quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quase fiquei noiva!

Assim, mesmo, como abro o texto.
Foi por um bocadinho que não fiquei noiva.
Conto:
Estava eu no mercado de fruta comprando umas belas uvas que sempre levo para a praia.
É, porém necessário lavá-las e, lá ao fundo, no mercado, existe uma torneira que cumpre a função na perfeição.
Quando me aproximei, verifiquei que estava ocupada.
Um senhor senegalês, de turbante na cabeça e vestimenta até aos pés, lavava o que me pareceu ser uma panela com restos de sopa.
Contrariada, esperei.
Foi então que o senhor senegalês de turbante na cabeça e vestes até ao chão me perguntou se eu vendia uvas.
- Que não, que comprava, respondi.
E falava francês? quis saber, ao que eu respondi com um desenvolto "oui monsieur"
Entusiasmado, o senhor senegalês de turbante na cabeça e vestes até ao chão, informou-me que fazia o tour pelas praias vendendo artesanato, concluindo a informação com nova pergunta, que investigava a minha origem.
- Sou do Porto ... isto tudo em francês, recordo!
- Que pena, concluiu. Eu vivo em Lisboa!
Sentindo no ar a frustração do senhor senegalês com turbante na cabeça e vestes até aos pés,
despedi-me com um legítimo " au revoir", recebendo em troca um amoroso "au revoir chérie".

Assim, tal e qual com acabo de reproduzir se esfumou a possibilidade de um futuro compromisso.

Beijos
Nina



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Oásis, ainda...



Porque fiquei decepcionda?

Porque há vasos com plantas mortas nos corredores.

Porque os pavimentos de tijolo rústico, outrora brilhantes, estão baços e repletos de manchas de humidade.

Porque, nos quartos, avisam que, para contatar a receção, se deve marcar 9, apesar dos telefones terem sido retirados.

Porque, sobre as camas, colchas velhas de tão lavadas, decoram o quarto.

Porque só mudam as toalhas duas vezes por semana.

Porque não existe Wifi.

Porque o edifício se encontra cercado por prédios desabitados ( ... bem feito! Quem mandou ser desmedidamente ambicioso?)

Porque continua a exibir, sem vergonha, a classificação de 4 estrelas.



Porque ainda gosto um pouquinho do Oásis?

Porque na receção, um funcionário exemplarmente afável nos acolhe.
Porque o mar continua aqui tão perto.

Pudesse eu reverter o tempo que seria capaz de aceitar o desafio de devolver qualidade, vida e muito charme a este pobre Oásis.

Beijos
Nina

P.S. Responderei aos comentários assim que possa e fá-lo-ei com todo o gosto.






segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Oásis ...


...é o seu nome, uma Estalagem perdida no meio das dunas que garante sossego, distância da balbúrdia, tranquilidade.
O edifício é lindo, uma construção de dois pisos , em "L", toda virada para o mar.
Foi inaugurada por uma senhora alemã (austríaca?) há mais de 20 anos.
Deambulando pela magnífica costa algarvia, descobriu o local perfeito.
Aí, como disse, construiu o reduto paradisíaco.
O ruído limitava-se ao canto dos pássaros, ao sussurro do vento e ao canto do mar, ali a dois passos.
Nem sequer concedeu a construção de uma piscina, não, era apenas um oásis que não permitia brincadeiras e falatório no seu recinto.
Estava-se bem, estava-se num oásis.

Mas, aos poucos, testemunhei que as coisas foram mudando, mudando para pior.

A alemã vendeu a estalagem e sumiu. Com o seu sumiço nasceu uma piscina no jardim onde a criançada se encarrega da barafunda.
Mas continuava a estar-se bem.
Até que agora, 2 ou 3 anos depois, regressei.

A estalagem é uma pálida e desgraçada recordação do que um dia foi.

Falta tudo em termos de qualidade e sobeja tudo em termos de descaso, descuido, desleixo.

Quem nunca aqui tiver estado, sairá com a má impressão de um local mal cuidado.
Quem aqui tiver estado, noutros tempos, noutra era, sairá com o coração partido, dorido pela insanidade que permite à mediocridade que assim grasse estupidamente.

Atenção, fala uma otimista convicta que insiste em ver sempre o copo meio cheio, mas nem eu, com os meus eternos óculos cor de rosa, me permito iludir a realidade.

Por isso, por pudor, por pena, por luto, não publico fotos.

Beijos
Nina



domingo, 2 de setembro de 2012

O Forno


A caminho do Algarve, parei em Vila Franca de Xira para almoçar.
fui ao Forno, um local muito agradável com excelente comida.

No centro da terra, uma casa antiguinha, abriga o refúgio.

Servem um arroz de tamboril com gambas excelente ...

... bem como umas sobremesas muito criativas.

O espaço é agradável e creio que, atualmente, é o melhor da terra.

Quem mo indicou foi o Sr. Pedro Miguel, um SENHOR, dono do emblemático restaurante Flora que, durante 57 anos, justificou uma paragem em Vila Franca de Xira.
Desta vez, esse era também o destino.
Estranhei vendo a porta de entrada semifechada.
Entrei assim mesmo.
O antigo proprietário, com tristeza que li nos seus olhos e intui na sua voz, comunicou-me que sucumbira aos loucos encargos fiscais e à falta de clientela, vítima, também ela da crise.
É assim como fechar uma catedral ou outro qualquer monumento... um crime lesa pátria.
Deveria existir uma lei que protegesse estas verdadeiras instituições nacionais.
Com fair play indicou-me o Forno e indicou bem, como já afirmei, mas no ar ficou o ressentimento por uma clausura imposta e dolorosa.
Sinal dos tempos.
Que pena!

Arranjei um estratagema complicado para dar sinal de vida e deixar agradecimentos, beijos, abraços e carinhos a todos os que sentem a minha ausência.
Será curta, muito curta, prometo e sempre que possa, além dos beijos, dos abraços e dos carinhos, deixarei num recadinho.

Nina

sábado, 1 de setembro de 2012

Descanso, sombra e água fresca!



Marina de Tróia




Oficialmente em descanso total, por uns dias!
Receio não conseguir manter-me em contacto.
Por uns dias!
Poucos!
Volto já!
Já, já!
Beijos
Nina



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Café de saco


Quem me tira o meu expresso, tira-me tudo.
Até em casa, investi um balúrdio numa máquina italiana que mói o grão na hora e produz o mais delicioso expresso, além de mil outras habilidades perfeitamente escusadas que apenas serviram para que o preço da maquineta se tornasse astronómico.
Mas o expresso é bom, é muito bom, não há melhor expresso que o meu, ouso afirmar.

Doseio a ingestão porque sei que me tira o sono, mas quando o bebo, desfruto deliciada do sabor e do odor, todo um ritual a meio da manhã e depois do almoço.

Posto isto, não vou em cafés de saco.
Não gosto, detesto pó em suspensão e uma borra de depósito no fim.
Não quero!


Assim, contudo, nunca mo serviram,  a não ser num certo restaurante que frequento assiduamente.

O restaurante em causa prima pela qualidade e presumo que mantem esta anacrónica operação por puro charme.
É engraçado.
Mas não é bom.
Nem de perto nem de longe se aproxima da minha portentosa máquina italiana.
Limita-se a ser engraçado!
Hei-de dar umas sugestões ao proprietário.
Hei-de, hei-de!

Beijos
Nina

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Tricotar pacifica!


Tenho a certeza, sei do que falo e por isso garanto.
É só deixar as mãos libertas, no ritmo certo, na cadência correta e dar asas à imaginação.
Em silêncio, o pensamento viaja e quase pressinto que o espírito se liberta do corpo.
Como alternativa, soltam-se os sentidos, a visão e a audição, enquanto nas mãos as agulhas avançam e, assim ocupados,  escapamos ao precipício do sono face à televisão.

Descobri que até é divertido assistir a novelas!
Bem, pelo menos a uma novela,  o INSENSATO CORAÇÃO da TV Globo, na qual os maus são mesmo maus, são pérfidos, são doentes, enquanto que os bonzinhos, vestem , a bem dizer, a pele dos santos, enquanto que no dorso, as penas de asinhas de anjo teimam em insinuar-se.
Pelo meio, há momentos hilariantes provocados por Bibi, uma predadora sexual.
Os cenários interiores são lindos, uma tal "Carol" veste-se maravilhosamente e, linda como é, apaixona-se por um homem  particularmente feio, mas sumamente inteligente e de uma sinceridade à prova de bala.

A pouco mais se resumirá a sinopse da novela que passa a horas impróprias e por isso gravo.

E assim, assistindo aos pequenos dramas das personagens, quase sem olhar, prossigo o trabalho em modo automático.
Absolutamente automático, sublinho e comprovo:


O casaquinho da Teresinha que se tricota numa só peça, exige que se acrescentem malhas para formar as mangas, do mesmo modo que estas serão extintas quando a largura da manga tiver sido atingida.

Perdida nos delírios da Eunice e no Veneno do Léo, não "matei" as malhas e então, dei por mim tricotando uma coisa informe, disforme, disparatada.

É que desligar do tricô é possível, mas "em termos"!
Resta-me desmanchar, desmanchar até ao local em que a manga ficará delineada.
Não me custa nada. Tricoto sem pressão e sem pressa. Até me divirto com este tipo de acidente.

Lembro um livro que li há muito tempo, "Como água para chocolate", de Laura Esquivel, uma sul-americana que, num golpe de asa, engendrou, a partir da cozinha, o seu mundo, um romance incrível.

Tita, o nome da heroína, tricotava uma manta imensa nos momentos de maior dor.
Era o seu momento de catarse.
Como esses momentos eram frequentes, a manta cresceu, cresceu, cresceu até cobrir toda a propriedade.
No caso de Tita, que repetia o ponto até ao infinito, o tricô era absolutamente libertador.
O meu também o é, mas exige momentos de atenção em que as regras são aplicadas.

Beijos
Nina