terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Amigas,

ainda aturdida, sei que preciso de reagir. Seja lá como ou com o que for, preciso de me ocupar, vencer esta inércia, seguir em frente, ainda que o entusiasmo tenha pura e simplesmente sumido.
Na verdade, violento-me, ao escrever este texto.
Não me apetece fazer nada. O desinteresse abrange tudo o que na minha vida funciona como rampa de lançamento para novos desafios, novas experiências.
Obriguei-me a vir aqui.
Obriguei-me a agradecer o apoio, o carinho, o colo que senti palpável, real e disponível.
É o que faço.
Não tenho assunto, não sei do que falar.
De repente, a minha vida esvaziou-se. Só ficou o medo e este nó apertado na garganta.
Desde que a tragédia ocorreu, já senti intervalos de paz, intervalos na dor.
O pior é que volta. Ausenta-se por instantes, mas volta, parece que ainda mais feroz, mais dilacerante do que antes.
A todas que me abraçaram, retribuo, muito comovida o abraço.
Nina 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Apesar do horror...

O sol teimou em surgir e um novo dia nasceu.
Sem discursos, a vida impõe-se, teimando em continuar.
E assim, a seguir à revolta, à negação, vem a aceitação ... E uma réstia de paz.
Acho que a brutalidade  que assim, subitamente nos esmaga, mostra, em última análise, a precariedade da vida.
Então chorámos por quem parte, mas chorámos, essencialmente, por nos próprios, tão perecíveis como quem assim, abruptamente se vai.
Chorei por ele, pelos pais, pelos meus filhos, por mim!
Mas o sol teima em, cada madrugada, surgir, prova viva de que a vida continua.
Para sobreviver ao desgosto, há que aceitar, mas, essencialmente, há que reagir.
As lágrimas são agora balsâmicas, escape da brutal tensão interior.
São quase terapêuticas.
Sobrevem, agora, o cansaço das noites insones, a fraqueza que fortalece, que permite que o corpo se reanime, se recomponha, mais forte, já que não sucumbiu à provação.
E a aceitação. Palavra abençoada. A aceitação de que não passamos de seres perecíveis, com prazo de validade.

Hoje tudo estará consumado.
Os rituais, o remexer na ferida, mas também os abraços, os ombros amigos, a solidariedade.
Como posso agradecer o carinho que recebi?
Não posso. Não sei como.
Deixo o meu obrigada.
Nina


domingo, 9 de dezembro de 2012

Aqui e agora!


Tive um sábado perfeito, com frio e céu azul .
Combinara um almoço em casa de amigos. Um casal amigo desde sempre, desde que nascemos.
Não nos vemos muito porque há trabalho, compromissos, desencontros, adiamentos. Mas queremo-nos tão bem, que o nosso querer não sai beliscado destes contratempos.
Ontem foi, então, dia de reencontro. Maravilhoso, cheio de conversa, de intimidades que trocamos sem receio nem pudor.
Foi um almoço fantástico, com lareira acesa, assado em forno de lenha, vinho tinto especial.
A meio da tarde separámo-nos porque outros compromissos, outras obrigações nos condicionavam.
Vinha no carro, a caminho de casa, quando o telefone tocou.
Do outro lado uma voz querida, uma voz que amo, uma voz, então, muito triste, uma voz cujo tom me assustou, me arrepiou em sobressalto antecipado.
Adivinhei horror.
Não me enganei.
A voz querida transmitiu-me uma notícia horrível, inaceitável, injusta, cruel, estúpida, avassaladora, que me derrubou.
Momentos atrás, vítima de acidente, tinha morrido um jovem, filho de um casal muito próximo, ainda da minha  família, por afinidade.
Horrível, indescritível o horror.
Desmoronei, o meu mundo desabou, vítima da improbabilidade.
Não era suposto, não é esta a lei natural da vida!
Primeiro, seria de esperar que falecessem os avós, depois os pais e só então ele!
Ele, que ainda vivia a plenitude dos dias, quando se é jovem e imortal.
Vi-me no papel dos pais. Como continuar a viver depois deste cataclismo?
Dói-me tanto assistir à sua dor! Dói-me fisicamente. Dói-me cada milímetro do meu corpo!
E este nó na garganta que não desata, que me sufoca, que se forçado, solta rios de lágrimas dos meus olhos!
Minutos antes, a paz!
Estava bem! Estávamos todos bem. Tudo estava tão bem! Era tão feliz e não sabia.
E, do nada, sem se anunciar, sem que nada o fizesse prever, a vida, sádica, de surpresa, desferiu um golpe brutal sobre a nossa existência.
Suspeito que, para que o efeito seja, de facto, destruidor, a vida se arma do elemento surpresa para nos apanhar desprevenidos e, assim, melhor nos derrubar.
É horrível ter medo do amanhã, recear o despertar para um dia de negra dor!
Assim me sinto.

Nina



sábado, 8 de dezembro de 2012

Ideias!


Desfolhei uma Marie Claire. Acho que a última a ser publicada. Nela encontrei um monte de ideias coloridas e interessantes para o Natal.
Gosto das ideias, disse!
Acho-as interessantes e coloridas! Sem dúvida?
Mas, propostas para o Natal?
Absurda sugestão!
Só quem nunca pegou em agulhas pode ter a pretensão de sugerir que , em menos de dez dias se concretize qualquer uma destas ideias.
Uma vez que são, indiscutivelmente apetecíveis, há que agendá-las, guardando-as na gaveta dos projetos.

Por exemplo, este conjunto colorido de rosetas, completa uma bolsa alegre e primaveril, com a vantagem de permitir o aproveitamento de restos de fio.
Ligadas as rosetas, é só comprar a pega, forrar e já está!

Este remate para toalha é um encanto, pela leveza, fantasia de pontos, cor e resultado final.
Numa toalha de rosto, de lavabo, de mesa, onde quer que seja aplicada, dá alma nova e um toque de requinte ao mais banal paninho.

Adoro estas florzinhas.
Aplicadas, uma a uma, onde quer que a fantasia nos conduza, garantem um feliz resultado.

E que tal tricotar um gorro e um cachecol para os reis da casa?
Fazem-se num instantinho, coisa de dois ou três serões frente à TV e asseguram um ar fashion, porque é de pequenino que se começa.

Quem não gosta do belo do napperon que ponha a mão no ar!
Ena, tantas mãos!
E assim, quase como um sous-plat, pregado numa toalha branca, já gostam?
Bem me parecia!
Há que pegar nos napperons do enxoval e dar-lhes uso.
Já!
E uma toalha branca banal, deslavada, igual a mil toalhas que vestem outras tantas mil mesas, ganha estatuto de , no mínimo, preciosidade.


Esta sugestão é a minha favorita.
Não tem que ser Natal.
Tem apenas que se querer dar vida nova a frascos ou jarras banais.
Vamos vesti-los de renda.
Ficam lindos, espetaculares na bancada de uma casa de banho, com um arranjo floral seco, ou sem nada, vazios, agrupados num canto, com  ar festivo.
Logo que a renda perca a alvura, troca-se, recicla-se, inova-se! 

Ainda o crochê branco.
Faz isto a uma banal almofada.
Contra factos não há argumentos.
Apliquem-se, pois, rendas sobre as almofadas.



Finalmente, a cereja no topo do bolo, uma colcha patchwork com quadradinhos de tecidos, para ir ligando, paulatinamente, um a um. Para bordar estrelas e corações na sua superfície, ao sabor do capricho. Para forrar com xadrês de flanela, para inventar, para ousar, para, ao longo das noites frias, ver a obra crescer, tornando-se única.

Repito, são propostas sem prazo.
São propostas para se ir fazendo, com a total liberdade que garante total retribuição.

beijo
Nina

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Não é por acaso ...






... Que, tanto no campo da psicologia como da psiquiatria se recorra ao processo de associação de ideias com a finalidade de realizar diagnósticos. Assim, ao "branco" do clínico, o paciente responderá com a palavra que, com a sugerida, estabelece ponte.
Este é, de uma forma grosseira, a estrutura dessa operação mental.
Comprovo-a e confirmo-a todos os dias, a toda a hora. A associação de ideias é um by pass produtivo e um auxiliar de memória fantástico.
Concluída que foi esta "brilhante" introdução "cientifica", passemos aos factos.
Tenho uma amiga querida ( passo a redundância, já que merecendo o título de amiga, é por inerência do título, querida, queridíssima ...), dizia, que adora a cor roxa. Para ela, se todas as cores, por catástrofe sobrenatural, fossem extintas, que se salvasse o adorado roxo.
Falo da Liliane, do blog paulamar.
Pessoalmente, não tenho particular predilecção pela cor, que, por associação de ideias --lá está ela, associação de ideias -- associo à Quaresma, ao Senhor dos Passos e à paixão de Cristo.
Mas isto sou eu, e o que seria do amarelo ...
Em grandes doses, pura e simplesmente, recuso, como quem foge a sete pés de temível overdose. Já em detalhes, em apontamentos, gosto e adiro.
Então, hoje, aqui no bar da FNAC, enquanto tomo o meu expresso matinal, discorri, vá-se lá saber porquê, sobre a controversa cor e pensei em Liliane, minha amiga linda!
É que hoje, vesti-me de preto, optando por rabiscos roxos.


Nos collants!



Na mala.

Esta, transportou-me,de imediato a Sanremo, num processo mágico, no qual, a mala me transporta em vez de ser eu a transportar a mala.
Foi há dois ou três anos. Em Sanremo. Numa feira de rua.
Vi-a e foi amor à primeira vista. É uma cópia do clássico modelo Kelly, com direito a um autocolante aristocrático que garante a origem Hermes. ( por favor,não me ataquem por ter comprado contrafacção... Que atire a primeira pedra, quem nunca ...)
Feiras de rua italianas ou mercatto, como dizem os italianos, são deslumbramento para os olhos. Pela oferta, pelas italianas hiper, super, supra chiques, de jeans e ténis, mas, ainda assim hiper, super, supra chiques e a oferta e a oferta e a oferta!
 Este ano vou voltar e só a afirmação do propósito faz bater feliz e ligeiro o meu coração consumista, pecador, fraquinho face à tentação.


O casaco, quase festivo, quase prático, quase patriótico, quase chique, repõe-me em Milão, numa manhã fria de Dezembro, poucos dias antes do Natal.


Havia reservado quarto num hotel da cidade, relativamente afastado do centro, com todas as vantagens e desvantagens que a opção implica.
Uma aparente desvantagem, a distância do coração da cidade, rapidamente provou ser mais-valia:
- Percorrendo, a pé, as ruas que conduziam ao Duomo, descobri a autenticidade da vida dos locais, as lojas onde compravam, os restaurantes onde comiam, os parques por onde passeavam.
E foi assim que me deixei seduzir pelo casaco, exposto na montra de uma lojinha de bairro. Foi, como disse, amor à primeira vista. Pelo colorido, pelo brilhantismo de festa, pelo ar natalício.
Uso-o pouco, em comparação com o muito que dele gosto.
Acho que é o meu íntimo de formiga que me aconselha cautelas e prudências, não vá o tesouro finar-se.

Se não fosse já, tão longo o texto, por aqui me quedaria estabelecendo outra e outra e ainda outra ponte, tão numerosas quanto as minhas memórias.

P.S -- O casaco é de pele sintética!

Beijo
Nina

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Não foi premeditado ...


... garanto, juro até, que não foi!
Aconteceu, apenas!
E depois de acontecer, ganhou vida e vontade própria  fugindo inteiramente  ao meu controlo.
Foi assim:
Encontrámo-nos por mero acaso.
Olhei de relance e sem saber como nem porquê, voltei a olhar.
Nesse momento, percebi, que perdia o domínio das minhas ações.
Dei  ainda uns passos. Tentei afastar-me. Fugir da tentação.
Foi, porém, mais forte do que eu!
Voltei atrás e rendi-me.
Euforia e censura, em disputa, preenchiam o meu espírito.
Da contenda, saiu vencedora a euforia.
A censura e  o arrependimento virão depois.
No day after!


Chocolate preto com recheio de conhaque!
...em fabulosos gomos estaladiços, frágeis, leves como penas que se desfazem na boca, deixando atrás de si um gosto forte, amargo e doce capaz de mudar humores, de acender luzes numa alma tristonha.

E,tal como as cerejas, não é possível comer apenas um.
Come-se o primeiro e a mão estende-se para o segundo e a culpa desponta e come-se o terceiro e , marionete sem querer, engole-se o quarto e ...

Restam 6!
6 para mim, só para mim, que a ninguém mais agradam.
Sei onde encontrar uma nova caixa.
Não quero, mas sei.
E não tenho fé no meu querer. E tenho vergonha. E muita culpa!

Beijo
Nina


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Imparável ...


... esta que vos fala.
Uma semana, uma túnica!
Que tal?
Tricotada à noite, após o jantar, lareira ardendo, televisão ligada.
Um par de agulhas nº6, grossinhas, portanto, acelerando o trabalho que, em cada volta cresce quase meio centímetro, um fio branco trazido de uma das minhas andanças lá por fora e muita disposição.
O modelo muito simples.
Uma túnica sem mangas, apenas com mates na cava e pouco mais.
Depois, é vestir e ficar gira. Com ar de coisa cara, exclusiva e muito moderna!

As costas lisas, rematadas na barra com um canelado 3/3

A frente, com um profundo decote em V e uma trança que remata o decote.

Como acabamento, uma carreira de ponto baixo e uma de ponto caranguejo.
Vamos lá ouvir as desculpas que inventam para não irem, imediatamente, comprar um novelinho e um par de agulhas.
Ou será que é mais fácil repetir, como um disco rachado?:
-Ah! não sei, nunca fiz, não tenho jeito...
Desculpas esfarrapadas.
Aprendi sozinha e continuo, ávida ( e muito feliz) a aprender.
Já comecei outro trabalho. Um casaco deslumbrante, já que não faço por menos. Tem que ser muito lindo para merecer o meu precioso tempo. Depois mostro, e com o frio que está, vou ali, num instante, abastecer-me com outro carregamento de fio. Que a cabeça fervilha de ideias.
Fui!

Beijo
Nina