domingo, 4 de março de 2012

A cabeça das mulheres ...

... é, está cientificamente provado, diferente da dos homens! Diferente, para melhor, desculpem e perdoem a franqueza, os meus amigos queridos.
Fazemos mais e melhor, indiscutivelmente.
Posso prová-lo, todos os dias, aqui em casa. Posso! Sem entrar em detalhes, repito, posso prová-lo!
Então, hoje, tarde de domingo, que dedico em grande parte à costura, foi intercalada com ações no âmbito da culinária que deixariam qualquer varão às aranhas.
Fiz o almoço (risoto de camarão), o almoço para amanhã (sopa de legumes e lasanha de pescada) e uma sobremesa nova, Tarte de cenoura com doce de chila.
Foi tal o movimento, que lavei três máquinas de louça, de modo a manter a cozinha impecável.

Enquanto a tarte assava, fui costurar.
E é aí que reside a tal grande diferença, isto é, tocar vários instrumentos ao mesmo tempo.

Tenho presente, bem presente, a minha imagem com um bebé nos braços, preparando o almoço e vigiando o mais velho. Tudo ao mesmo tempo!
Não que esta capacidade transforme os homens em seres preguiçosos e lentos, não, nunca o afirmaria, mas, seguramente, faz deles pessoas diferentes de nós mulheres.
Somos mais rápidas e mais eficazes, atrevo-me a opinar:
Então, como estava dizendo, enquanto a tarte assava, conclui a almofada que vou oferecer, deliciada , a uma amiga querida:

Para além do resultado final me agradar plenamente,

... consegui o que me parecia impossível:
Costurar o ziper!

Foi uma vitória e tanto.
Só eu sei quantas vezes já cosi e descosi os abençoados fechos. O que é certo é que desta vez, consegui, de uma forma que me parece muito aceitável.
Esta é a parte de trás da almofada, toda ela borboletas.
Aposto, atrevo-me a apostar, que a minha amiga aprovará.

Além da almofada, removi o forro que aplicara na bolsa de tricô, cujo efeito final não me agradava, por este xadrezinho em tons de azul e cinza.
Agora, sim, agora, gosto!

Esperando que a introdução a este post não desencadeie tormentas, vou fazer o jantar, retirar a louça da máquina e continuar a responder aos comentários que recebi.
Privilégio feminino...

Beijos
Nina

sábado, 3 de março de 2012

Finalmente ...

... caiu alguma chuva. Ainda escassa para a seca que se prolonga há quase dois meses, mas, enfim, choveu!

Frio não está e, por isso, optei por vestir uma saia de couro que habita há anos no meu armário.
A surpresa muito querida foi verificar que  a dita está larguíssima  descaindo da cintura par o nível da anca.
É tão bom quando se comprova que a disciplina e um novo estilo de vida funcionam!
Preciso agora descobrir um local onde me apertem a saia que, usada assim, fica desconfortável.
Usei-a com um blusão também de couro, preto, e um colete sem mangas que desconfio ser de pelo de coelho.
É quentinho, leve e confortável.
A proteger o meu belo cabelinho um chapéu muito retro.
O look  preto total é quebrado pelas botas vermelhas.

Hoje, ocupando o parque de estacionamento, o CIRCO CARDINALI.
Em criança, adorava.
Atualmente, não acho a menor piada.


Este cavalinho deve ser uma das estrelas da companhia...

Regalando-se com a erva verdinha.

Em jaulas, estes infelizes!

Desumano e revoltante é como classifico esta prática.

Inaceitável e inadmissível numa sociedade que se proclama civilizada.
Só por este detalhe, jamais assistiria a um espetáculo

Entrei no recinto da feira com o objetivo de comprar fio de algodão para crochê, uns metros de renda branca e dois fechos.
Consegui tudo o que queria, menos o fio.
Entretanto, vi algumas tendas com ofertas agradáveis:

Por exemplo, esta oferecia uma incrível variedade de tapetes.
Alguns pareceram-me interessantes para casa de banho.
Os preços são muito acessíveis.

Esta oferece uma incrível variedade de louça de gosto discutível, embora, entre os horrores, se consiga pescar peças interessantes.

Do que mais gostei foi da oferta de pães.

Para todos os gostos, misturados com bolos e bolachinhas.

Aqui é o reino dos queijos e dos presuntos.

Os compradores diminuíram, queixam-se os feirantes, refletindo a crise económica que atinge toda a Europa, com particular incidência em Portugal e Espanha, país de onde, dada a proximidade, provêm grande número de compradores.
A feira já foi um recinto muito mais animado, quase claustrofóbico, onde, inclusivamente, era sensato prestar atenção às bolsas e às carteiras, dado que os apertos favoreciam os ladrões.
Hoje circula-se sem congestionamentos ou apertos, o que me agrada muito mais e, não sei como consigo, mas o certo é que consigo:
-Todas as semanas faço uma ou outra comprinha ( principalmente agora que sou costureira :-) !!!)

Beijos
Nina

sexta-feira, 2 de março de 2012

Proposta para Março

Não será para já mas dentro de poucas semanas, poderemos começar a guardar os abrigos de Inverno, sendo, portanto, este, o momento próprio para, sem cometer loucuras, em termos económicos falando, dar início a umas peças em crochê que alegrarão, sós ou conjugadas com outras mais antiguinhas, os nossos dias de sol.


Esta blusinha em filé branco, conjugada com jeans, fará furor.


A sua realização não poderia ser mais simples.
Exige conhecimentos rudimentares.

Completa-se o conjunto com uma saia bege, sobreposta numa de tecido branco.

Ou, versátil como é, pode conjugar-se com um qualquer top em malha.

Estas são as instruções para confecionar a saia

E estas destinam-se à blusa.

O esquema das flores, que se realiza com "abertos e fechados", é extremamente simples.
As instruções que aparecem à direita, na foto, destinam-se a outra peça.

Repete-se aqui o esquema das flores.
Pessoalmente, gosto de branco para o Verão e nunca as peças nessa cor me parecem em demasia. Por outro lado, a conjugação do branco com bege remete-me para uma certa atmosfera do country inglês ou para os ambientes em tons pastel, que nos filmes de Ingmar Bergman, compunham a imagem e à qual não resisto.

Tendo entre mãos um projeto de peso (o meu vestido de tricô verde água...), seria da mais elementar sensatez não me aventurar em novos desafios.
Mas quem disse que eu sou sensata?

Amanhã vou a Cerveira, à feira e se lá encontrar o fio que me agrade, à noite, farei o primeiro ponto dos muitos que esta beleza exige.
Se consegui cativar a tenção das minhas amigas queridas para este desafio, poderíamos, em tempo oportuno, mostrar o resultado desta empreitada.

Beijos
Nina

quinta-feira, 1 de março de 2012

Fevereiro , já era ...

Bem vindo, mês de Março.
O que ressalta do mês que ontem terminou é que, usando a metodologia "babysteps", consegui não fazer qualquer compra, o que, sei eu e sabe Deus, que não é proeza a desprezar.
Devo confessar que, ontem, por uns instantes vacilei e quase , quase experimentei uns sapatos.
 A luta entre o meu anjo bom, o sensato, e o anjo mau, o consumista, foi tremenda, apocalíptica, diria, mas o bem venceu ( e tão cedo não me voltam a apanhar num Shopping, que a carne é fraca...)

Hoje foi dia de cabeleireiro.

Lá porque decidi não fazer compras, não significa que andarei sujinha e desgrenhada.

O bom aspeto do meu cabelinho é imprecindível, no resultado final.

O que significa que, embora a roupa seja passada, não abdico de um conjunto composto e cuidado.

Em casa, costurei.

Com restos de tecidos, sobras de rendas e umas pintinhas que comprei, iniciei esta almofada.



Estas borboletas que esvoaçam sobre um fundo verde pistachio, serão a parte traseira da almofada.
Esta já tem destino.
Vai para a casa de campo de uma amiga querida que adora esta cor.

Entretanto, entre milhões de afazeres , o vestido avança.
(Não consigo reproduzir a verdadeira tonalidade, que não é esta. É verde água, maravilhoso, e não turquesa, por favor, acreditem na minha palavra e não na foto!)

Já avanço pelo corpo, deixando para trás o rendado e a amplitude da saia.
Gostaria de vê-lo concluído em Março!
Para o conseguir tenho que me disciplinar, não me dispersar em 1000 coisas, 10 000 tarefas, 100 000 solicitações.
Quem manda eu gostar de tudo, espreitar todas as fechaduras, destapar todas as caixas de possibilidades?
Quem?

Beijos
Nina

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Uma tarde por semana ...

... é minha, literalmente falando.




Foi hoje, a tarde em que encontrei uma amiga  para fazer nada, para estar, para ser,  para ouvir, para olhar.

Dizem os guros, mestre da organização do tempo, que uma fração dele deve ser nossa propriedade exclusiva.
 Por isso, encontrarmo-nos é todo o programa que interessa cumprir.

Sou eu que, normalmente a apanha à entrada de casa e, invariavelmente, coloca-se a questão:
- Onde vamos?
Nenhuma de nós quer responder, nenhuma de nós quer impor, porque, o único facto importante é estarmos juntas por umas horas.

Entre nós a conversa flui límpida, direta, sem desvios e as horas escoam-se naturalmente, sem urgências nem premências.

Faz-me bem este encontro.
É terapêutico para as duas, ouvintes prediletas uma da outra.
Duas ou três horas volvidas, despedimo-nos e, embora vivamos perto, só nos reencontramos na semana seguinte.

Até lá, guardamos na gaveta das emoções os pequenos nadas que ocorrem no dia a dia e que se não se esvaem, iremos compartilhar.
A amizade é assim, uma coisa descomplicada, sem obrigações, sem ressentimentos, sem melindres, sem cobranças, porque, se não for, não é amizade.

Beijos
Nina



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Profissão?

Dona-de-casa!
Fui-o sempre, mesmo quando acumulava com muitas horas de trabalho fora, que importava para casa, prolongando- o, quantas vezes, pela noite dentro.
Mas isso são outros contos.

Hoje, sou dona-de-casa, ponto final!
E com muito prazer e maior orgulho.
Prazer, porque gosto da tarefa, gosto de decidir, organizar e executar (algumas, apenas algumas...) das incumbências inerentes ao título.
Orgulho, porque mereço, porque o meu currículo fala por mim, porque fiz tudo o que me era devido fazer e, haja Deus, continuo a fazer.

Ok, admito que tenho a sorte de ser quem sou, de poder delegar e, essencialmente, de poder pagar para que apareça executado o trabalho que não realizo.

Ainda assim, declaro solenemente, que não tenho tempos mortos.
Não tenho tédios, não tenho frustrações, não tenho mudas revoltas.
Estou bem na minha pele.

Li algures que a diferença entre "inveja", "ciúme" e "ambição" é muito ténue.

Assim, "inveja" é sofrer com o que o outro tem.
"Ciúme" é sofrer com o medo de  perder o que se tem.
"Ambição" é sofrer com o que não se tem.

Ora, não sendo invejosa, convivendo pacificamente com o ciúme e doseando saudavelmente a ambição, concluo que, eu, dona-de-casa, sou feliz.
Feliz, mas muitíssimo ocupada.



Não me é permitido descurar os meus "bebés".
Exigem atenção, olho clínico, cuidados.

Com eles reaprendo diariamente a apurar técnicas para que, "para o ano seja melhor!"

Mas como queixar-me?
Como?
Perante esta obra de arte, há que regozijar-me, sortuda, abençoada, que num aprendizado constante é bafejada com este milagre.

Menos, muito menos gratificante é a tarefa prosaica de tratar das provisões para que a tribo subsista.
E como come esta tribo!
Todas as semanas há que reiniciar o processo.
A técnica ajuda, é certo.
Que seria de mim sem arcas frigoríficas!?

Os não perecíveis acumulam-se como se um regimento esfaimado esperasse para ser saciado.
Apesar da ajuda na limpeza da casa e tratamento de roupas, para mim sobra um pedaço.
Sei que tenho de me organizar.
Dou prioridade ao blog, que paga com juros de um elevadíssimo prazer, cada minuto que lhe dedico.
Depois, é sabido que pretendo costurar. Ora, isso implica tempo.
E, se não bastasse, dedico-me ao tricô, ao crochê, dando ainda uns passinhos de dança no ponto de cruz.
Por fim, mas de modo algum menos importante, vem a leitura a quem, infalivelmente, dedico 1 hora diária.

Tenho tempo para me entediar?

Beijos,
Nina

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Livros

Gosto de livros.
Sempre gostei, desde criança, nunca parei de gostar cada vez mais deles.
Leio, em média, um por mês, melhor dizendo, delicio-me com um todos os meses.
Se é mau e não merece o meu tempo, descubro-o nas primeiras páginas e recuso-lhe as minhas preciosas horas.
Por isso, como nunca persisto em apostar no cavalo manco, nunca me decepciono e cada leitura é uma viagem que me transporta para outros tempos e outros espaços, que me abre janelas para presenciar ações insólitas, românticas, arrebatadoras ou proibidas.
Alguém disse que, quem ama a leitura, jamais está só.
Subscrevo sem hesitar.
Devo-lhes tanto, devo-lhes tudo.
Sem as leituras não seria quem sou!

Graças à leitura, abri horizontes, multipliquei opções, apaixonei-me por novas e improváveis paixões.
Como a costura, por exemplo, com quem me cruzei, primeiro através da Burda, depois nos sites da blogosfera e, neste momento, em leituras específicas onde busco a componente teórica que suporte os meus delírios de criatividade.
Assim, adquiri a Costura-mania, livrinho simpático, com uma centena de propostas razoavelmente esquematizadas, mas,infelizmente, pouco convincentes, ficando-se muito aquém das minhas pretensões.
Por um lado, não responde às minhas mais cruéis dúvidas (como pregar um ziper, por exemplo... para não referir outras), por outro, apresenta desafios demasiado  comportados para a minha mente alucinada.
A culpa é minha, suponho, mas o livro não me convenceu.
Já este, O JOGO DO ANJO, é outra conversa.

Do mesmo autor, li A SOMBRA DO VENTO, um best seller internacional, absolutamente viciante, envolvente, encarcerando o leitor na trama  magistralmente construída.

O JOGO DO ANJO, em nada, desmerece o seu antecessor.
Reverencio quem assim escreve, quem nos comove até às lágrimas, aterroriza deixando no ar , flutuando, o MAL em toda a sua crueza, nos implica na ação obrigando-nos a tomar partido, prende os nossos sentidos, paralisa a nossa vontade, impede que paremos, a não ser que o autor assim o decida, estruturando o enredo em capítulos.
Tenho andado perdida por lá, pelo Bairro Gótico de Barcelona, tenho passado fome e vivido em imundas pensões, tenho convivido com marginais, bandidos da pior espécie, tenho sofrido com as implacáveis dores físicas do herói, tenho presenciado os seus raros momentos de paixão, tenho sentido o arrepio de pavor, impotente perante forças maléficas que perseguem e dominam ... enfim, tenho sido barcelonesa deambulando pelos recantos das Ramblas.

Enquanto não o devorar, até à última palavra, aviso, encontro-me no início do século XX, numa Espanha amordaçada, sobrevivendo numa sociedade rasgada por injustiças, onde a crueldade desfila impávida perante a muda aceitação social.

Sou a alma gémea de Martin!
Sou o próprio Martin! 


 Beijos
Nina