sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Andorra



Andorra é um pequeníssimo país com características únicas.
Implantado em plenos Pirinéus sofre influência direta de França e da Catalunha, sendo estes os idiomas oficiais, embora o castelhano e o português sejam correntemente falados.
- O português?
- Sim! Dado que aqui vive uma imensa comunidade portuguesa, trabalhando principalmente no comércio e nas obras públicas,
A sua presença é de tal modo recorrente que, nos hotéis, restaurantes e lojas, não me dou ao trabalho de falar outra língua que não o português ( quando muito, um pouco de portuñol) e logo me respondem na mesma moeda.

Não se passa ao largo de Andorra.
Não!
Vai-se a Andorra que fica a 200Kms da autoestrada que liga Zaragoza a Barcelona. A dada altura encontra-se o desvio e, não tem que enganar, é seeeempre a subir - os tais cerca de 200 Km - e chega-se lá, a Andorra.

Por que se faz tal desvio?

- No Inverno pelos desportos de neve e pelas compras.
- No Verão pelas atividades na montanha e pelas compras.

De resto, nada mais justifica o desvio.


Eu vou pelas compras, que já foram bem mais vantajosas.
Ainda assim, Andorra continua sendo um Shopping Center (gigantesco) ao ar livre, localizado em duas ruas principais.

No Inverno é lindo, com as esfuziantes iluminações de Natal.
As ruas apresentam-se repletas de gente - as que vão para comprar e as que, a partir de certa hora deixam as pistas de esqui e vêm para o centro , Andorra la Vella, a localidade principal.


Muito para ver, muito para olhar - no caso uma réplica de uma obra de Salvador Dali

Este é o "meu" armazém!
 Provavelmente o mais antigo e mais bem fornecido de toda a cidade, com preços bem visíveis em cada artigo
 - importante para não comprar gato por lebre!


Rodeada por altas montanhas, a cidade está bem confinada a um espaço exíguo ...
Já falei com portugueses aí residentes que referiam saudades dos largos horizontes.
Como eu os compreendo - não suportaria facilmente viver em pouco mais de duas ruas.
 Acho que inevitavelmente seria atacada por claustrofobia.


Para quem vem de passagem, é interessante embora simbolize o pior da sociedade de consumo  - mas, é certo, que só lá vai quem quer.

Digamos que enquanto aqui estamos, assistimos ou participamos no esquema.
 É sempre uma experiência.

As nacionalidades misturam-se e torna-se impossível identificar a origem das gentes.
Há, por exemplo, multidões de russos - aliás foram eles que "nos" estragaram o negócio, com a sua abundância de dólares fizeram com que os preços disparassem.

As principais lojas são perfumarias ( essas sim, com preços incríveis, imbatíveis), roupas e sapatos  de marca, mas também lojas de decoração de elevadíssima qualidade.

Entra-se em Andorra la Vella, vindo de Espanha, por esta rua - linda, iluminada, desafiando a compra e mais compra

Já por aqui comprei roupas, que a oferta é fantástica ...

... e o bom gosto também.

Pena os preços!
Que os precinhos desmotivam ...
 
De modo que me limitei à perfumaria que, como referi  é mais de 50% abaixo do preço cobrado em Portugal

Esta praça quase mágica fica no caminho das lojas principais.
Acho que a ideia é hipnotizar os futuros compradores que, neste ambiente mágico perdem a noção da realidade podendo facilmente "desgraçar-se"

Parece o caminho para o paraíso, não parece?

E, para quem não for capaz de se conter, até é!
(Oh! que lindo! Gosto de tudo!)

Refiro que nesta época, plena época alta, os hotéis superlotados atingem preços absurdos. Melhor será pernoitar antes de atravessar a fronteira, ainda em Espanha, em La Seu d'Urgell. Aí encontra-se ofertas excelentes a preços aceitáveis.

Dito isto, perguntarão?
- Porque regressas tu a Andorra, conhecedora do esquema bem montado para te extorquirem os Euros?
- Regresso, porque sim. Porque o percurso é lindíssimo - das estradas mais belas do mundo - porque a experiência é sempre entusiasmante e porque, em férias, me permito pequenas (muito pequenas) loucuras consumistas que não admito no meu dia a dia.

P'ro ano, regresso!
Reclamando contra os preços. Mas regresso.
Prometido.

Beijo
Nina

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Zaragoza



Continuando em Espanha, partindo de Burgos rumo a Andorra, Zaragoza é paragaem a que já me acostumei, é quase casa.
Fico sempre no mesmo hotel, um Ibis modesto, mas confortável, muito bem localizado e com garagem - exigência de que não abdica o senhor que me acompanha.

Chegámos normalmente a meio da tarde, ainda com sol e rapidamente instalados, atravessámos a velha ponte de pedra que conduz ao coração da cidade.


Atravessámos o rio Ebro e, na outra margem, lá está ela, a fantástica catedral de Nossa Senhora do Pilar.
É tão bonita, tão extravagante, tão majestosa que nunca me deixa indiferente.

A ponte.
É também uma referência.
É peatonal, mas aberta ao trânsito dos transportes públicos - o que acho uma pena!
Em cada extremo, no alto de duas colunas, leões observam-nos.

Quando anoitece, El Pilar, ganha ainda mais encanto com as luzes que a enfeitam.

São torres e abóbadas e mosaicos e flechas.
 É uma sinfonia em pedra.
 De alguns ângulos assemelha-se às mesquitas turcas.
 De outros às igrejas moscovitas.
 Noutros, ainda, apresenta perfis góticos ...
Um deslumbramento!

Visito-a percorrendo as suas alas e corredores, olhando os seus tectos, contemplando os seus altares sempre, sempre  que por aqui passo. E passo frequentemente. Mas não me canso. A visita nunca está completa. Há sempre uma descoberta a fazer.


Na praça que a rodeia é onde tudo acontece. Todos os motivos são bons para sair de casa - pensam e assim agem nuestros hermanos, os espanhóis ...


Ao contrário de nós, portugueses, os espanhóis saem muito, saem sempre. Convivem na rua, nas esplanadas, nos jardins. Convivem velhos e novos ...


Este é também um local de encontro.
Sendo que este é particularmente bonito, um café antigo, romântico, com algumas semelhanças com o "nosso" Majestic.


Tomei um café e olhei. Vi. Observei. O culto do convívio.

Ao acaso, percorrendo o bairro antigo, espantei-me com este "romano", no centro de uma esplanada, no interior de um Shopping ...



Estava frio. Uma noite gélida. Foi tempo de regressar ao hotel seguindo o mesmo percurso ...


De novo e sempre enfeitiçada pela catedral ...

Ao longo das margens, esplanadas. Agora quase desertas, mas ainda assim belíssimas.

A ponte, a velha ponte que os autocarros e táxis desfeiam, à noite, tranquila, tem acrescida graça ...

A zona habitacional moderna cresce ao longo do rio - que seguramente será a zona mais bonita da cidade.
 Além de mais fresca, que Zaragoza sendo polar no Inverno é tórrida no Verão.

Um último olhar.
Uma última despedida à velha ponte de pedra.

 Na manhã seguinte partiríamos rumo a Andorra.

Beijo
Nina



segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Ainda em Espanha ...



Ainda em Espanha - em retrospectiva, pois já estou em casa desde o dia 1 ... - registo as memórias de momentos muito felizes.
Hoje, trago uma passagem por um Parador, aqueles hotéis de charme semelhantes às nossas Pousadas ( cujo link, para quem estiver interessado se encontra AQUI ) que sempre proporcionam estadias memoráveis.

Este que agora mostro, é o de Santo Domingo de la Calzada, situado perto de Burgos.
Já lá dormi há anos e adorei o edifício antigo, extremamente bem cuidado.


Desta vez, parámos apenas para almoçar.
O interior é rústico, de acordo com a idade do edifício, mas extremamente confortável e acolhedor.

Na sala de jantar as mesas são vestidas com todo o cuidado, quer se trate de louças quer de toalhas e guardanapos - tudo branco!

A primeira impressão, já se sabe, é determinante, para o bem e para o mal.
No caso, quem poderá pôr defeitos a esta bela sala?

O atendimento é profissional e extremamente atencioso.
Enquanto esperávamos, como cortesia, trouxeram estas gracinhas - amostras de patê muito saborosas

Pedimos bife - excelente ...

... como sobremesa, gelado ...

... e doce - este muito parecido com o nosso Toucinho do Céu .
Tudo ótimo!

Depois, umas imagens da parte social ...


Esta escadaria conduz aos quartos ...

Aqui, a parte comum, sala de estar e bar ...

Depois de jantar, quem aqui pernoitar, pode usufruir desta paz, para ler ou conversar


Adorei esta mesa.
Trata-se de uma mesa de apoio aos sofás, que, na verdade, foi uma porta reconvertida - apenas coberta com um vidro.
Genial!


Para onde quer que se olhe, gosta-se ... seja um antigo altar, seja uma imagem

Mais um recanto ...

Mais um convite para percorrer misteriosos corredores ...

... e imaginar encontros com personagens de outras eras.


Este era um antigo hospital de Peregrinos.
Foi, em boa hora, convertido em Parador.

São locais únicos que proporcionam momentos especiais, especialmente se são visitados fora das épocas de grandes enchentes.
São, garanto, fantásticos.
Vou voltar sempre que possa.

Beijo
Nina


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Em Burgos

 Saindo do Porto, chega-se a Burgos em menos de 5 horas, numa viagem tranquila, sem grande trânsito, onde, imperiosamente, há que respeitar o limite de 120Km/hora de velocidade - imperiosamente, repito - porque os polícias espanhóis não brincam em serviço, presentes, omnipresentes por onde quer que se circule e, um tudo nada sádicos, têm predileção especial em multar portugueses.
Este o primeiro aviso que deixo - e, acreditem, sei do que falo!

Portanto, tendo presente este aviso, o percurso é pacífico e, em Espanha, gratuito se se circular pela A52 .
Existem imensos locais para parar, repousar, comer e abastecer o depósito de gasolina.

Burgos, só por si, é um destino apetecível, uma cidade muito interessante, com uma catedral imponente que é Património da Humanidade.

Se o destino for diferente, mais longínquo, Burgos continua sendo o local para a pausa perfeita, para  aí pernoitar.
Dada a sua localização, visitei e fiquei aí inúmeras vezes.

Este ano. logo a seguir ao Natal, saímos para uma road trip de curta duração - tendo em conta a presença dos coletes amarelos em França, não nos animamos a cruzr a fronteira, limitando o percurso a Andorra.

Chegámos a Burgos a meio da tarde ...



Não chovia, mas havia uma humidade gelada no ar. Talvez por isso, os passeantes eram em número reduzido.
Esta alameda corre ao longo do rio  sendo um percurso lindíssimo para caminhar .


Mesmo  Inverno, a beleza do local fascina ...

Para aceder à parte velha da cidade há que atravessar esta ponte ...

... entrando por esta magnífica porta.

Abundam as esculturas.
Aqui uma típica vendedora de castanhas.

Árvores nuas ...

... que na Primavera se vestirão de densa folhagem ...

...que na canícula do Verão serão frondosa sombra.

Há túneis ...

...Praças ...

... e feiras de Natal.

Há luzes ...


... e a Catedral!


Espanha, país que amo, tem uma particularidade desconcertante, única, absurda, irritante!
Qual?
Os horários dos restaurantes!
Aqui só se janta a partir das 21 horas! Nem um minuto menos. Quer chova quer faça sol.
21 horas!
É o horário ditatorial.

Eram 19h 30m. Estávamos cansados. Queríamos comer.
Impossível.

Miraculosamente, depois de expulsos de vários locais, encontrámos este, quando já pensávamos regressar ao hotel e recorrer ao room service.

Pareceu-me que o funcionário não ficou feliz com a visita.
 Trombudo, respondia por acenos ou monossílabos - o grande antipático.

Pedimos sopa, uma tábua de presunto e queijo e vinho tinto - melhor que nada.

Regressámos ao hotel no meio de nevoeiro cerrado ...

... por entre sombras ...

e mais sombras ...

... sempre mergulhados em neblina  gelada




Um fabuloso cenário londrino!

 O hotel - NH Palacio de Las Mercedes - é bastante confortável e oferece a comodidade que se espera de um 4 estrelas e é normalmente o escolhido, com quartos confortáveis e um  hall  amplo e bem decorado:






Digamos que não é o mais económico da cidade, mas a relação custo / benefício compensa.
Nesta cadeia gosto particularmente do pequeno-almoço (café da manhã) de elevada qualidade.

Enfim, a inevitável  passagem por Burgos tem sido e continua sendo uma experiência compensadora.
Recomendo.

Beijo
Nina