quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Espremedor de limão

Campeã de inutilidades, sou dona das mais improváveis maquinetas.
No caso, o espremedor de limão é invenção genial e nada tem de inútil!

Este é o aspeto, conseguindo-se com simples rotação, extrair a totalidade da polpa e sumo do citrino.

Quando os limões são duros é que ele mostra toda a sua eficácia ...

... deixando-os assim, ocos, só casca.

É certo que poderia utilizar o espremedor de laranjas, pois podia! Mas era uma tralha imensa desarrumada, um monte de artefactos para lavar. Não, mil vezes este esporão rotativo.
Vi-o pela primeira vez, numa série inglesa protagonizada por duas figuras impagáveis, um par de velhotas que de mota se deslocavam por todo o território, montadas em potente mota, devidamente equipadas com capacetes e óculos pós guerra.
Esse foi dos primeiros programas de culinária a que assisti, sendo as protagonistas verdadeiras pioneiras da invasão que se seguiu - é que - não restam dúvidas - a culinária vende!
Com deleite, via-as percorrendo estradas secundárias de uma Grã- Bretanha rural de encantos infindos.
Cozinhavam umas refeições fartas e suculentas para os mais diversos públicos, desde aristocratas a lenhadores. E cozinhavam bem, inacreditavelmente bem, num país que faz jus à má comida!
Com elas entrei em mercados coloridos por mil vegetais e frutas, fui à lota abastecer-me de peixe e marisco e, em talhos assépticos comprei carnes variadas.
Também com elas e graças a elas, me apeguei a estranhos artefactos de uso imprescindível na cozinha, como é o caso deste espremedor de limões, com a diferença de que o delas era feito de madeira.
Foram horas de puro deleite, voando à boleia na sua moto pelas mais incrivelmente encantadoras localidades do British Country.

Continuo fascinada por esses cenários, por essas cores, por esses espaços e, por isso, me confesso  fã fervorosa de DOWNTON ABBEY e MIDSOMER MURDER.
Na primeira, extremamente bem feita, atentíssima a detalhes e fiel à história, é-me - ainda por cima ... - permitido descer à cozinha, gloriosa cozinha de outros tempos em que apenas o rótulo de "sublime" lhe assenta!

E toda esta conversa a propósito de um mero, embora muito eficiente, espremedor de limões, que pode até ser sugestão de útil presente de natal! 

Beijo
Nina

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Narcisos ou cebolas?


Cheia de fé e entusiasmo comprei uma embalagem de bolbos de narcisos com "garantia" de floração... isto há várias, há muitas semanas.
Tratei de os plantar adequadamente, espessa capa de drenagem e solo apropriado, exposição solar generosa, uns quantos carinhos diários para que não se sentissem sós.
Tudo conforme o figurino.

A uma semana do natal, apresentam-se assim, umas cebolas greladas!

Quatro receberam tratamento diferenciado ...

... sendo colocados em frascos cheios de água, para onde não tardaram em lançar raízes, porém, flores, nem vê-las!

Nesta janela - de todas, a minha preferida - virada a poente, se quero flores, vejo-me obrigada a contentar-me com os malmequeres  amarelos artificiais,  "nascendo" do bocal de uma garrafinha azul que guardei por ser diferente, mas quanto a narcisos ... estamos conversados!

Nesta janela, dispensei cortinados, coisa improvável em mim, adoradora de cortinas, reposteiros e tapetes.
Beneficiando de um quadro vivo, diferente todos os dias, bani outros enfeites.
Mas que um conjunto de narcisos enriqueceria o conjunto, não duvido.


Temos, pois, que a uma semana do natal ...

...  decoro a casa com cebolas!
É o que temos!

Beijo
Nina

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ei-lo!


Pronto!
Hoje vamos tricotar as frentes, mas exponho a obra já acabada para que se animem, peguem nas agulhas e aproveitem as noites frias para tricotar.
Acreditem que resultou em pleno e não sou apenas eu que o digo, pese embora eu ser esquisita e exigente quanto baste e  não me contentar com pouco.
Esta manhã, porque já me encontro mergulhada e entusiasmada com outro projeto de tricô que a seu tempo mostrarei, esta manhã, dizia, fui à loja das lãs, lugar terrível, tribunal implacável, sempre povoado por mestras no ofício.
Pois fui lá, usando o meu fofo, lindo, quente, confortável, elegante e novo casaco recém terminado.
Olharam-me insistentemente, as juízas,  primeiro em silêncio, depois aproximaram-se para observar em detalhe, colocaram questões e "IUPPI!!!!!" teceram rasgados elogios

Assim, de perto,  consegue ver-se o padrão que compõe as frentes, em ponto de arroz e com duas tranças.

Se bem se lembram, para as costas, montara 70 malhas.
Logo, cada frente teria 35 + 5 de remate em canelado 1/1, onde  seriam aplicados os botões e feitas as "casas".
Tal como ocorrera com as mangas, decidi-me pela execução simultânea das duas frentes e gostei da experiência. Demora um pouco mais, mas não ocorrem enganos nas contagens e teremos, garantidamente, duas frentes absolutamente simétricas.

A distribuição dos pontos é aritmética elementar:




- 12 malhas em ponto de arroz + 2 malhas em liga (tricô), 8 malhas em meia, para a trança, 2 m. em liga (tricô), 11 malhas em ponto de arroz e 5 malhas em canelado 1/1.

Tricota-se 67 cm (o decote da frente é um pouco mais acentuado do que o das costas) e repetem-se os mates feitos nas costas, prosseguindo até se obterem as 23 malhas para os ombros.

O avesso tricota-se tal como se apresentam as malhas.

Os botões e as casas devem ser colocadas equidistantemente, de acordo com o comprimento do casaco. 

Estes vieram da Feira de Cerveira e, pelos 10, paguei 3 € ... bom negócio!

No final, cosem-se as mangas, os ombros e as costuras laterais, tendo em atenção o espaço que forçosamente ficará aberto para pregar as mangas.

Depois é só rematar o decote com 5 carreiras de canelado 1/1 e pregar os botões.


Veste lindamente e, com uma camisola/ blusa usada por baixo, é  abrigo mais que suficiente para enfrentar o inverno.

Na minha gaveta de cachecóis descobri um acessório a condizer:


Esta gola!
Um peluche confortável que, por coincidência, se conjuga muito bem com a cor do casaco.

Obriga-me, apenas, a que prenda o cabelo para evitar confusões de cor!

Ainda outro ângulo!
Aprovam?
Então o que esperam para conseguir um igual?
A seguir virão vestidos e camisolas / blusas e o que mais a inspiração ditar.

Beijo
Nina

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mangas

Concluídas as costas - um retângulo sem mistério, passemos às mangas.
Antes, porém, faço notar que não foram desenhadas cavas, por duas razões:

- Para facilitar o trabalho de quem se inicia nestas artes;
- E ainda, porque um casacão amplo, como é este, permite que se vista uma camisola / blusa por baixo sem que o manequim fique com ar de chouriço prestes a explodir.

Essas as razões do retângulo, apenas talhado no pescoço com pequeno decote.

Duas mangas, portanto, nos esperam, o que equivale a repetir a tarefa!
Não gosto de repetições e para delas escapar decidi tricotar as duas mangas ao mesmo tempo!


Assim!
Dois novelos e duas mangas!

Os punhos executam-se em canelado 1/1, isto é, 1 ponto de meia, 1 ponto de liga (tricô), até serem concluídas 12 carreiras.

No prosseguimento, voltamos ao PONTO DE ARROZ, executando, no meio, UMA TRANÇA.
Recapitulando:
- O punho, inicia-se com 30 malhas;
- Tricotam-se 12 carreiras em canelado 1 /1
- Inicia-se o padrão principal, fazendo, pelo lado do direito:

9 malhas em ponto de arroz;
2 malhas em liga (tricô)
8 malhas em meia (que serão trançadas cada 10 carreiras)
2 malhas em liga (tricô)
9 malhas em ponto de arroz

Pelo lado do avesso, tricotam-se as malhas tal como se apresentam.

A cada 5 carreiras, aumenta-se 1 malha em cada extremidade da manga, tricotando até se alcançar o comprimento necessário, medindo desde o punho à axila.

Falando de medidas e do número necessário de malhas para iniciar o trabalho, repito que visto tamanho M, mas, este e qualquer outro modelo poderá ser aumentado ou diminuído de acordo com o corpo com a necessidade.
Para o efeito, indispensável se torna que seja executada uma amostra, montando 20 malhas e tricotando um quadrado.
Depois é só medir, aplicar uma regra de três simples e determinar o número exato de malhas a tricotar.
Matemática útil e prática.

Alguma dúvida?

O meu belo casaco está pronto e já hoje saí com ele.
Um sucesso!
Garanto que não vale a pena inventar coisas complicadíssimas, pois, este modelo facílimo poderá ser incrementado, inovado, transformado até ao infinito, funcionando como se deseja, isto é, como uma luva!

Amanhã, terceira lição:
- As frentes!

Beijo
Nina



domingo, 14 de dezembro de 2014

Casaco


Vamos tricotar um casaco?
 Vamos?
Um casaco original, impossível de encontrar nas lojas, por um preço incrivelmente baixo?
Vamos?
Atenção que o convite é formulado por mim, pessoa sem pretensões a expert em nenhum campo e muito menos neste, o que, de algum poderá motivar as mais inibidas, já que, se eu sou capaz de levar o barco a bom porto, quem não será?
E juro que nisto não existe a mais ténue sombra de falsa modéstia!

No caso, fiz assim:
- Desmanchei um desastre ( e quando digo desastre quero dizer catástrofe ou mesmo cataclismo ....) tricotado no inverno passado, seguindo as instruções de uma revista da especialidade que exibia  uma foto irresistível ... 
Infelizmente, aprendi à minha custa, que essas revistas são tudo menos fiáveis, por isso desconfio, desconfio muito e sempre, das ditas revistas e  instruções inclusas.
Enfim, infelizmente o mesmo ocorre noutros campos, como, por exemplo, na culinária, na qual imagens incríveis correspondem às vezes a resultados intragáveis ... e, também aí, sei do que falo.

Voltemos, porém, ao que aqui hoje me traz - um casaco quente, original e giro, que como todas  sabemos, é característica fundamental e imprescindível , sem a qual não vale a pena investir 1 minuto que seja desse bem mais precioso, que é o nosso tempo.

Tinha então um mostrengo "investível" que me provocava alguma (muita e desenfreada ...) raiva pelas horas de trabalho que envolveu.

Horas exigiu, igualmente, para ser desfeito e reduzido a vários novelos.
O fio não se mostrava marcado pelos pontos anteriores, sendo que a sua própria fiação era irregular.
 Usei-o portanto sem qualquer operação suplementar.





Usei-o com o prazer que sempre acompanha a reutilização, o não ao desperdício.

Espesso, exigia agulhas grossas para que a trama resultasse fofa. Usei as número 7 e comecei pelas costas, montando 70 pontos. Esclareço que o meu tamanho é o M.

Utilizei Ponto de Arroz, simples, muito simples que se a fasquia se encontra demasiado elevada, desmotiva os participantes.
Ora vejam:

- 1ª carreira - 1 ponto meia, 1 ponto liga (tricô), até ao fim;
-2ª - carreira - tricotar os pontos como se apresentam (será a carreira do avesso);
- 3 ª carreira - 1 ponto liga (tricô), , 1 ponto meia, até ao fim;
4ª carreira - tricotar os pontos como se apresentam.

Em suma, o Ponto de Arroz consiste em tricotar alternadamente ponto meia e ponto liga (tricôt), nas carreiras do direito, enquanto que as carreiras do avesso se tricotam conforme se apresentam.
Alguma dúvida?

Sendo extremamente fácil e quase mecânico revela-se ideal para executar durante o serão , frente à TV.

Querendo um casaco "grande", executei , um total de 75 cm, sendo que, ao atingir os 70 cm, fiz o decote.
Considerei  que deveria dividir o total das malhas (70) em 3 partes - 2 para os ombros e 1 para o decote.
Cada um dos ombros ficaria com 23 malhas.
Assim, comecei por rematar as 11 malhas centrais e continuei a tricotar em  separado cada um dos ombros.
Após o remate das 11 malhas centrais, rematei, seguidamente, 3, 2 e 1 malha,de cada lado do decote,  ficando com as malhas necessárias para o ombro.
Repeti a operação, simetricamente, no ombro restante.
E assim completei as costas.

Cá estão elas numa fase avançada do trabalho, devo confessar.
Neste momento o casaco está praticamente concluído. Daí que o relevo inestético, mais não é que uma das mangas
já aplicadas.
Querendo mostrar o passo a passo, vejo-me condicionada por tais circunstâncias.
 As fotos deixam muito a desejar, bem sei!
 São feitas com o Ipad na tentativa de driblar a incapacidade do meu decrépito PC.



Alguma dúvida?

Bom, então, amanhã, faremos as mangas!

Beijo
Nina

sábado, 13 de dezembro de 2014

O meu computador ...

Esta maquineta que me acompanha há anos, sucumbe!
Foi para "as urgências" da FNAC há dois meses e veio, lampeiro, com ar saudável, refeito da mazela que o atacara!
Falsas melhoras!
O artefacto está mal, está lento, está caprichoso.
Fotografias , não as importa por mais maravilhosas que sejam e agora deu-lhe para não me obedecer, o grande chato!
Precisa de férias ou de reforma que já trabalhou muito, mas bem que podia ter adiado a aposentação para janeiro, quando as lojas recuperarem a normalidade, libertas das invasões bárbaras do natal.
De modo que me vou socorrendo do Ipad ... mas não é a mesma coisa, já que o aparelhómetro é senhor de forte personalidade e só faz, quando faz, o que muito bem entende.
Terei, portanto, que ser inventiva, para não ser silenciosa, até porque tenho sempre "coisas" muito giras e absolutamente inadiáveis para contar.
A quem generosamente me acompanha, o meu pedido de benevolência e compreensão.
Em janeiro, com software novo, será um tal debitar de informação que, espero, esta fase pouco produtiva,  de forçada austeridade, será esquecida!

Beijo
Nina

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Quiche

Seguramente uma das mais fantásticas invenções culinárias - com um um nadinha, uma sobra, 
uma qualquer insignificância se elabora um prato bonito, agradável e até sofisticado.

No caso, duas fatias de presunto, esperavam, muito tristes, no frio, que lhes fosse dado uso.
Foram elas, pois, o motor desta delícia.

Por isso, indispensável se torna que, no frio, haja sempre um pacote de massa quebrada 
ou folhada  pronta a ocorrer numa emergência.
( Nomeei a "folhada", apenas porque há quem goste, porque, quanto a mim,desde que participei num curso sobre nutricionismo, no qual, a formadora assegurava que " comer massa folhada era o mesmo que ingerir uma lata de graxa para os sapatos - sic - impressionável  e influenciável que sou, nunca, never, jamais, toquei na dita).
Temos, portanto, que um rolinho de massa quebrada opera milagres...  


... como este.

Fiz assim:
- Forrei a tarteira com a massa e deixei que assim, prontinha, aguardasse;
- Cortei em rodelas finas dois alhos franceses, mas poderia tê-los sustituido
 por modestas cebolas;
- Levei ao lume e deixei que fritassem ligeiramente, 
em lume brando - sempre em lume brando
 que as pressas só para apanhar o comboio!
- Juntei 2 cenouras raspadas e 2 tomates maduros 
cortados em cubinhos, continuando a fritar;
- Chegou a vez do presunto, que demolhei para retirar o excesso de sal e
 cortei em tiras, fritando um pouco mais;
- Acrescentei  as folhas muito bem lavadas de um molho de espinafres;
- Refresquei com 1 copo de vinho branco, fervendo lentamente.
 Retifiquei os temperos e verti na forma que aguardava.


Passei ao "aparelho", como dizia a chefe Inês, uma cozinheira brasileira de mão cheia, 
em cujo curso me inscrevi - sim, sou pessoa de cursos!
Pois o dito aparelho faz-se misturando um pacote de natas com 3 ovos inteiros, 
batendo bem e temperando com sal e pimenta.
Antes de verter esta mistura, decorei a superfície com pedaços de tomate seco e muiiiitas uvas passas!
Polvilhei com queijo ralado!

Vai ao forno a 180 graus - a minha temperatura preferida - durante cerca de 40 minutos,
 resultando na beleza que a imagem documenta.
A versatilidade deste prato é infinita, sempre um recurso magnífico para aproveitar sobras que ninguém no mundo adivinha que o sejam.
Para os vegetarianos, basta excluir o presunto e temos um prato barato, elegante e  perfeito, um luxo, diria.

Beijo
Nina