domingo, 7 de outubro de 2012

Casinhas

... em ponto de cruz!
Apresentadas na Burda, quando a Burda ainda era melhor do que é hoje, com uma fantástica secção de propostas de artesanato.
Recortei as folhas quando  me libertei da revista ( fiz mal, eu sei. Fiz muito mal e estou arrependida. As Burdas não se destroem. Guardam-se, conservam-se respeitosamente. Aprendi!)

Pois, esta proposta era magnífica, mas, infelizmente, muita areia para a minha camioneta.
Acontece que, secretamente, tenho a veleidade de acreditar que, um dia, aprendo e dominarei a técnica.


E pronto. Foi assim que tudo começou. 


A casinha de telhado azul vai de vento em popa.

Requer alguma atenção e muita coragem, para desfazer tudo se um erro ocorrer.
Estou a adorar esta nova terapia ocupacional, enquanto, aos meus ouvidos chega:

"Gabrieeeela, sempre Gabrieeeela ..."

Beijo
Nina

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Era a peste da insónia ...



Assim é anunciada uma epidemia letal, no coração da intriga de "CEM ANOS DE SOLIDÃO".
Uma epidemia que dizimava povos e que Garcia Marques descreve :

"Com efeito, tinham contraído a doença da insónia. Úrsula, que aprendera com a mãe o valor medicinal das plantas, preparou e obrigou todos a tomarem uma beberagem de acónito, mas além de não conseguirem dormir, estiveram todo o dia a sonhar acordados. Nesse estado de lucidez alucinada não só viam as imagens dos seus próprios sonhos como viam as imagens com que sonhavam uns e outros.Era como se a casa se tivesse enchido de visitas. (...)
De início ninguém se alarmou. Pelo contrário, ficaram contentes por não dormirem porque havia muito que fazer em Macondo e o tempo mal chegava. Trabalharam tanto que depressa deixaram de ter que fazer (...)







O  efeito perverso da insónia era que, com decorrer das noites em branco se apagava a memória, pelo que  se iniciou a construção de uma máquina da memória, fosse lá isso o que fosse.

É assim que a ação se desenrola, num jogo de realidade e magia.
A partir de um acontecimento verosímil, Garcia Marques constrói uma castelo de fantasia, que nos enreda e devora.
Nesta passagem vi-me ao espelho.
A insónia não é particularmente penosa se as suas horas forem produtivas. O day after, porém, decorre assim, num jogo de espelhos que baralham a realidade.
E que a memória é afetada, é um facto.

Como vai a minha insónia?
Tem dias, melhor dizendo, noites ...
Mas a luta continua ...

Beijo
Nina

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cem anos de solidão



Se me perguntam qual o livro da minha vida , não sei que resposta dar.
Se mergulho num livro, se ele consegue agarrar-me, ele é, enquanto a leitura perdura, o livro da minha vida.
É , parafraseando Vinicius, " ... infinito enquanto dura", mas, terminada a leitura, deixará ou não marcas a fogo na minha memória.
Poucos deixam, quase nenhuns deixam. 
Quase todos são descartáveis, com função recreativa que termina quando termina a recreação.
Pensando na torrente de publicações que diariamente , rotativamente, enchem os escaparates das livrarias, já é uma sorte, fisgar um exemplar que mereça o dinheiro despendido e, principalmente, o tempo gasto na sua leitura.

Porém, para jogar pelo seguro, aqui deixo esta proposta:

 

 Revisito-a.
Afoguei-me nestas palavras há muito tempo. Lembro a ação, mas esqueci os detalhes. Daí a revisita.

Dos escritores sul americanos guardo a certeza de uma narrativa viva, mas, acima de tudo, mágica.
Onde acaba a realidade e começa a fantasia?

De Garcia Marques li muito, mas também de Isabel Allende, de Vargas Llosa, de muitos outros ...
Um fio invisível os une. Essa dança fantástica que enlaça mortais e fantasmas, realidade e fantasia, que exige cumplicidade ao leitor para que a narrativa  seja credível.

Depois há o sentido de humor, o incrível sentido de humor que extrai do cotidiano, situações hilariantes, que aos leitores arranca gargalhadas de puro prazer.

Este livro é tudo isso.
Este livro é genial.
Este poderia ser  ( e é)o  livro (um dos livros) da minha vida!

Beijo
Nina



Não adianta ...


... se não gosto absoluta e totalmente, não adianta!
Pode não ser imediato, posso adiar, posso "engonhar" o que quiser, assobiar para o lado, fingir-me de morta ... que sempre, sempre,  acabo por rejeitar, por devolver, por desfazer, por voltar à estaca zero.
Sempre!


À medida que avançava neste casaquinho, fazia-o com reservas.
A lã era mais grossa do que a do modelo original, exigindo, por isso, agulhas também elas mais grossas.
O resultado foi um casaquinho lindinho, fofinho, amoroso, docemente colorido e  absurdamente desproporcionado.
Ainda assim prossegui.
Fechei costuras ...



... preguei botões ...

Virei-o de um lado, depois do outro, olhei de longe, de perto, imaginei-o vestido...
Não! Não me convence!

Por que é que sou assim?
Por que prossigo com  a cabeça cheia de "mas"?
Deve ser um medo doentio de me precipitar, deve ser!
E lá vou até ao fim, até ao derradeiro momento em que não existe argumento que me convença.
Então, sou implacável, sou ótima a desfazer sem hesitações, sem segundas oportunidades.
A extrapolar este comportamento para outras situações, já se vê o perigo público que é a minha pessoa, dominada de inércia que, uma vez vencida, avança para a tese da terra queimada.
Cruzes!
Sou mesmo perigosa!


No caso, reduzi o casaquinho, malha por malha, ponto por ponto, a três novelos e rapidamente parti para outra.
Concretizando, para estas botinhas, elas sim, fofas, doces, lindas, pedindo em urgências exibicionistas uns pézinhos para calçar.

Fazem conjunto com o casaco de capuz e prometem ohs! de espanto quando vestirem a menininha que aí vem.

Beijo
Nina

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quando o telefone ...

telefone



... essa conquista do progresso, se pode tornar um pesadelo.

Explico:
Não há menor dúvida sobre a enorme comodidade que o telefone garante. Não há!
Mas, como tudo, aliás, este conforto paga um preço.
O telefone é invasivo. Não precisa de perguntar se pode entrar. Já entrou. Impõe-se, sempre que toca, independentemente da disponibilidade de quem é atingido pelo seu toque.
Daí a necessidade de memorizar números.
Memorizar aqueles que, à partida, garantem minutos, às vezes horas, de tormento.
Há que memorizar números!
Alguns pertencem a seres detestáveis de quem se deseja distância, muita distância, ainda que só auditiva.
Desses, tenho um ou dois, que jamais esqueço.
Há ainda os outros. São pertença de gente sem noção do tempo, ainda que bem intencionada.
Falo de gente que engoliu um disco, que fala ininterruptamente, que só se ouve, que precisa de um ouvido para despejar a verborreia, o que é gravíssimo, quando esse ouvido  pertence à minha pessoa.
Nessas ocasiões, o desespero invade-me.
Estou eu, na minha paz, a preparar o jantar, quando o trim trim se faz ouvir.
Olho o número. Não conheço. Atendo. Arrependo-me na hora.
Até gosto do dono(a) daquela voz. Gosto.
Não gosto é do que se segue!
Um horror, um suplício, em que me limito a ouvir um discurso que rapidamente se transforma em blá blá oco de conteúdo. A tortura prolonga-se, infindável. Dela nada retenho para além desespero, a que acabo por pôr fim sempre abruptamente, reconheço, sempre sem jogo de cintura, dado o estado irracional a que a situação me conduz.
O último episódio ocorreu ontem. Em cima da hora de jantar. Estava cansada. A tarde fora atribulada. Pensava-me protegida dentro de quatro paredes. Erro meu. O elo mais fraco da minha segurança, o telefone, fora descurado. Paguei o preço, um altíssimo preço. Quase uma hora de sofrimento de que escapei sem elegância.
Que chatice!

Beijo
Nina

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Echarpe Tingida


Ora aqui está o que eu chamo um  desafio sedutor!
Tingir roupa, dar um novo ar ao que já é antigo, monótono, repetido.
Ouvi dizer que agora se compra o produto de tingimento no supermercado, na secção de detergentes. Será?
Aplicando a técnica da mestra Martha Steawart, não só se renova como se incrementa,
Até tenho medo de comprar o produto e ser engolida pela vontade irreprimível de tingir, tingir tudo.

Para já deixo a sugestão!

Main Image
Adicionhttp://www.marthastewart.com/925291/dip-dyed-scarves?czone=crafts/crafting-tools-center/crafting-tools-projects&center=276982&gallery=275022&slide=925291

Beijo
Nina

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Não percebo nada de moda ...


... de tendências, de "must have!"
Não percebo nem quero perceber!

É que, nesta área, ao contrário do que ocorre nos restantes campos do conhecimento, a informação equivale a seguidismo!
É a ditadura da moda!

Eu, não!
Eu uso o que gosto, apenas o que me deixa confortável, o que se harmoniza comigo!
No vestuário e também na decoração.
É aqui que entra o napperon!
Soa a passado,(quase a piroso ...   ) o  napperon!

Pois bem, não me importo, porque gosto, porque são elementos com história, com os quais brinco como muito bem me apetece, porque não percebo nada de moda!




Este foi feito por mim, a partir de uma sugestão contida numa RAKAM.
Tem muitos anos, associo-o a importantes acontecimentos na minha vida, estava guardado numa funda gaveta.
Descobri-o e quase me emocionei.
Não hesitei.
Ganhou destaque numa mesa.




Durante anos, subjugada pelas tendências, mantive-o longe da vista, mas, ao que parece, não longe do coração.


É o único realizado por mim.
Mas, na arca dos enxovais, muitos outros esperam vez para se exibirem.
A seu tempo, sairão.
Porque não ligo a tendências.
Porque  não percebo nada de moda, nem quero!

Beijo
Nina