terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rendas


Agora, com este calor infernal que ameaça a nossa floresta, repesquei esta publicação de há vários anos ...



Sempre que à floresta são dadas as condições de desenvolvimento sustentado, ela retribui-nos assim, com um entrelaçado rendado verde, onde dança a luz filtrada do sol e o pensamento voa, se liberta nesta casulo verde, sem paredes nem portas, mas que, mesmo assim nos envolve, nos encerra no seu puro ventre verde.
Quem assim fala, escolhe a praia, os ardores do sol, a impertinência da areia, o vento salgado, o choque térmico das águas marinhas.
Contudo, sempre que me é dado mergulhar neste universo verde, os sentidos aguçam-se, a pele arrepia-se perante o intocável, imaterial, mundo verde, mágico e dominador.
A natureza está aí, pródiga, benevolente, pronta a dar, a criar e recriar com toda a imensa força da sua simplicidade.





Com toda a arrogância do meu minúsculo poder criativo, permito-me afirmar que o meu crochet roubou a forma a e a cor a um pedaço da floresta.
Permitam-me, portanto, que, em bicos de pés, assegure que esta renda é um produto do verde absoluto desta floresta.
No final será uma almofada.
Uma almofada florestal.
É comparar a formiga com o universo, eu sei, mas este é todo o  poder representativo de que disponho.


Beijo,
Nina

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Na Alemanha, na rua ...

Gosto muito da Alemanha como país, das condições de vida que oferece aos seus cidadãos, do seu respeito pela natureza, pelos seus imensos espaços verdes, pela fiabilidade da Miele e da BMW, entre muitos outros aspetos.
Não quer isso dizer que não tenha uma enorme pedra no sapato quando penso noutros detalhes, que vou, por agora, esquecer.
Vou frequentemente à Alemanha e, para minha vergonha, não falo alemão ( ou falo tão mal que é como se não falasse ...) e eles, muito queridos, que falam inglês como segunda língua, recusam-se, frequentemente a fazê-lo, principalmente nas cidades do Norte, o que cria um clima de alguma tensão.
Ultrapasso tudo isso, quando vejo os seus mercados de rua, coloridos, apetitosos, irresistíveis.





Os preços, não são exorbitantes se comparados com os nossos e a oferta é magnífica.
No que diz respeito às flores, são apresentadas como um bem imprescindível, como se de couves ou tomates se tratassem e, por isso, são vendidas aos molhos e assim carregadas para casa.
Acho que tal atitude define um povo.
 A beleza natural não é supérfula, mas essencial no dia a dia.
Porém, o meu lado maquiavélico não pode deixar de referir que esta postura se encontra absolutamente excluída da forma como a maioria das mulheres alemãs desfila a sua feminilidade:
-- Um desastre!
Já sei que não se pode ter tudo, mas um bocadinho de cuidado "às vezes cai bem"!
Cito como exemplo as sandálias alemãs, que são, apenas, os sapatos mais feios do mundo , ostentando os seus proprietários, como cereja em cima do bolo, um par de meias de felpo nas mais diversas tonalidades.
Só visto!
Beijos,
Nina

sábado, 6 de agosto de 2011

Flores do campo.

São, na sua simplicidade, mais importantes que os mais empolgados discursos a favor da defesa da natureza.
Não é possível ser indiferente a toda a sua imensamente simples beleza .
Entre um artístico e sofisticado ramo de exóticas e manipuladas flores e estas, qual escolher?
Difícil a resposta, pressinto.












Cesário Verde, poeta que particularmente me toca, escreveu o poema que junto, no qual, um ramo de papoilas, assume um simbolismo carregado de erotismo, não inibido pela natureza singela destas flores ... do campo.



DE TARDE

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampamos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Deste poeta, apresentarei outros trabalhos de inquestionável atualidade, que vestem como luvas, temas de hoje e de sempre.

Beijos,
Nina


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vi em montras,

... na rua, peças caras, caríssimas , e gostava de as copiar.



A mala é espantosamente elegante.
Alguém se atreve a reproduzi-la?
E a dar-me umas dicas?
Deve ser desafio super acessível para muitas das meninas.
A essas deixo o desafio!

Esta blusa é maravilhosa!
Não me parece tão inacessível como a mala, mas, mesmo assim, não será para principiantes.
As cores outonais, para a estação que se avizinha, são, na minha opinião, divinas, mas nada impede que sejam alteradas.
A quem matar a charada, dedicarei eterna devoção e gratidão.

Beijos,
Nina

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Foram cardos, foram prosas...


Com a melodia no ouvido e o desejo  de iniciar um trabalho em ponto de cruz, "tão relaxante, tão gratificante ...", bati de frente com este esquema e a empolgação foi imediata, tal como o foi o desastre absoluto que a seu tempo tornei público.



As meninas entendidas, verdadeiras experts, deram-me dicas, avançaram com sugestões que, no fundo, se resumiam a aconselhar-me a voar mais baixo.


Encontrei, então, este esquema, que se adequa ao espaço a que se destina e, acima de tudo, à minha perícia, ou falta dela.


Encontra-se nesta fase e constitui a minha segunda frente de batalha que, com já referi, se desdobra em três, para já, atendendo a que moderação  "é uma cena
 que não me assiste" (perdão, não resisti ao plágio)

Deixo o poema de Ricardo Soler que, não sei porquê, me ficou no ouvido. Acho as palavras com uma envolvência bucólica e eu gosto do campo.
Só pode ser por isso.

Foram Cardos Foram Prosas

Ricardo Soler

Há luz sem lume aceso
Mas sem amar o calor
À flor de um fogo preso
À luz do meu claro amor
Há madressilvas aos pés
E águas lavam o rosto
A morte é uma maré
Olho o teu amado corpo
Será sempre a subir
Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
Não foram poemas nem rosas
Que colheste no meu colo
Foram cardos foram prosas
Arrancados do meu solo
Será sempre a subir
Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
Beijos,
Nina

domingo, 31 de julho de 2011

Quadrados de crochet.

Nos saldos do Corte Inglês, em Vigo, os meus preferidos, comprei um monte novelos de lã, nas mais diversas e alegres cores, em quantidades pequenas, com a intenção de realizar mais uma manta de lã, inspirada pela Deise , cujo talento, juntamente com o de tantas outras meninas, me inspira.
No caso concreto, é justamente obrigatório que mencione o nome dela, uma artista inspirada, perfeccionista  em cada detalhe e uma pessoa absolutamente inspiradora.
Obrigada por tudo, Deise.

Cá estão, então, os meus quadradinhos ( ou squares, se preferirem...), numa fase incipiente, que pretendo ligar com uma cor invulgar, que, a seu tempo, apresentarei.






Intervalo este trabalho com mais dois, eu, que sempre tive dificuldade em trabalhar deste modo, estou a achar divertido, a desfrutar o prazer de cada avanço.
A conclusão será mais demorada, mas o importante, dizem, é a viagem, não o destino.

Beijo,
Nina

sábado, 30 de julho de 2011

Laranja ...


Menos agressiva que o vermelho, mais vibrante que o amarelo é, decididamente, a cor do verão.

Ainda na MARIE FRANCE foram oferecidas estas propostas que, em conjunto, ou combinando com tonalidades mais sóbrias, darão um brilho especialíssimo a quem as adotar.
Eu gosto, gosto muito, de cada uma em particular, ou num jogo de mil combinações possíveis.
É, definitivamente, uma questão de atitude, que arrasa qualquer vestígio de nostalgia



Ousem, ousem usar!
Beijos,
Nina