque fiquei decepcionda?

Porque há vasos com plantas mortas nos corredores.

Porque os pavimentos de tijolo rústico, outrora brilhantes, estão baços e repletos de manchas de humidade.

Porque, nos quartos, avisam que, para contatar a receção, se deve marcar 9, apesar dos telefones terem sido retirados.

Porque, sobre as camas, colchas velhas de tão lavadas, decoram o quarto.

Porque só mudam as toalhas duas vezes por semana.

Porque não existe Wifi.

Porque o edifício se encontra cercado por prédios desabitados ( ... bem feito! Quem mandou ser desmedidamente ambicioso?)

Porque continua a exibir, sem vergonha, a classificação de 4 estrelas.



Porque ainda gosto um pouquinho do Oásis?

Porque na receção, um funcionário exemplarmente afável nos acolhe.
Porque o mar continua aqui tão perto.

Pudesse eu reverter o tempo que seria capaz de aceitar o desafio de devolver qualidade, vida e muito charme a este pobre Oásis.

Beijos
Nina

P.S. Responderei aos comentários assim que possa e fá-lo-ei com todo o gosto.