sábado, 2 de maio de 2020

Para adoçar os dias


Diria que a atividade mais importante nos dias que passam  é comer. Como comemos! Quanto comemos!
Suponho que passa pela lei das compensações - tiram-nos tudo, mas não nos tiram o prazer de comer.
Pessoalmente e para dizer a verdade, o princípio não se me aplica absolutamente. Tenho dias! Dias em que não como, em que debico, outros, não. É uma gula incontrolável. Aí, todo o cuidado é pouco. Depois, para agravar a situação, tenho saudades das minhas pessoas, das nossas situações e cumplicidades.
Foi assim que, de repente , me ocorreu o Pudim de Alperce que, lá muito atras, devorávamos em dias especiais.
No fundo, pouco difere do super banal Molottoff (será que escrevi corretamente?), mas difere. Leva alperces e faz uma enorme diferença.


A base, o corpo, o sustentáculo são claras

A cobertura, ovos moles

O resultado, indescritível - porque não sei descrever.
É mesmo imprescindível degustar


Então, é assim:

6 claras
12 c. sopa de açucar
100g de alperces
raspa da casca de 1 limão

Cobertura

6 gemas
200g de açúcar


Estes os ingredientes.

Faz-se assim:

Barra-se com abundante  manteiga uma forma de buraco que, a seguir, se polvilha com açucar.
Batem-se as claras em castelo firme e vai-se juntando o açúcar. Depois, a raspa da casca de limão.
Entretanto, fervem-se os alperces. Escorre-se bem a água e picam-se (no 1,2,3 , por exemplo)
Junta-se às claras.

Entretanto, liga-se o forno a 180 graus.
Coloca-se um tabuleiro com água onde caiba a forma.
A mistura irá assar durante cerca de 1 hora em banho maria.

Para a cobertura:
Cobre-se o açúcar com água (sem exagerar na quantidade) e ferve até ponto de pasta. Quando arrfecer, juntam-se a s gemas, mexendo continuam,ente, em lume brando, até engrossar, sem deixar ferver (se ferver, talha!)

Depois de desenformado o pudim, cobre-se com os ovos moles.

Será que fui clara?
Qualquer dúvida, é só dizer. Esclareço imediatamente.
Este pudim é um milagre, uma nuvem que se derrete na boca. A doçura é quebrada pela acidez do limão e dos alperces.
É bom mesmo.
Melhor, bem frio.
 Façam para sobremesa no Dia da Mãe.

Beijo
Nina

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Perdida no tempo


Sem saber a quantas ando, aparentemente sem necessidade de relógio nem de calendário, assim se sucedem os dias. Dias cheios, muito cheios, diga-se. Sem ajuda, faço questão de manter a casa organizada e limpa. Esclareço que organizada sempre esteve ou não fosse essa a minha natureza. Limpa também, quando dispunha de ajuda. Agora, quando a ninguém é permitido entrar neste espaço,  confrontei-me com as limpezas e - confesso - a princípio perdi-me, soterrada na avalanche de afazeres. Mas tudo se aprende, tudo se organiza e, neste momento, apreendi a estratégia relativa às limpezas que não precisam nem podem ser realizadas diariamente. Vai-se limpando, sem pressa, sem colocar a fasquia demasiado alta.

Ontem aspirei e conclui que o (raio) do aspirador é um monstro pesadíssimo.
Lembrei-me que, em tempos, comprara um outro, no Lidl, que não chegara a desempacotar. Tinha-me esquecido completamente da compra.
Hoje saiu à cena e, afianço que é uma pena, uma pluma, super eficiente.
Parece que o problemão da aspiração se encontra, pois, resolvido.


Ainda fiz um bolo, coisinha muito simples, de iogurte para comer ao lanche e ao pequeno almoço.

Abasteci-me de fruta o que confere à cozinha um ar de festa, um ar de vida.

Esta não chegou por encomenda online. Não! Eu própria a escolhi e comprei num supermercado pequenino, quase deserto.
Foi bom. Foi excelente confirmar que dispenso as encomendas online, se tal for necessário.

E assim, aos poucos, construo esta nova normalidade.
Espero que estejam bem.
Pacientes e cientes que este caos que sobre nós se abateu acabará por passar.

Bom fim de semana.
As previsões apontavam para sol e calor, mas aqui ainda não parou de chuviscar.

Beijo
Nina

terça-feira, 21 de abril de 2020

Olá!

Olá!
Nesta estranha fase em que vivemos, mudam-se inevitavelmente os hábitos e as rotinas, mesmo os que faziam parte inquestionável do dia a dia. Tanta coisa mudou. Dizem que nada voltará a ser como dantes.
Quanto a mim, não constitui drama o facto de ficar em casa... nem desgosto! O que me custa é, por exemplo, não poder sair quando preciso ou me apetece. É a prisão domiciliária que me incomoda. De resto, ocupo-me ( e como me ocupo, forçada que sou a tratar sozinha da “menage” , que , no fundo, encaro como uma ida ao ginásio) .
Dói-me o afastamento das minhas pessoas, das rotinas boas dos fins de semana, das cumplicidades. Substituo as presenças com o FaceTime, mas não é a mesma coisa. Sobrevivemos.
Continuo a usar e até abusar da Net, leio, pesquiso, informo-me. Mas algo mudou. Perdi o entusiasmo. Publico  quase nada. E nada há a fazer. A não ser esperar que a falta de entusiasmo passe. Sei que vai passar.
Por isso os meus silêncios, as minhas ausências não querem dizer nada. Querem apenas dizer isto. Que a vida mudou, que outras rotinas têm sido criadas.
Por exemplo, neste momento, 4 da tarde, aguardo que a Bimby sinalize que o arroz doce está pronto. Apeteceu-me. E havendo tantas restrições, mimo-me quando posso. Também já engordámos qualquer  coisita, admito.






Depois de arrefecer, polvilha-se com canela
O que emerge da espuma dourada é casca de limão e pau de canela




Há muito tempo que não comia arroz doce. Este está mesmo bom que já provei.
Pecado assumido, preparo-me para aspirar parte da casa.  Assim procedo. Aos bocadinhos para não sucumbir. E lá vou mantendo o espaço razoavelmente decente.

Portanto, nesta fase, será assim - vou aparecendo. Leio as publicações que me interessam. Às vezes comento, às vezes não.
Estou bem.
Espero que quem me acompanha, também.
Que volte à normalidade.
Que, enquanto não volta, não desesperemos.

Beijo
Nina



quarta-feira, 15 de abril de 2020

Esta manhã

O dia nasceu assim:



Um sol enganador - não durou muito e rapidamente desapareceu - quase fazia brilhar o meu terraço



Abrindo as janelas do meu quarto, esta a imagem  que me saúda

Quase esqueço que, pela frente, tenho um dia de confinamento

Não poderia deixar de mostrar a produção de morangos, dois ou três, mas enchem-me de orgulho e nem me passa pela cabeça a possibilidade de os apanhar.



São momentos bons, luminosos, reconfortantes nos dias que passam.


Beijo
Nina

terça-feira, 14 de abril de 2020

Está sol ...

... e eu deveria estar aqui!


Jantando junto ao mar ...

Esperando na compainhia de uma caipirinha

Olhando o céu azul do Algarve

Aceitando  o chamamento da piscina

Tem sido assim noutros anos, por esta altura.
Saudades!
Haja saúde!

Beijo
Nina


quinta-feira, 9 de abril de 2020

De agulha em punho ...


De agulha em punho, costuro. Não costuro, dou uns pontos. Pensei que seria tarefa monótona, mas não. É até bastante relaxante.
E, no entanto, tenho duas máquinas de costura. Uma, foleiríssima, de origem chinesa que, ainda muito nova, começou a dar problemas, desmotivando a quem nada motivada estava para a costura. No caso, eu. Era uma dor de alma de agulhas que se partiam, de fio que rebentava ... enfim, pura sabotagem aos meus intentos.

De modo que a substitui. Numa das idas a Inglaterra, decidi-me pela compra de uma Singer. Com ela a minha relação com a costura experimentou significativoa avanços.
Só que, ultimamente, as coisas descambaram e vi-me obrigada a tratar-lhe da saúde, isto é, entreguei-a a um técnico para que a reparasse.

Entretanto chega o Covid 19.
A máquina far-me-ia jeito e companhia. Mas está no hospital, encafuada em loja encerrada.
Entretanto fui contactada para a ir resgatar. Mas como? Como quebrar a quarentena? Impossível.

Daí que voltei às origens e de agulha em punho termino uma almofada (fronha) inacabada que, em pedaços, me estragava o visual da sala e me mexia com os frágeis nervos.

Informo que esta barra em crochê foi comprada  (a metro) na feira.
Palpita-me que seja obra chinesa.

Tenho utilizado este remate em tolhas e fronhas. O efeito é ingénuo mas agradável - e ninguém diria que foi, provavelmente, produzido  numa máquina.
Trata-se de um par de fronhas que já têm destinatária. A primeira foi cosida à maquina, já a segunda, pelas razões enumeradas, nasceu depois de muitos, muitos pontinhos.

Está quase pronta. E no serão desta noite ficará concluida.

Bom serão!
Beijo
Nina

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Continuando ...


 A quarentena mantem-se e cumpro-a religiosamente. Uns dias sem custo, outros não, confesso. Alguns são terríveis. E nem sei dizer ao certo porque me sinto mal. Deve ser cansaço, exaustão, privação.  Dos abraços, dos encontros, dos programas com as minhas pessoas. Deve ser isso.

Procuro criar novas rotinas e ocupar-me.
Incapaz de deambular em pijama e chinelos, visto-me , maquilho-me, preparada para um dia com compromissos.
Durante a manhã, a arrumação básica.
Almoço. Variado, incluindo vinho.
Depois, como se fosse uma sesta, tempo para um filme na tv, geralmente um policial inglês.
A seguir, alguma leitura.
Antes do chá, uma ou outra tarefa, daquelas que esporadicamente exigem atenção.
Ao fim da tarde, tempo de ginástica.
Depois de jantar, tricô e outro filme.

.
Nas agulhas o que será um colete.
O fio foi adquirido antes da crise sanitária e agora mostra que valeu a pena


Tem sido assim!
Gostava que tudo isto passasse. Que se transformasse numa má recordação.
Já!


Beijo

Nina