domingo, 14 de dezembro de 2014

Casaco


Vamos tricotar um casaco?
 Vamos?
Um casaco original, impossível de encontrar nas lojas, por um preço incrivelmente baixo?
Vamos?
Atenção que o convite é formulado por mim, pessoa sem pretensões a expert em nenhum campo e muito menos neste, o que, de algum poderá motivar as mais inibidas, já que, se eu sou capaz de levar o barco a bom porto, quem não será?
E juro que nisto não existe a mais ténue sombra de falsa modéstia!

No caso, fiz assim:
- Desmanchei um desastre ( e quando digo desastre quero dizer catástrofe ou mesmo cataclismo ....) tricotado no inverno passado, seguindo as instruções de uma revista da especialidade que exibia  uma foto irresistível ... 
Infelizmente, aprendi à minha custa, que essas revistas são tudo menos fiáveis, por isso desconfio, desconfio muito e sempre, das ditas revistas e  instruções inclusas.
Enfim, infelizmente o mesmo ocorre noutros campos, como, por exemplo, na culinária, na qual imagens incríveis correspondem às vezes a resultados intragáveis ... e, também aí, sei do que falo.

Voltemos, porém, ao que aqui hoje me traz - um casaco quente, original e giro, que como todas  sabemos, é característica fundamental e imprescindível , sem a qual não vale a pena investir 1 minuto que seja desse bem mais precioso, que é o nosso tempo.

Tinha então um mostrengo "investível" que me provocava alguma (muita e desenfreada ...) raiva pelas horas de trabalho que envolveu.

Horas exigiu, igualmente, para ser desfeito e reduzido a vários novelos.
O fio não se mostrava marcado pelos pontos anteriores, sendo que a sua própria fiação era irregular.
 Usei-o portanto sem qualquer operação suplementar.





Usei-o com o prazer que sempre acompanha a reutilização, o não ao desperdício.

Espesso, exigia agulhas grossas para que a trama resultasse fofa. Usei as número 7 e comecei pelas costas, montando 70 pontos. Esclareço que o meu tamanho é o M.

Utilizei Ponto de Arroz, simples, muito simples que se a fasquia se encontra demasiado elevada, desmotiva os participantes.
Ora vejam:

- 1ª carreira - 1 ponto meia, 1 ponto liga (tricô), até ao fim;
-2ª - carreira - tricotar os pontos como se apresentam (será a carreira do avesso);
- 3 ª carreira - 1 ponto liga (tricô), , 1 ponto meia, até ao fim;
4ª carreira - tricotar os pontos como se apresentam.

Em suma, o Ponto de Arroz consiste em tricotar alternadamente ponto meia e ponto liga (tricôt), nas carreiras do direito, enquanto que as carreiras do avesso se tricotam conforme se apresentam.
Alguma dúvida?

Sendo extremamente fácil e quase mecânico revela-se ideal para executar durante o serão , frente à TV.

Querendo um casaco "grande", executei , um total de 75 cm, sendo que, ao atingir os 70 cm, fiz o decote.
Considerei  que deveria dividir o total das malhas (70) em 3 partes - 2 para os ombros e 1 para o decote.
Cada um dos ombros ficaria com 23 malhas.
Assim, comecei por rematar as 11 malhas centrais e continuei a tricotar em  separado cada um dos ombros.
Após o remate das 11 malhas centrais, rematei, seguidamente, 3, 2 e 1 malha,de cada lado do decote,  ficando com as malhas necessárias para o ombro.
Repeti a operação, simetricamente, no ombro restante.
E assim completei as costas.

Cá estão elas numa fase avançada do trabalho, devo confessar.
Neste momento o casaco está praticamente concluído. Daí que o relevo inestético, mais não é que uma das mangas
já aplicadas.
Querendo mostrar o passo a passo, vejo-me condicionada por tais circunstâncias.
 As fotos deixam muito a desejar, bem sei!
 São feitas com o Ipad na tentativa de driblar a incapacidade do meu decrépito PC.



Alguma dúvida?

Bom, então, amanhã, faremos as mangas!

Beijo
Nina

sábado, 13 de dezembro de 2014

O meu computador ...

Esta maquineta que me acompanha há anos, sucumbe!
Foi para "as urgências" da FNAC há dois meses e veio, lampeiro, com ar saudável, refeito da mazela que o atacara!
Falsas melhoras!
O artefacto está mal, está lento, está caprichoso.
Fotografias , não as importa por mais maravilhosas que sejam e agora deu-lhe para não me obedecer, o grande chato!
Precisa de férias ou de reforma que já trabalhou muito, mas bem que podia ter adiado a aposentação para janeiro, quando as lojas recuperarem a normalidade, libertas das invasões bárbaras do natal.
De modo que me vou socorrendo do Ipad ... mas não é a mesma coisa, já que o aparelhómetro é senhor de forte personalidade e só faz, quando faz, o que muito bem entende.
Terei, portanto, que ser inventiva, para não ser silenciosa, até porque tenho sempre "coisas" muito giras e absolutamente inadiáveis para contar.
A quem generosamente me acompanha, o meu pedido de benevolência e compreensão.
Em janeiro, com software novo, será um tal debitar de informação que, espero, esta fase pouco produtiva,  de forçada austeridade, será esquecida!

Beijo
Nina

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Quiche

Seguramente uma das mais fantásticas invenções culinárias - com um um nadinha, uma sobra, 
uma qualquer insignificância se elabora um prato bonito, agradável e até sofisticado.

No caso, duas fatias de presunto, esperavam, muito tristes, no frio, que lhes fosse dado uso.
Foram elas, pois, o motor desta delícia.

Por isso, indispensável se torna que, no frio, haja sempre um pacote de massa quebrada 
ou folhada  pronta a ocorrer numa emergência.
( Nomeei a "folhada", apenas porque há quem goste, porque, quanto a mim,desde que participei num curso sobre nutricionismo, no qual, a formadora assegurava que " comer massa folhada era o mesmo que ingerir uma lata de graxa para os sapatos - sic - impressionável  e influenciável que sou, nunca, never, jamais, toquei na dita).
Temos, portanto, que um rolinho de massa quebrada opera milagres...  


... como este.

Fiz assim:
- Forrei a tarteira com a massa e deixei que assim, prontinha, aguardasse;
- Cortei em rodelas finas dois alhos franceses, mas poderia tê-los sustituido
 por modestas cebolas;
- Levei ao lume e deixei que fritassem ligeiramente, 
em lume brando - sempre em lume brando
 que as pressas só para apanhar o comboio!
- Juntei 2 cenouras raspadas e 2 tomates maduros 
cortados em cubinhos, continuando a fritar;
- Chegou a vez do presunto, que demolhei para retirar o excesso de sal e
 cortei em tiras, fritando um pouco mais;
- Acrescentei  as folhas muito bem lavadas de um molho de espinafres;
- Refresquei com 1 copo de vinho branco, fervendo lentamente.
 Retifiquei os temperos e verti na forma que aguardava.


Passei ao "aparelho", como dizia a chefe Inês, uma cozinheira brasileira de mão cheia, 
em cujo curso me inscrevi - sim, sou pessoa de cursos!
Pois o dito aparelho faz-se misturando um pacote de natas com 3 ovos inteiros, 
batendo bem e temperando com sal e pimenta.
Antes de verter esta mistura, decorei a superfície com pedaços de tomate seco e muiiiitas uvas passas!
Polvilhei com queijo ralado!

Vai ao forno a 180 graus - a minha temperatura preferida - durante cerca de 40 minutos,
 resultando na beleza que a imagem documenta.
A versatilidade deste prato é infinita, sempre um recurso magnífico para aproveitar sobras que ninguém no mundo adivinha que o sejam.
Para os vegetarianos, basta excluir o presunto e temos um prato barato, elegante e  perfeito, um luxo, diria.

Beijo
Nina

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O pintassilgo

Felizmente, consegui que o ritual da leitura se integrasse tão naturalmente no meu dia a dia, como se da necessidade de comer ou beber se tratasse.
Às vezes, leio apenas na esperança de que o livro ganhe alma e me prenda;
Às vezes, perco a paciência e, não querendo perder o meu precioso tempo, ponho-o de lado porque não me merece;
Às vezes, deixo-me envolver pela musiquinha fácil que dele flui, e com ele danço;
Outras vezes, entrego-me, rendo-me, prisioneira da intriga, da linguagem certa, do desenho impecável das personagens!
Às vezes -  poucas - leio, releio, saboreio!


Prémio Pulitzer!
Não por acaso!
São cerca de 900 páginas que temo gastar!
900 páginas - como direi? - envolventes, vivas, mágicas, magnéticas?
Tudo isso e muito mais!
Um daqueles raros livros que apetece devorar noite adentro num pleno estado de entrega.
Puxa! Acho que estou apaixonada pelo Pintassilgo!

Beijo
Nina

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Cascas de laranja cristalizadas


Parece-me irresistível o contraste ácido / doce das cascas de laranja cristalizadas.
Mais do que irresistível, viciante! É só comer 1 que se comem 10 ou mais!
Além disso, ficam tão bem nos bolos, que uma reserva destas casquinhas é um tesouro com inúmeras aplicações.
Para as obter, dois processos:
-Ir ali ao supermercado comprá-las;
-Fazê-las, quase sem custo, na banca da cozinha;

Prefiro, sem discussão a segunda hipótese!


- Para o efeito, lavámos, escrupulosamente as laranjas, à medida que são utilizadas, guardando as cascas numa caixa hermética, no frio, até que a quantidade desejada seja alcançada.

- Deixámos as cascas de molho em água, durante 3 dias, mudando várias vezes a água.
- Escorrem-se.
- Deitam-se num tacho posto ao lume com água a ferver e, logo que recomeçar a fervura, retiram-se, escorrem-se num passador e espalham-se numa toalha para que a maior parte da humidade seja absorvida.
- Pesam-se!
- Põe-se ao lume igual peso de açúcar, com a menor quantidade de água possível.
- Logo que começa a ferver, vai-se mexendo, até atingir um ponto muito grosso, quase sem vestígios de líquido.
Deitam-se então as cascas e deixam-se ferver, mexendo sempre ...
( aparecerá líquido, devido ao contido nas cascas ...)

... até que o líquido desapareça!
Nesta altura, despejam-se numa travessa, separando-as imediatamente.


Polvilham-se com açúcar ...
... e guardam-se em recipiente fechado.
Isto se não forem comidas imediatamente, sendo essa, uma fortíssima possibilidade.

Beijo
Nina

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Almofadas


Faço e refaço almofadas, à medida que se me apresentam como uma necessidade inadiável da qual depende a felicidade das nações.
Sou assim, repentista e muito exagerada, querendo tudo para ontem.
Portanto, andando a embirrar com umas desgraçadinhas que fiz em crochê para o meu quarto azul, sabia de antemão, que as pobres tinham o destino traçado - a inevitável e radical reciclagem.


Demasiada cor, demasiado enfeite, demasiada informação!
Não, não queria olhar mais para aquele emaranhado de cores!
 - Assim são as paixões - desfazem-se em cinzas, em nada, quando menos uma pessoa se prepara!
Brinco, naturalmente!
Pois bem, ontem, tarde de feriado, decidi-me por concretizar a transformação.
Como?
Costurando, que é técnica rápida e espetacularmente eficaz, se dominada, porque, se acaso nos desentendemos com a máquina, o prazer some e são só desgostos e consumições e eu sei do que falo, oh! se sei!


Do forro da cadeira em primeiro plano, tinha sobrado um retalho ...

Na Zara Home, comprara fronhas em envelope, das que dispensam botões ou fecho ...

Não inventei nada de nada ...

Limitei-me a copiar e em menos de 1 hora tinha as almofadas revestidas, renovadas, repaginadas.
Prefiro mil vezes este novo look!
Fiquei feliz!
Domino a técnica do envelope!
Fiquei feliz!
Prossigo a transformação / decoração do meu quarto azul!
Fiquei feliz!
Em suma, um nada me deixa feliz!

Beijo
Nina

domingo, 7 de dezembro de 2014

Cheesecake de Framboesas

Adoro framboesas de uma forma quase infantil, tal como adoro todas as bagas e morangos.
Sobre os outros frutos, a framboesa tem a seu favor o casamento perfeito de sabor, odor e aspeto!
Diria que é o fruto perfeito.

Atualmente, encontram -se, todo o ano, congelados nas arcas das grandes superfícies e, por precaução - sabe-se lá qual o intempestivo apetite que, sem se fazer esperar, me ataca? - faço questão de sempre ter de reserva uma destas preciosas embalagens.

Verifiquei, fazendo a habitual pesquisa no congelador, que, lá atrás, escondidinha, jazia uma embalagem.

Imediatamente, como sempre, as minhas glândulas salivares, dispararam em chuva incrontrolável. 
Apetecia-me tanto, tanto que não hesitei.
Consultando o meu depósito de tesouros, parti para a ação imediata, assim nascendo este transcendente, divino, incomparável, cheesecake!



INGREDIENTES:

1 pacote de Bolacha Maria (ou outra!)
100 g de manteiga


- Pica-se a bolacha até ficar reduzida a uma espécie de farinha;
- Junta-se- lhe a manteiga derretida, incorporando;
-Com esta pasta, forra-se uma forma de fivela;
-Aguarda;

Passamos ao recheio:

- 450g de queijo creme (Philadelfia light, por exemplo)
- 1 lata de leite condensado;
- 3 ovos
- Raspa da casca de 1 limão
- Meio pacote de framboesas congeladas + 2 c. de sopa de açúcar, para cobrir

No copo liquidificador, mistura-se o queijo + leite condensado + 3 ovos inteiros + a raspa de limão.

Depois de bem misturado, despeja-se na forma previamente forrada.

Assa a 180 graus durante 40 minutos, adquirindo o aspeto que a imagem anterior documenta.


Passamos à cobertura, levando a fogo lento o açúcar e as framboesas até que apresentem o aspeto de uma geleia ...


... com a qual se cobre o cheesecake.

Ao servir, a calda escorre preguiçosamente ...

... colorindo o branco do "cake" num contraste sublime de cor e de sabor, onde o doce do bolo se mistura com o ligeiramente ácido das framboesas.
Esta receita deveria continuar sendo um segredo de família, mas ... é natal e a generosidade invade seres e  compromete segredos ...
Logo, compartilho!
É favor experimentar e maravilhar os comensais!

Beijo
Nina