terça-feira, 1 de março de 2011

Iogurte

Diz a lenda que Abrãao, ensinado por um anjo, foi o primeiro homem a preparar iogurte, para que a sua mulher se curasse de uma doença que a afligia.
Documentalmente, sabe-se, que já no século XII, uma espécie de iogurte, a coalhada, era vendida nas ruas de Constantinopla.
A palavra "iogurte", propriamente dita, terá surgido nos Balcãs, onde através do processo de fermentação do leite,um alimento muito perecível, assim se lhe prolongava a vida.
Em relação ao leite, o iogurte tem as suas vantagens:

-Embora mantendo todas as qualidades do leite, é um alimento de mais fácil digestão, já que, devido aos bacilos que lhe dão origem, a lactose do leite fica muito reduzida e, é sabido que o número de pessoas intolerantes à lactose, não para de crescer;
-Os microorganismos nele presentes têm um importante papel no equilíbrio da flora intestinal;
-É um alimento rico em proteínas, cálcio, zinco, vitamina A e vitamina B.
Apesar de ignorar todas estas vantagens ( acabei de as pesquisar ...), como iogurte desde que me conheço.
A oferta é imensa - magro, light, com fruta, com bífidos activos e até os há de soja.

Contudo, curiosa como sou, resolvi averiguar o procedimento, garantir a qualidade daquilo que comia e comprei uma máquina:


iogurteira

E não é que funciona?
Faço, a partir de leite magro, iogurtesmagros, com todas as vantagens inerentes, até porque há provas que o iogurte emagrece, acelerando o mecanismo de queima de gorduras, essencialmente localizadas na barriga, mas mantendo a massa muscular magra.

Depois, ainda pode ser utilizado na culinária, por exemplo:

Molho de iogurte

1chávena de chá de iogurte magro sem sabor
1 chávena de chá de vinagre de maçã ou balsámico
1/2 c. de sopa de salsa picada
!/2 c. de sopa de cebola picada

Bolo de iogurte

1 iogurte natural
4 ovos
1 c. de chá de fermento
3 medidas ( embalagem do iogurte) de açúcar
3 medidas de farinha
1 medida mal cheia de óleo


Mistura-se os ovos com o açúcar, batendo bem.Acrescenta-se o iogurte e o óleo e, por fim, a farinha com o fermento.
Vaza-se em forma untada com manteiga e polvilhada com farinha, cobre-se a superfície com rodelas de maçã polvilhadas com canele e açúcar e assa em forno médio, cerca de 50 minutos. 


Toca a experimentar.
Beijos,
Nina

domingo, 27 de fevereiro de 2011

PÃO

Gosto de pão! Desde criança que o como ao pequeno-almoço ( café da manhã), então com manteiga e agora, com a ditadura da balança, nem tanto.
Na minha memória persiste a imagem de uns braços roliços de mulher,cantarolando, de mangas arregaçadas até aos cotovelos, amassando energicamente a massa enfarinhada, num ambiente iluminado e turvo pela nuvem de farinha em suspensão.
Só que eu sou bicho urbano, nasci e cresci na cidade, nunca nem por uma vez,  entrei no coração de uma padaria o que inviabiliza completamente tais memórias.
Põe-se, portanto, pertinentemente, a questão:
-Será que fui padeira numa outra vida?
Responda quem for capaz.
Por mim, consigo viver sem sobressaltos com esta transcendental possibilidade.
O que é certo, repito, é que gosto mesmo de pão, de o saborear mas, principalmente, de o cheirar, quando recém cozido.
Para minha enorme felicidade, descobri, recentemente, a máquina de fazer pão, um trambolho com ar de inutilidade que me apressei a comprar.

A máquina em toda a sua imponência...

Estudado o livro de instruções, apreendi de imediato que a coisa não tinha segredos:


Farinha composta por 7 cereais

Havia que comprar a farinha ou mistura de farinhas adequadas, ligar a máquina à corrente elétrica ( com a possibilidade de, utilizando um temporizador, ter pão quente , ao saltar da cama pela manhã...) e escolher o programa, esperar pelo apito de "concluído" e voilá ...


Pão Vital
Agora, é só comer.
Beijos,
Nina

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O meu marido está com gripe! (Ai! Ai! ...)

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto, Já vejo a morte, nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes, nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão-de-ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes, que vou morrer.

ANTÓNIO LOBO ANTUNES


Só um génio como ALA poderia fazer este retrato, meio cómico, meio cruel que se aplica como uma luva aos nossos amados e enfermos maridos.
 Os homens são assim!
Tenho um amigo pediatra que subscreve esta tese com a maior veemência. Segundo ele, quando nascem gémeos de sexos diferentes, a menina é sempre mais forte e mais vivaça. No decorrer da infância comprova esta inevitabilidade.
Lobo Antunes, para além de escritor genial, eterno candidato ao Nobel da Literatura, é médico de formação e psiquiatra por especialização, possuindo, portanto, as ferramentas específicas para desmontar objectivamente este tipo de comportamento.
Está-lhes no ADN, não há nada que eles ou nós possamos fazer.
A nós, mulheres, na nossa infinita sabedoria e tolerância, só nos resta apaparicá-los.

Beijos, Nina

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

FUI EU QUE FIZ!

A borboleta atenua o ar artesanal

Não cresci numa família dada às artes ou ao artesanato.Raramente vi as mulheres da minha família, dedicadas aos lavores. Nunca fui estimulada nas habilidades ditas femininas.
E também sei que  " a natureza não dá saltos".
 Pois permito-me discordar.
Apesar deste contexto familiar, sempre tive curiosidade face à manufactura das coisas.
 Em criança, queria ter uma máquina de costura, fazer vestidos, criar coisas, ser costureira. Nunca o fui.
Mas, depois que cresci, e já  senhora dos meus impulsos, resolvi dar livre curso à minha veia "artística":
Frequentei um atelier de pintura e realizei umas coisinhas de que muito me orgulho e que a seu tempo mostrarei (se perder a vergonha...)
A seguir, aprendi a fazer crochet, tudo muito simples, mas, eu com a minha imensa ousadia proporcional à minha ignorância, decidi que o que faria, seria,  em grande ( já viram a colcha concluída e a segunda versão,em lã, em curso)...
Depois, veio o tricot.

Vestido de lã em tricot,verde pistachio, uma das minhas cores preferidas...
Comecei com as roupinhas dos meus filhos e hoje, tenho o desplante de tricotar para mim e  para as amigas. Comprei revistas, li livros, focei na net e, mais importante que tudo, atrevi-me, ousei, errei, fiz e desfiz!
Em boa hora! Vejam:

Vista geral

Modéstia à parte, acho que as fotos não fazem justiça ao vestido, que resultou em cheio.
Os pontos, aprendi-os a partir de um livro que pretende conter os principais - TRICOTAR À MÃO E À MÁQUINA - edições Fada do Lar. Aos pontos utilizados no corpo, chama Ponto de ferradura larga e ao da saia Ponto de zigueszagues curvos.
A lã, comprei-a nuns saldos no Corte Inglês de Vigo, nesta cor, para mim fabulosa.
O único defeito desta peça é que é muito, muito quente e pouco adequado para usar no interior das nossas casas aquecidas.
Tirando isso, acho lindo,e acho também que se eu fui capaz, qualquer pessoa será.
Beijos, Nina

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ainda o voluntariado

Pérgola, junto ao mar

Nem de propósito, assisti ontem, na TV, ao programa do Dr. Oz.
 Lembram-se dele?
Colaborava, esporadicamente, com a Oprah, mas, neste momento possui o seu próprio espaço.
Ontem, no seu estilo muito próprio ( e muito discutível ...), referia as três principais vantagens do voluntariado:

- As pessoas que o praticam, pelo menos duas vezes por semana, têm um objectivo;
- As pessoas sentem-se mais felizes por fazerem bem aos outros;
- As pessoas envolvidas no voluntariado desligam dos seus próprios problemas;

Segundo ele, o envolvimento no voluntariado garantia mais 7 anos de vida aos envolvidos.

Descodificando, o voluntariado é, para além de louvável , terapêutico, porque ocupacional, disso ninguém duvida.
Também ninguém duvida que gostar de si próprio é saudável, na medida em que, está laboratoriamente comprovado que as emoções negativas são tóxicas, mesmo letais,quando, interferindo com o nosso sistema imunitário, abrem a porta a toda a sorte de doenças.
A este propósito, descobri o blog  omeuchaverde.blogspot.com com conteúdos interessantes
Nunca fiz voluntariado, apenas porque não ... porque ainda não calhou, porque ando permanentemente ocupada ... não porque duvide dos projetos.Mas está no meu horizonte, tal como está   revisitar uma e outra e centenas de vezes o Brasil o projeto de aprender Alemão (adooooro a Alemanha) e escrever um livro...
Por exemplo, aqui bem perto do local onde vivo, existe um organismo chamado CASA DO CAMINHO, vocacionado em acolher bebés e crianças desfavorecidas. Outro dia, fui lá entregar um donativo (brinquedos e roupas em estado impecável) e fiquei impressionada com a qualidade do espaço e do pessoal em serviço permanente, com apoio de voluntários).
Uma obra notável, que merece ser mencionada.
Beijos, Nina

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

VOLUNTARIADO

Todas as manhãs, desde que não chova, faço uma caminhada de uma hora, junto ao mar, já que tenho o privilégio de viver numa cidade debruçada sobre o oceano e numa zona habitacional muito próxima da praia. Adoro o local onde vivo por muitos motivos, mas principalmente , por este.

Anémona

Esta escultura, da autoria de uma artista nórdica, é composta por círculos de metal com perímetros diferentes, ligados entre si por rede de pescador. Quando foi inaugurada, não foi bem recebida pela opinião pública, porém, actualmente constitui uma referência e tocada pelo vento norte que quase sempre se faz sentir, ganha vida própria e sugere, efetivamente uma anémona.
É aqui que começo a minha caminhada.
Existe, sobre as dunas, muito perto do mar e longe do tráfego automóvel, uma espécie de passadiço, que circunda um antigo forte, atualmente convertido em museu militar, de onde se olham as ondas e as gaivotas,se  respira e se medita.
É muito, muito bom!


Forte de São João
(vulgarmente conhecido por Castelo do Queijo)

Hoje, por sorte, não chovia e lá repeti o ritual.
Lembram-se que, na semana passada, dei conta de um temporal terrível que assolou a costa norte do país?
Só hoje foram visíveis os estragos. O areal estava repleto de detritos.


Poluição devolvida pelo mar

No meio da lixeira, vislumbrei duas senhoras que, de luvas calçadas revolviam o lixo:





Por me parecer estranho, abrandei o passo e fotografei-as, percebendo então qual a busca em que estavam empenhadas: catavam cápsulas, tampinhas de garrafas com que enchiam sacos. Trata-se de uma campanha, em que as próprias crianças estão envolvidas, com o objectivo de reunirem o maior número possível de tampinhas.Seguidamente, estas serão entregues num organismo apropriado que, em troca, oferece cadeiras- de- rodas para deficientes.
Claro que, no cotidiano, eu separo o lixo; claro que sou sensível à saúde do planeta; mas serei tão sensível a ponto de vasculhar o lixo como faziam aquelas senhoras? Honestamente, receio que não.
É que eu, reconheço, não tenho espírito de voluntariado, com a minha vidinha tão organizada, tão cheia de interesses, tão egoísta, em suma.
No entanto, conheço pessoas que fazendo voluntariado em variadíssimas áreas,  proclamam:
FOI O VOLUNTARIADO QUE ME SALVOU.
Estranhamente, o voluntariado é, para estas pessoas imensamente gratificante.
Dizem que tapa buracos na alma.
Dá que pensar,não dá?
Beijos, Nina

ÓSCARES

Dos nomeados para os óscares, vi, até ao momento, "A rede social", "o cisne negro", "o discurso do rei" (do qual já falei na semana passada" e, hoje, "True grit", com a tradução "Indomável".

Deste último gostei francamente.
É um western, no velho estilo de John Wayne,realizado pelos irmãos Coen, com a diferença que o heroi ( um fabuloso Jeff Bridges) veste a pele de de um sheriff mais ou menos amoral, alcoólico, sujo e velho, que apesar de tudo, desempenha rigorosamente o papel para que foram inventados os herois do velho oeste e salva a mocinha.
 Esta é uma talentosíssima jovem, que, ou muito me engano, ou vai arrecadar o óscar para o melhor papel feminino, como personagem secundária.

Quanto ao prémio para melhor atriz, na minha opinião, será arrecadado por Natalie Portman, um bailarina do New York City Ballett, que, através de um complicadíssimo, doloroso e patológico percurso, se supera e atinge a perfeição.
Hoje, num jornal diário li uma crónica de um escritor/jornalista que muito admiro: Miguel Esteves Cardoso.
No texto que escrevia sobre o Cisne Negro, fazia uma análise surpreendente, mas que faz todo o sentido. Para ele, a personagem principal era genial na pele de cisne branco, porque era uma criatura insípida, pura e quase assexuada. A sua dificuldade em fazer vingar o Cisne  Negro , residia nessa áurea de santa.
Apenas quando se libertou, através da perfídia e do sexo, atingiu o desempenho sublime. No fundo, na opinião do MEC, esta é a grande questão que condiciona e cataloga as mulheres: as santas e as outras.
Quando qualquer mulher se atreve a pisar o risco, no sentido de poder encarnar simultânea e plenamente os dois papeis (há uma canção popular que sinteticamente define a situação: Uma lady na mesa, uma louca na cama...), a justiça divina " tarda, mas não falha..."
Valha-nos Deus!
Beijos, Nina