terça-feira, 26 de abril de 2011

Bordados 2

Cá em casa, habitualmente, mudamos os lençóis à segunda-feira.
Tenho , como estratégia , para garantir a rotatividade, mantê-los arrumados em duas pilhas, de modo que, se retiram da pimeira e se repõem na segunda, depois de lavados e passados.
Hoje, quando procedia a essa operação, verifiquei que chegara a vez deste conjunto, de que gosto particularmente:






Este conjunto foi bordado ( por mim, é verdade...) ao mesmo tempo que o outro já exibido em Bordados
quando, pela persistência, consegui alcançar um resultado satisfatório que, atualmente, me está completamente vedado.

Aprende-se a bordar, bordando, tal como se aprende a escrever, escrevendo.

Este desenho é, em si, uma obra de arte.
 Foi retirado de uma revista italiana, RAKAM, que continua a publicar-se e que, às vezes, ainda compro, mas que, infelizmente, não vale um décimo do que valia há 20 anos atrás.
A combinação do azul e verde é arrojada para os padrões normais, mas a natureza não se rege por eles e impõe os que muito bem lhe apetece, sendo que o resultado é sempre insuperável.

Reconheço que não são lençóis para os dias que correm, mas lá voltamos nós ao problema do tempo.
O tempo é uma realidade subjectiva, é aquilo que fazemos dele!
Se valorizarmos o espetáculo  visual que é uma cama feita assim, com tempo, com cuidado, concluiremos que foi tempo bem empregue.

Afinal, o que é a vida se não uma série de momentos pequeninos  que sobressaem da rotina dos dias?
Gosto, verdadeiramente, de alimentar esses momentos, feitos de pormenores de que se pode, mas, se estiver ao nosso alcance, não se deve prescindir.

Beijos,
Nina

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Chocolate

No Notícias Magazine, de 24 de Abril li o artigo:

CHOCOLATE
Dádiva da Natureza

Onde se afirma:
" A semente do cacau pertence ao género Theobroma, ou alimento dos deuses"

A maior parte dos seres vivos que já o experimentaram, concordam com esta afirmação.
Além de delicioso, possui outras características que o tornam único.




Fui, há tempos, convidada para um casamento e calhou, que na minha mesa, entre outras pessoas , se sentassem duas médicas, na casa dos 50 anos, recentemente viúvas.
Ninguém conhecia intimamente ningém, daí que o clima inicial fosse de alguma contenção e até de cerimónia.

Porém, servidas que foram as primeiras bebidas a acompanhr os respetivos pratos, rapidamente se derreteu o gelo, caíu o formalismo e, ficamos amigos de longa data.

A conversa recaiu, inicialmente, sobre as fatiotas das presentes, com ápartes elogiosos e outros nem tanto, dirigidos às convidadas cuja distância física as mantinha na ignorância sobre os nossos crueis , mas deliciosos comentários.

As  médicas viúvas, sem constrangimento confessaram que se haviam visto obrigadas a comprar fatos novos, porque não cabiam nos que já possuíam.
Estavam gordas, afirmavam sem complexo ou remorso.
Porquê?
Porque, todas as noites, a acompanhar a leitura em curso, comiam um chocolate até à última migalha, nomeando, inclusivamente, a lista dos absolutamente irresistíveis:
--É o prazer que nos resta! -- proclamavam sem sombra de arrependimento...

Com efeito, está provado que o chocolate interfere com o estado de espírito, promovendo o ânimo e a boa disposição.
Igualmente importante é o seu papel na prevenção das doenças cardio - vasculares e na diminuição do colesterol mau, através de um processo químico muito chato, que não interessa nada desmontar.

O que é certo e seguro é que comer chocolate, além de ser um prazer dos deuses, faz bem à saúde.

Infelizmente, "não há almoços grátis" e se comido sem moderação, engorda, o desgraçado.

Gisele Piletti, do blog " Nutrição e etc"  (gipiletti.blogspot.com), que é nutricionista, e, acima de tudo, queridíssima, esclarece dúvidas sobre a ingestão desta delícia.
Aconselho, vivamente, uma visita ao seu blog.

Já pensaram se podiam viver sem chocolate?
É que poder, podiam, mas, seguramenete, que " ... não era a mesma coisa..."

A propósito, confiram a receita de Brownies, na Cozinha da Nina e comentem, please...

Beijos,
Nina





domingo, 24 de abril de 2011

Quem semeia ventos ...

Colhe tempestades.
Mas o inverso é também verdadeiro.
Lembram-se das dores nas costas de que me queixava no último domingo, após uma puxada sessão de jardinagem?
Pois bem, o investimento rende doces juros.
Esta manhã, após uma semana chuvosa, encontrei , pujante, a minha hortelã que julgava morta.
Afinal estava apenas adormecida e já a apliquei na feijoada de camarão que servi hoje ao almoço e num Mojito, cuja receita forneço na minha cozinha.
Igualmente delicioso é o chá feito com as suas folhas e servido com muito gelo, como aprendi em Marraqueche, Marrocos.
Observemos a plantação, que, pela  amostra, será invasiva:


A segunda surpresa foi ainda mais magnífica.
Há dois anos, comprei um pequeno rododendro, cuja etiqueta antecipava um arbusto com luxuriante floração rosa ou roxa.
Segui todos os preceitos:
Ampla floreira, rega moderada, adubação intermitente ... Nada.
Na  China, vi maciços destas flores enfeitando os jardins dos palácios imperiais.
Eram extraordinários.
Cheguei a comprar um tecido para reposteiros e para forrar um sofá, em chintz inglês, que reproduzia o deslumbramento destas fores.
Desta maneira obsessiva eu as desejava, sem saber o que mais podia dar-lhes para ter êxito.
Descobri hoje:
TEMPO!
Precisavam de tempo de  maturação para atingirem este esplendor:






Valeu a espera!

Temos a péssima tendência de esquecer que o tempo é o nosso bem mais precioso e o único que, na realidade realiza milagres.
Podem, se concordarem, extrapolar este conceito para todos os domínios da vida.

Beijos,
Nina








sábado, 23 de abril de 2011

Mais uma manhã de chuva!

Que não foi impeditiva da peregrinação a Cerveira.
Não chovia, propriamente, antes ameaçava, com o sol encoberto por nuvens cinza.
A tonalidade sombria não apagava a beleza da paisagem, antes a modificava:

No rio Minho, canoagem


Nas margens, uma festa verde e amarela!

Os espanhóis, nossos vizinhos da Galiza, tiraram o dia para uma invasão barulhenta, mas pacífica.
Na estrada, as filas de automóveis  arrastavam-se porque eram muitos e a paisagem merecia.
No restaurante, grupos numerosos faziam correr os empregados, pouco habituados a tamanha solicitação.
São alegres, extrovertidos, desinibidos e estão em casa onde quer que estejam.
Sou fã de nuestros hermanos.
Invejo-lhes a moda, o ar cosmopolita das suas cidades e adoro a sua comida... as tapas, oh! Meu Deus, as tapas são uma invenção divina ou demoníaca, conforme a perspectiva.
Apesar dessas delícias, eles vêm em multidão e devoram os nossos petiscos.
Hoje, encontrei-os no restaurante Mariana, onde, simplesmente, se come o melhor peixe do mundo.
Quem o afirmou foi o grande Jorge Amado, cidadão do mundo, hedonista por excelência, investigador atento e perspicaz de tudo o que nesta vida é bom ( sendo ou não pecado, imagino...)
Estes robalos são retirados do Atlântico por pescadores artesanais que aqui os depositam.Alguns, ainda estão vivos e, em tempos, existia neste local um tanque com algas e água do mar, onde os peixinhos, inocentemente, nadavam até serem eleitos por um comensal esfomeado.

Lagostas e lavagantes esperneiam na santa ignorância do destino cruel que os espera

Sobre este sargo "escalado"  recaiu a nossa gula!

O ambiente é simples, muito asseado e com detalhes decorativos da cultura local.

No litoral, existe uma pequena povoação, por onde passámos após o almoço, de que gosto particularmente, Esposende.
Nela encontro certas semelhanças com as zonas balneares inglesas  um recato e um charme, que sugere praia (pouca, devido à nortada...) e horas de leitura em esplanadas abrigadas.


Foz do rio Cávado.
Para além do banco de areia, ao fundo, o Oceano Atlântico.
No ar, kitesurf!

Passadiço.
Ao fundo, restaurantes, bares e esplanadas

Pista para bicicletas.
À direita, vivendas discretas, para férias ou fim de semana

O tempo, entretanto, melhorou.
O céu limpou, o vento norte afastou nuvens e chuva e a promessa de sol está aí.

Beijos,
Nina



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Das mãos da Teresinha...

Foi, graças à generosidade da Teresinha que consegui tricotar este  casaquinho:

Frente
Costas

É uma peça só, muito fôfa e rápida de executar. 
A Teresinha informou-me que serve a um bebé entre os 6 e os 9 meses.
Se andei com ele às voltas muito tempo, foi, apenas, porque queria libertar-me da manta de crochet ( anteriormente postada), cujo calor que provocava, se estava a tornar insuportável.
Agora, missão cumprida, tenho já outro projecto debaixo de olho, que a seu tempo, mostrarei.
E já que parece que o Inverno regressou, sem solicitações, nem tentações para sair, vou ser uma menina prendada e mostrar os meus talentos.
Só para documentar o clima tenebroso que nos invade, vejam o pôr do sol de ontem:




E a ameaça cumpriu-se.
Hoje, choveu todo o dia.

Beijos
Nina





quinta-feira, 21 de abril de 2011

Day After

As repercussões das comprinhas de ontem perduram.
Já vesti tudo, mirei e remirei e, curiosamente, a peça que mais me agradara, o vestido, foi o que maior hesitação me causou.
Já o pendurei no roupeiro, mas ainda não estou absolutamente convencida e, como todas sabemos, em caso de dúvida, recusa-se.
Oh! dúvida cruel! Tão lindo, tão alegre no cabide e , no corpo, não brilha como prometia.
Lembrei-me de umas sandálias que trouxe do Brasil em azul turquesa que podem muito bem ser a cereja no topo do bolo que está em falta.

Sandálias azul turquesa

Estou dividida!
Estou divertida com este dilema infantil!
Estes sapatinhos verde-água, em camurça, muito retro, muito vintage, podem também ser uma opção a favor do vestido.
Não garanto nada, por enquanto.


Já as bermudas e a saia são perfeitas, não têm mas.

Um amigo meu, muito inteligente, muito sereno, muito compreensivo e muito bem casado com uma amiga, grande colega nestas batalhas das compras, comenta com doçura, ele que usa, calmamente, uma meia de cada cor:
--É uma doença , uma dependência como outra qualquer!  (Aqui, devo esclarecer, que ele é médico)
A euforia é momentânea, produzida pela circulação de adrenalina no sangue, explica o douto clínico. Quando cessa o seu efeito, não podem evitar uma nova compra!

Como se engana! 
Isto de compras exige traquejo, ponderação, mestrado e doutoramento, para não acabar com um armário cheio de nada.
E, quando se acerta, o bem-estar perdura, renova-se em cada nova combinação, transforma-se em estilo que exige actualização para fugir do clássico que é bom apenas para museu..

Aqui, neste shopping virtual, tenho realizado grandes acções de formação, ministradas por autênticas catedráticas na matéria.
Quem, como eu estiver na disposição de aprender desde ponto de cruz, tricot, crochet e culinária, passando pela maquillagem e terminando na moda, pode evoluir sempre, crescer  como ser humano, investir na aprendizagem, abrir-se para compartilhar saberes e, fugir aos clichés que arrumam as mulheres em prateleiras estanques.
Grande Internet!
Além de incentivar silhuetas elegantes, muscula-nos a mente.
Sortudas, nós as que vivemos neste tempo!

Beijos,
Nina

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nada como um dia atrás do outro ...

A neura com que ontem me rebolei, porque no fundo devia estar a gostar... (o nosso terrível lado masoquista, não perde uma oportunidade de se empanzinar), passou, passou mesmo. 



Esta manhã acordei cansada das grandes batalhas inconscientes que, seguramente, travei ao longo das horas, com frio, porque o Verão que não era mais que promessa, já se foi, vendo ameaça de chuva no céu carregado, mas viva, fula com este clima miserável, ensonada, mas viva, não apática, atordoada, fora deste mundo, como me dera ao luxo de estar na véspera.
O que é um enormíssimo desperdício.
É , atrevo-me a afirmar, PECADO.
A vida é curta de mais para ser desperdiçada, assim, tolamente, por insignificâncias.
Eu, com todos os enormes defeitos que tenho, afirmo, categoricamente, que não sou invejosa, naquele sentido rasteiro e pequenino, de ficar mal face às posses, propriedades e valores materiais dos outros.
Não, não sou minimamente invejosa, embora tenha objetivos, metas a atingir, ambições a concretizar.
Mas, se agora tenho  1000 e possibilidades correspondentes de concretizações, quando apenas tinha 10, era igualmente feliz, apenas porque não ambiciono o que não está ao meu alcance.
Num pormenor, contudo, devo admitir que sou invejosa...
- Sou invejosa de quem consegue desligar das chatices!
- Sou muito invejosa de quem consegue colocar os acontecimentos em perspetiva, isto é, sabendo que tudo passa, não abraçando os problemas!
- Sou muitíssimo invejosa de quem não se leva a sério, ciente  da nossa própria pequenez e transitoriedade face à imensidão do universo!
Mas eu ainda chego lá, à autoconsciencialização da minha dimensão de formiga ( que digo eu?...), de célula cósmica.
Portanto e recapitulando, quando me dá, dá-me forte, mas, obrigada Meu Deus!, passa-me rápido.

Assim, esta manhã, a chuva ameaçava e voltei a desempacotar as botas:



E ala que se faz tarde, porque se vejo aprovação nos olhos dos outros, espanto os farrapos de neura que teimam em persistir.
E vi.

Preparei um opíparo almoço que vai aparecer, daqui a pouco, na Cozinha da Nina, e, na hora acordada, eu  e a amiga convocada rumamos ao shopping.

Em plenas férias da Páscoa, o movimento triplicado lá estava.
Mesmo assim, compramos umas coisinhas para o Verão que tarda, mas não falha:




Ainda não experimentei nada, dada a possibilidade  de vestir em casa e devolver se não agradar, mas, assim à primeira vista, parece-me muito remota a hipótese de devolução.

Uma vez experimentados, submeter-me-ei, humildemente, ao vosso julgamento.

Beijos,
Nina