sábado, 10 de janeiro de 2015

Bordadinhos

Ainda bem pequenina, admirava os bordados  nas dobras dos lençóis, nas almofadas, nas toalhas de mesa, e nos tabuleiros presentes no meu universo doméstico. 
A minha mãe bordava, mas, confesso, nunca me senti particularmente atraída por essa arte, ainda que sempre tenha gostado de trabalhos manuais criativos.
Acho que sou uma artesã frustrada já que não enveredei por nenhum ramo das artes. 
Outros apelos, outros impulsos sobressaíram e por outros caminhos profissionalmente segui. 
Nunca, contudo, deixei de lado as manualidades , tendo já percorrido inúmeros atalhos, da olaria, à pintura, insistindo com particular frequência nos fios,  agulhas e tecidos.

Quando iniciei este blog, fascinada com os "pontos de cruz", atrevi-me, desastradamente nesse desafio e, recordo divertida, o fracasso da primeira incursão!

Mas - não duvido - tudo se aprende, tudo é mais trabalho do que talento, porque, já dizia não sei quem que "o talento / inspiração dá imenso trabalho!"

Do outro lado do oceano, lá no "nosso" Brasil querido, tenho recebido inspiração, ajuda, incentivo, material e carinho da NINA e, graças ela,  realizei as minhas primeiras obras de arte, de que muito me orgulho.
Estes quatro quadrinhos:

Já os exibira aqui!
Lembram-se?

Algum tempo depois, de novo,  da Nina, recebi este encanto de menina que fui bordando, pontinho a pontinho, sem pressas, desfrutando do momento - que assim é que sabe bem!
Vai ser almofada e, se os meus planos se concretizarem, verá a luz do dia amanhã, que é domingo , dia excelente para não sair de casa e ainda melhor para ocupar a tarde costurando.

Beijo
Nina

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Bacalhau à Gomes de Sá

Continuando na onda dos aproveitamentos, retirei hoje do congelador uma caixa contendo três postas de bacalhau cozido, sobreviventes da última noite de natal.
Há 100, ou 1000 maneiras de cozinhar bacalhau, ou não fosse eu portuguesa. Porém, não sou fã da maioria, ou porque o bacalhau fica seco como palha, ou porque obriga à junção de natas, ou ainda porque, frito, absorve muita gordura.

Em resumo, gosto francamente de um bom lombo de bacalhau cozido com todos, de bacalhau espiritual - este, quando o rei faz anos, dadas as malditas das natas - e ainda e principalmente de Bacalhau à Gomes de Sá cuja receita publiquei há muito tempo, quando ainda geria o blog Na cozinha da Nina, que acabei por encerrar, dada a completa impossibilidade de o manter atualizado ... mas isso é outra conversa que não vem ao caso.

Ao caso, vem a repetição da minha receita:



Bacalhau à Gomes de Sá


É um clássico da gastronomia portuguesa.
Não há quem não goste e existem restaurantes que guardam ciosamente o seu segredo na confeção deste prato.
Eu faço-o assim, como aprendi no Livro de Pantagruel:

INGREDIENTES

3 postas grandes de bacalhau demolhado
750 g de batatas
3 cebolas médias
2 dentes de alho
3 ovos cozidos
Salsa, louro, pimenta e azeitonas descaroçadas q.b.

PREPARAÇÃO

Coze-se o bacalhau e, depois de escorrido, divide-se em pedaços, retirando toda a pele e espinhas.
Separadamente, cozem-se as batas em água temperada com sal, que, depois de cozidas, se cortam em pequenos cubos.
Aloiram-se as cebolas cortadas às rodelas e os alhos picados, em bastante azeite.




Vai-se mexendo para que não queime e acrescenta-se o bacalhau, uma folha de louro e as batatas, refogando levemente.
Retira-se do calor e dispõe-se o preparado numa travessa que se enfeita com o ovo cozido, as azeitonas e a salsa picada.
Pode esperar no forno, de calor muito baixo, para ser servido, ganhando o prato um sabor mais intenso.


Foi, pois, este o post, em que , lá muito atrás, divulguei o meu bacalhau preferido.

Hoje, vou repeti-lo, com entusiasmo acrescido, porque, como uma criança feliz com brinquedo novo, também eu, deliro com a minha nova / linda / eficiente / e, infelizmente, caríssima, nova panela LE CREUSET que veio comigo de Andorra e a quem não paro de olhar, embevecida:


Não é uma beleza, um Rolls Royce? Não é?
Pouco passa das 5 da tarde.
Vou, no entanto, assim que terminar este texto, para a cozinha.
Vou namorar a nova panela.
Vou preparar Bacalhau à Gomes de Sá!

Beijo
Nina

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Em casa!

Cheguei a casa há dois dias e apenas hoje consegui terminar a arrumação.
Venho com a cabeça cheia de ideias - quero alterar a decoração, fazer mudanças, dar uso às compras! Mas, sem arrumação, nada feito! Aquelas três malas abertas, à espera, enlouquecem-me!
Finalmente arrumadas, passarei à fase gira, a fase da decoração.
Antes, porém, tenho ainda que desfazer a árvore de natal e arrumar toda a tralha alusiva.

Para já, alimentámo-nos de sobras congeladas.
Hoje deu-me para inventar uma mistura de vegetais, coberta por arroz, polvilhada com queijo, para inaugurar estes corações - compra nova vinda de Andorra!

Com uma sopinha, farão um jantar levezinho como se exige após os exageros natalíceos.



Como resistir?

Eu, não! Eu, nunca!

Comecei por colocar um pouco de azeite num tacho ...

... e, do congelador, em pedra, retirei esta porção de alho francês (porró) ...

... que fritou ligeiramente ...

... recebendo , depois, umas 5 fatias de presunto, cortadas em tirinhas, e ainda, alguns cubinhos de chuchu, que fritaram um pouco, recebendo, quando o líquido desapareceu, um pouco de vinho branco.
Tapei e deixei que cozesse por 10 minutos.
Acrescentei, então, 1 colher de sobremesa de Maizena, desfeita em meio copo de leite.
Mexi e vi que ganhou corpo.
Temperei com sumo de limão e pimenta.
Perfeito.
Não precisou de sal - o do presunto foi suficiente.
Bati 2 ovos e juntei à mistura, mexendo até coagular.

Enchi até meio, cada um dos corações.
Polvilhei com queijo ralado.

Acabei de encher , com arroz de ervilhas e açafrão que sobrara do almoço.
Tapei!
Meti no forno a 50 graus para que não arrefeça.
Jantar pronto!
Primeiro uma sopa de legumes, depois um coração misterioso - que é como se querem os corações - depois uma fatia de bolo rei e, a finalizar, uma salada de fruta.
Muito chique!
Muito barato!
Muito bom!

Beijo
Nina

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Delicias


Já estou em casa! 
Encontrei um ambiente absolutamente gelado, daqueles em que,  expirando,  se cria uma nuvem de vapor, o que me leva a concluir, uma vez mais, que o clima está, no mínimo esquizofrénico, com grandes frios e grandes calores, fora do tempo e do lugar.
Apesar da casa gelada e - agora - desarrumada, estou muito feliz de volta ao ninho!
Antes de falar de hoje, não posso deixar de mostrar uma preciosidade em forma de loja que encontrei na parte antiga da cidade de Avignon.
É uma confeitaria, mas poderia muito bem ser uma joalharia ... passo a explicar e a mostrar porquê!


São tangerinas e figos "confit" ...

... aqui misturadas, em pirâmide, com peras ...

E aqui fatias de abóbora, de novo com figos ...

... e ainda ananás com morangos!
Não apetece comer, apetece, essencialmente admirar!

Quando recordo as minhas cascas de laranja cristalizadas - que podem ser vistas AQUI- sinto um certo orgulho, na medida em que fui capaz de dar um primeiro pequeno passo.
Mas, haja objetividade, aqui, estamos perante uma verdadeira obra de arte.
Em Avignon, na cidade antiga, é só procurar esta confeitaria:


Autrefois ...

Entrar e deixar que os sentidos se percam.

Beijo
Nina

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Avignon

Deixando a Alemanha, descemos até Avignon, uma cidade no sul da França que, durante anos, foi residência  de vários papas.
É Património Mundial da UNESCO desde 1995. E não por acaso!


Mostro aspetos do Palácio Papal e não encontro adjetivos para o classificar na sua grandiosidade.
É impressionante!

É possível visitá-lo e , de resto, merece a visita.

Há  edifícios  majestosos no centro histórico da cidade velha ...

...onde se encontram ângulos inusitados ...

... sendo de notar a altura imensa em que se desenvolve o Palácio Pascal.

Sendo tão diferente do que normalmente se observa, merece uma visita.
Não são necessários dias. Um é suficiente.
Pode-se fazer a visita embarcando no comboiozinho turístico, mas preferi percorrer as ruas e ruelas a pé!

No centro da cidade encontram-se imensos hotéis, mas a quem preferir a tranquilidade dos arredores, não faltam opções muito simpáticas.
De referir que, na cidade velha, só se acham lojinhas de comércio tradicional ... muito, muito caras!
Nos arredores, multiplicam-se os modernos centros comerciais, onde os preços altos se mantêm, o que aliás acontece em toda a França ... vá ser careira assim lá nos quintos do inferno!
Ainda assim, não se pode deixar passar a vida, sem, pelo menos uma vez, dar um mergulho pela incrível França!

Beijo
Nina




domingo, 4 de janeiro de 2015

O primeiro dia de 2015


O primeiro dia de 2015 amanheceu branco, tranquilo e com céu azul.
Nas ruas, ninguém e o único sinal de vida era o fumo que se escapava das chaminés, rodopiando em direção às alturas, numa povoação harmoniosa onde apetecia viver.

A neve deixara de cair e apresentava-se imaculada, intocada por pés ou pneus de automóveis!

Tão lindo, numa tão profunda paz, convidava à muda contemplação e meditação.

Para onde quer que se olhasse, o mesmo mar de neve!

O inverno no seu máximo esplendor!
No mesmo dia, rumei ao sul e, gradualmente, o mundo perdeu este manto branco.
Na memória ficou a recordação de uma  realidade quase paralela.
Para o ano, se tudo correr bem, haverá mais!

Beijo
Nina


sábado, 3 de janeiro de 2015

O meu reveillon!

Sendo absolutamente sincera, não dou nenhuma importância a esta data e, normalmente, comemoro-a em privado, limitando-me a comer as uvas da praxe e a brindar com um golinho de champanhe. Chega!
Este ano, porém, estava em Freiburgo, como, na altura,  referi.
O hotel, quase familiar, de seu nome Lowen, muito acolhedor, simpático, bem situado, impecavelmente limpo, foi o poiso escolhido.
Dispunha de um quarto amplo, com casa de banho e uma vista ampla sobre a paisagem branca.
Servia um pequeno almoço substancial, com produtos de primeira qualidade, em mesas impecáveis, sempre com toalhas lavadas e passadas e guardanapos de pano branco. Estes detalhes dizem-me muito!

Jantei sempre no hotel e jantei muito bem.
Até que chegou a noite de passagem de ano.
Aí é que foram elas!
O menu era looooongo e sem opção.
O primeiro problema que se me pôs foi a falta de vestimenta adequada, eu que, imprudente, metera dois pares de calças na mala e pouco mais.
Perante a eminência do desastre, - olha! - desliguei o ralador!
E lá me apresentei de calças e botas pronta para destoar muito. Mas não! Os restantes hóspedes não primavam por extraordinária elegância,  portanto, nesse aspeto, tudo correu bem!


Este senhor, proprietário do hotel e mestre de cerimónias, abriu as hostilidades
com um discurso do qual não apanhei nada, o que não me impediu de aplaudir entusiasticamente!
Chamo a vossa atenção para o artista vestido com camisa roxa em lamé, ao fundo,
e para a comensal de rabo de cavalo e blusa laranja!
Em comparação, eu estava um "must"!

Depois escolhemos o vinho e ...

...  meia hora depois surgiram os "amuse bouche", uma espécie de choux de peixe com um gostinho a caril!
Mesmo bom!
O que não foi tão bom, foi o ritmo da refeição - entre cada prato, a meia hora de intervalo da praxe!
2 horas volvidas, a pedido, desistimos das restantes iguarias e comemos a sobremesa.
Entretanto, iniciara-se o divertimento, com música e dança, em que não participei dado o pé de chumbo de uma certa pessoa ...
Da janela do quarto, vi o céu acender-se em mil luzes, antes e durante as 12 badaladas e, assim, confortavelmente, o reveillon, decorreu e terminou a festa!
E no outro dia já era 2015!

Beijo
Nina