quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tarte de maçã

 Existem dúzias de receitas para esta sobremesa.
Conheço várias, mas hoje, resolvi inovar, inventar, criar.
Acho que, se calhar, deveria registar os direitos de autor:-)
O encanto da cozinha é este. Poder dar asas à imaginação, porque, no fim, tudo acaba por resultar.

Então, comecei por descascar, cortar em quatro, retirar o coração e dividir em fatias 5 maçãs.

Resolvi fritá-las e, para o efeito, utilizei Becel que apregoa vantagens aos quatro ventos.
Fica-nos a impressão de que não pecámos comendo o docinho, a impressão que estamos a tratar da saúde e da linha.
Enfim, as impressões contam!
Ainda que falsas!
Contam!

Uma colher numa frigideira quente ...

... derrete ...

... e acrescenta-se a maçã ...

... que se vai mexendo enquanto ganha cor e amolece.
Acrescenta-se uma colher de açúcar para que caramelize.
E espera.
Utilizaremos uma forma de fivela para que se desenforme sem dificuldade.

A forma será revestida com massa quebrada, comprada feita ...

... ficando assim.
Aguarda.

Num recipiente, despeja-se uma lata de leite condensado, 3 gemas, raspa  ...

...e sumo de limão ...


... que se extrai até à última gota, utilizando este engenhoso artefacto.

Mexe-se, misturando muito bem todos os ingredientes...

... que se despejam sobre a massa que forra a forma.

Depois, acrescenta-se a maçã frita ...

... que se polvilha com abundante canela.

Vai ao forno, a 200 graus, durante 20 minutos ...

... findo os quais se cobre com as 3 claras sobrantes.
Foram batidas em castelo muito firme, com 4 colheres de açúcar.
Deixa-se no forno por mais 10 minutos, para que o merengue asse.

Desenforma-se, aspira-se o aroma  ...

... e saliva-se abundantemente.

Beijo
Nina

terça-feira, 30 de abril de 2013

Algarve ... ainda!


Praias como as do Algarve, não existem, ou existem poucas. E posso afirmá-lo por experiência própria.
É certo que há locais no mundo onde as águas são mais quentes, o mar mais azul e mais sereno, as praias mais brancas e mais extensas.
Lembro, por exemplo as praias do Índico, em Goa, concretamente.
Também nas Caraíbas, em Cuba, na República Dominicana ...
Ainda, na Ásia, na Tailândia, a oferta é sedutora ...
Mas ficam do outro lado do mundo, implicando viagens aéreas, fusos horários, vacinas, jet lag e uma grande trabalheira.
Aqui, na costa sul, temos o paraíso à porta.
Sempre que se pode, está-se lá num instante.
Sem sair de casa.

Esquecendo o relógio e horários, ( a começar por aquele que proíbe praia, a entre as 12:00  e as 16:00 H) 
curte-se o sol e o mar sem restrições.
São grandes passeios no imenso areal, muito banho, um lanche levezinho e ... chega de praia.
É então que outro horizonte de opções se abre . O campo algarvio.


...que, nesta primavera, após um inverno de chuva copiosa, está em festa.

Flores, montes de flores, de todos os tipos, de todas as cores ...

...brancas, azuis, amarelas ...

..em grupo, compactas, torcendo e entrançando caules ...

... em delírio.
Aqui e ali, papoilas ...

... lindas, vaidosas, sedosas e frágeis.

Sem nome, apenas lindas pintinhas brancas ...

... e a papoila de agreste caule e  berrante corola!

Assim é o campo no Algarve.
São passeios sem rumo, repletos de  pausas, de fotos, de "Ohs!" de espanto.
Assim se escoa o tempo, num deambular por trilhos e caminhos em que os sentidos se purificam, em que o espírito se revigora, em que a alma rejuvenesce.

Beijo
Nina

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Compota de Morango

Num erro de planificação, comprei uma enorme caixa de morangos, lindos e suculentos, 2 dias antes de sair para o fim de semana prolongado no Algarve.
Eram tão lindos, vermelhos e perfumados que mereciam ser degustados ao natural.
Porém, foi impossível. Não houve barriga para tantos olhos...
Foi pois necessário dar-lhes destino.
Assim, depois de muito bem lavados, depois de lhes ter sido extraído o pedúnculo, foram congelados.
1.5 Kg de morangos!
Um enorme volume atravancando o congelador, que isto de congeladores - aviso - são um bluff!
Enormes, gigantescos por fora! Por dentro, um nico de espaço!


Um pedregulho de morangos!
 Face à sobrelotação do dito congelador, retiraram-se e pesaram-se os frutos.
Aplicou-se depois a regra:
- Para cada quilo de morangos, 800 g de açúcar e casca de limão.


Numa panela funda (que a mistura tende, fervendo, a ultrapassar os limites do vasilhame, provocando a maior das sujeiras sobre a placa).
Nesta, na minha, subsistem resíduos calcinados de marmelada feita há um ano atrás.
Avisei!
Panela grande, portanto!

Liga-se o fogão em calor moderado e, pa-ci-en-te-men-te, vai-se mexendo até que o açúcar se dissolva no suco dos morangos.

Depois, calor moderado SEMPRE e uma mexidela com a colher de pau, de vez em quando.

Nada de pressas, repito, ou a mistura ficará horrorosamente agarrada no fundo da panela, contagiando a compota com um detestável sabor a esturro!

De repente, vemos os morangos em suspensão numa calda deliciosamente borbulhante.

Chegada é a hora do teste.
Vamos testar o ponto do açúcar.
Terá que ser de ESTRADA!
Quer isto dizer que, ao vertermos uma pequena porção de calda num prato frio e a atravessarmos com uma colher, surgirá uma estrada que não se fecha.
Está pronto!

Com a ajuda do funil das compotas - invenção miraculosa que impede salpicos e pingos das mesmas - enchemos frascos escrupulosamente lavados e fervidos.

Enchi 5 frascos.
Desaparecerão num ápice que eu sei do que a casa gasta e gosta.
Há tantos morangos!
Nunca serão melhores nem mais baratos do que agora!
Vamos fazer compota?

Beijlo
Nina

sábado, 27 de abril de 2013

ALGARVE



É o meu refugio. Onde me reencontro. Me reformato.
Fora da época alta, já se sabe.
Quando o espaço é ilimitado e o silêncio audível.
Se, com sorte, encontrar sol aberto, mar manso e amena temperatura, o cenário é perfeito.



Assim foi.
Areia branca, dunas suaves. Tudo em azul e branco.

Aqui e ali, uma pincelada de cor garrida.

E o mar manso, silencioso ...

... tranquilo, embora (ainda) frio.

Saindo da praia.
Caminhos debruados por flores. Enfeites que assim desabrocham porque a natureza é pródiga.

São rosas. Centenas, milhares de rosas ao longo dos caminhos.

Ria Formosa.
Mar, terra, mar.
E as flores, montes de flores.

A Ria Formosa é Parque Natural protegido.
Percebe-se porquê.

E a arquitetura tradicional local não nega a influência árabe.

Algumas das ruas, homenageiam mesmo poetas árabes, que, em distante época, ocuparam o sul da Península Ibérica.

Os detalhes, são assim... rendas em cimento.

A vegetação é manto espesso que cobre a vertente até à praia.

... assim...

Não é o paraíso, mas parece.

Um forte (Cacela) observava, em tempos, o perigo que do mar poderia chegar.

Hoje alberga uma povoação ...

... limitando-se a ser lindo.
Como se, ser-se lindo e assim alegrar o mundo, fosse coisa pouca.

Camaleões nidificam e crescem neste habitat.
Aqui um exemplar, talhado em metal, como ex-libris da terra.

O mar azul e plano.
Ao fundo, Montegordo, cidade turística, demasiado turística para meu gosto.

Parece composição. Mas não. É assim mesmo que a natureza decide manifestar-se.

Será que os motivos que me ligam a esta terra foram devidamente expostos?
Acredito que uma imagem vale mais que mil palavras.
Será que valeu?

Beijo
Nina