quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Para começar o ano ...





Na manhã de Ano Novo, com um céu azul sem vestígio de nuvens e um arzinho gelado, quase cortante, saí para desentorpecer as pernas junto ao mar, tomar o primeiro café do dia, ler o jornal e passar os olhos pelo correio.

Vivo muito perto da praia, mas, ainda assim, desloco-me de carro.
Lá chegada, estranhei a quantidade imensa de automóveis estacionados... porque seria?

Lá consegui encontrar um lugar e, arrepiadíssima, dirigi-me para a beira-mar.

Logo ali, de caras, sem anestesia, esbarrei-me com um "rabo" envergando fio dental. 
Um rabo?
 Um rabo, sim!
 Eram duas nádegas brancas, arrepiadas, atravessadas por um farrapo vermelho, que me contemplavam.
O rabo era masculino, esclareço.
O dono, um sujeito descalço e quase nu, passeava pelo passeio.
Estranho!!!!
E ninguém, mesmo ninguém,  merece começar o novo ano contemplando um fio dental vermelho, adjacente a um rabo arrepiado.
Pensei que estava bêbado!
Ou a ressacar uma bebedeira do réveillon. 
Só podia ser essa a explicação.
e segui em frente...



... atravessando a Praça da Anémona.

Muita gente na praia, muito mais do que seria de esperar numa manhã gelada com mar bravo

Ao longo do percurso, uma multidão ...

Até que se fez luz!

Era um ritual ...

... uma espécie de banho santo ...

... para receber o novo ano.

Na praia, os friorentos e os outros ...

... os destemidos.


Homens e mulheres ...

... gordos e magros ...

... enfrentando uma aguinha a 12 graus.

A criatura de fio dental vermelho, a mais sensual de todas, não a vislumbrei de novo.
Terá congelado?

Lá ao fundo o terminal de desembarque dos cruzeiros, impassível, contemplando a coragem dos bravos.
Tenciono visitar este edifício, arquitetonicamente interessante, mas parece ser necessário agendar a visita.
 Fica para outro dia ...



Um dia de menos espantos, de mais normalidade ...

Apenas para comprovar que não exagero quando refiro um dia frio, aqui têm como me equipei para o enfrentar:

Casaco, calças e botas.

Senti a falta de um chapéu, que o vento exigia ...

... e eu - está-se mesmo a ver - não tenho espírito viking ...

... para enfrentar as gélidas ondas.



O mais que consegui foi despir o casaco ...

... mas apenas para a fotografia.

Rapidamente o voltei a vestir.

À cautela, a vigilância ...

... de banheiros e paramédicos.


Que me conste não foram necessários, porque, está visto, provado e comprovado,  somos um povo guerreiro, dado a aventuras ... desde os descobrimentos.
Provado fica ainda  que a alguns essa bravura, essa coragem destemida para enfrentar os elementos, persiste!
Pergunto, no entanto, cética:
- Quantos estarão hoje de cama, vítimas de brutal constipação?
Muitos, deduzo, ou nenhum, que quem tem brio não tem frio.
Mas valeu a pena!


Beijo
Nina

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Retrospectiva


Agora que o Natal passou e o Ano Novo já entrou e eu andei por aí completamente desligada das minhas rotinas, agora que a poeira assentou, façamos um pequeno exercício de regresso ao passado recente. Refiro-me ao Natal.

Não sou dada a grandes excitações quanto a esta data, nada de correrias, de loucuras nas compras, de obrigações festivas, de grandes comilanças... aliás quando se referem ao Natal como momento de todos os exageros, confesso que não sei do que falam. Não engordo 1 grama. Nada. Tudo dentro do habitual, até porque os chamados doces de Natal não são de modo algum sobremesa que me tentem. Enfim, sou uma sortuda.
Porém, o Natal não passa em brancas nuvens como se não tivesse importância. Não! Rodeio-me das minhas pessoas e a tribo confraterniza.
Acontece que a tribo tem crescido em número de elementos ... infelizmente não chegaram bebés, mas,   por circunstâncias várias tem de facto crescido. Tanto que este ano dei por mim a montar uma segunda mesa para o almoço do dia 25, uma vez que, na mesa principal não cabíamos.

Desta ocorrência cheguei à conclusão que preciso de uma mesa de jantar maior - refiro-me àquela variedade que "estica" quando necessário. Vou investir numa. E isso deixa-me muito feliz porque gosto de incrementar a decoração. Portanto, uma consequência do Natal foi esta - comprar uma mesa nova (iuppiiii!).

A segunda ocorrência relevante, foi bem menos agradável. Foi terrível. Porr@! foi dolorosa!
- Queimei-me com açúcar em caramelo quando queimava o leite-creme.
Que experiência "lixada"!
Vi estrelas de todas as cores!
No momento, larguei a pá elétrica. Esta caiu sobre o próprio fio que derreteu, provocou um curto-circuíto e ficámos mesmo sem luz.
Foi necessário ligar o disjuntor elétrico para que a situação normalizasse.

Tive o bom senso de imediatamente colocar a mão em água fria, o que atenuou a dor, mas não impediu o aparecimento de uma bolha gigante. Faz exatamente hoje 8 dias que isto aconteceu.
Tive a precaução de não rebentar a bolha e hoje, finalmente, começou a desaparecer.
Deixo o ensinamento e o alerta - caramelo efervescente é para ser manipulado com todo o cuidado, com toda a precaução.

Tirando esta ocorrência, foi um Natal muito feliz, muito tranquilo, muito aconchegante,
O Natal, este tipo de Natal, faz-me muito bem, faz muito bem a todos os elementos da tribo, esta tribo que tive a sorte de formar e que se ama sem limitações.

Tenham um Feliz 2019 - não se esqueçam de estar bem todos os dias, todos os momentos do dia. Sim?

Então até amanhã, que tenho "resmas" de fotos e de outras cositas mas para repartir.

Beijo
Nina

domingo, 30 de dezembro de 2018

Quase fim de ano

Tenho andado num virote, sem rotinas, sem tempo para nada, nem para o meu amado blogue.
Vou deixando umas fotografias no Instagram, uns apontamentos no Facebook e nada mais.
Em minha defesa prometo que vou contar tudo, ou quase tudo.
Deixo,entretanto votos de um feliz 2019, que os vossos desejos se concretizem.
Por mim, não peço nada, a não ser viver plenamente cada dia, aceitando o que a vida me trouxer.
Sejam muito, muito felizes e muito obrigada por me terem acompanhado (e aturado).

Beijo
Nina






quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Enfrentando a intempérie


Vivo muito bem todas as estações, sendo que a que mais me aflige é o Verão quando ocorrem temperaturas tórridas que me derrubam. Ainda se estou na praia, tudo bem, que para isso temos o mar e a brisa marítima. Já na cidade, o calor excessivo não me agrada, aflige-me, incomoda-me.
Nas outras estações, adapto-me sem problema. É questão de vestir mais casaco ou camisola/ blusa, calçar botas, enfiar um chapéu e pronto!

Ainda na semana passada, numa sexta-feira gelada e chuvosa, lá me aperaltei e a coisa correu bem.


Foi assim ...

Calças de couro, sapatos confortáveis ...

... camisola/ blusa de lã ...

... casaco de pelo ...

... chapéu na cabeça ...

... e pronto!

Feliz e contente sem me deixar abater pelo mau tempo e pronta para enfrentar o vendaval.

A mala dourada é antiga, mas dá uma certa luz ao conjunto e, sendo espaçosa, é perfeita para a tralha feminina. Gosto muito dela e é das tais peças de que não me vou desfazer nunca.

Suponho que não estarei sozinha nesta preferência - calor moderado, sim, deserticamente quente e seco, jamais. Não me digam que é da idade (pois será), mas nunca, nunca me agradou.
Bom, bom é a moderação. Ou frio, mesmo muito frio, de preferência com neve. Ou mesmo chuva. Que a tudo me adapto. Sem medo.

Beijo
Nina

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Lagar em Eiras



Quando o tempo está péssimo com vento, chuva e frio, quando não apetece sair de casa, quando nada me convence a enfrentar o desconforto, há um argumento que funciona- um convite/sugestão para almoçar no Lagar em Eiras.

Tenho falado repetidamente deste local especial, onde, contrariando a lei de que não se deve voltar aos sítios onde já se foi feliz, eu volto, volto sempre, volto muitas, muitas vezes. Sem medo de me decepcionar. Porque sempre tudo é perfeito - desde a comida, ao local, ao ambiente, à simpatia.

No último sábado registei uns quantos ângulos, tentando captar o aconchego que este Lagar proporciona.


Estamos numa casa rústica e, logo à entrada este banco em pedra ...






É Natal!
E, como se depreende, estamos perante pessoas com preocupações ambientais - a árvore é feita com rolhas de cortiça ...

... tal como esta, em tamanho grande, sobre o balcão da entrada.
Passando à sala de jantar, uma sala envidraçada, cheia de luz, a minha preferida!




O mobiliário é rústico, simples, genuino ...

... sem perder a preocupação estética.

Neste espaço cheira sempre muito bem, graças a Encarna que lidera a cozinha com mão de mestra, de artista.
Isso não posso documentar, tal como não posso documentar a música de fundo sempre presente. Ambos, o som e o odor, fazem parte da alma deste lugar.
Curiosamente, Miguel, o proprietário, o mestre de cerimónias, o rosto deste espaço, tem uma especial predileção pelo Zeca Afonso, o nosso Zeca.

Não surpreende, por isso, encontrar o retrato do cantor - obra de Rixa, o pintor - logo à entrada.

No interior , na penumbra, multiplicam-se as mesas:





... em redor de uma lareira.
Ao jantar - que nunca experimentei - acredito que este espaço ganhe particular magia ...
 Ao fundo, através das vidraças desta porta, o quintal ...


... para onde o Lagar cresce no verão.

Descrito o espaço, o prato novo que em boa hora decidi experimentar:


Salada de perdiz em escabeche ... espetacular!

 Portanto:

- Num destes fins de semana - atenção que o Lagar estará fechado durante todo o mês de Janeiro, reabrindo apenas em Fevereiro - quem quiser uma experência que envolva todos os sentidos ...
não tem que saber - Lagar em Eiras (as coordenadas estão no site).

Nada que agradecer.

Beijo
Nina

domingo, 16 de dezembro de 2018

Bolos, sobremesas, cozinhados ...


Desde muito cedo me interessei (teoricamente) pela culinária, com especial interesse pelas sobremesas. Por isso, lia e colecionava receitas, muitas receitas, que guardava religiosamente no "Meu caderno de Receitas".
Nessa altura, repito, era uma teórica, pura e dura. Mas uma teórica ambiciosa que planeava pôr em prática todos aqueles tesouros. Pus alguns. Poucos. Porque cedo conclui ser inútil diversificar só por diversificar, arriscando surpresas desagradáveis e frustrantes - tive algumas. Muitas.
Por isso, mulher feita, comecei apostando numa variedade restrita de propostas - aquelas que nunca falhavam e só de longe a longe, arriscando em experiências inovadoras.
Para acentuar esta minha tendência conservadora, entrou na equação um elemento decisivo chamado desarrumar a cozinha, com montanhas de louça e uma variedade de ingredientes que pesavam na minha escolha. É que deixar a cozinha virada do avesso acobarda-me, faz de mim uma medricas assustada. Por isso, na hora da escolha, a instauração da bagunça reprime-me sem salvação. Porque se , para fazer uma sobremesa, sou obrigada a enfrentar um mundo de louça, não faço a sobremesa. Ponto.

Portanto, impõe-se ser criteriosa no momento decisivo e valorizar o binómio custo/benefício - como proclamam os nossos gestores. Sei, mais ou menos, do que falam.

Então, pessoas, tenho meia dúzia de trunfos na manga que correspondem às minhas exigências.
Um deles chama-se Bolo de Iogurte, fantástico, maravilhoso, imprescindível para os lanches Invernosos.


Ontem, chegando a casa a meio de uma tarde tenebrosa de chuva, vento e frio, senti o impulso irresistível de tomar chá e comer bolo.
Sem demora, recorri à receita da Bimby que, se executada na maquineta demora menos que nada.
Sem qualquer problema pode ser preparado da forma tradicional.

A receita reza ASSIM




Ingredientes

Instruções

  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC. Unte com óleo uma forma de coroa (Ø 22-24 cm aprox.)
  2. Coloque no copo a casca de limão e o açúcar e pulverize 10 seg/vel 10. Baixe com a ajuda da espátula o que ficou na parede do copo.
  3. Adicione os ovos e bata 30 seg/vel 3.
  4. Adicione a farinha, iogurte, o óleo e o sal e bata 1 min/vel 5.
  5. Adicione o fermento e misture 15 seg/vel 5. Deite na forma e leve ao forno a 180ºC cerca de 30 minutos. Deixe o bolo arrefecer na forma cerca de 10 minutos antes de desenformar. Sirva polvilhado com açúcar em pó.

Notas

Pode usar iogurte com diferentes aromas (ex.: café, baunilha, frutos silvestres).


No caso, acrescentei uma mão cheia de passas, mas as variações não têm limite - conservando a receita base, podemos acrescentar fatias de maçã e temos bolo da dita; ou dividir a massa em duas partes, acrescentando a uma delas chocolate em pó - e nasce um Bolo Mármore; ou nozes, ou amêndoas, ou ... o que muito bem calhar

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Sucesso!

Consegui cumprir  três objetivos - dois na Baixa e um na FNAC (de novo ...).
Agora pausa para café, para me animar e enfrentar o trânsito.
Esclareço:
-Nada contra o Natal. Nada. Nem nostalgias, porque aceito sem complicações emotivas que todos um dia partimos e que outros chegam. Pacífico.
- Por outro lado, agrada-me o ritual do encontro, dos jantares, dos almoços copiosos, dos reencontros.
- O que realmente me constrange, me abala, é o excesso, a loucura consumista. Acho triste, deprimente.
Ainda ontem a minha cabeleireira confessava que tinha 40 prendas para comprar.
40?
Serão necessariamente 40 bugigangas imprestáveis. Que lhe custarão o baixo rendimento de que dispõe.
Está certo?
Acho que não!
Mas a máquina está montada. Escraviza.
Não a mim.
A mim só me complica a mobilidade.
A mim que apenas quero um Natal de encontros e reencontros.

Beijo
Nina