quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Alfaces



É um clássico, umas folhas verdes que fazem sempre boa companhia, qualquer que seja o prato.
Sem estação própria, compram-se ao longo do ano em qualquer supermercado, do mais gourmet ao mais simples.
Comemos, portanto, quilos de alface, se contabilizada fosse no final do ano.
Sendo planta de pouquíssimas exigências, responde bem aos agricultores inexperientes, como é o meu caso.
Então, quando ao sábado, pela manhã, (re)visito a feira de Cerveira, fazendo um desvio, tomando um atalho , deixando para trás os gritos da "bela carteira Carolina Herrera" e "autênticas camisas Façonnable", chego à zona dos víveres, às bancas de pão e bolos, às dos queijos, presuntos e enchidos e, finalmente às das flores e plantas.
Tenho fornecedor fixo a quem sou fiel.
Ele, um rapazote de 16 ou 17 anos, na euforia do convívio com os espanhóis que, na feira são em maior número do que os portugueses,  na euforia, dizia, que lhe permite o tratamento por "tu", aplica-o, sem maldade e sem cerimónia , à minha digníssima pessoa, que nada faço para o dissuadir. Ao contrário, achando-lhe piada, incentivo-o no " tu cá, tu lá"
Somos, pois, íntimos e algo cúmplices.
Partimos para o negócio:

- Quero uma dúzia de pés de alface - informo.
-De que qualidade queres? (atenção à intimidade...)- interroga-me.
-Da melhor - respondo do alto da mais suprema ignorância.
- Vais levar 6 de cada qualidade - decide o entendido. E ainda te ofereço mais um pé - acrescenta, magnânimo.

Pago 1€ e retiro-me do salão.
Depois, é só fazer uma covinha na terra da floreira, enfiar a raiz da alfacezinha, regar e esperar que cresça e desabroche.

Assim, linda e viçosa.
Com  a Helena, (que além de talentosíssima na costura, possui e fornece dicas inestimáveis) aprendi que, lavar a folhagem, guardando-a no frio, hermeticamente fechada, facilita a preparação das refeições.
Assim fiz:

E cá está ela pronta para ser salada.

Sábado, reporei a reserva de alface. 13 por 1 €. Com direito a tratamento por tu e cumplicidade implícita.

Beijo
Nina












quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Hoje ...


...melhorou um pouquinho, não havendo o vento ciclónico de ontem, mas continuando a estar muito frio com esta chuvinha miúda que persiste em cair, sem tréguas.


Para enfrentar a intempérie este vestido, a minha coroa de glória.
A foto não lhe faz justiça, desvirtuando-lhe a cor, um verde pistachio lindo, lindo.

Já tem 2 ou 3 anos e até já o tinha mostrado nos primeiros dias do blog.
É quente, é muito quente e só o visto quando o termómetro o permite.
É tão quente como confortável e, já agora (perdoe-se-me a imodéstia...) como lindo!
A borboleta na gola é porque sim, porque gosto do brilho, da cor , da sugestão de voo.


Na cintura, tricotei umas carreiras de canelado, o melhor amigo das tricotadeiras incipientes.
Ajusta-se ao corpo disfarçando presumíveis erros de cálculo durante o tricô.
O cinto sublinha.
E como e quanto eu gosto de cintos!

A saia termina assim, numa espécie de zig-zag ...

... e desenvolve-se num padrão em losangos rendados.
Evidentemente que a minha competência não daria para tanto, mas gostava que desse!
E como gostava, dei em investigar, em consultar livros, decifrar esquemas, que a necessidade aguça o engenho.


Neste livro descobri tudo.

É uma verdadeira Bíblia do tricô.
Cheio de esquemas, explicações claríssimas, mesmo para a mais ignorante das criaturas.

Não sei ao certo como veio parar às minhas mãos. Desconfio que o herdei da minha mãe e mais do que isso não posso informar.
Mas que é uma preciosidade, é!
Já tenho encontrado outros na FNAC, mas nem de longe, nem de perto se lhe equiparam, sendo, ou demasiado primários, ou demasiado intrincados para a minha aptidão.
Vi, por exemplo, alguns em inglês, mas, não possuindo ( como o outro ...) habilitações em Inglês Técnico, a ajuda é nula.
Pronto. Deixo a foto do livro. É o máximo que posso fazer.

Voltando à fatiota.
Pois fui de verde pistachio e preto. Meias opacas, sapatos, mala e casaco comprido. Tudo preto. 


Os sapatos, com este ar fashion, são meus há anos.
Comprei-os em Vigo e acho até que a sapataria já fechou.

Cheios de tachas ...

... hiperdecorados ... a maior das tendências actuais.

Quase concluo, com medo, com muito medo, que possuo poderes divinatórios.
Assim, se tudo o resto falhar, posso sempre iniciar uma carreira de vidente com capacidades premonitórias.
Que os sapatos estão aí e não me deixam mentir!

Beijo
Nina


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Agendada para hoje ...


... tinha uma ida ao cabeleireiro, coisa chata, coisa para durar, para se prolongar pela tarde, com corte e aplicação de tinta nas madeixas que, teimosamente, começam a apresentar uma tonalidade amarelada que me irrita.
Falo, portanto, de planos, de listas de afazeres.
Não era dos que me agradam, mas era, sem dúvida, dos imprescindíveis, já que esta juba de leão do circo, deixo para o próprio, isto é, para o leão.
A manhã, ventosa e fria, não fazia prever a tarde.
Depois de almoço, começaram a cair os primeiros pingos, pesados, grossos, assustadores.
De repente, ficou assim:


Um dilúvio ...
Lá ao fundo, o mar, indistinto, dissolvido na cascata de chuva.

... uma tempestade desfeita!
Ora, como já referi, ia ao cabeleireiro pelos cabelos, arrastada pela força leonina que ostento.
Algo tinha (tem) que ser feito!
Mas assim, impossível!
Fiquei, pois, no remanso do meu lar.
Ocupadíssima, sublinho.

Já , em tempos, informei, que congelo as claras.
Há sempre claras que sobram dos hiper -calóricos bolos.
Com o meu lado formiga, que se recusa a desperdiçar comida, guardo e rotulo as claras.
Estas, quase descongeladas, esperavam vez que chegou hoje.


Bolo de claras, bolo de prata, bolo de aproveitamento ... chame-se-lhe o que se quiser.

Para lhe dar uma gracinha, um caramelo ...

... que cobrirá o fundo de uma forma, que será coberto por fruta. neste caso bananas.

Bolo no forno por uma hora ...

... bolo desenformado.
 Enquanto o dito assa, preparo pão.
Oh! invenção genial, a máquina de fazer pão.
Anárquica, não obedeço a regras. Misturo farinhas, sementes,invento, arrisco ao sabor da inspiração do momento e dos ingredientes que encontro no armário ...

Farinhas e água ..


Cresce  e coze...

Transformando-se nisto!
O pão demora mais de 3 horas a ficar pronto.
Muito tempo para rentabilizar, portanto.
No blog, mais de 1 hora só para responder a comentários.
Muito tempo imobilizada, muito frio, apesar de estar vestida para enfrentar a intempérie:

Vestido e casaco de lã. Insuficientes.
Acendi a lareira e tudo mudou:

1 hora de leitura, voou, mergulhada no clima equatorial de uma fazenda no golfo da Guiné:

Um bom romance é aquele que nos aprisiona, que se apodera de nós.
Eis um bom romance!
Chamo a atenção para a caixa de bombons, ali ao lado, como quem não quer nada, falsamente inocente!
A tarde terminou com feijões!
Exactamente, com feijões!
Deixo uma embalagem completa, hidratando, de um dia para o outro. É imenso feijão!
Há que dar-lhe saída! Como? Congelando, em frascos (não muito cheios que a solidificação tem o irritante costume de fazer aumentar o volume, levando à inevitável fractura do frasco e ... adeus economia!).

Cada frasco será utilizado separadamente ou não, de acordo com o propósito a que se destina.

Bem fechados, frio com eles, que é onde se encontram neste momento.
 E assim decorreu a tarde de uma dona de casa ocupada que queria ir ao cabeleireiro tratar da beauté e dos amarelos, mas ...

Beijo
Nina

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Oh! rosa, oh! que linda rosa ...


Lá fora, árvores nuas, chuva, vento, céu carregado!
No peitoril da minha janela, um jardim. De rosas. Pequeninas, coloridas e perfumadas, olhando o sul, de onde vêm os ardores do sol, durante o verão.
Agora, só sombras e dias curtos.
Quis rosas, depois de as ver no blog da Helena. Comprei-as em Espanha, no Lidl.
Um dia destes estarão por cá, à venda.


Cinco vasinhos, cada um com a sua cor.


Vermelho sangue ...


Rosa forte ...

Branco imaculado ...

Amarelo ouro (as minhas favoritas ...) ...


Rosa salmão, as mais chiques.
A minha sala mudou, com a mudança da janela onde, agora, cresce um jardim.
Já disse que a decoração de uma casa nunca está completa. Que evolui com os seus ocupantes. Que estes a determinam. Que esta determina , por sua vez, o estado de espírito de quem alberga.
Porquê esperar, então?
Encham a casa de flores. Encham, e testem o resultado!
Não se espantem se, do nada, se sentirem mais alegres, mais dispostos, mais animados.

Beijo
Nina

domingo, 20 de janeiro de 2013

Agendas


Todos os anos, em Dezembro, a revista espanhola Telva, oferece, na compra da própria revista, uma agenda para o novo ano.
Faço questão de não perder a oferta, pois as agendas são lindas, bem organizadas e com o tamanho certo, permitindo carregá-las na carteira, sem problemas logísticos.
Portanto, quando vi, num quiosque, a dita revista, não hesitei em adquiri-la.


Aqui, as duas, a de 2012  e a actual, de 2013.
Há que transferir os dados registados para a  que vou usar.
São moradas, apontamentos, informações que registo por escrito e a que recorro frequentemente.

É trabalho para uma ou duas horas, mas não há como evitá-lo.
Depois, arrumo a de 2012, repositório de acontecimentos, de planos, de curiosidades.
A nova, vai encher-se, dia a dia, com os meus dias, os meus "que fazeres", os meus feitos e uma ou outra citação de textos que me deslumbram.
Além do mais, além de útil e prática, é linda, apetecendo exibi-la como símbolo de bom gosto.
Veremos se é hoje, tarde de domingo, excepcionalmente,  de absoluto lazer, que consigo actualizá-la.
Volto, pois, ao lazer.

Beijo
Nina


sábado, 19 de janeiro de 2013

O que seria do amarelo ...


... se não houvesse mau gosto?

Estou em total desacordo com esta pergunta de retórica que contem em si uma condenação para o amarelo.
Não concordo.
Aliás, não concordo que haja cores feias. O que há são cores mal doseadas e mal coordenadas, pois as cores, em si, limitam-se a existir e a ser desfrutadas.
Não me estou a ver vestida de amarelo dos pés à cabeça como se de uma gigantesca omelete me tratasse, porém, doseada, a cor é alegre e solar.
Gosto particularmente dela em peças invernosas, como é o caso:
Um casaco, um casacão, num tecido fofo de lã e cachemira, abotoado com grandes botões pretos.


Leve e quente, leve e fofo, leve e alegre, combinando com um look preto.
Comprei-o no Corte Inglês, já no ano passado e pouco o tenho usado, dados os extremos climáticos, de dias gélidos face aos quais se revela insuficiente, ou calores inesperados que o tornam excessivamente insuportável.

Hoje, neste sábado desgraçado de tempestade furibunda, não está muito frio. Foi, portanto, a oportunidade para o meu casaco amarelo gema de ovo, convicto como eu da sua essência, sair e brilhar.

Calças, blusa, sapatos e carteira pretos.
No dedo, uma anel Swarowsky, enorme, quase um farol a iluminar o cinza chumbo do dia.


Jeans pretos, quase dramáticos ...
Explico:
Estavam excessivamente compridos, varriam o chão.
Para grandes males, grandes remédios. Fui-me a eles de tesoura em punho e cortei um pedaço. cortei de mais... um drama. Os jeans são Versace, fruto de uma privação momentânea dos meus sentidos.
Largos junto ao pé, não permitem veleidades na altura. Têm de cobrir o sapato se não quero correr o risco de ser tomada por aquela que "vai regar as couves!"
Logo, a partir de agora, só podem ser usados com salto médio, 3 a 5 cm, quanto muito.
Assim será!

Das comprinhas de fim de ano, não mostrei nada.
Aqui está, então, uma das aquisições.
Veio do Outlet de La Roca Village, assinada pele Donna Karen, em pele preta, tipo doctor bag.
O preço?
Um achado, a minha coroa de glória!
5 vezes menos que o preço da loja!

Sapatos e carteiras não podem ser mais ou menos.
Tudo o resto pode.
Tudo o resto é perecível.
Sapatos e carteiras, não!

Salvam o conjunto, resgatam um ou outro deslize.
Nos sapatos e carteiras, melhor não facilitar.
São investimento garantido.
 E assim se vestiu o meu sábado, de preto e amarelo.

Beijo
Nina

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Tarte de curgete

Assim mesmo, escrito à portuguesa ( courgette, zucchini, abobrinha ...)
É um legume engraçadinho, insipidozinho, inocentezinho, que não retira nem acrescenta nada aos pratos em que participa, bom para usar nas sopas, como puré e pouco mais.
Para que a sua reputação  não saia beliscada, acrescento que têm alto valor nutritivo, tal como, em tempos, teve o óleo de fígado de bacalhau, o que, nem por isso, o transformou num ídolo do paladar.
Ah! Agora me lembro que entra na composição exótica de um bolo de chocolate que, na minha memória, permanece como um "must do" que ainda não teve vez.
Quando acontecer, talvez a minha opinião sobre as curgetes mude.
 Para já, mantenho, é um legume engraçadinho, insipidozinho e inocentinho. Apenas!
Sempre que me abasteço de vegetais frescos, cujo destino, será, maioritariamente, a sopa, acabo por comprar dois ou três exemplares, de acordo com o tamanho.
Acontece, também, que por capricho das opções, ocorre chegar ao fim de semana, com elas, as curgetes, muito tristes, muito frias, muito sozinhas, esquecidas na fria gaveta  dos legumes.
E isso é que não, isso é que não pode ser!
Isso de deixar estragar comida mexe comigo, com os meus mais enraizados princípios.
Vai daí que, não precisando de sopa, havia que dar destino às ditas. 


Às rodelas, estufadas com cebola e alho, viraram recheio de quiche.

Ao molho, juntei uma mão cheia de passas.


Dobrados os excedentes da massa, forno com ela(s)!


Resultando nisto.
Uma tarte dourada e estaladiça, que substituiu a sopa da entrada.
Desta invenção saíram muito favorecidas as curgetes, que o prato tinha sabor, mistura de doce com salgado e textura crocante da massa folhada.

Relembro que este não é um blog de culinária, embora, às vezes, pareça.
É um blog de ideias, de coisas, de feitos e de factos, onde, é claro, as curgetes também têm lugar.

Beijo
Nina