quarta-feira, 27 de julho de 2011

Gestão do tempo ...




... esse bem precioso e limitado que, inexoravelmente se esgota.

Não gosto de perder tempo,  tendo absoluta consciência do seu valor, mas gosto de lazer, de me perder por aqui, na blogosfera, de não usar relógio.

Sou uma privilegiada, já sei, mesmo assim imponho-me limites, prazos que voluntariamente estabeleço e que cumpro com a agradável sensação de dever cumprido.
Não sou barata tonta, não faço  apenas vento, como dizia uma pessoa minha amiga, quando procurava acusar alguém de falta de real produtividade.
O tempo bem gerido, rende, multiplica-se.

De um especialista ouvi um conselho interessante:
Sempre que alguém te interrompa a meio de uma tarefa, informa que, de momento, não podes ser interrompido, mas que dentro de 30 minutos estarás disponível para ajudar.
Na esmagadora maioria dos casos, passada que foi essa meia hora, o problema foi solucionado por quem procurava ajuda, que, durante o tempo de espera tratou de se desenvencilhar sozinho.

Estamos sempre a aprender, assim queiramos.

Beijo,
Nina



terça-feira, 26 de julho de 2011

O Poder dos Media ou a lavagem de cérebro.

Cedo aprendi que os Media constituem , literalmente, o quarto poder, se considerarmos como, através deles se constroem e desconstroem opiniões, se modificam hábitos enraizados e se aderem às mais diferentes correntes, desde as políticas, às sociais, estéticas e todas as outras vertentes que seria fastidioso enumerar.
Relativamente às estéticas, considero-me moderadamente imune, abolindo sugestões que não me agradam.
Uma delas, referia-se à cor do esmalte das unhas.
Já vi de tudo, desde as garras de gel com bandeiras e estrelas, às unhas negras da chamada corrente gótica.
Tinha a certeza absoluta que o meu leque de cores passava do pastel ao vermelho sangue, que nos dias em que me sentia mais extravagante, poderia cair num carmim intenso.
Ponto final.
Até que a semana passada me pus neste estado, pés e mãos:




Li umas coisas nuns blogues, vi umas sugestões na Vogue e, oh!  pobreza de espírito declarada, observei uma qualquer estrela exibindo tonalidades inesperadas no topo das falangetas e este foi o resultado, que felizmente pode ser retirado na hora que me apetecer.

Tudo isto para concluir que não devemos levar-nos demasiado a sério e que os desvarios ocorrem na mais empertigada das criaturas que, acreditem, não sou eu.
E, agora que vejo a foto, nem me parece assim tão mal, aliás, lembro-me agora, que também comprei um amarelo canário...

Beijos,
Nina



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Feiras, mercados de rua, vendedores ambulantes, etc.

Adoro!
Acho irresistível e sempre que posso, lá vou eu.
Sempre sem descurar o look, que mesmo no ambiente de feira, tem que ser, no mínimo, despojado, mas interessante, como este, acho eu  pedindo, desde já perdão pela imodéstia.
Local: Vila Nova de Cerveira, onde já tenho feirantes amigos e confidentes a quem faço encomendas especiais.


Nos bancos, ao fundo, as nossas vizinhas galegas, derrotadas pelo ambiente frenético da feira.

É uma festa que não esquece a miudagem.


O biquini foi rei, ocupando uma posição de destaque.

Ténis para todos os gostos.
Preço?
10€

Túnicas, blusas, tops, a oferta é imensa.

Malas, bolsas e carteiras, Dior, DG, CH e por aí fora.
Aqui não alinho.
É uma limitação absoluta.
Não compro cópias, mas já comprei e conclui que o crime não compensa.
É preferível ter apenas uma boa do que 10 falsas.

Adoro, sou dependente do chapéu.
Há-os para todos os gostos e estilos.

Galinhas. São os bichos mais fotogénicos que conheço.
Comprei panos de prato.

Observem a majestade deste galo. Há lá ave mais imponente?

Paraíso!
Lãs, algodões, botões. fitas e fitinhas.
Um mundo.
A metade da metade do preço das lojas.
Assim me perco e atafulho gavetas com todas as cores e todas as variedades de materiais.


Praia de Espinho.
Esta cidade a 20 Km ao sul do Porto, realiza, à segunda-feira, a maior feira de todo o país.
Começa às 7 e termina às 19 horas.
Estive lá esta tarde, uma tarde de ventania feroz que expulsou os banhistas da praia e os transferiu para a feira.
Uma multidão enlouquecida que impedia a passagem, empurrava, negociava preços aos gritos...Até fiquei com dores de cabeça!
Prefiro o sossego de Vª Nª de Cerveira
Apesar de tudo, ainda comprei 10 novelos de lã, porque resisto a tudo, menos às tentações.

Beijo,
Nina



domingo, 24 de julho de 2011

Torre dos Clérigos

Embora possa parecer inacreditável, eu, que nasci e cresci no Porto, nunca tinha entrado na igreja e muito menos subido ao alto da torre, que é o ex-libris da cidade.

Fi-lo ontem.

Fiquei a saber que é a torre mais alta de Portugal, com 6 andares e 225 degraus, que se desenrolam por uma escada de degraus íngremes , apertados entre paredes que, entre si, não distam mais de 50 cm.
Com pessoas a subir e a descer pelo mesmo percurso, a dificuldade da coisa não é pequena, não senhor.
Cheguei ao meu destino, ao topo, a arfar e a transpirar de cansaço e aflição, mas cheguei.

Como informação complementar, registei que mede 76 metros de altura, tendo sido iniciada em 1754 e concluída em 1763, sob a direção do arquiteto italiano Nicolau Nasoni.

Ei-la, em todo o seu esplendor!

Em seu redor, cruzam-se ruelas estreitas, com um casario quase medieval.


Esta é a Rua dos Clérigos que, antes da multiplicação dos modernos Shoppings foi uma artéria comercial importante.
Desce até à Avenida dos Aliados, a sala de visitas da cidade, onde se situa a Câmara Municipal. 


Da Igreja dos Clérigos, avista-se a de Santo Ildefonso, revestida parcialmente com azulejos, situado no ponto mais alto da Rua 31 de Janeiro.

As árvores marcam o início da Avenida dos Aliados.

Subindo a torre, diversas aberturas gradeadas permitem este tipo de perspetiva.

Em primeiro plano, edifícios antigos e, mais ao longe, uma das zonas modernas da cidade.

O Douro dividindo as duas cidades vizinhas: o Porto e Vila Nova de Gaia, mais  ao longe.
Se não pretendesse mostrar este cantinho da minha cidade ( a mais maravilhosa do universo ...), continuaria, ignorante, distraída, a adiar a aventura que descrevi.

Cruzei-me com uma multidão de visitantes.
Eu era a única portuguesa!
Imperdoável!

Beijos,
Nina





sexta-feira, 22 de julho de 2011

INSTANTES

Se pudesse viver novamente a minha vida,
Na próxima, trataria de cometer mais erros ...
Não tentaria ser tão perfeito e relaxar-me-ia mais.
Seria mais tonto do que fui e, de facto, levaria poucas coisas a sério.
Seria menos higiénico.
Correria mais riscos, faria mais viagens, contemplaria mais  entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria em mais rios.
Iria a lugares onde nunca fui, comeria mais gelados e menos favas, teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e proficuamente  cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar atrás, trataria de ter somente bons momentos.Porque, se não o sabem, a vida é feita disso, só de momentos; não desperdices os momentos.
Eu era um desses seres que nunca ia a nenhuma parte sem um termómetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um para-quedas; se pudesse voltar a viver, viajaria mais leve.
Se pudesse voltar a viver, começaria andar descalço no princípio da Primavera e assim continuaria até se acabar o Outono.
Daria mais voltas no carrocel, contemplaria mais amanheceres e brincaria mais com crianças, se tivesse outra vez a vida por diante.
Mas, já vêem, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

Jorge Luís Borges


("Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires24 de agosto de 1899 — Genebra14 de junho de1986) foi um escritorpoetatradutorcrítico literário e ensaísta argentino.
Em 1914 sua família se mudou para Suíça, onde ele estudou e viajou para a Espanha. Em seu retorno à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentinae professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prêmio internacional de editores, o Prêmio Formentor.")

Porque será que, só aos 85 anos, quando "... sé que me estoy muriendo ..."o escritor escreveu este texto?
Será que não aprendemos nada, nunca, e só tomamos consciência de que " a vida é feita de nadas...", quando já é demasiado tarde?
Os praticantes de ioga garantem que a consciência do efêmero é a sua maior conquista.
Por favor, aproveitem o fim de semana e sejam muito felizes.
Beijos,
Nina

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ó p'ra mim ...

... a contornar a neura provocada por este tempo doido, de ventanias inclementes e cinzentas névoas!

Fui aos saldos, aqui mesmo, no Shopping Cidade do Porto.
Comprei lindo, bem, bom e barato!

Há lá compra mais atual que um vestido em cor nude?
Não há!
E combinando texturas diferentes no corpo e na saia?
Perfeitamente irresistível, assentando como uma luva e dando um ar super atual.
Simplesmente, adorável.
As meninas que aprovarem, passem pela Zara.
Outros exemplares estão lá esperando ( por enquanto...)

E esta blusa assimétrica, mais comprida atrás, de manga a 3/4, numa seda pesada, estampada com citrinos?
Acho liiiiinda!

Para terminar, uma echarpe em linho muito fino, matizada em tons de azul, garante um acabamento perfeito para um look em jeans ou branco.

O total ? 70% do preço normal!

Sem vento, sem neblina, sem neura!

Beijos,
Nina


terça-feira, 19 de julho de 2011

Manhã de Julho ardente ...

O poema que transcrevo, de Guerra Junqueiro, começa com o verso:

"Manhã de Junho ardente ...."

Veio-me à ideia, quando, hoje, em pleno Julho, plena época de férias, o cenário, uma vez mais, era de densa e húmida neblina que, nos últimos dias, tem alternado com gélida e feroz nortada.
No tempo em que o poeta escreveu esta bela composição, Junho era um mês ardente.


A Lágrima


Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,
Sêca, deserta e nua, à beira d'uma estrada.

Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.

Sôbre uma folha hostil duma figueira brava,
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,

A aurora desprendeu, compassiva e divina,
Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.

Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,
De perto era um diamante e de longe uma estrêla.

Passa um rei com o seu cortejo de espavento,
Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.

- "No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,
Há safiras sem conta e brilhantes sem par,

"Há rubins orientais, sangrentos e doirados,
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados.

"Há pérolas que são gotas de mágua imensa,
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.

"Pois, brilhantes, rubins e pérolas de Ofir,
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir

"Nesta c'roa orgulhosa, olímpica, suprema,
Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!"

E a lágrima deleste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,
Passa no seu ginete um cavaleiro andante.

E o cavaleiro diz à lágrima irisada:
"Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!
"Far-te hei relampejar, de vitória em vitória,
Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!

"E à volta há-de guardar-te a minha noiva, ó astro,
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro.

"E assim alumiarás com teu vivo esplendor
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.

Montado numa mula escura, de caminho,
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.

Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d'oiro.

E o velhinho andrajoso e magro como um junco,
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,

Vendo a estrêla, exclamou: "Oh Deus, que maravilha!
Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!

"Com meu oiro em montão podiam-se comprar
Os impérios dos reis e os navios do mar,

"E por esse diamante esplêndido trocara
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,
Já ressequido, disse à lágrima celeste:

"A terra onde o lilaz e a balsamina medra
Para mim teve sempre um coração de pedra.

"Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.

"Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,
Ouvi trinar, gorgear a música dos ninhos.

"Nunca junto de mim ranchos de namoradas
Debandaram, cantando, em noites estreladas...

"Voa a ave no azul e passa longe o amor,
Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!...

"Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d'água,
Cai na desolação desta infinita mágoa!"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Tremeu, tremeu, tremeu... e caíu silenciosa!...

E algum tempo depois o triste cardo exangue,
Reverdecendo, dava uma flor côr de sangue,

Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito,
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito...

E ao cálix virginal da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!...




Uma  fina cortina cinza estende-se até à linha do horizonte ...

A anémona, no seu habitat natural, literalmente falando.

A praia em todo o seu esplendor.




A escola de surf mantem o programa

Imperturbável!

Um dos lagos do Parque da cidade estende-se até à praia.
Dir-se-ia que a melancolia atingiu os patos....


Na praia, grupos de crianças dos colégios em férias, meio vestidas, cumprem o horário.

Sob a vigilância das educadoras, essas, sim, vestidas

Contra a nortada, as típicas barracas das praias do norte.

Alguns destemidos....

Esplanadas quase desertas.

A criançada imune ao frio ...



O sistema de rega automática, adensa ainda mais o nevoeiro.

E assim decorre Julho "ardente"
Um desconsolo.

Beijos,
Nina