segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Meu querido mês de Agosto


Para muitos o mais querido dos meses, mas para mim, não. Desagrada-me o calendário das férias fixas, da obrigatoriedade do descanso, do engodo que é esse descanso, do trânsito enlouquecido, da gente, da gente, da gente.

Este ano, por uns dias, afastei-me para local improvável, que afinal não o foi, ou não foi tanto como previra. Ainda assim melhor que o Algarve.
 Desse destino havemos de falar.

Hoje, bem fresca na memória, trago a inesperada descoberta do último sábado, uma praia a norte, perto de Viana do Castelo, até então desconhecida.


Foz do Neiva ...
 Assim se chama.
Meio rural, rodeada por campos e habitada também por pescadores.
Gente, muito pouca.


O dia estava calmo e o mar também.
Uma enorme bacia rodeada por areia branca .

A costa defendida por pedregulhos deixa adivinhar momentos de fúria deste mar que repentinamente se transfigura


Da praia subia um forte cheirinho a mar . Era o sargaço que secava na areia.

Calcorreei, destemida, este paredão.
 Até ao seu término, que o vento era mera brisa e o mar um lago

Aqui, sem areia, sobre as pedras, uns quantos adoradores do sol


Se tivessem preferido cama fofa, era só andar uns metros e areia branca não faltaria.

Na vila, uns quantos restaurantes sugerem peixe fresco e almoços prolongados.
Qualquer dia volto.

Beijo
Nina

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Aqui ao lado...

Basta fugir um pouco, rumando ao interior e afastamo-nos do mar, do nevoeiro e da nortada.
Aqui está calor de verdade.
Em Salamanca, 33 graus.
Logo volto a casa, ao litoral, ao nevoeiro, ao meu mundo.




Ao fundo a bela catedral.

Beijo
Nina

domingo, 4 de agosto de 2019

Em modo férias ...

Embora ainda em casa, vivo já em modo férias.
Aliás, ficar em casa no mês de Agosto é bastante apelativo face às multidões que se enfrentam onde quer que se vá.
No sábado, por exemplo, foi impossível entrar em Vila Nova de Cerveira, donde nem sequer me aproximei, dada a longuíssima fila de trânsito. Acabei por me instalar nas margens do rio Minho e garanto que foi muito bom.
Lá fui fotografada ...


Apanhada em flagrante vestindo a saia que foi vestido e que já mostrara AQUI!

Confesso-me feliz com a transformação porque esta veio provar que o dever de reaproveitar e controlar o desperdício é realmente possível. Além disso, gosto do resultado.

Pressinto que mais transformações surgirão em breve.

Bom domingo.

Beijo
Nina

domingo, 28 de julho de 2019

Nada como arriscar!

Volto a referir-me à costura, concretamente, às ousadas intervenções que arrisco, cada vez mais destemida.
Uma vez mais confirmo que a sorte protege os audazes , já que em todas as açcões existe um potencial de risco - nada nesta vida  é 100% seguro. Muito menos o é no mundo da costura quando quem a pratica toca de ouvido, sem qualquer formção e quase nula experiência.
Tendo presente que - sempre que empunho afiada tesoura - existe elevada probabilidade que o desastre ocorra, é do mais gratificante possível concluir que o risco valeu a pena.
E assim, asneirando algumas vezes e tendo sucesso noutras, prossigo numa atividade imensamente compensadora - costurar é no que de mais relaxante se pode investir. Depois, reaproveitar e reutilizar  são atitudes que cresceram comigo, que fizeram parte da minha formação e educação - sempre tive uma costureira por perto. Pena que a(s) tenha tomado como garantida(s) sem me precaver na aprendizagem da arte. Nesta fase do campeonato, quando a tarefa excede a minha capacidade,  com arrependimento,  ocorro ao Shopping, a uma das lojas que consertam roupas.
Sinto, porém que já fui mais incapaz do que sou hoje!

Vem esta introdução a propósito do vestido impróprio para consumo, uma desgraça sem forma nem corte, um susto impraticável, do qual já falara AQUI.


Este!
 Um quase tubo sem corte, com um decote impossível que dele fazia uma impossibilidade.
Só se aproveitava o material, uma espécie de malha em croché, numa feliz combinação em azul marinho e branco. A franja na bainha era também do meu agrado.

Numa inesperada inspiração, descobri que poderia transformá-lo em saia. Bastava cortar abaixo do decote, aplicar repetido zig-zag para que a malha não esfiapasse, rematar, dobrar , coser e aí introduzir um elástico ajustado à cintura.


Já está!
Vou combinar com camisa, blusa ou t-shirt brancas, com ou sem cinto, ufana da obra conseguida.

Quando vestir, fotografo e mostro, feliz e contente por ter resgatado com sucesso o que não passaria de um mono mais no meu armário.
Acrescento que tenho assistido a imensos vídeos sobre costura que , se não me tornam exímia costureira, me incentivam a continuar, desbravando mundos até há pouco insondáveis,

Boa semana!

Beijo
Nina




sexta-feira, 26 de julho de 2019

Pronto!



Ontem, conforme tínhamos combinado ( eu e eu) pus mãos à obra e tratei de cortar os punhos e encurtar as mangas do vestido de linho. É que aquilo não era nem Verão nem Inverno. Era uma impossibilidade que me manietava movimentos, me incomodava, fazia calor, era impróprio para o frio e que, inconscientemente excluía, apesar de gostar imenso de branco e bege e de me sentir imensamente confortável com linho.

É sempre uma aventura quando decido cortar e coser. Primeiro tenho medo, um medo terrível de estragar tudo. Depois, sentindo-me desafiada, avanço de peito feito e tesoura em punho. Afinal, se correr mal não morre ninguém, não é?

Correu bem!
Hoje já vesti o dito cujo que jazia num canto do armário.


Cortei as mangas ao nível do cotovelo, dobrei uma vez e outra vez, medindo sempre, como é suposto.

Ficou bom! Mais que bom. E posso encurtar as mangas, dobrando-as.
Genial!

Toda, todinha de bege - menos as unhas!


Confortável!
Neste momento amassada e amarrotada que é como se comporta o linho. Ainda assim, gosto.

Gosto!
Essencialmente da possibilidade de redimir de resgatar o que estava condenado às traças.

Aliás, o que eu pretendo quando suspiro por competência na costura, é apenas isto, a capacidade de intervir em coisas pequenas. Nunca me passou pela cabeça a possibilidade de fazer casacos.
Esses, compro feitos, prontos, bem cortados, primorosamente confeccionados por mãos capazes.
O que eu pretendo é ser capaz de intervir a este nível, o nível dos arranjos, das recuperações, dos pijamas, dos aventais, das transformações em geral.
O resto, repito, escolho e compro prontinho a vestir.
Acrescento que consegui ainda subir a bainha das calças roxas. Ficaram um primor. Segue-se o vestido de malha com franja - morro de medo de espatifar aquilo tudo. Veremos.

Beijo
Nina

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Há que reagir!


Dizem que somos - seres humanos -  capazes de grande poder de adaptação, para o bem e para o mal. É uma questão de sobrevivência da espécie. Mesmo quando tudo parece de tal modo triste que apetece desistir, vamos buscar forças não sei onde e acabamos por reagir. 
Incluo-me nesse número, daqueles que, felizmente,  reagem.

Depois de um triste desabafo, sigo em frente como tem que ser. Invisto em coisas pequeninas, sem grande importância, mas exigentes face às minhas competências. Falo de costura. Não sei costurar. Já tentei. Tive até algumas aulas. Sem êxito.
Ainda assim, arrisco e o que para alguém habilitado não passam de tarefas simples, para mim são desafios.

Desta semana não passa. 
Serão concluídas as tarefas que me aguardam há semanas.
Estas:

Comprei online este vestido.
 Azul e branco, em croché.
Quando o vesti foi dececionante - um saco informe com um decote até ao umbigo.
Horrível!



Acontece que a ideia é gira!
As cores, a textura e a franja  na bainha.
Achei que tinha possibilidades e por isso não o devolvi.

Depois de muitas experiências - com um top por baixo, uma camisa por cima, um cinto largo, um cinto fino - continuei a achá-lo imprestável. Mas, reafirmo, gosto da ideia em si.
Descobri que a salvação será cortá-lo e transformá-lo em saia. Vou arriscar. Sem medo. E se correr bem, mostro! Se correr mal, não terei perdido nada.

Segunda tarefa - esta , até para mim, fácil:


Subir a bainha destas calças.

Não são novas e usei-as com sandálias de salto alto.
Agora pretendo vesti-las com chinelos, coisa ligeira para a praia.
Aqui vou sair-me bem, de certeza.

Terceira tarefa:


A este vestido de linho pretendo encurtar as mangas

... retirando este punho que só atrapalha - não é carne nem peixe, ficando ali por altura do cotovelo a tolher-me os movimentos.

Um dos punhos já foi à vida.
Falta marcar a altura certa nas duas mangas e tratar da bainha.

São projetos. Projetos pobres, mas projetos. Porque não há situação pior do que perder a vontade. Ficar vazia de querer.
Acontece-me e não gosto.
Dou-me um tempo de tristeza e depois estrucho e reajo.

Beijo
Nina

terça-feira, 23 de julho de 2019

Rosas

A maldição dos incêndios mais do que me perturbar, fere-me profundamente, rouba-me a esperança, desalenta-me, suga-me a energia, o instinto vital. Dá cabo de mim.
O circo montado pelos media é repugnante .
A intervenção dos políticos agonia-me, enoja-me.
Sinto-me envelhecer, porque perco a esperança.
Ouvi dizer que esse é o sinal, o sinal primeiro de que a alma envelhece.

Reagindo ao profundo cansaço invento interesses, distrações, procuro desanuviar.
Abro livros. Compro livros. Tento ler.
Faço pausas.
Saio.
Cheiro rosas.
Apanho rosas onde os sentidos se prendem.
E a angústia amolece, adormece.
Por momentos.