terça-feira, 28 de agosto de 2018

Ceausescu


Em Bucareste, uma das visitas obrigatórias e incontornáveis é a Casa/Palácio de Ceausescu, Presidente da República Socialista Romena.

AQUI

encontramos um resumo biográfico desta personagem e a visita à sua Casa/Palácio prova a imensa hipocrisia do regime que representava, uma casa luxuosíssima, num país paupérrimo, onde, a dada altura, o povo subsistia miseravelmente.

Nas palavras de Adrian, o nosso magnífico guia, esta casa/palácio encontrava-se completamente vedada ao conhecimento do povo. Mesmo os operários que a construiram e nela trabalhavam eram obrigados a calar, a guarar silêncio, a manter segredo , sob pena de cairem nas mãos da tenebrosa polícia de estado.



Aqui no blog, evito levantar questões políticas ou religiosas, atendendo ao seu âmbito - em que procuro preservar a privacidade por que optei, tanto a nível físico como intelectual.
Neste caso, porém, limito-me a reportar uma realidade comprovada - Ceausescu foi um político brutal que reduziu a Roménia à miséria.

Abria, contudo uma ou outra excepçaozinha - é ver a modesta casinha que habitava !

Mármores?
Sim!
Mas só de Carrara!


Clarabóia magnífica, numa das zonas comuns


Pavimento, tapetes, estofos e cortinados, só do bom e do melhor
 
 "Nicolae Ceauşescu (Scorniceşti26 de janeiro de 1918 — Târgovişte25 de dezembro de 1989)[1][2] foi um político romeno que serviu como Secretário-geral do Partido Comunista do seu país de 1965 a 1989, servindo também, a partir de 1974, como Presidente da República Socialista da Romênia. Seu governo ditatorial foi derrubado na Revolução de 1989.



Ceausescu foi pai de três filhos, dois rapazes e uma menina os quais - como não poderia deixar de ser ... - viviam em igual opolência.
Nada contra, se o pobre povo  recebesse tratamento justo.




Continua o desfile exibindo o quartinho de um dos meninos






São salas e salões, todos de um luxo asiático, um luxo chocante face ao tempo e ao lugar.

"Ao subir ao poder, se mostrando inicialmente como um moderado, ele aliviou a censura à imprensa e condenou a invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia com um discurso em 21 de agosto de 1968, que fez com que sua popularidade aumentasse. O período de estabilidade foi, contudo, breve; seu governo, com o passar dos anos, foi ficando cada vez mais autoritário e se tornou um mais ditatoriais do Leste Europeu. Sua polícia secreta, a Securitate, era responsável pela vigilância em massa e repressão política, acusada de abuso de direitos humanos. O regime de Ceaușescu acabou por censurar a imprensa e fechar jornais com viés de oposição, criando um dos aparelhamentos de segurança interna mais brutais do mundo na época. Eventualmente, a má gestão econômica levaria a um crescimento da dívida externa, colocando a economia romena num forte ciclo de recessão; em 1982, ele ordenou que quase todo o potencial agrícola e industrial produzido pelo país fosse exportado, com o objetivo de gerar renda adicional para pagar as dívidas da nação. Isso causou enormes escassezes de bens de subsistência, levando a subsequentes reduções nos índices de qualidade de vida, devido a falta de água, comida, petróleo e derivados, aquecimento, remédios, eletricidade e outras coisas. Para tentar aparentar estabilidade, o culto a personalidade ao redor de Ceaușescu foi aumentado exponencialmente, acompanhado por um deterioramento das relações internacionais e falta de apoio externo."

Aqui o quarto dos pombinhos - Ceausescu e Elena, com fama de ser ela a verdadeira detentora do poder, quem mandava e desmandava no destino do país, no destino das pessoas




Curiosa esta opção de "sala de estar" na casa de banho do casal. Presumo que aqui se converssasse, se convivesse

E agora, o melhor, o modesto guarda roupa da primeira dama:








Como curiosidade informo que este modelito é Chanel!



Reconheço-lhe o bom gosto - apesar dos maus fígados!
Para terminar - com a cereja no topo do bolo - eis a zona de lazer:


Magnífico jardim de inverno ...


Escadaria principal que conduz  ...



à piscina!
E que piscina!

As próprias paredes são verdadeiras obras de arte em mosaico.

Foi bom enquanto durou, (não foi, Ceausescu, não foi Elena?) porque ...


"A partir de dezembro de 1989, protestos anti-governo foram reportados em Timișoara. A resposta de Ceaușescu foi rápida e ele deu ordens para que as forças de segurança nacionais reprimissem os protestantes, levando a muitas mortes. As notícias da repressão levaram a mais manifestações e revoltas populares contra a ditadura em várias cidades do país.[4] Os protestos eventualmente chegaram a Bucareste e a revolta generalizada viria a ser conhecida como Revolução Romena — se tornando a única derrubada violenta de um regime comunista durante as revoluções de 1989 pela Europa Oriental.[5] Ceaușescu e sua esposa, Elena, fugiram do sitiado palácio do governo e evadiram a capital num helicóptero militar, mas foram logo capturados por tropas do exército romeno que haviam passado para o lado dos revolucionários. Em 25 de dezembro, com o país mergulhando no caos, Ceaușescu e sua esposa foram rapidamente julgados por "sabotagem econômica e genocídio",[6] sendo então sumariamente executados por um pelotão de fuzilamento.[7] Ceaușescu foi sucedido no poder por Ion Iliescu, um dos líderes da Revolução."


E assim, sem honra nem glória, este tenebroso casal e o que ele representava passou à história - pelos piores, pelos mais tristes  motivos.

Felizmente, a vida flui indiferente a ideologias e o país avança, a custo,é verdade,  com dificuldades, sim, mas com vontade, buscando o rumo certo.


Beijo
Nina


domingo, 26 de agosto de 2018

Roménia - a religião

Sendo que mais de 90% da população romena é cristã ortodoxa, os monumentos refletem essa realidade. De uma forma belíssima.

Visitámos alguns mosteiros, todos elees ocupados por monjas (sim, são exclusivamente femininos),  todos eles maravilhosos, ostentando pinturas murais antiquíssimas e incrivelmente bem preservadas, inclusivamente as que se encontram no exterior dos edifícios.

Estes são os registos:


O mosteiro de Brasov, apresentando belos frescos.

A visita a estes locais torna-se agradável e fácil, sem filas de espera ...

Entrámos em grupo - aqui alguns dos participantes, que conheci pela primeiríssima vez - oa guias adquirem os bilhetes de entrada e nada de esperas.

Para mim é um mistério a beleza destes frescos. Como se conservarão em tão bom estado?
Através deles, como se se tratasse de banda desenhada, é-nos contada uma ou várias histórias, episódios bíblicos.

No interior ...

... não é permitido o uso de flash ...

Nem 1 milímetro é deixado sem pintura ...

Toda a superfície, do chão ao tecto, se encontra ali, contando histórias.
Uma maravilha!

Este edifício corresponde a um outro mosteiro.
Os jardins são lindíssimos, tratados pelas monjas que aí habitam.

O grupo, deslumbrado, escuta as explicações.

A monja que se vê em segundo plano, cumprimentou-nos em francês, afável e civilizada.


Continuando o percurso, entrámos num outro mosteiro.

Se algum dia me tivessem sugerido tão grande número de visitas a mosteiros, tenho a certeza que não iria aderir.
Porém aqui foi diferente. Valeu a pena.
São mundos à parte, que se regem por princípios próprios que, nesse contexto, fazem todo o sentido.

Voltando ao mosteiro seguinte, contemplámos um belo edifício, rodeado de jardins magníficos.
No seu interior as monjas dedicavam-se a artes variadas - pintura, tecelagem, fiação, etc.
Vendiam os produtos que produziam.





Encantei-me ccom este magnífico tapete.
Não faço ideia do preço, mas pelo trabalho envolvido seria necessariamente caro.

Em teares gigantescos ...

...trabalhavam.

Nas varandas, esta maravilha florida - tudo obra das monjas.


O edifício onde habitam tem um aspeto extremamente cuidado e acredito que o clima seja de grande paz.





Acrescento que não existem Ordens!
Todas as monjas, todos os mosteiros são ortodoxos, sem qualquer marca que os distinga.

Foi uma vertente cultural e religiosa muito intertessante, que ultrapassou largamente as minhas expectativas.

Proximamente, preparem-se para ouvir falar de uma personagem terrível - o monstruoso Ceausescu.

Beijo
Nina

sábado, 25 de agosto de 2018

Roménia


Finalmente, depois de muitos tropeções e vários impedimentos - nada de grave ... - tenho finalmente tempo disponível para documentar a viagem que tanto me encantou, a visita à Roménia e à Bulgária.

Teve a duração de 10 dias, sendo os primeiros 7 gastos no circuito pela Roménia.

Surpreendeu-me  a imensidão de verde e a arquitetura com fortíssima influênciaaAlemã, o que não é de estranhar dada a vizinhança e episódios de ocupação alemã ocorridos durante a história dos dois paíse.

Diria que para além da agricultura, existe o culto pelos bosques, pelos parques ...

... e, de repente, casinhas como esta de onde se espeera, a todo o momento, que saia a Branca de Neve, de tal modo são adoráveis

Torres, construções agrupadas, aconchegadas, com os telhados pontiagudos que fazem adivinhar os Invernos gelados e com neve

O castelo de Peles, antiga residência real mantem a mesma linha

è um local encantador, perfeitamente preservado que todo o turista visita


encantando-se com a imensidão de jardins jardins ...
 No percursso entre as diferentes localidades, mantem-se o cenário ...


Prados, casinhas ...

... e flores ...

... flores em todo o lado ...


A dada altura, parámos junto a um pomar de maçãs e, do chão, apanhámos maçãs deliciosas, abastecemo-nos e eu própria as comi durante todo o percurso.


Acho que a abundância é tanta, que ninguém se dá ao trabalho de recolher as que caem na relva e por lá ficam - foi preciso chegarem os portugueses para porem fim ao desperdício.
 As refeições estavam todas incluídas, sendo que umas vezes eram excelentes, outras aceitáveis. Ainda assim a comodidade de encontrar uma mesa posta aguardando a nossa chegada, é inegável.

Um dos almoços decorreu junto ao Lago Vermelho ...


Este pedaço de paraíso.


Quanto ao facto de que o verde predomina, acho que o consegui provar.
Verde mais verde ... será difícil encontrar - Se calhar só no nosso Minho chuvoso.
Foi, portanto, em termos de paisagem, muito lindo.

Amanhã (talvez) continuo.

Beijo
Nina

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Adrian




Apresento o nosso guia romeno, Adrian, um excelente profissional, com conhecimento rigoroso da realidade romena.
Falava português, português fluente, com construção de frases corretas, falhando apenas na acentuação das palavras, nada que impedisse a compreensão absoluta do seu discurso.






Além de culto, era senhor de um fino sentido de humor o que fez dele um excelente companheiro de viagem.

Bravo, Adrian!

Beijo
Nina

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Como custa recuperar as rotinas!
A casa continua desorganizada, tão desorganizada que chego a pensar que jamais entrará nos eixos.
Adio o lazer, presa a obrigações comezinhas.

Espero o momento certo para sentar eternizar as memórias daqueles países essencialmente verdes.
Assim, tão verdes que poderiam ser confundidos com  a Suíça, a Áustria ou a Alemanha.




Recordo que me decidi por esta aventura pelos motivos errados, já que, por puro preconceito, antevia que os. romenos não seriam os melhores anfitriões - coisa feia, reconheço - mas as coisas são como são e todos já nos confrontamos de uma forma ou de outra, com as ciganas romenas que nos assediam na rua ou no parque de estacionamento dos supermercados. Aliás, Adrian, o guia romeno que nos acompanhou - pessoa encantadora, dono de uma cultura vastíssima, profissional de alto gabarito -  ele próprio, ressentido, responsabilizava essas suas compatriotas por haverem destruído no exterior a reputação do seu povo.

Acabei de citar a primeira surpresa - o povo é civilizado, embora reservado, o país seguro e, o que é verdadeiramente importante, tem imenso para oferecer, em termos culturais e paisagísticos.

Será difícil fazer uma síntese justa e abrangente. De momento edito dezenas de fotografias. Leva o seu tempo. Ainda mais quando procuro instaurar a ordem nesta casa, de momento, caótica.

Beijo
Nina