terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Delírios, flores, fantasias, sonhos, rendas...

... de crochet.

Um dia, a Ana Paula mostrou-nos um livro magnífico sobre este tema.

Imediatamente lhe pedi dados precisos para o poder comprar.
Com eles fui à
Fnac, mas resultou em nada a minha iniciativa, " não tinham, não iam ter, não conheciam " a obra  em questão.
Tive pena, mas superei a frustração.

Até que ...
Voilá!
Achei!

Provavelmente não será o indicado pela Ana Paula, mas, mesmo assim, é uma delícia.
Cheio de cores, de pontos, de modelos de projetos.

Ei-lo:


Em toda a sua glória.
A autora, Melody Griffiths.
A editora, CICO BOOKS, London, New York

Ao acaso, fotografei algumas páginas, só para aguçar o apetite e antecipar as delícias.


Lindo!

Muito bem explicadinho.


Com flores!

Montes de flores!
E esquemas e propostas irresistíveis.

Custou cerca de 19€.
Vale cada cêntimo pelo prazer que proporcionará!

Beijos
Nina


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Porto Palafita



De regresso de Cádiz, pelo Algarve, subindo em direção ao Norte, encontra-se, perto de Grândola , um desvio para Comporta, em pleno estuário do Rio Sado.

Seguindo o litoral do estuário, uma placa indica "Carrasqueira".
Vale a pena o desvio!

À nossa espera, está um porto de pescadores, cujos barcos repousam em margens pouco profundas.
Circundando-os há caminhos construídos em passagens precárias e suspensas, sobre as águas.

Algumas construções rudimentares, aguentam-se, também precariamente, com os "tornozelos" mergulhados no pacífico Sado.
É um quadro magnífico, inusitado, de uma beleza tocante.


Um grande cartaz previne que a zona é protegida.

Um emaranhado de estacas ergue-se, então, do lodo do rio.

Pescadores circulam,na faina.

A carga viva, palpitante, são caranguejos arrancados do fundo lodoso.

Uma espécie de ponte, de passadiço, permite a circulação sobre as mansas águas.

Os barcos aguardam, tranquilos, no balanço imperceptível do Sado.
Lindos, coloridos, batizados com nomes queridos, amuletos para momentos de perigo.

Aqui guardam-se tesouros.
São redes, armadilhas para a pesca, garantias de subsistência.

A ponte é frágil, precária, mas convida, desafia o atrevimento.

Um espelho, é o que estas águas são.
Paradas, permitem observar  a vida que no lodo palpita.
Tábuas sobre tábuas, remendos sobre fendas.


Uma pintura abstrata não seria mais ousada, na sua fuga ao senso comum.

Este, bem português , afirma, "Vou andando", numa ortografia torta, mas comovente.

Aqui, esclarecem-se as dúvidas.

E aqui, a localização geográfica, precisa, está registada.

Em frente, em margens alagadas, cultiva-se o arroz.
E assim, de repente, somos postos face a face com congeminações arquitetónicas cujas raízes mergulham bem lá atrás, na história da humanidade.
Caprichosamente, persistem aqui.

Beijos
Nina

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Natal acabou, viva o Ano Novo!

Depois da maratona de ontem, na cozinha, após um íntimo e tranquilo jantar, a seguir a um almoço festivo, a festa acabou.
Como tudo na vida, o Natal , apesar do seu carisma sagrado, não tem como escapar ao transitório.
Apesar de exigir investimento de tempo e dinheiro, de horas de trabalho, esgota-se na sua duração precária.
Este  não fugiu à regra, à portuguesíssima regra de montes, montanhas de sobremesas, muitos ovos, muito açúcar.
Incontornáveis, as rabanadas:



Fatias de pão que estagiam numa calda doce, antes de serem fritas, após o que são generosamente polvilhadas com açúcar e canela.

Os bolinhos de cenoura e bolina, uma variedade de abóbora intensamente colorida .
Cozida a polpa, recebe frutos secos picados, mergulha em azeite quente e, de novo, a chuva de açúcar.

Leite-creme queimado.
Come-se todo o ano, mas no Natal, a sua ausência é imperdoável.

Aletria.
Mais ovos, mais açúcar, mais canela!
Mais calorias...

Formigos transmontanos.
Outro doce de colher.
A base é o pão, enriquecido com vinho do Porto, mel, canela e frutos secos.
A soma de calorias continua, implacável.

Bolo-rei.
Não há Natal sem ele.
Como companhia uns bolinhos de gemas.
Ai, Ai!!!


Lampreia de ovos.
Palavras para quê?
Foi  um presente (envenenado ...) de Natal.
São gemas e mais gemas.

Ovos? Só caseiros, de gema amarela, ouro puro.

Ao almoço, aqui em casa, come-se peru recheado acompanhado por batatas doces assadas.


Um arroz de legumes e passas, faz companhia ao bicho.

E os brócolos ao vapor, emprestam um ar saudável ao almoço.

Porém, sejamos realistas, estamos perante um episódio irracional, no que à alimentação diz respeito.
Não seria um almoço de Natal, se não fosse assim excessivo, irracional.
As sobras são imensas e já está tudo no seu devido lugar, embalado , dentro do congelador.
As montanhas de louça, lavadas e arrumadas, deixaram, novamente, a minha cozinha, com ar de minha cozinha. Assim:



Cada coisa no seu lugar.
 E, apenas os copos que exigem lavagem manual, aguardam ainda a viagem para o seu respetivo lugar.


Escorrem, brilhantes, limpinhos e, só depois serão guardados.

Preparemo-nos, agora, para a festa do Ano Novo.

Quanto a mim, será discreta e passada fora de casa, porque, é tudo muito bonito, muito íntimo, muito caloroso e aconchegante, mas ninguém é de ferro.

Beijos
Nina

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Finalmente, chegou a noite de Natal.
Tudo a postos e ainda faltam duas horas para o jantar, mas, depois de uma tarde inteiramente dedicada à sua preparação, o jantar está pronto.


Este centro tem ocupado a mesa de jantar.

Velas, abóboras, maçãs, um conjunto perfeito.

Somos quatro, mas com direito a tudo.

Rabanadas, bolo-rei, aletria, leite-creme, formigos, bolinhos de bolina, lampreia de ovos, seguir-se-ão ao bacalhau e polvo cozido  com legumes.
Um exagero.
Mas é Natal.
FELIZ NATAL!

Beijos
Nina

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O assédio

É o título da última obra que li, do autor espanhol Arturo Perez- Reverte.
Não posso dizer que a sua leitura me tenha agradado.
Infelizmente, não agradou.

Deste escritor li, há tempos," A rainha do sul", um romance absolutamente empolgante.
Tanto gostei que continuei a apostar no autor e, ao primeiro livro, seguiu-se" O cemitério dos barcos sem nome", um romance com fundo histórico, medianamente interessante.

O que se passa é que o o autor foi jornalista antes de se tornar escritor.
Suponho que por isso a tentação pelo rigor dos factos seja irresistível, o que torna maçudas as suas produções que, apesar da minha opinião, são best sellers.

Mas voltemos ao Assédio, título deste texto, roubado do último trabalho de Reverte.
A ação do romance desenrola-se em Cádiz, cidade situada no extremo de uma península, no sul de Espanha, na Andaluzia.
A trama desenvolve-se durante as invasões napoleónicas à Península Ibérica, onde, apenas Cádiz, resistiu aos invasores, até à derrota definitiva dos mesmos.

A história é quase interessante, no que diz respeito à ficção, mergulhando, infelizmente, num poço de tédio, quando o autor  resolve aprofundar a capacidade de disparo dos canhões franceses.
São páginas e páginas de descrições técnicas insuportáveis.
O que é uma pena, porque o enredo imaginado tem um certo encanto.

Toda esta introdução vem a propósito da minha chegada, hoje mesmo, de Cádiz.

É uma cidade muito interessante, com uma parte antiga preservadíssima e um cenário de fundo de tirar o fôlego: o mar mais azul, mais plano, mais envolvente que imaginar se possa.
Neste mar mergulha, ao entardecer, um sol majestoso, que pinta o mundo de rosa.
Assim:

Ao fundo, a cidade nova.

E quando o crepúsculo avança, a metamorfose é total.

Os primeiros candeeiros acendem-se e então, definitivamente, o mundo é uma esfera mágica de cores sobrenaturais.


Até que a noite cai, doce, profunda, apaziguadora.

Na manhã seguinte, o mundo é de novo branco e azul, as cores de Cádiz.
Perdemo-nos, então, nas suas ruas e ruelas, nos seus parques e encantos e, levantando os olhos, encontrámos, invariavelmente, forte e doce, implacável e sedutor, mas sempre apaixonante, o céu de Cádiz.



Beijos
Nina

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ronda, numa espécie de banda desenhada.

Quem entra em Ronda, desavisado, não suspeita o que o espera.
Parece uma terrinha como tantas outras.
Com igreja matriz,
A iglesia de la Merced,

Estátuas de toureiros,

em pose de faena,

e identificação devida,

e mais poses emblemáticas.

De repente, avançando um pouco, num clarão, o chão abre-se.

E, lá ao fundo, o abismo alarga-se.

A perder de vista.

O Parador Nacional, equilibra-se, no limiar do abismo,

que se agita, vivo, lá no fundo, com repentes de catos e veludos de musgos.

Visitantes, suspendem-se, numa varanda, sobre o buraco sem fundo.

Antes de nós, famosos encheram o olhar com este deslumbramento.

Sempre medonho, sempre magnético.

Do nada, uma árvore lançou raízes e cresceu.

Impávido, um riacho corre no mesmo local onde , desde o princípio dos tempos, correu.

As encostas esboroam-se, matizam-se de cores.

E nas fendas de pedra viva, a vida insiste e persiste em crescer.


A ponte!
Esguia, colossal, liga as margens.

O conjunto é avassalador.
Reduz-nos à nossa ínfima dimensão.
Não é cenário, não!
Não é o produto alucinado de uma mente delirante.
É, apenas, Ronda.

Beijo
Nina