sábado, 28 de junho de 2014

1141 - Descobertas

Quando nos sentimos muito em baixo - ele é o PIB, ele é o DEFICIT, ele é a SELEÇÃO que só nos deu desgostos ... -  sabe mesmo bem receber uma boa notícia.
Da que falo, chama-se PRAIA DO MARTINHAL, que foi considerada uma das 10 melhores praias desertas do mundo, por um organismo turístico internacional.
Fica a 2Km de Sagres e, no último fim de semana, comprovei in loco as suas incríveis potencialidades.

Não costumo, no Algarve, escolher esta zona para férias. É ventosa e bem mais fria que as praias para leste de Tavira.
Reconheço, contudo, a sua majestosa beleza e até já me alojei na Pousada de Sagres.
Porém, o nome, Praia do Martinhal, nada me dizia.
Fui, portanto verificar, comprovando a justiça do título atribuído.

Depois de abandonar a estrada principal em direção ao mar, damos de caras com este paraíso - uma praia em concha, protegida da ventania, com areia branca e fina e um mar que é um lago.
Na verdade, chamar-lhe "praia deserta" parece-me desadequado, já que não o é.
É, antes, uma praia de bandeira azul, com todos os apoios  a esperar.
Não é, realmente, uma praia de massas, sendo, antes, uma praia de família.




Curiosamente, 99% dos veraneantes são estrangeiros, ingleses na sua maioria.
Confirmei-o no bar da praia onde almocei, sendo a minha, a única mesa de portugueses.
Diria até que é um segredo a que apenas os estrangeiros tem tido acesso.

No local todos o conforto de um resort 5 estrelas, a que se acede por uma escadaria ...

... que se desenrola no meio de uma vegetação aparentemente selvagem ...

... extremamente bem cuidada, e ...

... do alto, é este o quadro que se nos oferece.

 O hotel é magnífico.
Sendo porém vocacionado para famílias, o ambiente que proporciona é esse mesmo - crianças, crianças e mais crianças.
Quem as tem sente-se em casa.
Já os casais sem filhos poderão não apreciar toda a imensa energia da infância, principalmente durante a noite, que é quando os meninos resolvem não ter sono exigindo atenção e atividade.
(A propósito, não é por acaso que certos destinos turísticos - como, por exemplo a Jamaica -, oferecem hotéis onde apenas são admitidos adultos.)
Tirando isso, o paraíso!

Beijo
Nina

sexta-feira, 27 de junho de 2014

1140 - Risoto de camarão


No jantar em que, como entrada, comi a SALADA DE FIGOS, como prato pedi o RISOTO DE CAMARÃO!

Vá-se lá saber porquê, esta abundância calórica em nada se reflete no meu peso, talvez porque coma de tudo, em pequenas quantidades.
 Mas, para o caso, esta minha especificidade não é aqui chamada ... e penso, como os povos antigos - que perante um evento feliz, como era o nascimento de um saudável filho barão, choravam baba e ranho ... -  não devendo a gente espicaçar os deuses provocando-lhes invejas e más vontades.
Adiante, portanto, antes que uma praga me atinja e eu engorde com água!

Pois bem, neste jantar mais que perfeito, provei, no restaurante Jerónimo e Noélia, em Cabanas, Tavira, este indescritível risoto.
Servido na panela, aquoso, como se de um arroz malandro se tratasse, imediatamente despertava os sentidos, começando pelo olfato que, disparava ordem de tiro às glândulas salivares que, obedientes, imediatamente abriram fogo ... e foram rios de água na boca.



A receita que atrás disponibilizo, é um clássico como tantos outros presentes na NET. Garanto que não atinge os,  primores da Noélia, que não é génio quem quer, mas apenas quem possui a capacidade de golpe de asa que permite a elevação ao patamar da excelência.
OK! Falo de arroz! Não falo de uma obra de arte! Mas, asseguro, este risoto, se fosse pintura, seria um Picasso.

A visível liquidez é aparente, isto porque a presença  do queijo lhe confere corpo!
E os espargos selvagens, o travor ideal!
E o grau perfeito da cozedura do arroz, a consistência exata!
E os camarões cozinhados no ponto  o forte sabor a mar!
E os gigantes - um por comensal -  momentos de deliciosa gula!

Se fosse poema, este arroz seria soneto!
Isto se vivêssemos num mundo perfeito em que aos génios fossem atribuídos os louros!

Beijo
Nina

quinta-feira, 26 de junho de 2014

1139 - Salada de figos...

... com presunto!
Uma incrível, inacreditável combinação.
Comi-a, pela primeira vez, há vários anos atrás, em Veneza, a bela Veneza.

Cheguei  a meio da manhã, tonta de espanto, quase pairando, de tão improvável, de tão irreal me parecia a cidade.

Para me recolocar pés firmes em terra, ligada à realidade, do céu desabou uma queda de água tamanha, que eu, impreparada turista, me vi, de repente, encharcada até aos ossos.

Corri à Benetton e comprei uma muda de roupa completa, sapatos incluídos.

Seca, confortável na minha roupa nova, pareceu-me que merecia mimos, de restaurante, de comidinha boa, legitimamente italiana, entrando, então, no espaço que mais convidativo me pareceu.

Não sendo particular apreciadora de pizza, folheei o menu e encontrei-a:
-A salada de figos com presunto!

Dessa experiência guardo uma recordação meio romantizada e a sensação que nunca mais, jamais, se repetiria o prazer daquela novidade... é a velha questão de não se voltar ao local onde se foi imensamente feliz!

Pois bem, por falta de oferta, por falta de lembrança, pelo que quer que tenha sido, a recordação dos figos com presunto, permaneceu intacta, guardada lá atrás, no baú das coisas boas.

Até que ...

No último fim de semana, num restaurante também ele improvável de tão bom, aconteceu o reencontro:


No Algarve, terra de figueiras, os figos oferecem-se doces, deliciosos, desfazendo-se na boca, o que não é segredo para ninguém!
Segredo, é a combinação engendrada pela cozinheira Noélia:
- Sobre uma cama de alface em Juliana, fatias finíssimas de presunto, dançando em abraço apertado com figos suculentos.
Como tempero, umas gotas de balsâmico! 

Como se o prazer gustativo fosse pequeno, a ele se associou o visual, na imagem da Ria Formosa, que, num pôr do sol rosa e azul, completava a sinfonia da perfeição.

A Ria Formosa está lá, imutável, belíssima e gratuita.
Quanto a isso, nada a interferir.
Já os figos com presunto, senhores, os figos com presunto são uma combinação celestial, que quem quer que seja pode, melhor, deve, experimentar!

Beijo
Nina

quarta-feira, 25 de junho de 2014

1138 - Apesar das nuvens ...

Soube mesmo bem este fim de semana prolongado.
O céu encoberto, de vez em quando limpava e a pele agradecia ... ( pode fazer mal, ser perigoso e não sei que mais, mas um bronze é um bronze! Dá um ar saudável e feliz que só ele!)


Ninguém diria que o Verão chegara. A praia quase deserta, sugeria os meses de Primavera.

O mar, bom para nadar, nos seus excelentes 22 graus.
E as incontornáveis Bolas de Berlim, indiferentes ao cinza dos dias, teimaram em aparecer diariamente, que praia sem "Olha a boliiiiinha!", não é praia!

Felizmente não caio na doce tentação!
Na praia, fruta, muita fruta e litros de água. Compenso com o jantar, momento de todos os pecados!

Conclui que sou uma mulher de armas!
Estas duas silhuetas não arriscaram mais do que água até ao joelho.

Para mim, essa é experiência completamente insatisfatória.
Praia sem mergulho e sem natação, não é praia.

Depois, muito sol, sem esquecer o protetor solar e muita leitura !
A meio da tarde, rumava ao campo, onde, pela primeira vez me instalei, num local magnífico rodeado por arvoredo. Foi assim uma espécie de dois em um - metade praia, metade campo.E foi excelente. Com ótimos restaurantes, longos períodos de leitura e descobertas. Sim, descobertas. Eu que vou para o Algarve desde que me conheço como gente, descobri locais novos, absolutamente extraordinários, que nada ficam a dever aos exóticos resorts caribeños! Que, evidentemente, mostrarei.

Beijo
Nina

segunda-feira, 23 de junho de 2014

1137 - A minha vida no campo! Parte II

Bem sei que, no supermercado, posso comprar toneladas de tomates. Bem sei ...
Mas não é a mesma coisa!
Estes nascem e crescem à frente dos nossos olhos e podem ser colhidos sempre que nenecessário

Tal como as abóboras ...

... e os pimentos ...


...e tudo mais que por ali cresce.
Acho graça, sinto vontade de plantar para comer. Uma coisa ancestral, parece-me.
Dizem que sou uma romântica, uma sonhadora, que nada como a obrigação de cuidados diários intensivos, para me obrigar a aterrar em terra firme, fugindo da agricultora a sete pés, para, arrependida, correr para o seio consumista de um bom hiper mercado.
Se calhar, os críticos/cínicos têm razão, mas, como, por enquanto, sonhar é gratuito e não paga imposto, suspiro e devaneio olhando tomates e pimentos!

Beijo
Nina

domingo, 22 de junho de 2014

1136 - A minha vida no campo!




Oliveiras e laranjeiras a perder de vista.
Um cenário bem diferente daquele que a janela da cidade me oferece.
Mas a maior diferença não tem a ver com a paisagem.
O ritmo, senhores, o ritmo é que faz toda a diferença.
Isto de a meio da tarde estar esparramada num sofá escrevinhando umas linhas, isto ē qualidade de vida.
Ainda me mudo para cá!
Ainda esqueço compromissos e obrigações permitindo-me esta paz sem relógio.
Como e quanto eu gostaria de passar das palavras à ação!

Beijo
Nina

sábado, 21 de junho de 2014

1135 - Chegou o Verão!

O Verão!

Chegou hoje, com esta má cara.
A ser verdade o que antecipam os entendidos, teremos calor até Novembro.
Não me incomoda o inusitado da situação.
É aproveitar e, enquanto houver sol e calor e mar e areia, eu desfrutarei
da praia.
Como hoje.
Pela manhã céu carregado e vento frio.
Comprei jornais e fui lê-los na companhia de um belo café.

Ao meio dia as nuvens dissiparam-se e corri para a praia, caminhei 5 kms junto ao mar, naquela área em que a areia fininha endurece, mergulhei nas águas a 20° e apanhei um delicioso banho de sol que me deu um ar saudável e bronzeado.

Sem NET, arranjo-me como posso com o IPad.
Entretanto leio comentários, respondendo devagarinho.
Peço compreensão, que o ritmo lento é por uma boa causa - que não há nada melhor do que viver intensamente cada momento que nos é gratuitamente oferecido.

Beijo
Nina