quinta-feira, 17 de março de 2011

Prioridades

Há que tê-las!
 Não é possível acudir a todas as solicitações, cumprir todos os objectivos da lista, mesmo quando está é apenas virtual, ou mental, para ser mais precisa.
Acordei com um maravilhoso dia de céu azul e sol brilhante.
Prioridade imediata?
-A caminhada, evidentemente. Só dura 1 hora, mas implica equipamento adequado que me impossibilita, em absoluto, de ser vista noutros locais que não na marginal do oceano.
O café que se segue, numa esplanada sobre a praia, acompanhado pela leitura do jornal diário, consome a hora seguinte e, nesta altura, é, já, tempo de regressar a casa para preparar o almoço, sempre tarefa minha.
Terminado o almoço, a verificação do mail e a actualização do blog é o que me apetece mesmo e, como sou senhora do meu tempo, é o que faço.
Para trás ficaram as compras no supermercado, a passagem pela Fnac ( 19 é dia do pai ...) e a visita prometida a um familiar que ficou adiada para amanhã.
Quando terminar a tarefa a que com tanto prazer agora me dedico, se me apetecer, cumprirei as duas primeiras obrigações, atrás designadas, que ficaram adiadas. Repito, se me apetecer...
Esta disponibilidade  aprende-se com os anos, os quais, como se vê, não trazem apenas rugas e mazelas, não... ensinam-nos a estabelecer prioridades a dar tempo ao tempo, como a natureza sabiamente faz.
Veja-se o meu "jardim" que no seu tempo próprio decidiu florescer:
Damasqueiro ( será que este ano dará frutos?)

Alfaces de duas qualidades

Íris

Lírios convivendo com uma cerejeira

Mais lírios

Uma palmeira exótica, em primeiro plano

Limões 100% ecológicos

Margaridas
Begónias

Pata de elefante

Dracenas

E, de repente, eu que estava pressionada, sem tempo, resolvi , calmamente dizer "não", e de escrava, tornei-me dona do tempo, com tempo para olhar, fotografar e viver o meu tempo.

Beijos,
Nina


quarta-feira, 16 de março de 2011

Bem vindos à minha cozinha!



Já o disse, sou um pouco obcecada pela organização.
 Perco-me no meio da barafunda e não funciono no caos.
Gosto de caixinhas, gavetas, prateleiras, recipientes com rótulos, listas e tudo que facilite a minha organização, tudo o que este blog não tem. Aqui cabe tudo, há um amontoada de temas e assuntos, que, frequentemente, nada têm a ver uns com os outros e a abertura de cada post é, de certeza, uma surpresa para quem me visita.
Há que por ordem na casa!
Para começo de conversa, informo os meus queridos seguidores, que vou iniciar um segundo blog apenas dedicado à culinária e assuntos afins.
Se quiserem honrar-me com a vossa visita, por favor, procurem-me em:





nacozinhadanina.blogspot.com

Espero não os decepcionar.
Beijos,
Nina

ALMÔNDEGAS COM VINHO TINTO

Não me canso de repetir que as melhores coisas da vida são as simples ( e as grátis ...).  Na cozinha, valorizo tanto esse princípio, que, às vezes, uma leitura em diagonal de qualquer nova receita basta para que a adote ou a rejeite. 
Pode-se, portanto, esperar das minhas sugestões, em primeiro lugar, a simplicidade, garanto.
A receita que hoje trago é barata, deliciosa e, evidentemente,  muito simples.
Para a confecionar, necessitamos:

750g de carne picada (podendo ser de vaca, aves ou porco, ou um pouco de cada)
2 ovos
1/2 l de caldo de carne
1/2 litro de vinho tinto
1 cebola cortada às rodelas
3 dentes de alho picado
1/2 copo de polpa de tomate
azeitonas sem caroço recheadas 
1 folha de louro
sal, pimenta, pão ralado e azeite q.b

Procedimento:

Fritamos no azeite a cebola e o alho até ficarem transparentes, mexendo para que não queime:




Acrescenta-se a polpa de tomate, misturando bem.


Deixa-se fritar em lume brando por 2 ou 3 minutos

Acrescentam-se então os líquidos e a folha de louro. Tapa-se e fica a ferver muito lentamente, enquanto tratamos da carne.




Amassa-se a carne com os ovos e 2 colheres de sopa de pão ralado. Tempera-se com pouco sal ( não esquecer que o caldo de carne já está temperado) e pimenta.


Tendem-se bolinhas, no interior das quais se coloca uma azeitona descaroçada.


Fecham-se, completamente.




Passam-se bem por farinha.



Mergulham-se, então, uma a uma, no caldo de carne e vinho e deixa-se cozer, fervendo, muito lentamente, por 30 minutos.


O resultado é este.
O sabor é divino.
Mais fácil, impossível.
Como mais-valia, acresce que pode ser congelado sem que perca qualquer qualidade ( eu, que sou moderna e muito esperta... faço quantidade garantida para duas refeições)
Façam como eu!
Beijos,
Nina

terça-feira, 15 de março de 2011

Vila Real de Santo António

Praça Central
( Além dos bares e esplanadas, há uma feira de velharias)

Nasceu como um pequeno porto piscatório, no tempo dos Fenícios, no Algarve, na sua extremidade oriental.
Atualmente, é uma cidade fronteiriça, separada de Ayamonte, em Espanha, pelo rio Guadiana.
Atravessando-o, através de uma ponte moderna, tem-se rápido acesso a Sevilha, a bela cidade Andaluza.
Vila Real de Santo António foi totalmente destruída pelo terramoto que, em 1755, também arrasou Lisboa e a sua reconstrução deve-se ao poderoso ministro português de então, Marquês de Pombal.
Nos dias de hoje, os seus cerca de 14 000 habitantes dedicam-se ao turismo, à pesca e ao comércio.
Equivale isto a dizer que, esta cidadezinha se localiza na proximidade de praias muito concorridas, sendo a mais conhecida, Monte Gordo.
Nas ruas de Vila Real de Santo António, os espanhóis competem em número com os portugueses. Vêm às compras, procurando, principalmente, os artigos têxteis- lar, mais baratos e de melhor qualidade que os espanhóis.
Além disso, sendo terra de pescadores, a oferta de restaurantes é variadíssima.

Não me encanta, particularmente, como cidade, mas a marginal do Guadiana possui ângulos interessantes:


Avenida Marginal

Feirinha de Velharias

Marquês de Pombal


Lutegarda Guimarães de Caires
Poetisa Algarvia que cantou, assim,ingenuamente, as belezas do Guadiana:


Tornei a ver-te! Agora os meus cabelos
embranqueceram já... longe de ti
Foram-se há muito aspirações e anelos
mas as saudades ainda as não perdi

Mas volto à minha terra tão bonita!
Terra onde reina o sol que resplandece
aonde a vaga é murmurar de prece
e sinto ainda a ternura infinita

É que não há céu de tal 'splendor
nem rio azul tão belo e prateado
como o Guadiana, o meu rio encantado
de mansas águas, suspirando amor!


O Farol
Ayamonte, na outra margem do Guadiana
A Marina

Se vale a pena visitar esta cidade? 
Claro que sim!
E atravessar a ponte para "tapear" (= petiscar, comer tapas...) em Ayamonte como qualquer espanhol que se preze, é sempre de uma experiência a não perder.
Beijos,
Nina

segunda-feira, 14 de março de 2011

Frango na Púcara

É uma daquelas receitas que sai sempre bem, que, a partir da clássica, pode ser incrementada com um ou outro ingrediente que lhe refresca o visual, mas, para mim, o mais importante, é que se colocam os ingredientes crus, num recipiente que vai ao forno , o que permite que estejamos loiras, lindas e perfumadas, no momento em que cheguem os comensais.
É uma receita ótima para o dia-a-dia, por ser económica, mas também se presta lindamente para ser servida como prato quente num almoço ou jantar de amigos, aumentando as quantidades, se for esse o caso.




INGREDIENTES:

1 frango do campo cortado em pedaços  ( ou apenas pernas ou peito, conforme as preferências, mas sempre do campo) 
1 embalagem de cogumelos não fatiados
20 cebolinhas inteiras
5 dentes de alho picado
200 g de bacon em tiras
4 tomates bem maduros, cortados em cubinhos
125 g de manteiga ( não margarina)
2 c. de sopa de mostarda ( Savora é excelente)
2 cálices de vinho do Porto
2 cálices de aguardente
1 cálice de vinho branco
farinha suficiente para envolver os pedaços de frango
1 folha de louro
1 raminho de salsa
sal e pimenta q.b.

MODO DE PREPARAR

Cobre-se o fundo de um recipiente que possa ir ao forno e que tenha tampa, com as tiras de bacon.
Seguidamente, introduzem-se todos os ingredientes mencionados, terminando com o frango.
Tempera-se com sal e pimenta.
Tapa-se o recipiente que vai ao forno, a 180 graus, durante cerca de 2 horas. Convem controlar, picando com um garfo, a evolução do cozimento do frango, que, por ser do campo, é mais duro, podendo necessitar, por isso, de um período de cozedura mais alargado.

Terminado o cozimento, colocam-se os pedaços de frango no recipiente em que será servido e observa-se o grau de fluidez do molho. Se estiver demasiado fino e aguado, deve ser engrossado com uma colher de sobremesa de farinha maizena, previamente dissolvida em leite frio que, só depois de totalmente dissolvida, se junta ao molho, mexendo para que não se formem grumos detestáveis. O molho deve ferver para que a farinha coza. Rectifica-se o tempero e cobre-se o franguinho com este molho.

Serve-se com arroz branco ou com uma pasta cozida em água temperada com um fio de azeite.

Para contrabalançar os pecados da carne, há que servir uma grande porção de brócolos cozidos em vapor.
Para o efeito, este artefacto é muito útil, porque impede que os vegetais entrem em contacto com a água, o que lhes roubaria nutrientes:

Artefato fechado
Agora aberto...
Os brócolos cozem se tocar na água que se encontra no fundo do tacho


Escusado será dizer que o líquido será, posteriormente utilizado na confeção de uma sopa ou de um belo arroz verdinho.

Recomendo. Foi o almoço cá de casa, hoje.

Beijos,
Nina


domingo, 13 de março de 2011

Fátima



A 18 Kms da Batalha fica Fátima, uma pequena cidade com cerca de 7 800 habitantes, integrada no distrito de Santarém.
Conforme referi ontem, esta foi a segunda paragem na minha ida para o Algarve.
Antes de passar ao divino, tratemos do profano, já que foi por essa ordem que se desenrolaram os acontecimentos.
Estava na hora de almoçar.
Em Ourém, muito perto de Fátima, existe há anos um charmoso e competentíssimo restaurante, o Tia Alice, incontornável nesta localização.
Este é o seu aspecto interior:


A carta é curta, com meia dúzia de entradas, quatro pratos de peixe e outros tantos de carne, sendo a lista de sobremesas  um pouco mais longa.
Servem, para um mínimo de duas pessoas , isto, a que chamam "Bacalhau gratinado com camarão":


'É irrepreensível, no seu todo, servido em quantidade mais do que suficiente para duas pessoas.
Devo, contudo,  informar que existem mil versões para esta receita, entre as quais está a minha, que terei o maior gosto em divulgar, da próxima vez que a prepare, registando os diferentes passos com imagens, as quais, como toda a gente sabe, valem mais que mil palavras.
Já agora, e modéstia à parte, considero a minha abordagem mais rica, porque incluo maior variedade de legumes e mais equilibrada, já que prescindo das natas.
A seu tempo sujeitar-me-ei à avaliação.

Reconfortado o estômago era hora de rumar ao Santuário de Fátima.
Tal como acontecera com o Mosteiro da Batalha, já o visitara nos idos da minha infância e adolescência.
Do local guardava memórias de uma imensidão impressionante.
Receava, contudo, que, como muitas vezes ocorre com as memórias de criança, a imensidão se transfigurasse num espaço muito mais modesto ou mesmo exíguo.
Tal não aconteceu e, seja-se ou não crente, o espetáculo é avassalador, pela imensidão da área ocupado, pela imponência dos edifícios e pela postura dos crentes, de entrega absoluta pela força da fé.

Reza a história que a 13 de Maio de 1917, na Cova da Iria, três pastores, Lúcia de 10 anos , Francisco de 9 e Jacinta de 7, os dois últimos irmãos e primos de Lúcia, durante a sua atividade, viram, em cima de uma azinheira, uma senhora  que,de rosário nas mãos, "  brilhava como o sol..."
A aparição dessa senhora ter-se-à repetido e dela terão os pastorinhos recebido o pedido de "rezarem muito" .

Após este fenómeno, rapidamente Fátima se tornou local de peregrinação em todo o mundo católico, e ,se as fotos conseguirem dar uma informação próxima da realidade, estes são alguns dos ângulos captados:

Exterior da Basílica
Vitral no interior da Basílica
Escultura representando os pastorinhos
Escultura representando o papa João Paulo II
Vista do recinto exterior
Interior da nova Basílica
Esclareço que as fotografias são redutoras. Não transmitem minimamente a grandiosidade do local.
Falham redondamente na transmissão da atmosfera que lá se vive.
Visitar Fátima, repito, não deixa ninguém indiferente.
Beijos,
Nina

Batalha, Fátima, Algarve ...

Foi o motivo da minha ausência ontem, quando estava planeada uma fuga até ao Algarve, se o tempo permitisse.
Pela manhã, muitas nuvens, uma ameaça latente de chuva, mas o hotel estava pré-pago e a desistência tinha preço.
 Por isso, fui.
A ideia era postar assim que chegasse, mas "problemas técnicos no hotel" inviabilizaram os meus planos e deixaram-me frustrada. Para piorar a situação, no sul, o tempo estava bem pior que no Porto e, por isso, o que estava previsto ser uma estadia de 3 dias transformou-se numa noite ( ainda por cima, mal dormida) e numa viagem de ida e volta.
Valeu pelo percurso que teve paragens muito agradáveis e pelos excelentes almoços e jantares que estou morta por compartilhar.

A começar, tive o privilégio de, a 200Km do Porto, fazer uma primeira pausa na Batalha, uma vila do distrito de Leiria, com cerca  de 16 000 habitantes.
Nela foi erigido, durante dois séculos, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha. 
D. João I de Portugal foi o responsável por esta obra, edificada como prova de gratidão a Nossa Senhora, que terá protegido os portugueses, na Batalha de Aljubarrota, quando estes defrontavam um muito mais poderoso exército espanhol.
Em causa estava uma crise dinástica que punha em perigo a perda da independência de Portugal a favor dos Castelhanos.
Comando por D. Nuno Alvares Pereira, o exército português acabou por expulsar o castelhano, numa luta tão desigual, que só a intervenção divina explicava o sucesso dos primeiros.
Como prova de gratidão, surge esta jóia em estilo gótico, património mundial da Unesco e considerada em 2007, como uma das sete maravilhas de Portugal.


Vista lateral


Porta principal


Detalhe da porta principal



Figuras sobre o arco da porta principal



D. Nuno Álvares Pereira


Túmulo de D. João


Detalhes de outros túmulos

Não foi a minha primeira visita.
Lembro-me que, em criança, no âmbito de uma visita de estudo organizada pela escola, já lá estivera.
Mais tarde, adolescente, voltara.
Mas só agora é que verdadeiramente me emocionei com o jogo de rendas, do crochet delirante executado por mãos iluminadas, em pedra.
No interior, o jogo de luz e sombras não é captável pela objectiva. Transcende a visão, invade-nos, respira-se o mágico e o maravilhoso.
Sempre lá estiveram. Eu é que era cega, incapaz de me desprender das amarras do banal e ascender, por minutos, ao sublime.
Esta é, porventura, uma das vantagens de amadurecer, de acumular anos...

Beijos,
Nina