quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Narcisos ou cebolas?


Cheia de fé e entusiasmo comprei uma embalagem de bolbos de narcisos com "garantia" de floração... isto há várias, há muitas semanas.
Tratei de os plantar adequadamente, espessa capa de drenagem e solo apropriado, exposição solar generosa, uns quantos carinhos diários para que não se sentissem sós.
Tudo conforme o figurino.

A uma semana do natal, apresentam-se assim, umas cebolas greladas!

Quatro receberam tratamento diferenciado ...

... sendo colocados em frascos cheios de água, para onde não tardaram em lançar raízes, porém, flores, nem vê-las!

Nesta janela - de todas, a minha preferida - virada a poente, se quero flores, vejo-me obrigada a contentar-me com os malmequeres  amarelos artificiais,  "nascendo" do bocal de uma garrafinha azul que guardei por ser diferente, mas quanto a narcisos ... estamos conversados!

Nesta janela, dispensei cortinados, coisa improvável em mim, adoradora de cortinas, reposteiros e tapetes.
Beneficiando de um quadro vivo, diferente todos os dias, bani outros enfeites.
Mas que um conjunto de narcisos enriqueceria o conjunto, não duvido.


Temos, pois, que a uma semana do natal ...

...  decoro a casa com cebolas!
É o que temos!

Beijo
Nina

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ei-lo!


Pronto!
Hoje vamos tricotar as frentes, mas exponho a obra já acabada para que se animem, peguem nas agulhas e aproveitem as noites frias para tricotar.
Acreditem que resultou em pleno e não sou apenas eu que o digo, pese embora eu ser esquisita e exigente quanto baste e  não me contentar com pouco.
Esta manhã, porque já me encontro mergulhada e entusiasmada com outro projeto de tricô que a seu tempo mostrarei, esta manhã, dizia, fui à loja das lãs, lugar terrível, tribunal implacável, sempre povoado por mestras no ofício.
Pois fui lá, usando o meu fofo, lindo, quente, confortável, elegante e novo casaco recém terminado.
Olharam-me insistentemente, as juízas,  primeiro em silêncio, depois aproximaram-se para observar em detalhe, colocaram questões e "IUPPI!!!!!" teceram rasgados elogios

Assim, de perto,  consegue ver-se o padrão que compõe as frentes, em ponto de arroz e com duas tranças.

Se bem se lembram, para as costas, montara 70 malhas.
Logo, cada frente teria 35 + 5 de remate em canelado 1/1, onde  seriam aplicados os botões e feitas as "casas".
Tal como ocorrera com as mangas, decidi-me pela execução simultânea das duas frentes e gostei da experiência. Demora um pouco mais, mas não ocorrem enganos nas contagens e teremos, garantidamente, duas frentes absolutamente simétricas.

A distribuição dos pontos é aritmética elementar:




- 12 malhas em ponto de arroz + 2 malhas em liga (tricô), 8 malhas em meia, para a trança, 2 m. em liga (tricô), 11 malhas em ponto de arroz e 5 malhas em canelado 1/1.

Tricota-se 67 cm (o decote da frente é um pouco mais acentuado do que o das costas) e repetem-se os mates feitos nas costas, prosseguindo até se obterem as 23 malhas para os ombros.

O avesso tricota-se tal como se apresentam as malhas.

Os botões e as casas devem ser colocadas equidistantemente, de acordo com o comprimento do casaco. 

Estes vieram da Feira de Cerveira e, pelos 10, paguei 3 € ... bom negócio!

No final, cosem-se as mangas, os ombros e as costuras laterais, tendo em atenção o espaço que forçosamente ficará aberto para pregar as mangas.

Depois é só rematar o decote com 5 carreiras de canelado 1/1 e pregar os botões.


Veste lindamente e, com uma camisola/ blusa usada por baixo, é  abrigo mais que suficiente para enfrentar o inverno.

Na minha gaveta de cachecóis descobri um acessório a condizer:


Esta gola!
Um peluche confortável que, por coincidência, se conjuga muito bem com a cor do casaco.

Obriga-me, apenas, a que prenda o cabelo para evitar confusões de cor!

Ainda outro ângulo!
Aprovam?
Então o que esperam para conseguir um igual?
A seguir virão vestidos e camisolas / blusas e o que mais a inspiração ditar.

Beijo
Nina

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mangas

Concluídas as costas - um retângulo sem mistério, passemos às mangas.
Antes, porém, faço notar que não foram desenhadas cavas, por duas razões:

- Para facilitar o trabalho de quem se inicia nestas artes;
- E ainda, porque um casacão amplo, como é este, permite que se vista uma camisola / blusa por baixo sem que o manequim fique com ar de chouriço prestes a explodir.

Essas as razões do retângulo, apenas talhado no pescoço com pequeno decote.

Duas mangas, portanto, nos esperam, o que equivale a repetir a tarefa!
Não gosto de repetições e para delas escapar decidi tricotar as duas mangas ao mesmo tempo!


Assim!
Dois novelos e duas mangas!

Os punhos executam-se em canelado 1/1, isto é, 1 ponto de meia, 1 ponto de liga (tricô), até serem concluídas 12 carreiras.

No prosseguimento, voltamos ao PONTO DE ARROZ, executando, no meio, UMA TRANÇA.
Recapitulando:
- O punho, inicia-se com 30 malhas;
- Tricotam-se 12 carreiras em canelado 1 /1
- Inicia-se o padrão principal, fazendo, pelo lado do direito:

9 malhas em ponto de arroz;
2 malhas em liga (tricô)
8 malhas em meia (que serão trançadas cada 10 carreiras)
2 malhas em liga (tricô)
9 malhas em ponto de arroz

Pelo lado do avesso, tricotam-se as malhas tal como se apresentam.

A cada 5 carreiras, aumenta-se 1 malha em cada extremidade da manga, tricotando até se alcançar o comprimento necessário, medindo desde o punho à axila.

Falando de medidas e do número necessário de malhas para iniciar o trabalho, repito que visto tamanho M, mas, este e qualquer outro modelo poderá ser aumentado ou diminuído de acordo com o corpo com a necessidade.
Para o efeito, indispensável se torna que seja executada uma amostra, montando 20 malhas e tricotando um quadrado.
Depois é só medir, aplicar uma regra de três simples e determinar o número exato de malhas a tricotar.
Matemática útil e prática.

Alguma dúvida?

O meu belo casaco está pronto e já hoje saí com ele.
Um sucesso!
Garanto que não vale a pena inventar coisas complicadíssimas, pois, este modelo facílimo poderá ser incrementado, inovado, transformado até ao infinito, funcionando como se deseja, isto é, como uma luva!

Amanhã, terceira lição:
- As frentes!

Beijo
Nina



domingo, 14 de dezembro de 2014

Casaco


Vamos tricotar um casaco?
 Vamos?
Um casaco original, impossível de encontrar nas lojas, por um preço incrivelmente baixo?
Vamos?
Atenção que o convite é formulado por mim, pessoa sem pretensões a expert em nenhum campo e muito menos neste, o que, de algum poderá motivar as mais inibidas, já que, se eu sou capaz de levar o barco a bom porto, quem não será?
E juro que nisto não existe a mais ténue sombra de falsa modéstia!

No caso, fiz assim:
- Desmanchei um desastre ( e quando digo desastre quero dizer catástrofe ou mesmo cataclismo ....) tricotado no inverno passado, seguindo as instruções de uma revista da especialidade que exibia  uma foto irresistível ... 
Infelizmente, aprendi à minha custa, que essas revistas são tudo menos fiáveis, por isso desconfio, desconfio muito e sempre, das ditas revistas e  instruções inclusas.
Enfim, infelizmente o mesmo ocorre noutros campos, como, por exemplo, na culinária, na qual imagens incríveis correspondem às vezes a resultados intragáveis ... e, também aí, sei do que falo.

Voltemos, porém, ao que aqui hoje me traz - um casaco quente, original e giro, que como todas  sabemos, é característica fundamental e imprescindível , sem a qual não vale a pena investir 1 minuto que seja desse bem mais precioso, que é o nosso tempo.

Tinha então um mostrengo "investível" que me provocava alguma (muita e desenfreada ...) raiva pelas horas de trabalho que envolveu.

Horas exigiu, igualmente, para ser desfeito e reduzido a vários novelos.
O fio não se mostrava marcado pelos pontos anteriores, sendo que a sua própria fiação era irregular.
 Usei-o portanto sem qualquer operação suplementar.





Usei-o com o prazer que sempre acompanha a reutilização, o não ao desperdício.

Espesso, exigia agulhas grossas para que a trama resultasse fofa. Usei as número 7 e comecei pelas costas, montando 70 pontos. Esclareço que o meu tamanho é o M.

Utilizei Ponto de Arroz, simples, muito simples que se a fasquia se encontra demasiado elevada, desmotiva os participantes.
Ora vejam:

- 1ª carreira - 1 ponto meia, 1 ponto liga (tricô), até ao fim;
-2ª - carreira - tricotar os pontos como se apresentam (será a carreira do avesso);
- 3 ª carreira - 1 ponto liga (tricô), , 1 ponto meia, até ao fim;
4ª carreira - tricotar os pontos como se apresentam.

Em suma, o Ponto de Arroz consiste em tricotar alternadamente ponto meia e ponto liga (tricôt), nas carreiras do direito, enquanto que as carreiras do avesso se tricotam conforme se apresentam.
Alguma dúvida?

Sendo extremamente fácil e quase mecânico revela-se ideal para executar durante o serão , frente à TV.

Querendo um casaco "grande", executei , um total de 75 cm, sendo que, ao atingir os 70 cm, fiz o decote.
Considerei  que deveria dividir o total das malhas (70) em 3 partes - 2 para os ombros e 1 para o decote.
Cada um dos ombros ficaria com 23 malhas.
Assim, comecei por rematar as 11 malhas centrais e continuei a tricotar em  separado cada um dos ombros.
Após o remate das 11 malhas centrais, rematei, seguidamente, 3, 2 e 1 malha,de cada lado do decote,  ficando com as malhas necessárias para o ombro.
Repeti a operação, simetricamente, no ombro restante.
E assim completei as costas.

Cá estão elas numa fase avançada do trabalho, devo confessar.
Neste momento o casaco está praticamente concluído. Daí que o relevo inestético, mais não é que uma das mangas
já aplicadas.
Querendo mostrar o passo a passo, vejo-me condicionada por tais circunstâncias.
 As fotos deixam muito a desejar, bem sei!
 São feitas com o Ipad na tentativa de driblar a incapacidade do meu decrépito PC.



Alguma dúvida?

Bom, então, amanhã, faremos as mangas!

Beijo
Nina

sábado, 13 de dezembro de 2014

O meu computador ...

Esta maquineta que me acompanha há anos, sucumbe!
Foi para "as urgências" da FNAC há dois meses e veio, lampeiro, com ar saudável, refeito da mazela que o atacara!
Falsas melhoras!
O artefacto está mal, está lento, está caprichoso.
Fotografias , não as importa por mais maravilhosas que sejam e agora deu-lhe para não me obedecer, o grande chato!
Precisa de férias ou de reforma que já trabalhou muito, mas bem que podia ter adiado a aposentação para janeiro, quando as lojas recuperarem a normalidade, libertas das invasões bárbaras do natal.
De modo que me vou socorrendo do Ipad ... mas não é a mesma coisa, já que o aparelhómetro é senhor de forte personalidade e só faz, quando faz, o que muito bem entende.
Terei, portanto, que ser inventiva, para não ser silenciosa, até porque tenho sempre "coisas" muito giras e absolutamente inadiáveis para contar.
A quem generosamente me acompanha, o meu pedido de benevolência e compreensão.
Em janeiro, com software novo, será um tal debitar de informação que, espero, esta fase pouco produtiva,  de forçada austeridade, será esquecida!

Beijo
Nina

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Quiche

Seguramente uma das mais fantásticas invenções culinárias - com um um nadinha, uma sobra, 
uma qualquer insignificância se elabora um prato bonito, agradável e até sofisticado.

No caso, duas fatias de presunto, esperavam, muito tristes, no frio, que lhes fosse dado uso.
Foram elas, pois, o motor desta delícia.

Por isso, indispensável se torna que, no frio, haja sempre um pacote de massa quebrada 
ou folhada  pronta a ocorrer numa emergência.
( Nomeei a "folhada", apenas porque há quem goste, porque, quanto a mim,desde que participei num curso sobre nutricionismo, no qual, a formadora assegurava que " comer massa folhada era o mesmo que ingerir uma lata de graxa para os sapatos - sic - impressionável  e influenciável que sou, nunca, never, jamais, toquei na dita).
Temos, portanto, que um rolinho de massa quebrada opera milagres...  


... como este.

Fiz assim:
- Forrei a tarteira com a massa e deixei que assim, prontinha, aguardasse;
- Cortei em rodelas finas dois alhos franceses, mas poderia tê-los sustituido
 por modestas cebolas;
- Levei ao lume e deixei que fritassem ligeiramente, 
em lume brando - sempre em lume brando
 que as pressas só para apanhar o comboio!
- Juntei 2 cenouras raspadas e 2 tomates maduros 
cortados em cubinhos, continuando a fritar;
- Chegou a vez do presunto, que demolhei para retirar o excesso de sal e
 cortei em tiras, fritando um pouco mais;
- Acrescentei  as folhas muito bem lavadas de um molho de espinafres;
- Refresquei com 1 copo de vinho branco, fervendo lentamente.
 Retifiquei os temperos e verti na forma que aguardava.


Passei ao "aparelho", como dizia a chefe Inês, uma cozinheira brasileira de mão cheia, 
em cujo curso me inscrevi - sim, sou pessoa de cursos!
Pois o dito aparelho faz-se misturando um pacote de natas com 3 ovos inteiros, 
batendo bem e temperando com sal e pimenta.
Antes de verter esta mistura, decorei a superfície com pedaços de tomate seco e muiiiitas uvas passas!
Polvilhei com queijo ralado!

Vai ao forno a 180 graus - a minha temperatura preferida - durante cerca de 40 minutos,
 resultando na beleza que a imagem documenta.
A versatilidade deste prato é infinita, sempre um recurso magnífico para aproveitar sobras que ninguém no mundo adivinha que o sejam.
Para os vegetarianos, basta excluir o presunto e temos um prato barato, elegante e  perfeito, um luxo, diria.

Beijo
Nina

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O pintassilgo

Felizmente, consegui que o ritual da leitura se integrasse tão naturalmente no meu dia a dia, como se da necessidade de comer ou beber se tratasse.
Às vezes, leio apenas na esperança de que o livro ganhe alma e me prenda;
Às vezes, perco a paciência e, não querendo perder o meu precioso tempo, ponho-o de lado porque não me merece;
Às vezes, deixo-me envolver pela musiquinha fácil que dele flui, e com ele danço;
Outras vezes, entrego-me, rendo-me, prisioneira da intriga, da linguagem certa, do desenho impecável das personagens!
Às vezes -  poucas - leio, releio, saboreio!


Prémio Pulitzer!
Não por acaso!
São cerca de 900 páginas que temo gastar!
900 páginas - como direi? - envolventes, vivas, mágicas, magnéticas?
Tudo isso e muito mais!
Um daqueles raros livros que apetece devorar noite adentro num pleno estado de entrega.
Puxa! Acho que estou apaixonada pelo Pintassilgo!

Beijo
Nina