segunda-feira, 27 de maio de 2013

Caos...

É isto!
A bagunça total!
Despejar o quarto, retirar cortinas e estores, enrolar tapetes, desmanchar móveis, cobrir o pavimento com plástico e suspirar.


Não quero ver.
Não quero ver as pintas de tinta que, apesar do plástico, salpicam o soalho.
Não quero ver o meu lindo corredor de tábua corrida com pegadas de poeira, como se uma manada de bichos em fuga desordenada o tivesse pisado.
Não quero ver!

O pintor é esforçado e ligeiro.
Ainda assim, não sobrevive sem me chamar cada 5 minutos.
Decisões, decisões, decisões!

Tudo começou às 8 da manhã!
Móveis desmanchados e transferidos para a garagem, onde serão pintados.
Grande parte da manhã escoou-se nesta atividade.
Depois, passou-se à acção propriamente dita.
E aí acalmei!
O azul das paredes em contraste com as madeiras lacadas de branco funciona na perfeição.
Este quarto ficará pronto hoje.
E lindo!
 Mas, o pior, mesmo, está para vir.

Será necessário pintar esta porta.
Primeiramente, contudo, há que remover a tinta velha.
E o lixo chove. E agarra-se aos pés, viajando por toda a casa.
Já varri  esta sujeira uma dúzia de vezes. Mas não acaba. Insiste em reaparecer, multiplicando-se até ao infinito.

Quem me mandou meter-me neste sarilho?
Exausta, só de olhar, anseio pelo fim do tormento.

Beijo
Nina

domingo, 26 de maio de 2013

Na noite de sexta-feira ...

O meu céu estava assim:

Era o crepúsculo, aquela hora mágica que antecede a noite.
O firmamento pintou-se de rosa.

Imensa, branca, luminosa e perfeita, esta lua cheia!
Gostei tanto que fotografei.
E no fundo de mim cresceu a alegria inocente de um sábado que se avizinhava, pleno de promessas de sol e de horas amenas.
Assim foi.
Ainda melhor do que esperava.
Pela manhã, cedo, bem cedo, rumamos ao norte. A Cerveira, claro!
Para além da festa da feira, abraçaria amigos. Amigos de uma vida com quem, sempre, reparto momentos únicos.
Mas, primeiro a feira.
Animadíssima, de encontrão garantido.
Ainda assim, excelente.
Queria fios para bordar, empolgada com o desafio do bordado livre, lançado pela Nina, minha amiga brasileira, sempre solícita, sempre atenciosa.
Depois, na zona das plantas, tentei-me:

Com esta suculenta, enfeitada de flores amarelas ...
...e a perfumada lavanda (alfazema) de aroma irresistível.
A minha relação com suculentas foi, até há pouco tempo, fria e distante. Até que encontrei, aqui, neste mundo encantado, amigas apaixonadas pela sua cultura.
Podem ser tão fascinantes, que, a bom ritmo, já juntei cinco variedades e mais, muitas mais virão.
A alfazema/lavanda, é daquelas plantinhas que, por detrás de um aspeto insignificante,escondem uma alma portentosa ... assim como algumas pessoas!

Vieram, pois, cá para casa e, neste momento, enfeitam uma das varandas.

Terminado o banho de multidão no recinto da feira, fez-se hora de encontrar os amigos, com direito a abraços, muitos abraços e beijos e sorrisos e conversas incompletas e interrompidas e muito, muito prazer à mistura.
Qual Jacinto da Cidade e as Serras (de Eça de Queirós), fomos levados a almoçar numa varanda coberta de um insignificante restaurante de aldeia.
Tal como Jacinto, repito, foram ohs!de espanto, salivação incontida, de prazer puro:

Assim como quem dá as boas vindas, sobre a mesa, um arranjo de flores frescas, colhidas do quintal/jardim!
Um mimo, um afago que predispõe à felicidade simples ... que, como toda a gente sabe, é a melhor, é a única a merecer esse nome.

Famintos, sem pudor, engolimos a canja de galo "pica no chão" (caipira ), perfumada, dengosa, irresistível ...

... que antecedeu um inenarrável arroz de cabidela!
Comemos tanto!
Sem limites, sem vergonha, distantes do socialmente correto.
 Com pena minha, esqueci de fotografar a sobremesa, uma imensa travessa de aletria, amarelinha, cheirando a canela, ostentando à superfície uma emaranhado desenho que a D. Augusta realizou, utilizando o negro perfumado do pó de canela.
Foi pena não ter fotogrado.
Em minha defesa argumento que a gula se sobrepôs ao raciocínio.
E foi muito bom!

Despretenciosamente, assim como que se tratasse da mais banal das ocorrências, as orquídeas, em cacho, debruavam todo o perímetro da varanda.

Eu quero uma casa no campo!
Quero muito!

Depois, da horta dos meus amigos, retirei alfaces e couves e coentros, numa atividade de total e absoluta felicidade.

Tudo lavado!
Várias águas!
Depois, é picar os coentros e congelá-los em saco estanque para uso futuro.

E o mesmo se aplica às alfaces.
Só que estas não é possível congelar.
Estão lavadíssimas, em sacos fechados, prometendo muitas saladas.

Às couves, o mesmo tratamento.
Serão sopas ou fundos de tartes, ou arrozes, ou ...
Logo se verá!
Foi tão bom, tão pleno, que não houve jantar.
Uma sopinha e uma fruta bastaram!
Um sábado perfeito!
E, agora reparo que, num pequeno texto, repeti, inevitavelmente, por diversas vezes, a palavra Felicidade!

Beijo
Nina

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Parecem ...

 ... bandos de pardais, à solta ...



Foi assim, esta manhã!
No silêncio da leitura, um crescendo de vozes que rapidamente encheu as ruas.

Crianças, tantas crianças desfilando em direção à praia.
Muito ocupados em serem felizes, aproveitavam o momento.

Em grupos distintos, identificados pela cor das t-shirts e dos bonés, de mãos dadas, obedecendo às ordens de professoras e educadoras, caminhavam em direção ao passeio marítimo.
Os adultos olhavam sem entenderem a razão da invasão.

Desconheço o motivo desta ocorrência.
Sei apenas o que me foi dado ver.
Dezenas e dezenas de miúdos, num estado de espírito da mais pura felicidade, faziam a festa, que sexta-feira sem aulas não é costume e merece comemoração.
Vigiados pelas professoras, lá chegaram à marginal e o ar encheu-se então de um coro afinado que entoava a plenos pulmões:

-PRAIA!
-PRAIA!
-PRAIA!

E, de repente, senti saudade desta felicidade simples.

Beijo
Nina

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Coragem ...

É preciso coragem para embarcar numa aventura de remodelar a casa, ainda que, se trate apenas de um quarto.
Portanto, ganhei coragem!
Hoje foi o dia de retirar tudo.
As paredes, sem quadros, exibem as suas marcas. Feias. Muito feias!
Os móveis serão desmanchados e, transportados para a garagem, aí serão pintados.
Os tapetes, enrolados, refugiaram-se num canto.
Cortinas e cortinados fugiram da janela.
Tenho, agora, um quarto vazio, onde as palavras e os ruídos ecoam!

Mudarei tudo, até a distribuição dos quadros.

Na próxima segunda feira, às 8 horas da manhã, começa a função.

Só o sofá não será removido.
Há que protegê-lo devidamente.

Prometeram-me uma semana de suplício. A ver se cumprem.
Depois, oh!, depois será a delícia absoluta.

Um dos móveis que ganhará cara nova.

Escolhi um azul céu para as paredes, enquanto que os móveis vestirão de branco.
Na cabeça fervilham ideias!
Depois mostro.

Beijo
Nina

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Primavera, a economia, a culinária, as sobremesas ...

Com este título genérico pretendo englobar as minhas diversas atividades durante a tarde, começando pela Primavera!
Finalmente está aí!
E, nestes dias de sol, ainda fresquinhos, adoro demorar-me no meu terraço, fingindo que tenho um quintal.
OK, é de cimento, tem vasos e floreiras, apenas, mas é o quintal possível para esta agricultora frustrada.


As macieiras rebentaram.

Mostram mais flores do que folhas.

Dizer que são lindas é de uma enorme injustiça. Lindo é banal.
Banal é pequenino face ao sublime.
Aposto, tenho a mais absoluta das certezas:
Terei muitas maçãs!
Que bom!
Que lindo!
Que sorte!
É que estas maçãzinhas, que até poderão ser pequenas, terão gosto de maravilha, de coisa única , que é ao que me sabe tudo o que germina e se desenvolve diante dos meus olhos.
Agora serão cuidados permanentes. Que nunca lhes falte a água!
Vigilante qual mãe, garantirei  amor e sustento, que para isso servimos, nós, as mães.

Dou mimos sem medida, mas, procuro gerir com bom senso os bens materiais, começando pelos alimentares.
Aí, nada é sem medida, ainda que de nada me prive.
Sou contra o desperdício. E bato-me nos mais insignificantes detalhes contra o esbanjamento irracional.
Porque o mundo o exige, porque há muitas pessoas em dificuldades, porque me parece francamente estúpido não seguir esse princípio.

Então, controlo o conteúdo do frigorífico.
Nada de coisas esquecidas, fora de prazo.
Não que não me aconteça,  mas tento evitá-lo a todo o custo.

E não é que me sobrou uma embalagem de queijo Mascarpone, no último domingo?
Sobrou!
Virou, por isso, Cheesecake de morango.
Fácil, fácil!

 

Reduzi a pó uma embalagem de Bolacha Maria ...

... juntei-lhe 150g de manteiga derretida...

... misturando bem.

Cobri o fundo de uma forma de fivela que foi ao forno durante 10 minutos.

Ao queijo mascarpone...

... juntei, um a um, 3 ovos ...

... e uma lata de leite condensado ..


... bem como 6 morangos congelados.
Deixei que se misturassem todos os ingredientes durante 2 ou 3 minutos.

Retirei a forma do forno ...

...e sobre a base despejei a mistura que foi ao forno a 180 graus durante 30 minutos.

Retirei e desenformei.
Vou deixar que arrefeça completamente.

Sobre a superfície fria, cairá uma onda de compota de morango, uma forte, uma densa onda, que isto de poupar na delícia parece-me má política e um bocadinho sádico.
Receberá, pois, uma cobertura de compota caseira de morango,  preparada na minha cozinha pelas minhas próprias mãozinhas, que nestas coisas de compotas, prefiro 1000 vezes as caseiras às industriais!

Reparem, não é caro, não é difícil, não é trabalhoso!
Então, porque não saltam imediatamente para a cozinha e preparam um cheesecake que deixará os comensais felicíssimos?
Sendo que a felicidade é um bem escasso e frequentemente inatingível, ter assim, de mão beijada, a garantia de momentos felizes parece-me bem, parece-me bom, parece-me de aproveitar.

Beijo
Nina

terça-feira, 21 de maio de 2013

Olha só ...

... o que recebi da Nina Dias!


O segundo motivo para bordado!
Tão lindinho, tão fofo, tão na mesma linha do primeiro.
Já pus mãos à obra e tratei de o copiar para papel vegetal:



Pronto!
Agora é passá-lo, com papel químico para o tecido:

E fica assim!
Repeti, entretanto,o primeiro motivo.
Porquê?
Porque a primeira versão foi cobiçada, logo, oferecida.

Tinha ficado assim!
(Lindo!)

Uma vez que o repeti, inovei!

Decidi-me por uma só cor, o verde!
Quase pronto, apenas um cantinho de flores aguarda cobertura.

Ainda hoje, durante o serão, iniciarei o segundo motivo.
Ávida, que esta é tarefa viciante e mal posso esperar ter os quatro motivos concluídos e devidamente encaixilhados.
Ainda há tempo (até 31 de Maio) para se inscreverem no desafio.
Vale a pena!

Beijo
Nina

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Vamos, então, às receitas ...

... vamos desvendar o segredo escondido destas delícias, que não apresenta a menor dificuldade, começando pela ...

TARTE DE MARACUJÁ

O aspeto irregular da massa é propositado.
Sendo preparado com bolacha Maria e manteiga, é colocado no fundo e paredes da forma, com o auxílio de uma colher ou mesmo com a ponta dos dedos, resultando extremamente leve e quebradiço.

Precisamos:

Para a massa:
1 pacote de bolacha Maria
125 g de manteiga derretida.

Reduz-se a bolacha a farinha e mistura-se com a manteiga derretida.
Pode (ou não) ir ao forno por 10 minutos para que fique crocante e estaladiça.
Pode, simplesmente, receber o recheio e seguir para o frio.
Pessoalmente, aprecio a textura estaladiça que o forno lhe concede.

Para o recheio:
1 lata de polpa de maracujá
1 lata de leite condensado
1 embalagem de gelatina com sabor a pêssego, ou ananás, ou tutti-fruti.

Prepara-se a gelatina com 250 ml de água a ferver, dissolvendo muito bem.
Acrescenta-se a polpa de maracujá, mexendo sempre. Finalmente, junta-se o leite condensado, continuando a misturar, de modo que o preparado resulte absolutamente homogéneo.

Despeja-se na forma de fivela previamente forrada com a massa de bolacha.

Vai para o frio, de um dia para o outro.

TIRAMISU

A superfície do doce será polvilhada com cacau em pó!
Para conseguir um belo resultado, um Tiramisu digno da sua fama, tenho experimentado diversas receitas.
Esta é, porém, a que mais me agrada.
Como-a e sinto-me, imediatamente, instalada num pequeno restaurante romano, junto ao Coliseu, onde me foi servido o melhor Tiramisu do mundo.

Precisamos de:
250g de queijo Mascarpone
5 gemas + 100g de açúcar fininho
3 claras + 50g de açúcar fininho
16 palitos
La Reine
4 cafés expresso ( muito forte)
1 cálice de rum escuro
1 embalagem de açúcar baunilhado
Cacau puro para polvilhar

Durante 15 minutos, bater na batedeira as gemas com o açúcar + o açúcar baunilhado.
Juntar o Mascarpone, continuando a bater.
Acrescentar o rum, batendo sempre.

À parte, bater as claras em castelo firme. Juntar o açúcar batendo sempre.

Passar as claras para a taça do Mascarpone, envolvendo suavemente com uma colher de pau.

Molhar os palitos La Reine no café forte.
Dispô-los no fundo de uma taça.
Sobre eles, despejar a mistura do Mascarpone.
Tudo para o frio!
Beneficia, permitindo que os sabores se misturem, se for feito com 48 horas de antecedência.
Se não, não faz mal! Continua divino.
Antes de ir para a mesa, uma chuva fininha de cacau em pó constituirá o remate perfeito.

Grau de dificuldade:
0!
Grau de satisfação:
Infinito!
Perigo:
Não se consegue apenas provar ... depois da primeira colherada, muitas, muitas se sucedem.
Avisei!

Beijo
Nina