sábado, 9 de fevereiro de 2013

La Guardia ...

... em castelhano, A Guarda, em galego, idioma que assumem orgulhosamente nuestros hermanos, do outro lado do Rio Minho.
É uma terrinha de pescadores.
Debruça-se sobre o Atlântico bravio, de onde retiram o sustento.


Na encosta do monte cresce a aldeia, eufórica, com casas  em cores berrantes, quase gritantes, competindo entre si,
através do exuberante colorido.
A localização é privilegiada, virada a sul, cheia de sol, com os olhos à solta no mar imenso.


Os restaurantes, em grande número para tão escassa superfície, oferecem peixe e marisco.
Tudo muito bom, tudo muito fresco, "al vapor" ou " a la plancha", sem invenções ou adereços que apenas prejudicariam a frescura imaculada da matéria prima.
Para dois, uma travessa imensa que nem a maior das boas vontades consegue esvaziar.
Mas a culpa é dos comensais, uns piscos, que com pouco se satisfazem.
Um bom par de comilões, senter-se-ia no paraíso ... marítimo.
O vinho é local. Um Albarinho branco, frutado e muito gelado. Um perigo. Por isso, só bebe quem não guia. Quem guia, baba-se de frustração.

Para lá chegar, um pulo.
É só atravessar a ponte nova de Cerveira e seguir as indicações. São 10 Km de boa estrada. Um excelente investimento como comprova a imagem anexa.
Para sábado de Carnaval, parece-me bem!

Beijo
Nina

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Uma teórica ...

... é o que eu sou.
O que me salva é ter consciência das minhas limitações, que há quem as não tenha.
Eu não! Eu sei assumidamente que sou uma teórica, uma teórica entusiasmada e destemida, quase inimputável nos picos de entusiasmo.
Não sei dizer se é qualidade, esta ânsia de experimentar coisas, de destemidamente me lançar em experiências,  sendo, verdadeiramente, o mais perfeito(a) e acabado(a), homem dos sete instrumentos.
Em meu desfavor tenho ouvido e engolido que, quem tantos instrumentos arranha, nenhum domina com mestria.
Crítica pertinente, receio.
Mas, nada a fazer!
Embarco assim, esfuziante de entusiasmo, nos desafios.
Já fui oleira, enterrada em argila até aos cotovelos, sarapintada de barro até às sobrancelhas, guiada pela Amélia, mestra na arte; frequentei cursos de culinária brasileira com a querida, a queridíssima Chefe Inês; durante anos, pintei a óleo, momentos mágicos em que descobria o traço, na combinação exacta de pigmentos, guiada pela Marília, minha amiga querida; sôfrega, seguia os movimentos precisos da professora Regina que me iniciou nos bordados; sozinha, lancei-me no mundo delicioso do tricô e do crochê ... para não referir outras experiências.
Gosto de aprender, não resisto ao chamamento de um desafio.
Vai daí que, me vi, a costurar a sério.
Com a Mira, a minha Mira, tão doce, tão de bem com a vida , tão genial na arte que domina como ninguém.
Sou uma mulher de sorte!
Encontro as pessoas certas prontas a abrir-me as portas de tantos mundos diferentes.

Portanto, a costura anima-me!
Enche-me, preenche-me!
Dizem que vicia ... se calhar é isso.

Hoje, dia de compras, de reabastecimento:

Tecidos, montes, resmas de tecidos, de todas as cores, todos os estampados, todas as texturas.
Todos ridiculamente baratos se comparados com o preço do pronto a vestir.
A custo, moderei-me.


Papel vegetal, químico e uma base de corte, que me informaram ser imprescindível.
Logo descobrirei para quê, mas, humilde não me atrevi a questionar a vendedora


E os tecidos.
Ei-los, em toda a sua glória.
Serão casaco e calças que o modelo está escolhido e, na minha cabeça, perfeitamente definido.
Agora é começar a trabalhar e deliciar-me!

Beijo
Nina

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Orquídeas, sem dúvida!


Neste capítulo, estou segura! Reconheço as orquídeas, sem hesitação, sem dúvida!
Rectificando ... reconheço as minhas orquídeas pois a variedade, nesse capítulo, é imensa e, quem sou eu, que dou palpites em tudo, em tudo descobrindo irresistíveis desafios, repito, quem sou eu, para afirmar do alto da minha ignorância, que sem medo de erro, identifico AS ORQUÍDEAS?
Rectificação feita, passemos aos factos.
Tenho alma de agricultora, vá, pelo menos de jardineira!
Gosto de terra, de sementes, de plantas, de me maravilhar com a sua evolução, de ter ideias!
Gosto!
Mas, bicho de cidade, vivo no último andar de um edifício de cidade!
Sortuda, no meio do asfalto, disponho de um terraço a que chamo, (tonta!) jardim.
Vaidosa, já o mostrei repetidas vezes.
E ele são alfaces, ele são rabanetes, ele são ervas de cheiro, ele são orquídeas.
Nos três vasos que as contêm, crescem lindas e pujantes as minhas belas orquídeas.
Sempre no frio, quanto mais frio, mais viçosas.
 É, então, por Dezembro e Janeiro que, no meu jardim, se faz festa!
A princípio, timidamente, em botões verdes que, em cacho, enfeitam caules carnudos.
Depois, uma espreita, abrindo, timidamente, as pálpebras cerradas. E o processo põe-se, imparável, em marcha.
Uma após outra, todas, se abrem em doces sorrisos, em meigos olhares.
Impante de orgulho, encho o peito de alegria e convenço-me que, de algum modo, participei na festa.
E lá ficam, semanas, meses, alegrando o meu jardim!


Acontece que este Janeiro foi o mês de todas as tormentas, de todas as inclementes chuvadas, de todos os vendavais.
Receosa, olhava com preocupação as minhas indefesas meninas.
Todas as manhãs havia baixas. Feridas, tombavam durante a noite.
Algo havia que ser feito.
Cheia de pena, com um nó na garganta, cortei-as.
Vieram para o meu quarto.

Parecem felizes.
Eu, ganhei sossego, tranquilidade e este bom dia assim que abro os olhos!

Beijo
Nina

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Costurando ...


Esta foi a segunda tarde dedicada à costura sob a sábia supervisão da Mira.
Para dizer a verdade, quase me limitei a assistir à evolução do trabalho, seguindo, atentamente cada operação da mestra que, pacientemente, me explicava cada passo dado.
O certo é que eu fui com muita sede ao pote, que é como quem diz, escolhi um projeto muito ambicioso.
Sei, no entanto, que o próximo ( pois haverá um próximo e outro e outro e muitos mais...) terá uma comparticipação muito mais activa da minha parte, disso não tenho a menor dúvida.
Sinto-me com coragem para meter as mãos na massa e, aqui 
onde me vêem, sou menina para encarar uma saia... se não considerarmos o diabólico zipper!

Amanhã vou às compras.
Os projetos encontram-se muito bem definidos na minha cabeça.
Falta saber se são megalómanos!



A Burda, está com este ar desgraçado porque foi objeto de muita observação, guia de muito ponto e outro tanto de tesouradas.
Até à penúltima, uma vez que comprava, religiosamente, cada número editado, o seu aspeto  era e é imaculado, impecavelmente imaculado.
Como se não tivesse sido utilizada, o que de facto, acontecia e aconteceu. Limitava-me, então, a desfolhar, ler instruções e sonhar.
Agora não!
Agora sou verdadeira operária dos panos e dos fios ... por enquanto, para ser verdadeira, apenas quase espectadora.
Mas ajo, dou palpites e sugestões, empoleirada na minha imensa ignorância.
Adoro.

E a coisa vai!
A brincar e a rir, este Chanelzinho está quase pronto, quase já cá canta!
Sem a Mira, aposto o meu pescoço, continuaria a sonhar.
Ainda por cima, o ar inocente do vestidinho é absolutamente falso!
É um quebra-cabeças de proporções inconfessáveis.
Ele é cose aqui e descose ali.
Volta a coser e apara.
Junta peças que, obrigatoriamente, têm que casar. E golpeia. E volta a coser. E vai ao ferro....Assim como quem constrói uma ponte.
Coisa parecida!
Não exagero!
É de artista!
De artista experiente!
Eu, pobre de mim, sonho muito bem e imagino ainda melhor!

Beijo
Nina

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Jacintos / Narcisos


A confusão está, definitivamente, instalada ... Não identifico, não distingo jacintos e narcisos.
Baralho os nomes!
Para mim, jacintos sempre foram os amarelos, estes que mostro. Narcisos, os outros.
Parece que , afinal, não!
Diz que é ao contrário.

O problema, o meu problema, é que quando acontece trocar os nomes, principalmente às pessoas, nada a fazer! Não atino!
Bem que me esforço, mas, no fundo sei, de um saber de experiência feito, que jamais acertarei.
Pois bem, a par com os narcisos (ou será que eram jacintos?) que já mostrei, nas minhas mesas crescem jacintos ( ou será que são narcisos?).
São amarelos, em dois tons, um mais claro que o outro.
O perfume é imperceptível.
A elegância, extraordinária.
O design fantástico!



Altos, esguios, elegantes e discretos, como se exige ao luxo autêntico.
Numa mesa de apoio, junto aos sofás, ali, como quem não quer nada, limitam-se a tornar encantador  um espaço, antes, apenas útil.

Na bancada de uma casa de banho, multiplicados pelo espelho, são beleza pura.

Portanto, definindo ideias, ( que detesto confusões ...) comprem bolbos de jacintos ou de narcisos, tanto faz, comprem muitos, são baratos e vão deliciar os olhares. Ainda vão a tempo. As prateleiras dos supermercados encontram-se repletas.
Prefiro os jacintos (ou serão os narcisos?), mas ambos garantem momentos absolutamente ZEN!

Beijo
Nina

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

E por falar em ...

 ...Saudade, onde anda você, onde andam seus olhos que a gente não vê ...

Só os brasileiros, só eles,  capazes de assim  me embalarem!
Obrigada, povo irmão, genial, querido!

De modo que, eu, saudosa do sol, deste modo o associo à ausência de um amor distante.
Porém, já lá vão dois dias, quase três, de sol glorioso.
As gentes, os bichos, as plantas rejubilam, tiram roupa, espreguiçam membros, desabrocham em flor.

Os bolbos, aquelas cebolas fedorentas e feiosas que no outono se enterram , apertados, em vasos feiinhos, sem ilusão de grandes surpresas, com o sol, fazem milagres.


Narcisos.
Irromperam caules carnudos e a flor, faz-se desejar, difícil, como uma mulher bonita!
 
Espevitavam lentamente, junto à janela, virada a sul, espaço de toda a claridade, de  todos os raios de sol.

Na primeira ou segunda manhã de sol, quando descia as escadas, vinda do quarto de dormir, pressenti subtis diferenças.
O que seria que assim me alertava?
Era um perfume ...

Um aroma raro, mal definido, entre o doce e o acre...
Os narcisos haviam explodido em mil botões.
Deles emanava o inebriante perfume.
 Pode, se calhar é, infantil, mas a alegria que me invadiu foi imensa.
De repente encontrei os tais "olhos que a gente não vê..." num entusiasmo adolescente do reencontro.
Foi o presente do dia, o presente da vida, o presente da natureza que, se respeitada, jamais decepciona.


Nesta fase, para melhor preservar a sua longevidade, melhor será protegê-los do sol directo.

Assim, maravilhosos, um rosa, outro azul arroxeado, apelam continuamente à minha visita.

Vigio-os como mãe atenta, como namorada saudosa, com reverência e respeito face ao milagre que, cada ano, se repete.
Quem disse que o que é bom é caro e inacessível!?
Quem?
Serão dias de profundo e absoluto prazer, por menos de 2€.
É que há coisas que não se aferem pelo preço, pelos desprezíveis euros.
São preciosas em si, apenas porque são, porque existem, porque estão aí para nos dar momentos de felicidade sem par.
Amo-vos, amo-vos narcisos floridos!
Obrigada por existirem.

Beijo
Nina

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Jardim de inverno


Tão bom acordar com sol e céu azul!
É que as estações, têm o seu encanto, o frio e a chuva transformam a casa em casulo protector, a lareira faz imensa companhia, o chocolate quente sabe melhor que nunca, o som da chuva nas vidraças é música de fundo que embala, mas ... o que é de mais  é de mais!
Perdi a conta às semanas chuvosas que, uma após outra se sucedem!
Farta, fartinha de chuva é o que eu estou!
Então, como ia dizendo, o domingo amanheceu esplendoroso!
Deu para uma caminhada junto ao rio. Uma hora revigorante, com vento frio, mas sol, muito sol.

Chegada a casa, tratei de abrir estores, permitindo que as minhas pacientes, sofredoras e tristonhas plantinhas se banhassem nesta luz cálida.



Pode ser que tenha sido eu  imaginando coisas, mas juraria que captei sorrisos rasgados, suspiros de prazer, à solta na folhagem.

As cores acentuaram-se, mais intensas, mais brilhantes e senti um certo perfume no ar.

Eram cochichos, risinhos de prazer, tremeliques de excitação perpassando entre elas.

As violetas, espevitadas, empurravam-se, na ânsia de mergulhar na luz.
Juraria, até, que, num abrir e fechar de olhos, várias floresceram!

A estrela de Natal, nome poético muito mais atractivo que o científico,  num repente, numa explosão de vida, brotou, que eu vi, umas quantas folhinhas vermelhas.
Há, pois festa no meu, pomposamente designado, "Jardim de Inverno".
Se o sol não se arrepender, se, amanhã, reincidir, prevejo festa rija, chuva de pétalas, perfume no ar e, quem sabe?, talvez até, cânticos de passarinhos!
Não estou a sonhar, não senhor!
Acredito piamente na festa da natureza, que, distante das complicações humanas, se limita a existir e ser feliz.
Atitude que deveríamos imitar e adoptar!

Beijo
Nina