segunda-feira, 23 de julho de 2012

A menina na FALÉSIA



É o meu novo livro, ou deverei antes dizer, a minha nova perdição?
Para ser rigorosa, a segunda hipótese retrata fielmente o papel dos livros na minha vida.
 São uma estrada sem fim por onde caminho surda ao mundo exterior.
Entrego-me, mergulho inteira, sem horário e sem limite assim escapando da realidade e vivendo mil vidas, numa espécie de eternidade adquirida em cada leitura realizada.
Leio, ou como, ou bebo, ou deixo-me impregnar pelo texto?
Que entrega é esta?
Já em criança sentia este fascínio que, atualmente, interpreto com objetividade, agradecendo aos céus a ferramenta com que me dotou, o arco-íris em que mergulho, o oceano em que me liquefaço, o firmamento em que me diluo.


Ei-lo! 600 páginas de deleite!

De uma amiga recebera a sugestão para comprar, desta autora, "A casa das orquídeas"

Fui procurar esse título na FNAC.
No seu registo não consta. Por isso me indicaram esta "menina" que, nos 3 capítulos que li, se apoderou de mim.
Delicio-me antevendo as experiências que me esperam nas palavras que se juntam, associadas segundo uma lógica que, no final, me deixará muito mais sábia, muito mais rica, acrescentando novos valores à pessoa que hoje sou.

Beijo
Nina


domingo, 22 de julho de 2012

E não é que o domingo se está a finar?


O que vale é que, enquanto durou, foi muito bom.
Como dizia Vinicius,  ... que seja infinito enquanto dure.
Com o sol a brilhar o clima é sempre mais festivo e, ontem, o jantar às 8 horas, dia claro, foi muito simpático.
Reincidi nos petiscos portugueses que, em casa, não são possíveis, dado o forte cheiro que se infiltra por cada nesga de porta aberta.


As azeitonas, apareceram assim, gordas e luzidias e com elas foram iniciadas as hostilidades.

Depois, um prato de petingas fritas, estaladiças, no ponto certo, sem espinha detetável, são o que se chama um petisco irresistível.
A elas me referia quando falava da impossibilidade de as cozinhar em casa.
É que não há, de facto, bela sem senão, sendo que, no caso dos peixinhos, deixam no ar um rasto intolerável de coisa frita.
Assim sendo, comê-los, só no restaurante.

A acompanhá-los, de novo, os pimentinhos padrão que estamos no tempo deles.
Não toleram imposições fora de época.
Quem insiste em cultivá-los à força, em estufa, colherá uns frutos de aspeto inocente, mas com as brasas do inferno nas suas entranhas.
Já vi homens de barba na cara, desfazendo-se em lágrimas por ousarem comê-los fora de tempo.
É um incêndio nas tripas que nada apaga e muito menos a água que apenas força a propagação da labareda até aos olhos.
É então que as lágrimas jorram em caudal.
Fica o aviso...
  

Enquanto esperava o peixeinho fresco, entretive-me, portanto, com estas delícias tão nossas, tão portuguesas.

Como vizinhos de mesa, muitos estrangeiros, em êxtase com a qualidade da nossa comidinha.
  

Às nove horas, jantar terminado, quando o poente desce lentamente e o mundo se veste de rosa, a vista da Foz do Douro, era esta, um quadro, uma pintura que em nós penetra e nós faz agradecer a dádiva da vida.

Enquanto durou, o fim de semana foi infinito de prazer, como se exige a cada minuto que passa.

Beijo
Nina

sábado, 21 de julho de 2012

Já é sábado outra vez!!!



O tempo voa, não corre, não se apressa, não! Voa!
Já é sábado outra vez!
Este nasceu azul, quente, ameno, preguiçoso, sugerindo praia.
Acontece que este é o dia de todas as multidões, de todas as enchentes, de todas as confusões junto ao mar.
Assim sendo, passo!
Vesti-me de branco, rendado e fresco, de bordado inglês dos vestidos de infância e saí.


Rumo ao norte, claro!
Cerveira, hoje, estava impossível, tomada de assalto por uma multidão de espanhóis que, na sua exuberância, apequenavam o recinto.

Então, se eles se mudaram para Portugal, a solução é rumar a Espanha, na outra margem do rio Minho.
Aqui, em primeiro plano, um coração especial. Veio do Dubai, da feira do ouro e mais não é do que uma cópia descarada do original da Chopard que os árabes, sem problemas de consciência copiam e nós, europeus, comprámos dada a tentação do insuperável baixo preço.
Nos pulsos as incontornáveis pulseiras.
Confesso que me fazem calor, mas, como diz o outro, "quem tem brio, não tem frio!"

Nas unhas, continuo a apostar no turquesa, alegre e estival.
Tento-me com outras cores igualmente inesperadas e exuberantes, mas, aprendi às minhas custas, que uma vez aberto o frasco, há que gastar o esmalte ou, se o deixar esperar,deitá-lo, seco e imprestável, no caixote do lixo. 

Esta aliança composta por vários anéis  tem tudo a ver comigo. Sóbria e moderna, adoro-a.

Nos pés, as sandálias já exibidas, muito frescas e simpáticas.

Na mão, esta mala que diz com tudo e onde cabe sempre mais alguma coisa.
Veio de Itália, de um outlet, e vale cada euro que custou.
 Fiz estas fotos enquanto esperava o almoço que não tardou.

Pimentos Padrón, daqueles que " uns picam, outros não..."
Estes não picavam e ...

... acompanharam este delicioso pãozinho ...

... regado com este, não menos delicioso, branco gelado.

Como prato principal, esta obra de arte:
Pescada grelhada, servida sobre uma cama de molho de tomate com mexilhões, que repousava num fofo colchão de puré de batata.
Anéis de alho francês finíssimo, frito em azeite quente, completavam a composição.
Magnífica, sem defeito!


A escolha da sobremesa recaiu sobre um Flan de castanha ...

... e um sorvete de limão.

Isto e muito mais pode ser encontrado no LAGAR EN EIRAS, que merece realmente ser visitado.

Já em casa, antes de me instalar de livro em punho, faço absoluta questão de por ordem no local.
Acho que é um defeito tresandando a perfeccionismo, mas, de facto, não consigo desfrutar do lazer no meio do caos.
Vou, então, proceder a uma arrumação sumária e só  depois descomprimir.

Beijo
Nina

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A pequena loja de Blossom Street


Foi por aqui, na blogosfera, que encontrei a primeira alusão a este livro.
Sabia que "a pequena loja" vendia lãs e que nela se aprendia a tricotar, o que espevitou a minha curiosidade, já que a atividade em foco me tem proporcionado momentos de grande prazer.
Este é um best-seller com uns impressionantes 75 milhões de exemplares vendidos.

Terminada a empolgante aventura que foi a leitura do Tempo entre costuras, uma história que nos agarra desde a primeira página, primorosamente construída, envolvendo-nos em atmosferas exóticas e de perigo letal, este novo desafio terá que ser muito especial para competir com o anterior.

Tem cerca de 400 páginas e , neste momento, já ultrapassei o meio.
Se não leram o Tempo entre costuras, este oferecerá momentos de tranquila e agradável leitura, mas ... não se compara com o anterior.

Ainda assim, merece o investimento!


Dele retive que uma hora de tricô equivale ao mesmo tempo de meditação, em termos de benefícios físicos.
É uma informação importante, convenhamos!

Numa outra leitura que fiz, que defendia e fornecia as linhas mestras para uma vida longa, saudável e feliz, três tópicos eram incontornáveis:

- Alimentação saudável
- Exercício físico regular
- Meditação, como exercício de descompressão capaz de afugentar pensamentos negativos e com bater o stress

Posto isto, conclui-se que, tricotar faz muito bem à saúde!
Já o suspeitava, dado que essa atividade me deixa relaxada e descomprimida.
Mas vamos ao livrinho!
Lê-se bem e entretem, desde que não se espere uma grande obra de literatura.
Até, a própria situação da protagonista, me agrada. É ela a dona da loja das lãs onde decorrem os cursos de tricô e três personagens secundárias interagem.
Acho que me agradaria ser proprietária de um espaço semelhante. Encanto-me, perco-me, perco o tino numa loja de lãs. A sucessão de cores fascina-me e hipnotiza-me.Não entro sem uma lista a que me comprometo obedecer cegamente, ou será o descalabro.

Suspeito que no Brasil poderá ter outro título e outro aspeto

Repito, merece o tempo de leitura despendido, não sendo, porém, um grande livro.

Beijo
Nina

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um nicho ...


... é um local mágico.
Já em criança criava nichos em locais e na alma e neles guardava tesouros.
Não me passou a mania e, por isso, crio nichos.
Neles conservo objetos que são lembranças e que são preciosos porque são lembranças.
Não há nada como um nicho!
Melhores, mil vezes melhores que o mais impenetrável cofre.
Guardam e mostram. Mostram e enfeitam e alegram e fazem nascer sorrisos nos meus lábios.
Por isso, adoro  nichos!
Só eu, mais ninguém, sabe,ler o conteúdo dos meus nichos.
Com eles viajo no tempo e no espaço, aperto aperto laços, envolvo abraços, encontro e reencontro momentos, deixo voar o meu louco pensamento.



Neste nicho repousam pedaços turcos, russos, holandeses e agora, um afago, um leve toque de dedos da minha querida Adriana.
Foi ela, foram as suas mãos, a sua mente quem criaram esta sucessão de roxos e lilases que comportam luz, me envolvem a alma.
Sempre que o olho penso em Adriana, a querida Adriana, tão linda, tão doce, tão amiga...

Juntam-se sugestões de Veneza, na ânfora verde, bem como o impressionante rigor alemão, de Dusseldórfia, na jarra em degraus verdes.
A vermelha veio de Ulm, uma minúscula e magnífica cidade de artesãos vidreiros alemães.
Em primeiro plano, repito, um pouco da minha linda Adriana.

Da Índia, da Tailândia, de Cuba, da Grécia, de França, outros momentos se exibem.
Todos lindos, todos importantes, todos com raízes profundas no meu ser.
O mais recente, repito, recebi-o das mãos da doce Adriana.
O nosso reencontro será logo, será já, que o tempo dissolve-se face à eternidade e ao cruzamento de duas vidas com muito de irmãs.
Até já, linda Adriana!

Beijos
Nina

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Parti sem mala ...



... quando, na última quarta-feira avancei para um fim de semana antecipado e prolongado.
Não gosto de malas!
Não sei o que lá meter, perco-me, hesito e faço escolhas sem sentido, em que nada dá com nada, ou então, tonta, não prevejo os caprichos do clima e morro de frio ou derreto de calor.
Bom, bom seria não levar nada além da roupinha que me cobre e ir comprando à medida das necessidades.

Pois então, parti sem mala, para 4 dias de lazer.
Levei um saquito com o essencial  e umas coisitas em duas cores.
- Ou pretas ou brancas!
Lá fui combinando e não me aí mal.



Calças brancas NUNCA são boa opção, NUNCA!!!
Estas duraram 1 dia.
Aprendi que apenas as pretas devem ser escolhidas, por razões óbvias ...

Depois foi só mudar a t-shirt ...

... e trocar as sandálias por sapatos fechados.


Não tem nada que saber! O esquema preto e branco funciona sempre!
Ah! E, sublinho, tudo antiguiiiinho, tudo!

Beijos
Nina




terça-feira, 17 de julho de 2012

Havemos de ir a Viana ...


Se o meu sangue náo me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana

Amália, deixava no ar o convite para que visitássemos Viana do Castelo e fazia-o coberta de razão.
É uma cidade linda, linda!
Visitei-a no último sábado, na sequência da estadia pelo norte.
Deixo uns apontamentos que não fazem jus à qualidade especial desta terra. 

Logo à entrada da parte antiga, agora apenas peatonal, o Museu do Traje. A sua existência é plenamente justificada pela variedade, riqueza e exuberância do traje minhoto.


No exterior um painel alusivo à pesca e uma enorme imagem dos trajes regionais, a preto e branco, o que  se revela imensamente pobre face à realidade colorida.

Complemento indispensável deste traje são as peças em ouro, quase uma renda delirante com mil voltas. Chama-se Filigrana a esta técnica e com ela se produzem brincos marav ilhosos e medalhões cravejados de pedras. Quando são turquezas, atingem, na minha escala estética, um patamar insuperável.
De uma ourivesaria local, fotografei estes exemplares:

Brincos enormes, vistosos, exuberantes ...

... e ainda mais brincos!
Os medalhões aparecerão suspensos em cordões de ouro!
Quanto maior a quantidade do metal, mais apetecível a jovem que o ostenta!
Noiva com generoso dote!

Na Praça da República, coração da cidade, uma feira de artesanato, jovens com os trajes minhotos e mais, muitos mais motivos de interesse.


Estas belezas acederam a posar ...
São ou não maravilhosas?

Pelo meio, umas barraquinhas de artesanato.
Gostei destes tapetes.

Veja-se o porte destes meninos, orgulhosos das sua raízes!

Num recanto, dançava-se o "vira"!

Noutro, vendia-se o que a terra dá.

Os fatos variam de cor, mas são todos maravilhosos.


Pela quantidade de ouro exibida se depreende que esta menina  é, sem dúvida, um bom partido, embora, na atualidade, a aferição de "bom partido" obedeça (felizmente...) a regras bem diferentes.
Continuo a considerar que este é dos mais belos trajes típicos do mundo.

As ruas e ruelas que partem da Praça da República, todas elas interditas ao tráfego, fazem questão de apresentar um aspeto absolutamente limpo, conservando-se intocada a traça urbanística

Face à rua, algumas (boas, muito boas ) lojas ...

... e flores e aprumo e bom gosto!

Há uma imensidade de monumentos nesta cidade.
Elegi esta capela  especialmente bonita.
Pertence à Casa das Malheiras, habitação de uma família muito abastada que, suponho, neste momento não a habita.
É exemplo do cuidado investido na preservação do património.

Antes de terminar, deixo um último argumento para uma visita a Viana do Castelo:


A sua louça!

Até me parece um bocadinho injusto que uma só cidade tenha tantos motivos para ser visitada.
Em Viana tudo é lindo.
Então, "havemos de ir a Viana..."

Beijos
Nina