quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vila Galé Marés

Neste resort, circula-se por uma imensa área ajardinada, sempre com a possibilidade de o fazer ao abrigo de qualquer imprevista pancada de chuva, através de amplos corredores cobertos, que ziguezagueiam por todo o empreendimento.


O alojamento oferece duas opções, dois blocos de apartamentos, com dois pisos, um térreo e o outro no primeiro andar, ou, um conjunto de bungallows, em construção geminada, para duas famílias, portanto,  que se distribruem pelos jardins.

A arquitetura repete-se, apenas mudando a cor exterior.
A cobertura em pirâmide, sugere os templos incas do México.
No conjunto, resultam muito agradáveis à vista.

Aparentemente, têm vantagens sobre os apartamentos, em termos de privacidade,


dispondo de uma pequena área exterior de onde se desfruta a vista magnífica dos belos jardins.

A minha escolha?
Um apartamento no andar superior, se faz favor, agora e sempre, porque odeio, abomino este tipo de visitante, que, num país tropical, crescem e se multiplicam, podendo, sem que portas ou grades barrem o seu caminho, brindar-nos com a sua inesperada visita:


Uma iguana bebé!

Perfeitamente inofensiva, sei-o bem.
Os meus mais irracionais e ancestrais terrores é que não o sabem.
Por isso, repito:
- No 1º andar, se faz favor!

Beijos,
Nina

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Costa dos Coqueiros

Seria possível encontrar uma designação mais apropriada para este pedaço de litoral brasileiro?
Duvido!
E duvido, não apenas porque o título é plenamente informativo, mas também porque, a repetição do som /k/, numa aliteração poderosa, sugere a sonoridade de um espaço nunca silencioso.
Seja a brisa permanente, os repentes de ventania poderosa, o murmurar das pancadas de chuva equatoriais que, como vêm, assim se vão, sem rasto que não seja o da música de harpa dedilhada na folhagem poderosa, sempre, sempre , uma melodia  se escapa desta cabeleira de folhas.
São lindos os coqueiros, tanto mais lindos quanto mais velhos, mais altos, esgalgados num fino tronco que, crescendo em aneis sobrepostos, cicatrizes de folhagem perdida, se perdem nas alturas, cada vez mais finos, cada vez mais elásticos , cada vez mais inacessíveis, mais sobrenaturais, mais do reino dos céus do que das profundezas da terra onde, previdentes, poderosas raízes lhes garantem a sobrevivência.

Depois, tenho para mim, que a primeira impressão é ( ...às vezes, injustamente) determinante.
Por isso, quando o veículo do transfer que, a partir do aeroporto me conduzia ao destino eleito, observei, maravilhada, a fina, a translúcida muralha de coqueiros que, pretenciosamente pretendia ocultar os azuis delirantes de um imenso mar.
Foi amor, do mais perigoso, letal mesmo, amor à primeira vista.





Da piscina, o olhar salta para o mar, esbarrando neles, sempre eles, os coqueiros.

Num espaço deserto, cochicham entre si...

Com alturas diferentes, perseguem o seu destino, o firmamento!

Solitário, altivo, brinca com a nuvem.

Sentinelas, vigiam, atentos...

quais bandeiras ao vento.

Baixinhos, gorduchos, crianças ainda, não fugirão ao seu destino. 


Contra ventos e marés,



enfeitam os ares, rabiscam o rápido, quase instantâneo crepúsculo equatorial, numa festa de traços, de zigue-zagues , de pintura chinesa, cujo efeito se repete a cada entardecer.
Assim é a Costa dos Coqueiros.

Beijos,
Nina

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Jet Lag!!!


Socorro!
Estou completamente deslocalizada no tempo e no espaço.
Reconheço, indistintamente, o espaço, o meu espaço, o meu ninho, depois de uma viagem de 8 horas, que atravessou o Atlântico, saltou fusos horários, contrariou a sequência natural da luz, escuridão, mergulhando, antes , num breu profundo, subitamente quebrado pelo mais luminoso dia.
A minha cabeça sabe do que se trata, o meu corpo, com o ritmo que adquiriu durante os últimos 10 dias, é que não. Está, literalmente, às aranhas, pedindo cama e sossego, agora, em pleno meio dia.
Daí que tudo é percepcionado de um modo nebuloso, indistinto, a partir de um olhar que pestaneja, que se fecha, se não contrariado.
Cheguei do Brasil, de dias intensos de praia, muita e maravilhosa praia.
Guarajuba é o seu nome, em plena Costa dos Coqueiros, 80 Km a norte de Salvador.


Dela falarei detalhadamente.
Agora, na ressaca da noitada, enumero períodos de sono leves, agitados, entrecortados, com o pescoço torto, assumindo o corpo posições com custo elevadamente doloroso.
Detesto viajar durante a noite, ponto final.
Detesto, igualmente, profundamente, a comida do avião, uma mistela requentada com nome pomposo, afrancesado, a armar ao pingarelho!
Só que este é o custo destas aventuras.
Não existe alternativa para percursos com esta dimensão e, amanhã, refeita, vou fazer o rol das delícias que, decididamente, se agigantam face ao custo do regresso.
Já vi, montes, resmas de comentários a que não deixarei de responder.
Hoje é que não!
Hoje, o meu cérebro foi ali e já vem.

Beijos
Nina

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Por uns dias,

...estarei impossibilitada de aparecer.
Vou morrer de saudades.
Beijos, saudades, beijos,
Nina

sábado, 1 de outubro de 2011

1 de outubro ...







... planeta Terra, 19h, 30 graus centígrados.
Algo está a mudar, não há dúvida.
Acho que temos de repensar a divisão do ano em estações, ou, de repente, tudo deixa de fazer qualquer sentido.
Pleno outono com temperaturas de verão... muito estranho!
Para começar, há que repensar a marcação do período de férias na praia.
 Agosto, o mês tradicional, deixou de ser a escolha mais sensata. Em breve, apontaremos os banhos de sol e de mar para outubro ou novembro.
Quem  não prescindir de umas férias na neve, fazendo sky,  esqueça janeiro ou o tradicional fevereiro em que o carnaval desliza nas encostas brancas das montanhas e opte, para não ter surpresas, por maio ou junho .
A continuarmos assim, não me espantará nada que o próprio Natal seja adiado para março ou abril de modo a que o cenário gelado seja real, o Pai Natal possa continuar a usar um quente fato vermelho, com protetoras botas altas, possamos acender a lareira na noite da consoada e sair para a Missa do Galo embrulhadinhos nos mais quentes agasalhos!
Haja coerência, por favor!

Beijo
Nina

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Lãs!

Hoje é o último dia de setembro, mas não parece.
Está calor!
Um calor suspeito, é certo ... abafado, com o céu esborratado de nuvens que podem, muito bem, indiciar borrasca.
Certo, certo é que amanhã começa outubro e por mais disfuncional que esteja o tempo, as temperaturas vão, gradualmente, cair, acompanhando a duração do dia, cada vez mais curto.
Em contrapartida, as noites mais longas e mais frias convidam a aproveitar o conforto da casa.
Sai-se menos, trabalha-se e lê-se mais.
Para quem, como eu, não tem pachorra para noites em frente da televisão, que, garanto, no meu caso, funciona como uma pílula para dormir, é a ocasião perfeita para ocupar as mãos.
Começam a surgir, agora, os primeiros projetos em tricot.

Guardo como tesouros, compras que vou fazendo ao longo do ano para, agora, por em prática.


É o caso destes novelos de lã, lindíssimos, com um toque de seda, que comprei nuns saldos na Alemanha, a muito bom preço.

Mais de  perto, pode observar-se a textura e a mistura de cores verdadeiramente espetacular.

Não sei se terei comprado quantidade suficiente.
Por isso, já tenho um plano B.
Este tom arroxeado para os remates finais...

ou este, o plano C,  em turquesa!
 Daqui vai nascer uma camisola (blusa) curtinha, com gola alta, que tenciono oferecer como presente de natal.
Só lamento que, ao contrário das amigas alemãs e inglesas, não tenha providenciado a tempo e horas, todas as prendas que pretendo oferecer.
Se pudéssemos retirar ao Natal a vertente horrivelmente mercantilista, ficaria, pelo menos para mim, uma festa muito mais verdadeira, muito mais uma festa de Amor.
Para o ano, tenciono organizar-me nesse sentido e pedirei ajuda na forma de ideias, para conseguir essa façanha.
Podíamos até,( quem sabe?), organizar uma espécie de forum virtual com o objetivo de atingir essa meta.


Iniciada tenho esta manta de squares que, forçada pelo calor, tive que abandonar durante o verão.
Por isso caminha devagarinho e, seguramente, não estará pronta em dezembro.

Resolvi ligar os squares com este tom de verde que, por acaso, se encaixa muito bem na decoração do meu quarto.

Os squares são grandes e, por isso, não necessitarei de muitos.
Gostava de rematar a periferia com uma renda e não apenas com um simples ponto baixo ou de caranguejo.
Aceitam-se e agradecem-se sugestões das imensas e talentosíssimas artesãs que passeiam a sua competência e bom gosto na blogosfera.
Antes de terminar, gostaria de deixar uma sugestão a todas as pessoas ainda atormentadas pelo malvado cartaz vermelho que rotula os blogs como perigosos.
São cada vez menos, mas continuo a encontrá-los.
A essas pessoas aconselho uma medida simplicíssima que é retirar da página inicial a lista dos blogs que seguem.
É uma medida temporária, enquanto a situação não se regulariza, muito simples e bem sucedida.

E, então, comecemos a tricotar!

Beijos
Nina

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Gaivotas

Num ritual
outonal,
ocupam a praia
as gaivotas.


Serenas,
seguras,
maduras. 


Alisam penas
pequenas,
dezenas. 


Bebem a luz,
soltam o grito,
impunes,
imunes.


No ouro da areia,
na prata da água,


repetem gestos,
ancestrais gestos,


serenos,
pequenos,
cumprindo o destino.


Beijos,
Nina