sexta-feira, 15 de junho de 2012

Tempos houve ...


... em que nesta casa se comia diariamente sobremesa doce.
Por um lado, eu gostava de experimentar e arriscar novos desafios, por outro, os comensais devoravam e aplaudiam as novidades.
Repito, tempos houve...
Hoje, por força das orientações dos dietistas que não se cansam de falar dos malefícios do açúcar, a história é outra!
Hoje, há sobremesa "quando o rei faz anos!"
Bem bastam as compotas para o pequeno almoço! Sobremesas doces são acontecimentos raros nesta casa.

Por acaso, hoje é uma dessas ocasiões.
Preparei duas sobremesas, tão inofensivas quanto as sobremesas podem ser, para um almoço de sábado.

E já que é para pecar, que se peque com algo que vale a pena, como é o caso desta tarte de limão merengada.



Não sendo inocente, que não é, é comedida em termos de ovos .

Aparece assim, em camadas, em tons ténues, angelicais...


Ingredientes:
1 pacote bolacha Maria
125g manteiga

Com a bolacha reduzida a pó, misturada com a manteiga derretida, prepara-se uma espécie de massa areada com que se forra o fundo de uma forma de abrir.

Passemos ao recheio:

1 lata de leite condensado
Raspa e sumo de 1 limão
2 gemas

Liga-se tudo  e vaza-se na forma já forrada.
Vai ao forno (esperto) durante 10 minutos

Retira-se do forno e cobre-se com o merengue obtido das claras em castelo firme, com 2 colheres de sopa de açúcar.
Cobre-se a mistura semi - cozinhada e volta ao forno mais 10 minutos, vigiando a progressão da operação, não vá queimar ...

Resulta uma nuvem em camadas ...

Ligeiramente caramelizada e com sugestões de limão ...
 A descrição não faz justiça a esta delícia, não faz!
 Da minha cozinha repleta de odores, saiu ainda outra tentação que mais tarde divulgarei, não vá induzir alguém a uma overdose de açúcar.

Beijo
Nina




quinta-feira, 14 de junho de 2012

Uns dias chove, noutros dias bate o sol ...


... como garante  o genial e único  Chico Buarque, entoando 
 MEU CARO AMIGO !
Às vezes, muitas vezes, acordo com uma melodia na cabeça que persiste em lá ficar até me cansar.
Acordei , hoje, com Meu Caro Amigo.
Premonitório ou não, o certo é que ao abrir a janela enfrento um dia de chuva, depois do dia de sol de ontem.
Daí que, porque, "nuns dias chove, noutros dias bate sol ..."  nos podemos queixar de tudo menos da monotonia e da previsibilidade do clima.
Há, portanto, que desenterrar casacos, sempre com bom humor, que o dia não está para exposições e frescuras. 


Bege e verde tropa, gosto muito!
O blazer de homem, bem comprido em linho e calças de risca larga, também com corte masculino.


O toque feminino é dado pelo body frou-frou, semeado de rendas e folhos.
Colares e mais colares, num contraste com a linha predominantemente masculina.

Esta coisinha, salva o mais humilde conjunto.
Por isso acho que comprar uma boa mala é sempre um bom investimento que retribuirá por muitas estações a despesa feita.

Os sapatos/sandálias são da Zara, de há 2 estações atrás.


Assim, nos dias de chuva de verão, em que o equilíbrio entre as estações é precário, esta pode ser uma sugestão que convença.
Esquecia de referir o mais importante, de, uma vez mais, enfatizar  o princípio que vem conduzindo o meu dia a dia:
Nada do que visto é novo, nada!
Tudo tem uma história de vida de várias estações!
Aliás parei de contar os dias em que fiz a última compra, mas tenho a certeza que foi há muitas semanas e tenciono perpetuar a intenção.

Beijos
Nina

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Peixe ...


... tem que ser muito, muito fresco, porque se não for, melhor optar pelo congelado.
Cá dentro da minha cabecinha guardo esta máxima e às vezes, poucas, ponho-a em prática.
E foi assim que cheguei à fala com uns filetes de pescada congelados.
Cuidadosa, deixei que descongelassem dentro da própria embalagem, na prateleira inferior do frigorífico, de um dia para o outro.
Quando abri a embalagem ... cheirou-me a peixe congelado!
Não gosto, por muito rico que seja em nutrientes, por muito assética que seja a operação, não suporto  o cheiro a congelado.
Estes não tinham peito para serem servidos como filetes, quando apenas um fio de limão os perfuma e uma pitada de sal e pimenta os tempera.
Havia, portanto, que encontrar um plano B.
Lembrei-me dos croquetes de peixe, subterfúgio aplicado às crianças renitentes em comer o pescado.

Fiz assim:
Cozi os filetes em água temperada com um quase nada de sal, pimenta, 1 folha de louro, 1 colher de mostarda e meio copo de vinho branco.
Terminada a cozedura, reduzi o peixe a puré.
Aproveitando o líquido em que cozeu o peixe, fiz um bechamel bem grosso.
Envolvi.
Temperei com sumo de limão e nós moscada.
Levei ao frio durante 1 hora, para que a mistura ganhasse corpo, endurecesse e fosse passível de ser trabalhada.


Assim.
Juntei salsa picada.

Com uma colher de sobremesa, moldei os croquetes.

Passei-os por farinha, ovo e pão ralado.

Agrupei-os numa travessa e cobri-os com película.
Neste momento, congelados, esperam a oportunidade de serem comidos.
Gosto de ter refeições prontas para uma emergência ou apenas para um dia de preguiça.
Esta é uma saída airosa para um peixe económico, com a vantagem de seduzir os eternos inimigos do peixe.

Beijos
Nina

terça-feira, 12 de junho de 2012

Vermelhas, suculentas, doces cerejas ...


Já se sabe que o calendário perdeu toda a autoridade. O tempo, pura e simplesmente, ignora as estações do ano e prega todas as partidas que muito bem entende.
Portanto, não há que fiar no calendário, estamos entendidos.
Há que estar atento a indícios, isso sim.
As cerejas são deliciosos indícios.
Quando aparecem é sinal que o calor não tarda.


Sortuda, recebi quilos destas delícias vermelhas.

Vieram do Douro, de Resende, a pátria abençoada das cerejeiras.
 O que apetece é comê-las, assim mesmo, uma a uma, até mais não poder, que isto de comer cerejas, já se sabe ... o mal é começar.
Felizmente, o meu lado formiga ainda possui algum poder reivindicativo nas minhas decisões e, claro, nada melhor do que eternizar por um ano estas maravilhas, recorrendo ao infalível truque das compotas.


Há que lavá-las, escrupulosa, repetidamente, em várias águas ...

... arrancar-lhes os pés, um a um ...

Depois, abracadraba!
Do fundo do armário dos pequenos eletrodomésticos, surge, em toda a sua glória, o descaroçador de cerejas quem, num abrir e fechar de olhos, executa a infernal tarefa de retirar os caroços.

Uma a uma, as bolinhas vermelhas são perfuradas e o caroço cai no depósito, enquanto a polpa é expelida.

Não sei se existe à venda por aqui.
Este veio da Alemanha onde sempre me abasteço de fabulosos ajudantes domésticos.

Aqui estão eles, os carocinhos ...

... enquanto que a polpa, perfurada, se vai amontoando.


Depois, é só juntar açúcar, levar a lume brando, até atingir o famoso ponto de estrada que já mencionei aquando da compota de morangos.
 A proporção é a mesma, 1,5Kg de cerejas para 1Kg de açúcar.


Neste momento toda a casa  está perfumada ...
Há no ar um cheirinho doce, um cheirinho aos dias da infância.

Beijos
Nina

Colar de Pétalas

Um colar de pétalas!


É lindo e parece-me fácil!
Excelente complemento para o Verão, que, acredito, acabará por chegar ...

domingo, 10 de junho de 2012

Domingo ...

... nasceu chuvoso, cinzento. Caminhar junto à praia, nem pensar.
Afastados ténis e  roupa desportiva, ataviei-me para ir tomar um cafézinho e ler os jornais diários num local confortável.
Como não está frio, optei por um conjunto bem fino, seguindo o esquemas das sobreposições em tons pálidos, numa paleta muito explorada nos filmes ingleses cuja acção se desenrola no verdejante Country.
É a paleta das não cores, dos brancos e beges em variações múltiplas.

Nada novo, nada recente, tudo usado e mais que usado.



Colares e fios, sempre eles,  atores  de relevo no resultado final.

A tarde seria de costura.

No meu mundo verde, cogitei novidades.

Porém, um fracasso absoluto viria a ser o resultado da tarde.
Foi irritante e frustrante.
Saí para espairecer e esquecer.
Vim falar com as plantas,

... cheirar a perfumada hortelã ...

... espreitar a pujante Physalis ...

... atrever-me a antever gordas abóboras ...

... confirmar o crescimento das maçãs ...

... mergulhar no colorido das hortênsias ...
 ... e acalmar!
Foi por pura distração que ocorreu o fiasco!

Decidira reproduzir em tecido este cesto que, na bancada da minha casa de banho, acomoda diversas embalagens.

Seria uma réplica deste cestinho em tecido...

Só que, por distração, cometi um erro grosseiro que pôs tudo a perder.
No momento em que se transforma o saco em pacote de leite, conforme as indicações de  Cinária Mendes , errei e o saco virou trapo e não cesto.
Já arrumei tudo, já me dediquei a outras causas, já sei como não errar e, na próxima tentativa  o êxito está garantido.
Acho que quando ocorre um desastre, o melhor é manter a distância, deixar a poeira assentar e regressar somente quando a vontade surgir.

Entretanto, continuo às voltas, no carroucel que é esta almofada, brincando com a sucessão das cores.

Esta antecipação, pode e deve ser alterada ao sabor dos meus humores.

Enquanto isso, a flor gigantesca continua a crescer.

Beijos
Nina

sábado, 9 de junho de 2012

Esposende


A 50 Km a norte do Porto, no litoral, situa-se Esposende.
Vila de pescadores, de férias na praia, de desportos radicais na foz do rio Cávado que aí desagua.
Na avenida marginal, o Hotel Suave Mar.
Um 3* carregadinho de charme.
Imagino que Agatha Christie, o escolheria para ninho dos seus mais tenebrosos enredos, se um dia, tivesse tido a sorte de o conhecer


Na porta de entrada a identificação.
Através dela, o dia cinzento e chuvoso invade-nos.

No hall de entrada, o convite:
Visite Esposende, fique em Esposende, delicie-se em Esposende!


Em cada vidro, vaidoso, o hotel reafirma-se.

A sala de jantar!
Encostadas às janelas em arco, alinham-se as mesas.
Rentes, crescem bungavílias de todas as cores.
As palmeiras estrebucham empurradas pela forte ventania.
Paisagem mais linda não há.

Paredes brancas e pinturas, muitas pinturas.
Uma espécie de exposição acessível aos visitantes que, se o desejarem, podem adquirir qualquer tela.

Recantos, encantos, fora e dentro numa interacção constante.

Sentem-se, acomodem-se, leiam, conversem, estejam ...

Se o sol brilhar, este é o local de todos os bronzes, de todos os calores, de todos os frescores ...


À mesa, as delícias ...


O melhor arroz de tomate do mundo e os filetes de pescada mais frescos, fofos como que se de pão-de-ló fossem feitos.

O arroz de frango caseiro, cozido no ponto certo, caldoso q.b., com o golpe de vinagre que só mãos certeiras doseiam.

O carrinho das sobremesas é o que se vê...
À direita, em primeiro plano, as Clarinhas de Fão, uma massa quebrada finíssima recheada com novelos de doce de chila.

Já que é para pecar, peque-se! Cheese cake, Pêra bêbeda, maçã assada e outras delícias.

Esta, de tão fotogénica, reclamou destaque.

E foi assim.
Com chuva molha-tolos, mais prudente foi rumar ao abrigo seguro deste porto.
Apenas porque vivo muito perto, nunca aí fiquei, não tenho desculpa, falta-me o pretexto, porque o que eu gostava mesmo era, depois deste almoço, preguiçar num dos recantos, ler, olhar, ouvir o mar, ficar.

Beijos
Nina