sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Rei Azul

Li algures que, em situações de crise como a que atualmente vivemos, as pessoas procuram alegrar o seu quotidiano com detalhes frívolos, desde que não dispendiosos, e esses passam pela adoção de cores berrantes.

A primeira vez que vi unhas pintadas em tons de azul, verde, amarelo e outras tonalidades inesperadas, pareceu-me o cúmulo do mau gosto, um absurdo só desculpável em correntes hippies,  em jovens inconsequentes, ou, finalmente, em pessoas de declarado mau gosto, cegas perante a ditadura da moda, capazes de enrolarem um gato à volta do pescoço ( pobre gato...) ou dependurarem pimentos e nabos nas orelhas.

Pareceu-me, até ao momento em que pintei as unhas num azul forte, cor de "Azulejo português) e gostei muito!
Como é mesmo o ditado popular?
Nunca digas desta água não beberei!!!
Terá sido a força da repetição a que não fui imune?
Não sei.
Sei que até já me aventurei num amarelo canário que empresta aos meus pés o deplorável look de cadáver, que pretendo, o mais possível , a todo o custo, evitar.

Lembro, pois li sobre o assunto, que no decorrer da II Guerra Mundial, quando tudo faltava, as jovens inglesas riscavam a parte traseira das pernas com uma linha preta, desenhada a lápis, simulando as então inexistentes meias com costura.
E ficavam mais felizes, mais seguras, mais sedutoras, menos vítimas da guerra.

Admitamos, não somos imunes ao que observamos nos olhos de quem nos olha.
Mais, não somos imunes à imagem que o espelho nos devolve.

Por isso, falemos do Rei Azul.

Revista Marie Claire
As fotos de manequins correspondem a imagens de passagens de modelo XPTO, inacessíveis para o comum dos mortais.
Inspiradas nelas, surgem peças que, a preços , digamos, mais acessíveis, reproduzem o look.

Um conjunto de pulseiras nesta cor podem ser  obtidas a preços razoáveis, permitindo que um dia tristonho se ilumine.
Sandálias neste tom transformam os jeans mais acessíveis, num conjunto glamouroso... então se conjugados com uma bolsa, nem se fala.
Quanto aos óculos, no seu design retro, no mais puro estilo aviador, emprestam um ar super moderno a quem os adotar.
Para o inverno europeu, os mocassins de salto alto, são irresistíveis.


E todas estas sugestões surgem , porque o tempo, que parecia querer melhorar, mudou de ideias e, neste momento, ao longe, ouvem-se trovões dispersos.

Eu sei, já o disse e não desminto, eu adoro as estações do ano, mas, por favor, quando estou na praia, se houver um solinho, agradeço. 


Beijos,
Nina

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mas que Agosto é este?


Ontem, Agosto despediu-se com um pôr-do-sol que não anunciava nada de bom, confirmando as previsões da meteorologia.

 Hoje, 1 de Setembro, mês de todas as moderações, da suavidade das temperaturas, dos ventos amenos, das estadias preguiçosas em esplanadas viradas ao mar, dos entardeceres rosados, do conforto cálido que a casa já oferece, o dia nasceu assim, cinza, carrancudo, com pavimentos encharcados pela chuva que toda a noite caiu, exalando um arzinho cortante que demanda agasalho.


Tão decepcionante que me deixa zangada.
Peço, de volta, os Setembros do meu contentamento.

Beijos,
Nina

P.S.


Neste momento, o céu desaba!
Adeus, Verão !?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Depois de férias ...

... quando chego a casa, venho inquieta, ansiosa, numa ansiedade silenciosa, só minha.
Que irei encontrar?
Como estarão os meus bebés?
Refiro-me às minhas plantinhas que, no terraço, dispõem de um sistema de de rega gota-a-gota que, até ao momento se tem revelado muito eficaz.
Mas nunca se sabe ... Uma intempérie, um pássaro, o vento, a chuva ou a falta dela podem terr deslocado os tubinhos de rega ... que sei eu?
Cuidados de mãe que imaginam o pior.

Entrei.
Dentro de casa, tudo estava bem, regadinho, viçoso, verdinho, lindo.
Encarregada do interior, ficara a minha jardineira privativa, uma menina cuidadosa que nunca me deixa ficar mal.

As varandas, condenadas a remodelação total no outono que se aproxima, estavam com o Deus manda, a concluir um ciclo de vida.

E o terraço, meu Deus, com as macieiras e as figueiras, como estaria?
Com o coração apertado abri as persianas e a luz que invadiu a sala iluminou igualmente o meu coração.

Maçãs lindas, coloridas, perfumadas, prontas a ser colhidas:



... de duas qualidades distintas, ambas deliciosas.

Algumas haviam caído devido ao grau de amadurecimento e sujeitas ao próprio peso.
 Mas, mesmo assim, apanhei quilos.
Repousam agora numa bancada da cozinha perfumando toda a casa com o mais inebriante dos perfumes.

Numa das árvores ficaram ainda algumas a fim de completarem o crescimento e amadurecimento.

Neste cubo de barro, cresce a que mais frutos produziu, o que prova que, em qualquer cantinho, se pode plantar uma estaca e esperar, esperar com muita paciência.


Quanto à figueira encontra-se recoberta por figos .
Atingiram o tamanho normal.
Pena que ainda estejam verdes.
A natureza decide, nunca eu.

É ou não é uma atividade apaixonante a jardinagem?

Beijo Nina

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Estrasburgo, parlamento europeu


No nordeste de França, quase na fronteira com a Alemanha, fica a lindíssima cidade de Estrasburgo, onde se localiza o Parlamento Europeu, responsável pelas leis que regem a comunidade europeia.
Embora não fosse a minha primeira visita a esta maravilhosa cidade, nunca antes, observara os modernos edifícios que o constituem e que são assim:



...com todas as bandeiras dos países que compõem a União Europeia hasteadas.

Esculturas carregadas de simbolismo ornamentam o espaço exterior.






Visão mais alargada do conjunto, podendo observar-se, em frente, blocos de apartamentos presumivelmente ocupados pelo pessoal que aqui trabalha.
É possível, dentro de certo horário, realizar uma visita ao interior, o que infelizmente não fiz.
Oxalá estas imagens lhes agucem a curiosidade e realizem uma visita mais completa que a minha.

Beijos
Nina



domingo, 28 de agosto de 2011

BRUCE WILLIS



Eu sei que o nome provoca controvérsia, sempre que à memória nos acode um troglodita imune a balas, explosões e facadas, que, quase de mãos nuas, extermina os maus, provocando enxurradas de sangue e ossos partidos, capaz de escalar vertiginosos arranha-céus, escapulir do inferno das chamas mais vorazes, apenas, muito levemente chamuscado.
Eu sei tudo isso e também me cansam as peripécias inverosímeis e bacocas.

Mas, acontece que eu conheço outro lado da figura...
Um lado suave, comedido, terno, até.
Encontrei-o no  "The sixth sense", um filme de 1999, nomeado para seis óscares.
Lembram-se dele, do Sexto-sentido?
A história de um menino, Cole Sear, interpretado pelo genial Haley Joel Osment, que falava com espíritos, atividade que o aterrorizava.
Bruce Willis era um psicólogo infantil que tentava atenuar o tormento da criança, aconselhando-a a não recear os mortos e, até, a interagir com eles.
Ao aproximar-se o final do filme, surge a terrível revelação:
A criança falava com um psicólogo, também ele já morto, que se movimentava entre os vivos, inconsciente do seu estado.

Mas, a que vem este rewind temporal?

Numa quente tarde de um domingo em Dresden, na zona nobre da cidade, junto ao Castelo Residencial, sobranceiro ao rio Elba, sob uma cobertura compacta de copas de árvores, passeavam estas figuras, deslocadas do seu tempo, sem consciência dos olhares curiosos de visitantes do século XXI, mergulhados em diálogos inaudíveis, com olhos e acenos, apenas, para os seus iguais:














Ainda hoje, acalmada que foi a minha inicial excitação, perduram no meu espírito ténues résteas de dúvida sobre a natureza destas personagens que tão majestosamente me ignoraram.
Talvez não me vissem.
Talvez esperassem apenas por Bruce Willis.

Beijos,
Nina

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vejam como é linda ...

... única, espetacular, maravilhosa, diferente, a minha cidade:

Porto

Assistam ao vídeo e deleitem-se!

Beijos,
Nina






quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Dresden

É uma cidade situada no nordeste da Alemanha, que impressiona, pela majestade dos seus monumentos, pelas pinceladas próprias que, em cada recanto, espreitam, pela marca da ocupação soviética, pela modernidade pulsátil, pelo charme do antigamente, tudo misturado, numa sopa requintadíssima, única, inesquecível.

Passei lá cinco dias, no início de Agosto.

O tempo não foi simpático.
De dia, um calor abafado, subitamente interrompido por fortes quedas de chuva.
À noite, a temperatura descia vertiginosamente e um vento polar afastava das ruas os transeuntes.

Assim mesmo, os olhos encheram-se de beleza e é essa beleza que perdura na memória.

Enquanto que nas grandes cidades se faz o City Tour a bordo de um veículo motorizado, aqui não!
Aqui, uma parelha de cavalos puxa uma carroça de dois andares onde se instalam os turistas.
Na frontaria de um edifício, um mosaico testemunha a memória da divisão da Alemanha do pós-guerra, quando, ocupada pela União Soviética, a ideologia no poder, ostentava os seus símbolos e os seus princípios, também na arquitetura.

Majestosa, maravilhosa, a Frauenkirche ocupa toda uma praça.
Em seu redor, minúsculos, os turistas gravitam seduzidos pela sua beleza.

Os restaurantes antigos são assim, meticulosos nos pormenores, requintados no serviço.

E a comida é divina!


Nas ruelas antigas, vedadas ao tráfego, obras de arte de carne e osso atraem a atenção e os euros dos turistas.

Em cada ângulo, uma surpresa, um pormenor inesperado, como o arco que suporta uma espécie de ponte, que afinal, é uma rua.
A mitologia clássica, perfeitíssima, adorna o interior do Zwinger,  palácio barroco do século XVIII, um dos pontos fortes da visita a Dresden.
Atualmente, o edifício abriga quatro museus.
Foi severamente danificado pelos bombardeamentos dos aliados durante a 2ª Guerra Mundial.
O Zwinger tem a forma geométrica de um quadrado, desocupado no centro, onde se situa uma fonte, exuberante na sua decoração:
O Banho das Ninfas, é o seu nome.

Vista de conjunto de uma das paredes laterais

Grande plano de uma das ninfas

Nas margens do Elba, o rio que atravessa a cidade, têm lugar, ao fim de semana, concertos com bandas  nacionais.
O entusiasmo é enorme e multidões ocupam os relvados das margens do rio, quando não acedem ao local preparado para o espetáculo.
Estes são os meninos que garantem a segurança ... uma graça!

Faço questão de, ao visitar uma cidade, não me limitar aos monumentos e museus, mesmo quando, a cidade é Dresden, conhecida como Florença do Norte.
Gosto de sentir a cidade, misturando-me, anónima , com os seus habitantes, em restaurantes que não privilegiem os turistas, em jardins onde se apanha sol na relva, nos mercados onde assisto às compras e imagino os cozinhados.

Foi assim, em Dresden.

Beijos,
Nina