segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Os meus belos e sedosos cabelos!


Já explico este título promissor!

Faço um interregno na narração da viagem, não só porque demasiada informação cansa, mas também porque o tema que aqui hoje trago é candente, digamos que muito próximo de um drama existencial - que cada um saberá dos seus, com todo o direito e legitimidade.

Falo de cabelo, no caso, do meu!

No meu dia a dia é acessório que muito prezo e que - faça-se justiça ... - não me dá desgostos.É uma idazinha semanal ao cabeleireiro para lavar e secar, o corte das pontas cada dois meses, as madeixas 2 vezes ao ano, uns retoques quando a (Drª) Márcia determina e hidratação segundo prescrição da mesma.
Então sim, mantem-se lindo e sedoso.

Longe da Márcia, carrego múltiplos produtos, artefactos e a sensação de absoluta incapacidade para tratar do assunto de forma minimamente aceitável. Não sei, não tenho jeito, o meu cabelo é difícil, em suma, só impossibilidades e estradas sem saída.

Durante a primeira semana circulo livre e solta, sem remorso e sem vergonha.
 Depois ... depois é que são elas!
O meu belo e sedoso cabelo transforma-se em juba indómita de leão - sem ofensa para o leão!
É que não me obedece, selvagem!
É que me desafia, pérfido!
É que não há nada a fazer ... a não ser ... 



Isto!
Sobre cabeleira de palha, chapéu da mesma!

O chapéu até dá jeito, durante o dia, com o calor tórrido que tem feito.
O pior são as noites! O jantar!
Sinto-me mesmo infeliz.


O meu marido (bonzinho ...) diz que eu sou muita injusta com o meu pobre cabelo e que até prefere este arzinho natural (leia-se, desgrenhado), ao meu look impecável.

Só que não me convence!
E - confesso - já cheguei a sonhar com a Márcia!


Não entendendo o meu drama e desistindo de acompanhar o meu (tortuoso) raciocínio, vencido, aconselhou:
- Vai ao acabeleireiro! A um qualquer! Por favor, vai!

Mas eu não! Eu carrego estoicamente a minha cruz de cabelos indomavelmente encaracolados!
Nasci para sofrer!

Beijinhos
Nina

domingo, 9 de agosto de 2015

Viena


Viena, como qualquer outra capital europeia, fica descaracterizada no mês de Agosto, assaltada por milhares de turistas, de todas as nacionalidades, que, literalmente, ocupam cada centímetro dos  emblemáticos locais.
Agosto é, portanto, o pior de todos os meses para conhecer uma cidade, um país. Ainda assim, não há como evitá-lo quando este é, por excelência, o mês das férias.
Tenho tido a sorte de gerir os meus lazeres com certa liberdade, mas, infelizmente, parte deste mês é inevitavelmente assim aplicado.
Por isso, com a disponibilidade que viajar de carro me permite, vou tentando descobrir tesouros fugindo das multidões.

De LINZ, de que ontem falei com alguma decepção, parti para Viena!

Aproveitando o percurso, parei aqui e ali, que tudo é motivo para descontrair, deixar passear os olhos e, na memória, guardar inspirações:


Outro avental - gosto tanto de aventais!
Este com um folho diferente e um tecido deliciosamente ingénuo.

Foi numa estação de serviço, daquelas muito civilizadas, com livraria, café, restaurante e lojas!
Uma tentação para o viajante cansado e enfadado com os quilómetros.
Vou resistindo!
Se não contar com as revistas que compro compulsivamente.


Não faltam sugestões - gostei das toalhinhas bordadas ...


... dos caquinhos, nem tanto! Dispenso bujigangas ...

Aqui, há-as para todos os gostos.

E, por falar em gosto, acho que o bom - o bom gosto! - se vê nos deatalhes:


Verdade?
Era apenas um carrinho imprestável + 1 vaso normal!
Virou esta graça!

No caminho para Viena, um pequeno desvio para Wochau, nas margens do Danúbio.
É um local imensamente frequentado por austríacos que aí passam férias.
A cidade de Melt com a sua impressionante abadia é talvez a mais famosa e mais visitada.


A abadia ao fundo e o Danúbio em primeiro plano.
O percurso até Viena, desenrola-se sempre junto ao rio ...

... uma paisagem bem mais agradável do que a auto estrada ...

Curiosamente, esta é uma zona de imensos pomares de damascos- Amarillen, em alemão!
Vi compotas, licores, os mais diversos bolos e, é claro, os frutos vendidos ao quilo, estranhamente  - ou tavez não - muitíssimo mais caros do que em Portugal.
É que viver aqui não é mesmo nada barato!

Finalmente, em Viena, cheguei de Metro ao centro - ou deverei dizer ao manicómio?
Tanta, tanta gente, tanta confusão!!!!


Ptrincipalmente aqui, junto à Catedral!

Linda com um telhado particularmente atrativo.


Cheirava a cavalo!


Porque eles, puxando carroças, circulam ...

... e circulam ...

.. e cheiram (mal!)


Fugi, fugi rapidamente do centro ...

... para junto do Danúbio ...

... com a sua espécie de praia!
Pobres austríacos milionários!
Praia?
Isto?

Quanto ao Danúbio, já não  tão azul, como um dia foi, inspirador de melodia imortal!
Dois dias volvidos, deixei os 37 graus e a multidão enlouquecida de Viena, rumando a outras (mais) aprazíveis paragens!

Beijo
Nina

sábado, 8 de agosto de 2015

Linz




Já estive na Áustria diversas vezes, mas sempre me limitei à sua fantástica capital, Viena.

Desta vez, pretendendo uma visão mais ampla e mais verdadeira sobre a realidade do país, inclui, para além da capital, duas outras cidades, começando por Linz, que, conserva a triste memória de aí ter vivido, durante alguns anos, na sua juventude, o horrendamente famoso Hitler.

Aí passei uma tarde e dormi uma noite, tempo mais que suficiente.

Na realidade , não gostei!
Trata-se de uma cidade anónima, sem alma nem identidade, que rapidamente varrerei da minha memória.


Um metro de superfície percorre a rua principal, um tipo de ruído auditivo e visual que muito me desagrada.

Edifícios bem conservados, com alguma imponência, mas desinteressantes.



Esta a praça principal, ampla, mas com pouca vida.
Onde estarão as pessoas, numa tarde de canícula?
Não se sentam nas esplanadas?
Não comem gelados?
Estranho!

Interessante, o rio!
O belo Danúbio, embora a milhas do meu Douro, único e irrepetível!


Cruzado por moderna ponte, é, de longe, o local mais interessante da cidade!





Foi decepcionada - mas informada - que deixei Linz!

É, então, favor registar:
- Não merece a visita!
( Pena que ninguém me tenha informado ...)


Beijo
Nina

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

P'ra engorda!


Não é que tenha estado a comer muito.
 Não!
O que tenho estado é a comer mal.
Muito mal!


As tentações multiplicam-se!
Por exemplo, a meio da manhã, na hora do inevitável cafezinho, não há como resistir ao acompanhamento, estes artísticos bolinhos, coroados com frutos dos bosques, que, mais que bolos, parecem jóias, de tão lindos.

Não querendo que o pecado seja tão profundamente mortal, vamos a uma maçaãinha, uma maçãzinha especial, revestida de fina roupagem, ganhando o exótico apelido de Apfelstrudel!

Ai! Ai!


Não  tenho força de vontade e peco, fraca, gulosa!
Ao almoço, iludo-me, engano-me!
É só um pãozinho com presunto.
Só!
Coisa simples.
De eremita!


Acompanho com garrafadas de água ...

... esperando o jantar:

Risoto, delicioso e muito!
Acompanho com cerveja muito gelada, muito fresca, muita ... o que é grave!
E para coroar um prato italiano, una sobremesa italianíssima:


Tiramisu!

What else?

Pelas tardes, tardes de infernal calor ... nada a fazer, tudo a comer ...


Gelados ...

... italianos ...

... cada um melhor que o outro.

Eu, pecadora, me confesso!
Sem arrependimento!
Sem esperança de perdão!
Vou engordar, pois!
Porque se paga tudo neste mundo!

Beijo
Nina

Obrigada, meus queridos, pela companhia constante!
Muito obrigada!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Nuremberga

Atravessando a fronteira, para entrar na Alemanha,  ali no leste francês, território profunda e tristemente semeado pelos testemunhos da I e da II Guerra Mundial, chega-se à bela Nuremberga, cidade medieval fortificada, onde se realizaram,  no Tribunal de Nuremberga, os julgamentos dos criminosos nazis capturados.

Mais de 50 anos volvidos, a cidade virou a página. 
É um belo local, repleto de história, preocupada com a vida.

Merece 2 ou 3 dias de permanência ... não lhos dediquei pois é a minha terceira visita.



Logo na primeira praça, na cidade velha , uma fonte impressionante ...

... repleta de simbolismo que conta e reconta histórias da vida, das ilusões, da vaidade, da crueldade ...

Merece tempo e apoio documental para ser devidamente lida.
Continuemos, observemos canais, pontes, edifícios ...


... em perfeito convívio com visitantes.

Nuremberga é linda, repito - tenho de repetir.

Não é percorrendo-a que dela nos apossámos ...

... não!
O tempo, o lento tempo é indispensável para descobrir mil detalhes .


A água, sempre presente, ajuda ...


... bem como o verde ...
...o verde indomável que surge do fundo dos canais.

Acreditem, Nuremberga é linda.
É muito linda!

Beijo
Nina

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Metz

As cidades, todas as cidades, ao domingo, perdem a alma e a personalidade.
As ruas vazias, o silêncio postiço, as lojas fechadas, sâo um qudro de tranquilidade de que não gosto.
Por isso, quando viajo, procuro preencher o domingo vencendo grandes distâncias, mas às vezes, não são suficientemente longas e, antes de jantar, vagueio sem entusiasmo .
Assim foi em Metz, mas com uma enorme diferença - quem precisa de movimento nas ruas, se tem isto?





Não é mais uma catedral! É a catedral!


Entra-se e a sombra, o silêncio, o perfume o recolhimento é magicamente perturbado pelos lampejos coloridos que nascem nos vitrais.

Depois, o espaço dobra-se e desdobra-se em cantos e recantos de pedra, de sombra e de luz.


Pensei, por associação de ideias n'OS PILARES DA TERRA, o sonho megalómano do primeiro arquiteto medieval que, em projeto delirante, desenhou a catedral das catedrais.
Gostei, devorei o livro.
 Entendi-o agora.

Submissa, abençoada e iluminada por uma quase revelação .


Senti-me quase escolhida - imagine-se!
Esolhida!
Eu!


Beijo
Nina 



terça-feira, 4 de agosto de 2015

Chenonceau - Castelo das Damas

Quando estava em Tours , onde dormi duas noites, planeei visitar um castelo em especial, o Castelo das Damas e não foi por acaso que o escolhi.
Eu conto:

Tenho andado envolvida na leitura de um romance histórico, com protagonista feminina - as minhas protoganistas preferidas, sempre, sempre, muito melhores que as masculinas.
No caso, Catarina de Médicis, rainha francesa de conturbada ascendência italiana, que viveu durante o século XVI, com acão decisiva no desenrolar da história francesa e por consequência na europeia da época.

Enquanto lia e leio o desenrolar da ação tomo partido por Catarina, grande mulher, grande sobrevivente, grande fazedora de história.


Esie o livro.

Pois no desenrolar da história, assisti e tomei partido entre o duelo surdo travado por Catarina, esposa legítima de Henrique, rei de França e a amante deste, Diana de Poitiers.


Ocorre que entre muitos dos confrontos, um  toma visibilidade especial:
- A propriedade de Chenanceau, legitimamnente possuído por Catarina e, por subterfúgio institucional, transferido para as mãos da maquiavélica Diana - que raiva!

De facto, o castelo foi, depois de muitas peripécias, propriedade de Catarina, depois de Diana e, finalmente, de novo e definitivamente, de Catarina.

Fui, sonhava ir a Chenonceau!

Valeu tanto, tanto a pena!

Vejam:


Ao longe, muito ao longe, plantado no meio de imenso verde - esta maravilha!

Chega-se por frondoso e mágico túnel verde!

E, inevitavelmente, sustemos, perdemos a respiração!
A toda a volta, os jardins de Catarina ...
e, no interior, o primeiro quarto ...
... o de Diana, que atenta e maleficamente nos observa.

Mostrando a privacidade do seu quarto .,..

... da sua cama!

Não é extraordinariamente tocante que seis séculos volvidos , as teias desta paixão continuem arregimentando apoiantes?
São ou não são figuras extraordinárias, daquelas que verdadeiramente nunca morrem?
Por mim, espírito simples, continuo fervorosa apoiante de Catariana, votando a Diana a maior das má vontades - sua feiosa, sua gorda!


Assim reajo, no balanço dos triângulos insuportáveis.

Beijinhos, queridos!

Nina