domingo, 22 de abril de 2012

Domingo

Domingo é, tradicionalmente, dia de grande neura, véspera de segunda, quando recomeça o corre-corre.
Penso que a melhor maneira de espantar o mal estar é ocuparmo-nos. 
Aliás, a ocupação espanta tudo, desde o tédio ao sofrimento por antecipação.
Não que precise desta terapia, porque ocupada estou eu sempre, nem que a ocupação se limite à leitura, mas, na verdade, escolhi a tarde de domingo, quando nada nem ninguém me faz sair de casa, para a costura. 
É uma atividade muito gratificante. Tudo aparece feito num instante, ao contrário do crochê ou do tricô, nos quais o trabalho se vai fazendo.
Há contudo, um aspeto chatinho... suja muito, há muita linha, muito fiapo e, por maior que seja o cuidado, sempre escapam uns quantos, agarrados com unhas e dentes aos tapetes.
Por isso, costuro ao domingo. Sujo tudo e limpo tudo.

Acabei de fazer uma almofada, de um conjunto de três que oferecerei a uma amiga.
Os tecidos utilizados são retalhos, sobras de outros trabalhos que guardei.
Comprei apenas os fechos e o recheio.



Combinei o branco pérola com um estampado laranja, em chenille, tecidinho abençoado que desfia assim que se lhe toca.


A cor dominante é o marfim que completei com uma tira em laranja.

Gostei do resultado final.
Se me apetecesse, poderia costurar uma segunda almofada, mas, para dizer a verdade, precisei de um intervalo e, quando assim é, melhor não insistir ou o que pretendia ser momentos agradáveis transforma-se numa grande maçada.
Está tudo ali, em cima  da mesa a olhar para mim. 
Não prometo retomar a tarefa.
 Veremos.

Do jantar de ontem, posso dizer que foi agradável pela companhia e mediano quanto ao restaurante que não vou nomear porque não me parece que mereça publicidade.
Comida tradicional portuguesa razoavelmente confecionada, serviço muito lento e espaço demasiado acanhado para as mesas que comporta, o que implica um barulho de fundo muito cansativo.
O grande pecado, porém, é outro.
É um restaurante para fumadores!
Eu, ex-fumadora, como todos os ex-fumadores, não suporto, sou absolutamente intolerante ao fumo.
O que mais queria era pagar e sair dali para fora.
Nesse aspeto, a culpa da escolha foi nossa, desatentos ao detestável detalhe.
A noite acabou num bar de um hotel com música ao vivo.

No lobby, situa-se uma joalharia que aqui já mostrei, com as peças  mais maravilhosas que alguma vez vi.
É o Luís Ferreira, uma casa centenária, que geração após geração, mantem a beleza, originalidade e um bom gosto irrepreensível em cada peça que produz.

Este conjunto de colar , pedras semi-preciosa e anéis é um deslumbramento.

Será um gafanhoto ou um louva-a-Deus?
Resulta da conjugação de osso com prata e é assim, lindo, lindo!

Esta taça em prata martelada com fundo em lápis lazuli dispensa comentários.
À frente, uma caixinha do mesmo material.

Os preços destas maravilhas estão de acordo com elas. Altos, muito altos, altíssimos, mas quem puder tem um local certo e seguro onde aplicar o dinheiro.
E, quem não puder, pode, gratuitamente, deleitar o olhar.

Beijos
Nina


sábado, 21 de abril de 2012

Chanel

 Absolutamente intemporal, é um estilo que assenta bem em qualquer mulher, mais, é um estilo que acrescenta elegância a qualquer mulher.
Há, contudo um "mas", um grande "mas"!
Há que saber usá-lo.
Não me parece que um look total faça mais do que acrescentar ,pelo menos, 10 anos, a quem o usa.



Cá estão elas, as pérolas, em fiadas de tamanhos e comprimentos diferentes.

O casaco é azul muito escuro, com um fiozinho brilhante.
Comprei-o há séculos ( já disse que era intemporal...), na Carolina Herrera.

A abertura da frente remata com um uma espécie de folho na mesma cor, que, esconde os botões.

Combinei o casaco com uns jeans manchados, em branco e azul clarinho, da Zara.
Por baixo, vesti uma blusa também azul, em cache-coeur, do Adolfo Domingues.

Nos pés, a minha coroa de glória, uns Gucci em azul escuro, comprados no outlet The Mall, ao sul de  Florença.
E, agora, vou jantar.

Beijos
Nina

Um sábado produtivo.

Quando, pela manhã, abri a janela, senti-me em Londres, num dia cinza de denso e húmido nevoeiro, quase transformado em chuva miúda.
Pensei que o destino do dia estava traçado e que se resumiria a uma rápida saída para comprar jornais, tomar um café e regressar ao lar doce lar.
Enganei-me, não foi nada assim.
Enfrentando a chuvinha, fomos, na peregrinação semanal a Cerveira e, quem diria? , mais para norte o céu limpou, a chuva parou e o sol espreitou.
Na feira comprei  o recheio para quatro almofadas e respetivos fechos. Estas já têm dona prevista e espero que rapidamente fiquem prontas.
De Cerveira, rumámos a Vigo (finalmente!), onde almocei um belíssimo e fresquíssimo peixe e fiz umas comprinhas lindas, lindas, lindas, que logo mostrarei, assim que a bainha da saia seja acertada.
De volta a casa, dei um jeito à desarrumação, respondi aos comentários e agora dou conta do meu dia.
Vou jantar com uns amigos a um restaurante novo e daqui a nada tenho que me arranjar. Essa minha amiga é uma mulher imensamente cuidada, de muito bom gosto e não posso, nem quero, parecer mal.
Vou experimentar uma conjugação de Chanel com jeans que muito me agrada.
Ainda postarei o look final para posterior avaliação.
Fui!

Beijo
Nina


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Bolsa Angelina Jolie (ainda ...)

Programara-me, há quase uma semana, para, nesta manhã de sexta-feira, comprar as alças para a bolsa.
O pior estava feito:


Concluído o crochê, havia que a forrar.

Seguindo, religiosamente, as instruções, cortei, cosi e apliquei o forro.

O PAP era claríssimo e, foi com prazer, que o dei por terminado.

Caprichando nos detalhes, a própria linha com que apliquei o forro, casava com a cor dominante.

Para forrar a bolsa, usei este tecido às florzinhas, acetinado, que repousava no meu armário, esperando ser útil.

E, então, como estava dizendo, esta manhã seria destinada a providenciar as alças.
Numa velha, estreita, medieval rua do Porto antigo, fica a CASA CROCODILO.

A razão do nome torna-se evidente assim que transpomos a porta.
Este feroz exemplar, suspenso junto ao teto, observar indiferente a clientela.


Na Casa Crocodilo resolvem-se todos os problemas.
Se uma carteira se descose, eles cosem.
Se uma alça se estraga, eles substituem.
Se o cinto perde a fivela, eles resolvem.

Fui, por isso, de peito feito, com a minha bolsa concluída, requerendo umas alças.
Porém, oh! surpresa  cruel!
- Que não, que não faziam, que o crochê não permitia ser cosido à máquina, que utilizar "cravos" nem pensar ...
Que não!

Impreparada, psicologicamente, para a recusa, tanto insisti, que tornei o meu problema, problema da Casa Crocodilo que, em todos os anos da sua história, jamais se confessou incapaz de satisfazer um pedido.
Veio o staff, veio o expert, veio a costureira, veio o patrão e o não manteve-se.
Só se ...
-Só se, o quê?
-Só se levar um cordão dos que se utilizam no interior das alças e o revestir  em crochê!
Trouxe!
Um metro de cordão, um €!
Vou revesti-lo com ponto baixo, aplicando, depois as alças.

Palpita-me que resulta e  a bolsa vai exibir-se com o vestido.
Beijo
Nina

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sedução!

Há muitas formas de sedução. Suponho que muitas mais do que sedutores .
Há, contudo, um sedutor, particularmente fotogénico, especialmente cinematográfico, diabolicamente construído para abalar os alicerces do universo feminino.
Refiro-me, concretamente, ao sedutor/cozinheiro.
Aparece nos filmes, sempre numa cozinha espetacularmente bem montada, com amplas bancadas, uma vasta mesa, objetos cintilantes e pirâmides de vegetais e frutos coloridos.
Aí, o sedutor, move-se com à vontade, arregaça  mangas até ao cotovelo,  improvisa um avental, abre uma garrafa de vinho, serve-se de um copo que beberica e dá inicio ao mágico bailado da preparação do jantar, entre ervas finamente picadas e o chiar da gordura quente,  expirando  nuvens  olfativamente deliciosas que, em breve, receberão a deusa abençoada com tal príncipe.
Esta, confesso, é uma debilidade minha, uma fantasia que alimento secretamente, um desejo subliminarmente implantado no mais profundo do meu inconsciente.
Era, para ser rigorosa, era tudo isso, até que ontem, por e-mail recebi este texto.

Suplico, repito, suplico, que o leiam até ao fim, como quem beberica um copo de vinho tinto, "do bom, claro":



RECEITA DE FRANGO AO VINHO

(Tinto de preferência)
Ingredientes
- 1 garrafa de vinho (do bom, claro!)
- 1 frango de aproximadamente 2 kg
- sal, pimenta e ervas de cheiro a gosto
- 150 ml de azeite virgem
- nozes moídas q.b.

Modo de preparar:

- pegue no frango
- beba um copo de vinho
- envolva o frango com sal, pimenta e as ervas
- barre com azeite
- beba outro copo de vinho
- pré-aqueça o forno aproximadamente 10 minutos
- sirva-se de uma boa dose (caprichada) de vinho enquanto aguarda.
- use as nozes como aperitivo
- coloque o frango numa assadeira grande.
- sirva-se de mais duas doses de vinho.
- Axuste o terbostato na marca 3 , e debois de uns vinte binutos,
- ponha a  assassinar.
- digu: assar a ave.
- Beba outra dose de vinho
- Debois de beia hora, formar a abaertura e gontrolar a assadura do bicho.
- Tentar zentar na gadeira.
- Sirva-se de uoooooooootra dose generosa de vinho.
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, voda-se o vrango.
- Deixáááár o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas.
- Tentar retirar o vrango do vorno. Num vai guemar a mão, DASSSSS!
- Mandar mais uma boa dose de vinho p'ra dentro . De si, é claro.
- Tentar novamente tirar o sacana do gansu do vorno, porque naprimeira
teenndadiiiva dããão deeeeuuuuuu.
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar o filho da buta com o bano
de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois avinal
você nem  gosssssssssta muito desse adimal mesmo.
- 'Tá Bronto.
Assim, de repente, como quem revela a uma criança que o Pai Natal não existe, se escaqueira uma fantasia!
Ainda não parei de rir!

Beijos,
Nina

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A irmã de Alexandra,



a minha nova amiga da Costa Rica, pediu-me que divulgasse que tem um irmã a viver nos Estados Unidos, colecionadora de dedais.
O seu blog é este:
Se quiserem ver uma linda coleção, façam como eu e passem por lá.
Vale a pena.
Beijos
Nina

Corri a cortina!

Literalmente, falando.
Uma das paredes do meu quarto, toda em vidro, dá para o terraço, onde, hoje com a ajuda de um céu de chumbo e de uma chuva miudinha que teima em cair, o cenário é desolador.
Repito, corri a cortina!
Não quero olhar, não quero percepções negativas, não alimento neuras!
Por isso, corri a cortina!
Que não é o mesmo que , como  faz a avestruz, enfiar a cabeça na areia. 
Não! Já foram tomadas todas as providências e o problema estará sanado muito em breve e, assim sendo, arrumo na prateleira dos assuntos pendentes, esta pequeníssima tragédia.

Entretanto, constato quão sortuda e bafejada pela sorte, realmente, sou.
Não o seria se, sem mexer um dedo, não tivesse sido premiada com estas belezas, que, pontualmente, todos os anos, decidem abrir-se, oferecer-se assim, lindas e únicas, por toda a casa. 


Brancas com coração rosa!

Raiadas, sarapintadas, num desenho minucioso ...

Está resolveu cobrir-se de purpurina dourada sobrepondo um véu lilás.

Estas nasceram de um parto só, gémeas, estouvadas, não param de dançar.

Neste pé, só uma se abriu. Os botões palpitantes estufam o peito, ganham fôlego e logo, logo se juntarão à festa!

Corri a cortina!

Beijos
Nina